30 de dez de 2009

"Leave all this to yesterday..."



Chegamos a mais um final de ano. Para alguns, 2009 foi um ano que passou extremamente rápido; para outros, como eu, o ano se arrastou. Independentemente das impressões pessoais, esse ano do qual nos despedimos deixou suas marcas em todos, de um modo geral. Como habitual, houve eventos positivos e negativos, muitos deles marcantes, outros tantos totalmente esquecíveis. Deixando de lado aspectos dissertativos, vou ser mais pessoal ao escrever esse texto.

O Blog Literatura e Cinema passou por bastantes mudanças durante o ano de 2009 e eu acredito que todas elas tenham sido positivas. Esse é o segundo ano em que eu e o Renan participamos da blogosfera, compartilhando com os leitores um pouco de nossas opiniões sobre filmes e livros, algumas séries de TV e outras coisas. Próximos a completar dois anos de existência com esse blog, nós não podemos estar mais felizes! Não quero me prolongar muito com agradecimentos, apreciações e sessões de culto às pessoas... vou logo ao que interessa. Mais ou menos no meio desse ano, nós conhecemos O Cara da Locadora, um blog também sobre filmes, adminstrado pelos competentes Nespoli e Miojo - que andaram sumidos por um tempo. Como nossa primeira grande interação foi com eles, devemos a eles os nossos mais sinceros (e permanentes) agradecimentos e o blog deles, pelo em relação a mim, é um dos preferidos. Mês passado, depois de um ano e oito meses de blog, eu e o Renan mudamos de plataforma e viemos para o blogger. A esse fato, damos credibilidade às sugestões do Cristiano, do blog Apimentário. Certamente estamos mais felizes aqui e acredito que os leitores - que não perdem os seus comentários caso haja erro - também se sentem melhores ao comentar aqui. Aproveitamos também para fazer um agradecimento a todos os blogs e donos de blogs que estão listados nos nossos favoritos: Otávio, Leonardo, João Bastos, Matheus, Ciro, Roberto, Alexandre, Bruno, Hugo, Ricardo, Thiago, Tobias, Diego, Marcelo C., Bruno P., Levi, Malu e Cíntia. Não podemos, nem por um instante, nos esquecer da Cleycianne, diva do Senhor, que nos faz rir com seus maravilhosos posts evangelizadores.

 Vou me voltar ao tópico principal desse blog: literatura e cinema. Esse ano foi bastante produtivo, muitos filmes estrearam nos cinemas e chegaram aos catálogos das locadoras. Como um presente, tivemos duas vezes Clint Eastwood: dirigindo o emocional A Troca e em dupla participação, como ator e diretor, no igualmente bom Gran Torino. Vimos a melhor interpretação de Mikey Rourke, em O Lutador. Brad Pitt encarnou um personagem um pouco mais denso em O Curioso Caso de Benjamin Button. Rimos de Sandra Bullock e Ryan Reynolds em A Proposta. Conferimos o estranho Anticristo, com toda a sua polêmica em torno das cenas fortes. Tivemos uma péssima surpresa com 2012. Fomos assistir ao risível segundo filme da série Crepúsculo, Lua Nova. Infelizmente, não pudemos conferir ainda alguns títulos bastante comentados, como 500 Dias com Ela; Se Beber, Não Case; Bastardos Inglórios; Atividade Paranormal; Os Amantes e o superelogiado Avatar. Vale comentar também sobre os muitos famosos internacionais que vieram visitar o Brasil. Tom Cruise veio promover seu filme assim como fizeram Kristen Stewart e Taylor Lautner. Brad Pitt veio passar uns dias em Bonito e conheceu um pouco do lugar onde pretende gravar o seu próximo filme. Vale ainda ressaltar que em 2009 a Academia nos surpreendeu: finalmente premiou Kate Winslet! E Meryl Streep bateu o seu próprio recorde de indicações! 

Nas livrarias, alguns sucessos de bons autores e outros tantos títulos se fazendo passar por sucessos desses autores. Podemos citar, por exemplo, os novos romances de Dan Brown e Stephen King, chamados, respectivamente, O Símbolo Perdido e Duma Key. Devemos nos lembrar também de que em 2009 chegou Eclipse e Amanhecer, penúltima e a última parte da série Crepúsculo e que vários outros livros de vampiros surgiram, provavelmente embarcando no sucesso das obras de Stephenie Meyer. Houve mais alguns lançamentos de livros cuja história envolve animais (se aproveitando da sensibilidade pós-Marley e Eu) e, aproveitando o gancho de alguns sucessos do ano passado, foram lançados livros como Encontre Deus na Cabana, que não deve trazer nada de original e que, como se não bastasse, está fazendo marketing usando história de outra pessoa. Houve também outros lançamentos, como a série infanto-juvenil iniciada pelo livro Túneis; Os Últimos Dias, segundo volume da série Vampiros de Nova York, também entrou na estante dos lançamentos. Falando em Vampiros e retomando Stephenie Meyer, foi lançado A Hospederia, que esperamos em breve resenhar aqui para vocês. Acredito que esse foi um ano interessante quanto aos livros, porque ainda melhor do que conhecer os títulos recente foi conhecer mais antigas de grande destaque, como O Morro dos Ventos Uivantes, 100 Anos de Solidão. Vale ressaltar ainda que esse foi um ano de experiências: eu li Veronika Decide Morrer e o Renan leu O Alquimista, ambos livros do mago Paulo Coelho.

O ano, porém, não foi apenas de alegrias. Inesperadamente, algumas celebridades morreram de maneira inesperada. Vamos citar alguns nomes e nos focar naquelas que faziam parte do cinema. Morreu aos 59 anos John Hughes, famoso produtor e diretor de Hollywood; um de seus filmes de maior destaque certamente é Curtindo a Vida Adoidado, e é dele também os roteiros dos filmes Esqueceram de Mim e Bethoven. Stephen Gately, mais famoso pela sua carreira como cantor, morreu aos 33 anos; atuou em O Senhor das Armas. Acredito que Farrah Fawcett e Michael Jackson (este não ligado diretamente ao cinema) dispensam apresentações. Ela, ex-Pantera, morreu devido a um câncer, aos 62 anos, e ele morreu de parada cardíaca, aos 50 anos. "Parada cardíaca" é uma mal perigoso: também nos tirou Britanny Murphy, atriz de 32 anos que faleceu subitamente. Dentre seus filmes de maior sucesso, destacam-se Grande Menina, Pequena Mulher e 8 Mile. As mortes de Jackson e Murphy foram muito surpreendentes - ele por causa da disposição física e ela por causa da pouca idade. Outro que se rendeu à morte foi Patrick Swayze, famosíssimo pelos filmes Ghost - Do Outro Lado da Vida, em que faz par romântico com Demi Moore e no qual há uma cena bastante lembrada por todos os cinéfilos, e no filme Dirty Dancing, no qual interpreta um dançarino que se apaixona por Baby, personagem de Jennifer Grey.
Pouco se falou, mas outros nomes importantes do cinema também faleceram. Talvez as mortes desses não tenha surpreendido tanto, afinal já eram bem idosos. O ator canadense Jason Wiseman morreu ao 91 anos e atuou ao lado de grandes personalidades, como Marlon Brando (em Viva Zapata!, de 1952) e Burt Lancaster (em The Unforgiven, de 1960). É possível que, por nome, vocês não se lembrem dele, mas certamente se lembrarão de um de seus personagens mais famosos: o satânico Dr. No, do primeiro filme do agente 007, que contava ainda com Sean Connery e Ursula Andress. Há 66 anos, uma moça de nome Jennifer Jones estreou no filme A Canção de Bernadete. A partir de então, fez bastante sucesso e conseguiu cinco nominações ao Oscar. Em 2009, ela também se foi, aos 90 anos. Segundo o Marcelo - a quem agradeço pela opinião -, "a moça que iniciou a carreira dando vida a uma santa surge, três anos depois, mais bela do que nunca, no controverso Duelo Ao Sol, de King Vidor, escrito e produzido, especialmente para ela, pelo então 'amante', David Selznick. Para os que admiravam o trabalho e a beleza da atriz, é essa a imagem que fica: da mestiça que encanta e enfeitiça os dois irmãos, vividos por Joseph Cotten e Gregory Peck, colocando-os em pé de guerra”. Não posso me esquecer de outros nomes: Roy Disney, filho do famoso Walt Disney, faleceu; Herbert Richers, nome que sempre ouvíamos quando íamos conferir um filme qualquer na TV. Leila Lopes também se foi e, embora não analisemos aqui os filmes em que ela recentemente passou a atuar, não podemos desconsiderá-la atriz - pelo menos obteve sucesso na teledramaturgia. Outra das novelas: Mara Manzan.

Assim, acredito que, de um modo geral, esse tenha sido um ano cheio de notícias e acontecimentos, sejam eles bons ou ruins. Aqui no Blog foi um ano positivo e eu e o Renan obviamente esperamos que 2010 seja tão bom quanto! Acredito ainda que seja válido fazer, pelo menos, mais um agradecimento: este, bastante sincero, vai ao Marcelo, do blog Diz que Fui Por Aí. Conversar sobre cinema no msn nunca foi tão divertido e ele parece simplesmente saber o que é preciso saber sobre a sétima arte, de forma que nenhuma conversa se repita e eu, pouco a pouco, aprenda ainda mais. E, como se isso não bastasse, ainda conheci outros blogueiros interessantes por intermédio dele e me juntei à equipe de um novo blog, sobre o qual falarei no post de abertura do novo ano.

Eu, que não queria me prolongar, escrevi demais! Acho que tudo o que precisava escrever está acima, desde pequenas informações até persistentes elogios.Eu e o Renan desejamos realmente que todos tenham um feliz ano novo e que todas as festas sejam bastante divertidas. Queremos também que 2010 seja favorável a todos - que haja fartura, dinheiro, diversão e, logicamente, bons filmes e livros (além de bons vinhos e boas músicas)! Que a Literatura e o Cinema, potenciais fatores de cultura, estejam sempre presentes.

Como todos têm direito a descanso, o blog entra num breve recesso e volta apenas no ano que vem, com muitos novos títulos para ser comentados, possivelmente algumas novas sessões e com muitos convidados especiais!
Até 2010, pessoal!

28 de dez de 2009

A Estrada da Noite


Heart-Shaped Box, 2007, 320 páginas. (Editora Sextante).
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O livro conta a história de Jude, um rockeiro "catador", que compra um fantasma pela internet, ele recebe um paletó do defunto em uma caixa em formato de coração (daí o título original: Heart-Shaped Box) mas esse fantasma é real, e torna sua vida um inferno, já que em vida Craddock era um hipnotizador, e pode fazer uma pessoa se suicidar ou cometer qualquer outro crime em minutos.

No decorrer do livro o autor explica o romance entre Jude e Anna (Flórida), enteada de Craddock, que se 'suicidou' depois de levar um pé na bunda dele, como Jude e Marybeth (Geórgia) podem se livrar dele, o porque das vidas de Jude e Marybeth serem tão conturbadas e etc, tudo em uma forma de suspense, terror, aventura e romance.

O livro é o primeiro de Joe Hill (filho de Stephen King), e é realmente bom, não é aquela leitura cansativa; você se apega aos personagens e torce pra que tudo de certo. Acho que não é um livro muito conhecido, pelo menos aqui em Rio Claro (SP), não há nenhum exemplar na biblioteca, o que pode se repetir em outras cidades, então se você tiver que comprar, saiba que vale muito a pena.

Renan
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Quando li a sinopse do livro em sua contra-capa, achei que pudesse ser legal. Não estava totalmente certo, porém, definitivamente, não estava errado. Histórias como essas sempre me pareceram bem interessantes e a forma como o autor parecia tratar do assunto no livro foi o que me motivou a comprá-lo. E como se não bastasse ser o tipo de literatura que gosto, o autor ainda é filho de um dos meus autores preferidos - Stephen King -, o que me fez pensar que Joe Hill seria mais um grande nome da literatura do horror (descobri apenas no meio do livro que havia esse parentesco entre os autores).

O astro do rock Judas Coyne tem o bizarro hábito de colecionar coisas estranhas, sejam elas quaisquer tipo de anormalidades. Junto com uma de suas mais recentes aquisições - um terno que, segundo a vendedora, era possuído por um espírito - veio uma série de tormentos e desgraças. Então, a vida de Judas e Geórgia (ele curiosamente chama as suas namoradas pelo nome do estado em que nasceram), com quem divide a casa se transforma repentinamente quando ele descobre que há de fato um fantasma naquele terno e como se não bastasse, o terno ainda pertenceu ao homem cuja filha fora namorada de Judas e, porteriormente, se suicidara. Junto com os dois cães, Angus e Bon, Judas e Geórgia começam a lutar para sobreviver diante da ameaça incontrolável que se tornara aquele fantasma.

O livro é interessante e recomendável, a leitura flui, mas há um tom muito hollywoodiano no contexto todo: as descrições são por vezes muito exageradas e nos remetem a efeitos especiais supercriativos; o livro parece ter sido feito já com o intuito de tornar-se um filme, então ele já parece meio roteirizado. Joe Hill (ainda) não se equipara ao mestre Stephen King e, comparando uma obra do autor à de seu filho, perceberemos que há um abismo de diferença entre as narrativas. Ponto positivo para 1) a caracterização dos personagens, ora tão comuns, outras tão complexos, 2) a forma objetiva e clara com a qual o livro foi escrito, sem prolixidade e sem transformar em 800 páginas aquilo que necessitaria de apenas 300 páginas para ser escrito e, por último, 3) a boa "tradução" que fizeram de Heart-Shaped Box para A Estrada da Noite, já que o título nacional ficou muito melhor e mais contextualizado com a narração em relação ao título original, apesar de haver um significado para ele. Enfim, o livro vale a pena, apesar daqueles poucos pontos negativos que citei acima.

Luís

26 de dez de 2009

O Menino do Pijama Listrado


The Boy in the Stripped Pyjamas, 2008, 94 minutos. Drama.
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Particularmente considero a II Guerra Mundial um pouco desgastada. Já tivemos exemplos onde se tenta humanizar Hitler como A Queda, tem – se a guerra retratada pela visão dos americanos contra os japoneses em Pearl Harbor ou ainda mais recentemente O Leitor, mas uma visão infantil e inocente desse episódio historicamente conhecido eu nunca tinha visto, fato que me fez exaltar demais o filme e esse foi um dos principais motivos para não ter achado O Menino do Pijama Listrado tão bom assim. Outra consideração que quero fazer antes de analisar o filme é que não li o livro no qual o filme é baseado, portanto se eu criticar ou elogiar algum ponto estarei fazendo isso baseado apenas na obra cinematográfica.

O primeiro ponto que achei falho no filme é o total desprezo em usar a língua alemã, pois mesmo entendendo perfeitamente que o filme tem todas as bases no inglês acho que seria muito mais realista usarem duas ou três frases em alemão já que o filme se passa lá (eu realmente não considero Heil Hitler uma frase decente). Outro ponto que pode enfraquecer um pouco o filme é o fato de ser parecido com outro romance no qual dois garotos também são protagonistas, aqui estou citando O Caçador de Pipas. Mesmo sendo totalmente diferentes, o objetivo dos dois muitas vezes se parece, como na cena em que Bruno trai Shmuel, ou a inocência sendo perdida, mas reforço que isso é apenas uma teoria particular. O filme se torna recomendável por ter, certamente, mais pontos positivos do que negativos. O cenário é belíssimo e a fotografia entra ajudando ainda mais, nessa perspectiva temos o contraste da casa onde a família de Bruno vive (escura, grande e praticamente sombria) com a floresta e o campo onde ele se encontra com Shmuel (espaçosa e clara). Outro ponto a favor são as atuações. Diria que nesse ponto quem se destaca é a mãe de Bruno que diferente do marido e até da filha sofre ao saber as verdadeiras atrocidades que acontecem tão perto de sua casa, desestabilizando seu casamento e dando ao filme bons momentos dramáticos. O pai (David Thewlis de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban) fica apagado no filme e parece não se decidir entre ficar ao lado da mulher ou do seu país e nem as brigas que eles têm parecem capazes de suprir a falta de dinamismo de sua atuação. O resto (os 80 % restantes do filme) é dominado pelas duas crianças que fazem seu papel bem, principalmente Bruno com sua inocência extrema mostrada em diálogos como o que ele diz que os adultos nunca sabem o que querem.

Gostei bastante do final inesperado, pois jurava que eles terminariam todos felizes com uma bela lição de moral a lá Crônicas de Nárnia. Ainda na última seqüência de cenas tenho que destacar a cena em que os dois dão as mãos pois naquele momento eles se mostram junto de verdade e haja o que houver eles estarão juntos. Outra cena marcante é quando se mostra de cima todas aquelas pessoas espremidas dando a noção da brutalidade que ocorria ali.

Renan
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Na minha opinião, esse é apenas mais um filme sobre a guerra, no qual os eventos históricos tornam-se meros planos de fundo. Tendo como ponto de destaque o relacionamento espontâneo entre os dois garotos - um judeu e um filho de general nazista -, o filme se mostra com pouca densidade e muito irritante, uma vez que usa as crianças para condiciar o espectador a pensar em coisas bonitas para no final tentar surpreendê-lo com cenas pseudodramáticas.

Tal como o Renan, eu não li o livro, mas penso que se ele for como o filme é, então é perda de tempo conferi-lo. Se tem uma coisa que me incomoda muito em filmes é quando crianças são usadas como fontes de drama. A maioria dos espectadores dispersam ao verem uma criança em cena: vêem-na tão bonita que se esquecem da função do personagem para a história; consideram-na tão charmosas e simpáticas que não percebem a lavagem cerebral que está acontecendo. E o filme faz ótimo uso desse recurso: o relacionamento singelo entre as crianças faz parecer que tudo esteja indo às mil maravilhas com o aspecto técnico do filme. No final, surpreendem-se, choram, dizem ter adorado o filme.

Não há nada de grandioso no filme. Há dois aspectos positivos: a fotografia, que é bonita e em equilíbrio, e a tentativa de mostrar o conflito interno pelo qual passa a mãe do garoto alemão. Ela pensa que o marido faz um ótimo trabalho, mas fica perturbada ao descobrir o que é. Considero esse o ponto interessante do filme. As crianças são enfeites e algumas situações têm a mesma função: robotizadas, trabalhando para fazer o espectador verter lágrimas. E há uma série de contradições ao longo do filme que me fizeram perguntar se realmente supunham que fôssemos acreditar naquilo. Para exemplificar, pode-se citar a visível ausência de segurança que havia no lugar. Ninguém percebia que a criança alemã saía da casa; ninguém percebia que um garoto judeu conversava com alguém de fora do campo de concentração. O judeu simplesmente passeia tranquilamente, rouba pijamas sem ser notado e o outro - numa cidade muito incoerente - cava um buraco e entra no cercado onde o garoto judeu está. Num campo de concentração onde não há guardas atentos, como se pode esperar que não haja fugas? E, para melhorar ainda mais, em vez de fugirem dali, os dois caminham para o grand-finale. Daí vocês me dirão: mas ele só fizeram o que fizeram porque queriam encontrar o pai do garoto judeu. E eu direi: desde o momento em que essa afirmação é dada, o final se torna totalmente previsível, porque já sabemos como tudo vai se desenrolar.

Eu acho que esse é um filme dispensável e que não mudará a vida de ninguém. Recomendo somente se você for um fã da II Guerra Mundial - que é um tema bastante explorado -, porque se você não for, pode não gostar. Se gosta de atores atuando no automático, esse filme é uma boa pedida também. E, acima de tudo, se curte histórias pseudo-comoventes e previsíveis, esse filme é um prato cheio!

Luís

25 de dez de 2009

Feliz Natal



Nós, do Literatura e Cinema, desejamos a todos um Feliz Natal.

24 de dez de 2009

Austrália

Australia. EUA/Austrália, 2008, 167 minutos. Drama.
Indicado ao Academy Awards de Melhor Figurino.
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Austrália é decididamente um filme estranho, pois tem diversos pontos positivos, mas na junção de tudo o resultado foi um filme longo que não entretém e nos deixa com a sensação de tempo gasto a toa.

Hugh Jackman com certeza está entre os atores mais carismáticos da atualidade. Depois de sua apresentação no Oscar tive vontade de ver mais filmes com ele. Voltando ao filme, talvez seja ele que mais trabalhe no filme. Drover, seu personagem, é grosseiro e rude, mas por trás dessa máscara, há um homem bom e justo que realmente é capaz de amar Lady Ashley. Concordo com o Luís quando ele disse que o Hugh Jackman merecia uma indicação. O que posso falar de Nicole Kidman ? Ela é a atriz que deu vida a filmes maravilhosos como Moulin Rouge, Os Outros e As Horas. É difícil de acreditar no papel dela em Austrália. Lady Ashley é uma mulher forte e destemida que faz de tudo para dar continuidade a fazenda de seu ex-marido. O grande problema é como isso é mostrado, pois em várias horas temos a impressão que quem dirigiu a cena foi um diretor da Zorra Total e Casseta e Planeta de tão boba e caricata que elas ficam. Assistam a cena do canguru e vejam por si só. Outro problema é a criança aborígine. Não propriamente ela, mas o tom misterioso e sobrenatural que a ronda. Não tenho nenhum problema com filmes que não retratem a realidade, do contrário, adoro ficção e etc, mas misturar um drama épico com supertições não fui uma boa sacada.

Tá, o filme tem algumas coisas boas claro, principalmente quando se nota os cenários. A idéia de uma terra nova é bem passada com enormes extensões de terra vazia com desfiladeiros enormes juntamente com uma fotografia mais tom de terra. O figurino também é belíssimo principalmente o vestuário de Lady Ashley. Por fim, não recomendaria Austrália pelo lado negativo se sobressair ao positivo, pois com as suas quase 3 horas de filme, o tempo parece não passar e sentimos que assistimos umas 5 horas.

Renan
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Ansiei por ver esse filme. Tão logo que estreou, esperei pelo final de semana para ir conferi-lo; para o meu desagrado, antes que pudesse ir, o cinema de onde moro retirou o filme de cartaz e eu tive que esperá-lo entrar para o catálogo das locadoras. Mesmo assim, demorei para vê-lo e somente recentemente pude formar minha opinião a respeito. E minha avaliação final resultou numa nota bastante mediana, isto é, o filme definitivamente não se adequou às minhas expectativas.

Lady Sarah Ashley foi à Austrália depois que seu marido morreu supostamente assassinato por um nativo. Em meio à Segunda Guerra Mundial, ela se vê em dificuldades quando descobre que o contador de seu marido e o capataz da propriedade estão extraviando os bois da família, levando-os para territórios vizinhos, onde os vendem e ficam com o dinheiro. Depois de despedi-lo, ela se desentende com o vaqueiro Drover, já que ele desaprova totalmente a atitude dela de dispensar o outro criado, pois, sem ele, não há como fazer a venda dos animais. Lady Sarah Ashley, incentivada pelo contador que se redimiu, propõe a Drover que ele mesmo leve os animais até Darvin, para vendê-los e acabar com o monopólio de um magnata dos bois. Ao mesmo tempo, ela se vê totalmente envolvida pela cultura da região devido à aproximação com Mullah, uma encantadora criança aborígene.

O filme tinha tudo para ser uma ótima produção: um diretor capaz, atores bons, paisagem interessante e a possibilidade de transformar o roteiro em algo bem grandioso. Isso, porém, não aconteceu e o que senti após vê-lo foi profundo desapontamento. Antes de começar a explicar os porquês de achar o filme ruim, gostaria de dizer o porquê da minha decepção máxima: em 2001, a junção Luhrmann-Kidman rendeu um filme excelente, que conquista a (quase) todos e que se mostra espetacular não somente na reinvenção do gênero musical, mas também como obra cinematográfica! Eu havia logicamente de esperar que a mesma junção, pelo menos, rendesse um filme bom, que me entretivesse e me fizesse enumerar qualidades - e não defeitos. Pois bem, uma vez explicado o fato, vamos à análise do filme.

O roteiro é bastante complicado e talvez o maior dos problemas do filme, então prefiro começar por ele. A história provavelmente funcionaria eficientemente se fosse tratada dentro do gênero épico, que inclusive combinaria com a longa duração da obra. Tudo se desenvolveria bem se o enfoque fosse na situação dos personagens e não nos personagens em si: dada a opção do diretor, o romance se torna um elemento forte e problemático, já que é tendencioso e retoma todos os clichês que pensaríamos que foram abandonados por diretores bons como Luhrmann. O fato é a junção de vários gêneros numa única produção fez com que ela ficasse atordoada e desconexa, havendo muitos momentos incoerentes e contrastantes entre si. Vou discorrer sobre eles agora e, aproveitando, comentarei a respeito da direção.

O primeiro tom que vemos no filme é o cômico. Os primeiros 20 minutos nos apresentam cenas totalmente incabíveis para o tema do filme: vemos uma introdução incorreta do personagem Drover; vemos uma luta que poderia ter sido descartada; é mostrado um humor pra lá de dispensável e - como se tudo isso não fosse o bastante - ainda somos apresentados àquela que considero uma das cenas mais humilhantes de toda a década e pela qual senti muita vergonha alheia (pobrezinha da Nicole Kidman!). Pouco depois, o ar cômico é ignorado e nós começamos a perceber os elementos mais sérios; o roteiro finalmente faz com que Lady Ashley pare de ser infantil e torna-a mais adulta, com menos manias. Esse é o momento pelo qual eu ansiava: a correção. Por um momento, pensei que o enfoque fosse se manter naquilo que é realista e que está diretamente ligado à história principal, que é sobrevivência e a volta por cima no continente desconhecido. Porém, as coisas desandam mais uma vez e o que vimos é o acréscimo do misticimo, que definitivamente é outra opção errada. Me senti totalmente angustiado com aquela criança aborígine ridícula cantando para tentar impedir que o pior acontecesse (quem assistiu ao filme, certamente sabe a que cena me refiro). A esse trecho do filme, dou o nome de road-movie rural, pois inclui trechos bons que mostram a viagem dos personagens que se dá por métodos obviamente rurais e digo que esse foi o pedaço que mais me agradou. O auge do filme se encerra antes que cheguemos à sua metade - justamente quando, contraditoriamente, o entretenimento começa a ser maior - e o que nos resta é assistir a um brusco descontrole por parte do diretor, que perdeu o rumo. Vimos acrescidos os gêneros romance e drama, além de ser mantido o tom místico - e deveras impróprio - que incomodou cenas antes. O roteiro não se contentou em deixar a produção estranha; teve também que estragar os personagens. Lady Ashley é muito mal desenvolvida e o tempo todo nos questionamos quanto às suas atitudes e decisões; ela se mostra tão instável e fora de rumo como a direção do filme e o tom que a ele foi dado. A "encantadora criança aborígine" - como está escrito na sinopse da caixa do DVD - não tem nada de encantadora. É tão irritante com seus trejeitos e não sabe se gosta o suficiente da família que tem a ponto de ficar com elas ou se quer ir para a jornada do descobrimento pela qual tem que passar. Assim como Lady Ashley, a criança tem uma personalidade estranha e inconstante.

Um roteiro ruim faz com que o filme obrigatoriamente seja ruim? Definitivamente, não. Isso significa que Baz Luhrmann poderia ter escolhido melhor a maneira como conduziria o elenco e como os inseriria dentro do lastimável enredo. Porém, mais infeliz do que o roteiro é a direção dele! Poucas vezes vi uma atriz tão talentosa como Nicole Kidman sendo destruída pelas mãos capazes de um diretor. Na meia hora inicial ela está absolutamente monstruosa, com trejeitos desnecessários e exageros em cada gesto, em cada tom de voz. Já disse acima, mas vou reforçar: cabe à sua personagem uma das cenas mais constrangedoras da atualidade. Como a criança aborígine não atua - não sei se por incompetência ou pela má direção -, não escreverei a respeito dela. Meu maior elogio vai a Hugh Jackman, que, pelo primeira vez, me surpreendeu como ator. Antes, nutria por ele simpatia, pois ele é realmente carismático; foi neste filme, que eu facilmente compreenderia se algum ator se revelasse entre o mediano e o insatisfatório, que Jackman mostrou que consegue ir além do cotidiano Wolverine. Achei-o realmente muito à vontade e confiante ao interpretar Drover, o único personagem do qual realmente pude gostar. Realmente não entendi o porquê de Hugh Jackman ser preterido em função de Robert Downey Jr. pelo péssimo Trovão Tropical. Incontestavelmente, o primeiro está bem melhor e se mostra muito mais capaz que o segundo. A Academia, infelizmente, segue alguns padrões estranhos para indicações e em sua edição mais recentes acrescentou nomes às listas do Coadjuvantes que definitivamente não deveria estar ali. Hugh Jackman, injustamente, perdeu a oportunidade de receber sua primeira indicação...

Se leram todos os aspectos negativos e chegaram aqui com a ideia de que o filme não seja totalmente bom, eu afirmo que há aspectos positivos também. Particularmente gostei bastante da fotografia do filme quanto às paisagens que nos são mostradas. A aridez do deserto australiano é bem mostrado e imprime a beleza que falta a algumas cenas. Infelizmente, algumas cenas foram concebidas erroneamente quanto ao ambiente e os efeitos computadorizados usados fazem com que perdamos um pouco o interesse pelo que é bom no filme. As mais de duas horas não se devem à narrativa lenta, mas sim à opção de contar várias histórias seguidamente: primeiro, a volta por cima de Lady Ashley; depois o relacionamento amoroso entre Drover e a patroa e, simultaneamente, a afeição surgida entre Mullah e Lady Ashley; em terceiro plano, surgem um plano de vingança e as consequências da guerra. O filme, portanto, não é longo pela sua excelência em relação ao tema épico central. Ele se estende tanto pela dificuldade que Lhurmann encontrou em resumir todos os eventos que queria mostrar.

Embora seja errôneo e cheio de clichês, há entretenimento em algumas partes; já em outras, sentimos aquela vontade imensa de apertar fast-forward e encurtar um pouco o que estamos vendo. Austrália é basicamente um filme irregular, cheio de altos e baixos e, definitivamente, as adversidades fazem com que queiramos mais não vê-lo do que vê-lo. Por fim, eis o momento em que digo se vale a pena vê-lo ou não. Como não posso dizer isso objetivamente, vão as minhas sugestões: se o trabalho dos atores agradam a vocês, recomendo que assista à Austrália pelo menos para vê-los; se não gostam de ninguém que esteja presente na produção, não veja, pois não é uma obra indispensável.

Luís

22 de dez de 2009

Irreversível

Irreversible. França, 2002, 95 minutos. Drama.
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Este é o típico filme que é famoso por uma única cena. Mesmo que uma pessoa não tenha assistido a ele, ela certamente já ouviu falar - ou até chegou a ver - a tão comentada cena do estupro. O mesmo acontece com outras produções, como O Último Tango em Paris, que tem a cena de sexo anal com manteiga, e Brown Bunny, em que numa das passagens a atriz literalmente faz sexo oral no ator. Indo um pouco mais além, acredito que Irreversível seja o filme que divide opiniões e separa os espectadores em dois grupos: aqueles que o adoraram e aqueles que o detesteram. Definitivamente, não é uma obra para meio termos.

Realmente não me agrada a ideia de resumi-lo aqui para vocês, pois haveria perda daquilo que considero que seja o grande charme do filme. Tentarei, portanto, dar uma noção geral, sem, no entanto, revelar quaisquer assuntos importantes. A principal abordagem é a ação sem volta, o que acaba dando título ao filme: depois de um estupro, dois homens chegam a extremos para descobrir o criminoso. Todos os atos mostrados, desde o mais consciente até o mais instintivo, ganham proporções imensas e, inquestionavelmente, geram consequências dantescas. Até agora, não especifiquei com exatidão o partido que defendo: estou com aqueles que acham Irreversível um filme muito bom! Isso porque, em suas medidas, o filme assume o tom exato e o mantém do príncipio ao fim, tornando-se um excelente drama com ótimas passagens, algumas com suspense também. Uma de suas principais características é a crueza com a qual todos os personagens, cedo ou tarde, acabam lidando. Gostaria de dizer que alguns personagens impõem sua raiva de maneira animalesca e proposital, mas toda a violência que vemos se molda dessa maneira. A diferença é que o propósito de uns é provocar a dor, enquanto o propósito de outros é retribuir a dor.

Acho que, embora o cinema apresente várias vertentes, como a comédia, ação, aventura, terror, etc., as pessoas ainda não estão acostumadas a ver filmes cujo tema é tão específico quanto o mostrado nessa produção. Muitas pessoas gostam de filmes violentos, como aqueles do Stallone, Arnold Schwarzennegger, mas não se dão bem ao assistir a esse, porque a violência mostrada aqui é extremamente realista e enquanto assistimos sabemos que nós - nossos pais, irmãos, familiares, qualquer um que conheçamos - podemos ser submetidos às situações como aquelas. O excesso de realidade provoca certa repulsa no espectador, que se choca com o que vê. Dentre as cenas, acredito que sejam duas as que agridem mais a quietude: o resultado da busca de Marcus por Tênia e, posteriormente, a tão famosa e tão citada cena do estupro. Eu particularmente, gostei de ambas as cenas, pois retratam uma violência sem limites, completamente exageradas, mas que, ao mesmo tempo, são ótimos reflexos que exibem o quão ensandecido o ser humano é capaz de se tornar a ponto de permitir que a barbárie invada seus pensamentos racionais. São quase dez minutos da cena em que Monica Belluci é estuprada e tudo contribui para que realmente creiamos naquilo: desde o cenário claustrofóbico até a presença de um pênis exposto e um figurante ao fundo.

As atuações dos atores principais, Vincent Cassel e Monica Belucci, são realmente interessantes e não deixam a desejar em nenhum momento. Em todos os momentos, eles conseguem nos passar a sensação de que estão realmente a sentir aquilo que o roteiro sugere que sintam. Com a narrativa tem uma peculiaridade interessante - é narrado de trás para frente -, nós somente conhecemos Alex, personagem de Monica Belucci, a partir do meio do filme, embora tenha sido por causa dela que todo o processo tenha desencadeado o alvoroço promovido por Marcos no início do filme. Acredito que poderiam ter dado um pouquinho mais de normalidade à personagem Alex, porque, de alguma forma, ela não aparece tão realista quanto o resto do filme, principalmente no trecho imediato que antecede o estupro e na cena posterior - cronologicamente anterior - a essa, na qual dança. Há um quê de niilismo inconvenientedurante essas duas cenas, mas logo isso desaparece, voltando de novo a dominar o realismo. Vincent Cassel, que eu já tinha visto em Doze Homens e Outro Segredo, me surpreendeu muito aqui, pois se mostrou realmente denso durante os momentos em que aparece.

Eu definitivamente recomendo esse filme a vocês, pois nele há uma junção interessante de elementos. O roteiro nos traz uma história bem simples, porém muito eficiente na sua tentativa de mostrar em quais desastres uma atitude pode resultar; os atores estão à vontade em seus personagens, repassando toda a violência, interna e externa, a que o roteiro os submete; a direção é muito boa também, não deixando a qualidade decair. O principal, na minha opinião, é a maneira claramente alusiva com a qual o filme é narrado: não sabemos ao certo o destino dos personagens, pois, como vimos o final no começo e a partir daí é apenas retrocesso, todas as suas atitudes fizeram surgir a irreversibilidade que dá título ao filme. Vale a pena!

Luís
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20 de dez de 2009

100 Escovadas Antes de Ir Para a Cama


100 Colpi di Spazzola Prima di Andare a Dormire, 2003, 158 páginas (Editora Objetiva).
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A primeira vez que eu li algo sobre esse livro, foi quando eu folheava uma revista Playboy. Li um trecho que fora posto na revista, justamente o trecho da página 48, quando Melissa narra seu aniversário de 16 anos. Dois dias depois de ler esse trecho, eu comprei o livro. Eis o tipo de literatura divertida, que te prende (não por ser "cultural") e te faz fechar o livro somente quando acabar de lê-lo.

Mellissa é uma garota siciliana que se irrita com o namorado após ele dizer que eles não podem continuar juntos porque ela não sabe o suficiente sobre sexo. A garota dispõe-se a descobrir tudo aquilo que for necessário para provar a ele que estava errado e entrega-se aos prazeres da carne, embora nem sempre esteja a mercê dos prazeres. Ele escreveu todas as suas experiências num diário, que em 2003 foi publicado e se tornou esse livro.

Não sei se é possível considerar esse livro como literatura, afinal está mais para revistinha erótica do que para literatura; talvez classificá-lo como "literatura adulta" seja uma boa, já que isso é apenas uma forma de dizer que um livro é uma seqüência de páginas pornográficas que, provavelmente, não vão te trazer uma cultura realmente aproveitável. Acho que pode ser considerado um Kama Sutra mais suave. Durante quase todo o livro, nós podemos compreender o lado de Mellisa; ainda adolescente, ela não somente tem um objetivo a cumprir como também tem o que experimentar e ao unir uma coisa com a outra, surge uma série de aventuras sexuais que incluem sadomasoquismo, fetiches, homossexualidade, voyeurismo, etc.

Como disse, talvez vocês não considerem literatura, mas a leitura é rápida e divertida; provavelmente não irão se arrepender, porque a história é interessante e não há lugares-comuns. Acredito que haja, no entanto, um paradoxo que envolve esse livro: pode parecer uma porcaria no começo, mas você pode acabar gostando ou pode parecer interessante e você odiar. Independentemente, sugiro que vocês o leiam. Vale a pena.

Luís

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 Já fazia algum tempo que eu havia lido 100 escovadas antes de ir para a cama, por isso, tive que relê-lo antes de comentar aqui. Realmente, como disse o Luis, a leitura é agradável e flui bem. Terminei de lê-lo em umas 3 horas e depois de finalizada a leitura, tenho que admitir que esse livro é, no mínimo, bom.

Como comparação, achei o livro muito melhor que outro livro erótico famoso: O Doce Veneno do Escorpião. Em 100 Escovadas antes de ir para a cama vemos a trajetória de Mellissa com 15 anos em todas as suas aventuras sexuais narrado em forma de diário. De modo geral, sentimos pena da garota, pois na maioria das vezes ela é usada apenas como obejeto sexual por outros homens, mesmo aqueles que, a primeira vista, parecem ser gentis como o professor de matemática particular.

Há também alguns pontos que deixam a desejar. Não sei se por censura ou por qualquer outro motivo no livro não há a denominação que se costuma dar as partes intimas. Não digo palavras como boceta, caralho e etc, mas não vemos nem os nomes corretos como vagina e pênis. Em troca disso, o leitor vê-se eufemismos que estariam mais próximos de serem falados por um padre. Em certas horas há trechos que devem ter sido acresecentados mais tarde pela escritora já que vemos coisas como "Hoje eu me arrependo disso", que em certas horas quebram o clímax da narrativa.

Fora isso, o livro continua bom. Talvez o que mais choque o leitor é a idade da garota, depois do aniversário, Melissa não tem mais que 16 anos e já se relaciona com homens e mulheres mais velhos, sendo que as fantasias dos parceiros são dignos de um filme pornô. Tenho que citar uma parte que achei realmente boa, além de conter um pequeno toque dramático que é quando Melissa vai ao partamento de um dos parceiros e tem três caixas pra escolher. O modo como ela descreve o acontecimento é bem intressante.

Renan

18 de dez de 2009

Wall-E




Wall-E, 97 minutos, 2008, Animação.

Indicado a 6Academy Awards incluindo Melhor Roteiro Original e ganhador na categoria de Melhor Animação.



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Wall-E é um filme duplo. Para as crianças, é uma ótima animação, com algumas lições de morais, personagens extremamente carismáticos e uma estória divertida. Para os mais crescidos, além de ser uma obra-prima do cinema, é também um aviso, que em forma de animação ganhou mais força do que documentários como Uma Verdade Inconveniente.

No longa, temos um futuro onde a terra será inabitada por seres humanos, já que esses destruíram todos os recursos que ela poderia nos dar. Enquanto isso, os homens vivem em uma nave espacial gigante que viaja pelo espaço como um cruzeiro. Em contra partida, na Terra, há um robô da marca Wall-E que tenta, pelo menos, limpar toda a sujeira que ainda resta no Terra. É em uma de suas viagens para limpar a cidade, que Wall-E encontra uma planta e praticamente ao mesmo tempo, chega Eva, uma robô mandada para verificar se ainda há condições de sobrevivência no planeta e essa condição tem que ser achada em forma de um planta, o que significaria que o planeta conseguiu se “curar” de todos os males que sofreu por milhares de anos. A partir daí começa toda a aventura que foi bem conduzida até o final do filme.

No geral, o filme faz duras críticas ao nosso modo de viver. Há cenas que ficam marcadas pela forma simples como foram mostradas, mas que carregam grande conteúdo. Por exemplo, há uma seqüência que Wall-E passa em cima de dólares jogados no chão, mostrando que o dinheiro não é capaz de salvar tudo, logo em seguida, ele acha uma caixa com um anel, aparentemente caro e em vez de gostar do anel precioso, ele o joga fora e analisa o abrir e o fechar da caixinha. Há também o fato de que os humanos desaprenderam a andar porque são muito gordos, pois ficam o dia inteiro em cadeira comendo e sendo abastecidos por máquinas. No geral há criticas ao consumismo e ao sedentarismo.

O maior acerto do filme foi a construção dos personagens principais. Wall-E é romântico, tímido e vê em Eva uma companheira para a vida toda. Eva é inicialmente dura e arrogante, mas com o passar do tempo acaba vendo as qualidades de Wall-E e se apaixonando por ele também. Tudo é levado com leveza e até com uma certa dose de humor como a cena que ela leva ela para passear em lugar que imitaria Veneza.

Em premiações como o Oscar, os principais desafios de Wall-E foram os concorrentes de peso. Na categoria de Melhor Animação não tinha pra ninguém, mas mereceu todas as outras indicações que teve, como Melhor Canção Original e Melhor Roteiro Original. A trilha sonora composta por Peter Gabriel é incrível. A música Down to Earth é linda e tocante e quando filme acaba e os créditos começam com essa música, tive certeza que Wall-E é realmente um filme brilhante.

Renan
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Acho que chamá-lo de "obra-prima" é um pouco de exagero, mas - para a minha surpresa -  Wall-E se mostra como um eficiente filme, que entretém crianças e adultos e que, em suma, é capaz de nos mostrar uma excelente lição moral, além de enfatizar um dos maiores problemas pelos quais estamos passando: o aquecimento global e as consequências dele.

Ao vê-lo, esperava bem menos. Como tive que assistir dublado, minha vontade de desistir de conferi-lo foi imensa, mas, como sou persistente, resolvi ir até o final. Passados os primeiros dez minutos, eu descobri que não havia incômodo nenhum em assistir, uma vez que as falas não eram muitas. O que mais me chamou a atenção foi o fato de esse ser um filme áudio-visual que dá mais enfoque no visual: vemos um planeta inóspito, onde a única coisa que se mexe nem sequer é vida orgânica. De maneira excepcional, essa paisagem foi construída e logo no começo já nos impressionamos. Não há como não simpatizar com o robozinho desde o começo, afinal ele é o único a continuar trabalhando incessantemente quando poderia facilmente parar de fazer tudo o que faz. E, como se não bastasse o trabalho árduo do robô, ele ainda tem tempo para admirar obras do nosso cinema e colecionar pequenos objetos do nosso cotidiano.

A chegada de um segundo robô no primeiro ato do filme faz com que conheçamos a segunda personagem da obra. Eva, enviada à Terra para coletar informações e descobrir se há vida no planeta, torna-se a paixão platônica e aparentemente inalcançável de Wall-E. E é exatamente esse romance que dá sustentação ao clima do filme, que funciona muito bem quando o enfoque é o romance entre os personagens principais. Achei, no entanto, que embora seja importante - principalmente num roteiro como esse - dar ênfase na tentativa de voltar ao planeta, o filme perde um pouco do charme quando mostra demais os acontecimentos na nave e tudo aquilo que não seja o relacionamento entre Eva e Wall-E.

Filmes assim continuam não sendo o meu gênero favorito, mas eu devo dizer que simpatizei com Wall-E e certamente o recomendo a vocês, que querem se entreter com algo leve. Como disse - e insisto - não se trata de uma obra-prima. Um blog parceiro nosso indicou esse filme na sessão "Filmes Para Ver Antes de Morrer", que vocês podem ver clicando no link, mas eu realmente acho que Wall-E não seja um essencial. Interessante, comovente, talvez; nenhuma obra-prima, no entanto.

Luís

17 de dez de 2009

O Alquimista


O Alquimista, por Paulo Coelho,, 1988, 247 páginas.
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Muitas pessoas falam mal de Paulo Coelho, já ouvi diversas criticas, o que sempre me motivou para não ler nada dele, mas estava sem nada pra ler e comecei a ler “O Alquimista”, e não foi algo que eu tenha me arrependido. Não é o melhor livro que eu li, aliás, nem é um estilo que eu goste muito, beira quase a auta-ajuda, mas o jeito que é escrito o salva de ser um livro chato.


Citei o genero Auto-Ajuda, por conter traços que me lembram muito, como aquel resumo básico: “Siga o que você quer e assim alcaçará o seu sucesso pessoal”. O Alquimista não é tão diferente, mas ao invés desse texto impessoal, tem-se um romance, onde Santiago, (O nome dele só é citado duas vezes no livro, me pergunto o porque disso) um pastor de ovelhas se encontra com uma cigana, onde vai para desvendar um sonho, depois com um velho que se diz rei, e assim por diante, onde cada um o ajuda a ir para o próximo passo para achar sua Lenda Pessoal, que seria mais ou menos o destino para nós, mas que muitas pessoas fogem da sua Lenda Pessoal por diversos motivos, onde o ultimo a ajuda-lo é um Alquimista, que é de extrema importancia para seu crescimento pessoal e para a sua busca por sua Lenda pessoal. Falando assim parece meio besta, mas com o passar das páginas, a leitura vai se tornando agradavel em muitos momentos. Há até romance no livro, entre Santiago e Fátima, uma mulher que vive em um Oásis, e acaba se tornando um dos motivos para ele querer voltar.

Há muitas frases marcantes no livro, mas escolhi duas, porque gostei mais, uma é “Quando você proucura sua lenda Pessoal, o universo conspira a favor” e a outra é “Tudo que acontece uma vez, pode nunca mais acontecer. Mas tudo que acontece duas vezes, acontecerá certamente uma terceira”. Elas me fizeram pensar bastante, principalmente a primeira, pois as vezes realmente temos a impressão de que as coisas conspiram a nosso favor. Gostei também daquela pequena volta no final, já que ele esteve tão perto do tesouro antes.

Recomendaria este livro sim, tanto para os que estão meio perdido na vida, já que esse livro pode ser uma forma de se encontrar, tanto para aqueles que proucuram apenas uma leitura decente.

Renan

16 de dez de 2009

2012

2012. EUA, 2009, 155 minutos. Drama / Ficção Científica.
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Rolando Emmerich especializou-se em filmes-catástrofe. Talvez seu sonho seja ver o mundo ruindo, como usualmente acontece nas produção que ele dirige. 2012 é mais um que segue a mesma linha de seus filmes anteriores: o mundo vai acabar. O título do filme indica o ano em que tudo isso vai acabar e, segundo a história, os maias já tinham conhecimento disso. A série de mudanças climáticas resultariam em explosões no Sol, que afetariam diretamente a Terra. Paralelamente aos eventos mais científicos, somos apresentados ao escritor Jackson Curtis, pai de dois filhos e separado da esposa. Quando 2012 chega, começamos a ver que fim tomará a Terra.

O único propósito de Emmerich era entreter aqueles que são super fãs de efeitos especiais, porque isso é tudo que esse filme tem. A preocupação com o efeito gráfico foi tamanha que todos os outros aspectos do filme ficaram meio esquecidos e nós somos obrigados a nos contentar com uma história cheia de situações imrpováveis e, às vezes, incoerentes. Como se isso não bastasse, 2012 é um filme composto de vários outros filmes, inclusive Titanic! Talvez o principal problema do filme seja a quantidade exagerada de "americanismo", ou seja, aquela compulsão exagerada de salvar o mundo sempre no último segundo e sobrevivendo somente aqueles que são convenientes para efeito dramático.

O roteiro se ocupa bem em mostrar a destruição do mundo, quanto a isso não tenha reclamações. Mas o que faz com que Jackson seja sempre mais eficiente do que as catástrofes?! O cara dirige sua limusine sempre com mais velocidade do que a rua atrás dele é destruída; ele está sempre um segundo a frente e, diante de difuculdades - como a velha que dirigia o carro à sua frente -, ele consegue fazer coisas absurdas. Ele simplesmente desviou o carro e invadiu o jardim de alguém, dirigindo por ali: atravessou desmoronamentos, árvores, abalos no solo. A velha, que estava na mesma direção que ele, com o carro ao lado, morreu porque um pedaço da rua levantou bem na frente dela. Jackson, ainda bastante eficiente, dirige (ou voa, dependendo da interpretação) através de um prédio que está caindo, chegando ao outro lado em perfeitas condições. Depois, desvia de bolotas de magma com maestria, quase como se soubesse previamente onde elas ia cair! Depois cai num buraco, do qual sai com facilidade! Depois rouba um avião com facilidade e faz tudo com uma infernal facilidade que assusta o espectador. Gordon, que tivera duas aulas de pilotagem - vale ressaltar que era um monomotor -, dirige com facilidade um avião. Torçamos para que, caso o mundo comece a ser destruído, nós saibamos como ser heróis da mesma maneira que eles!

Entre o casal principal, não há qualquer sentimento de simpatia de nossa parte. Simplesmente não pude acreditar que foram casados, tamanha a inverossimilhança de seus comportamentos. Eles são tão estranhos um ao outro quanto dois desconhecidos podem ser. Sorte que John Cusack está razoavelmente carismático e isso faz com que nós não sintamos tão desconfortáveis quando Jackson e Kate aparece em cena. [SPOILER] O roteiro ainda peca por ser infeliz o suficiente ao pensar que estamos gostando do entrosamento dos dois e, de maneira imbecil, mata o atual marido de Kate, possivelmente a fim de fazer com que os personagens principais possam ficar juntos, sem o empecilho de um terceiro, afinal, eles tentam deixar claro que os semi-desconhecidos pais de dois filhos ainda se amam. Outro erro do roteiro é a morte de Tamara e Yuri, provavelmente porque ela era inútil e ele era mau. Aí vemos o moralismo exacerbado e inconclusivo da mente estadunidense [FIM DO SPOILER]. Outras situações desnecessárias são as relações entre Laura Wilson, a filha do presidente, e Adrian, o cientista no comendo. O mundo tá acabando e eles ficam flertando?! Isso não existe!

Lembram-se de que falei sobre Titanic? Pois bem, tem uma cena que é uma cópia de uma passagem do clássico de James Cameron. A bordo de um transatlântico, o pai de Adrian e seu amigo, conversam enquanto sentem agitações estranhas. Com a aproximação de uma onda gigante, o navio começa a tombar e isso nos remete imediatamente à famosa cena de Titanic onde uma parte do navio já despedaçado começa a ser tragado, enquanto a outra parte começa a ficar na posição vertical. Em 2012, a sequência é a mesma: vemos os pratos caindo, os móveis e utensílios tombando, as pessoas sendo arrastadas no chão. Paralelamente a isso, o pai de Adrian caminha para fora, posicionando tal como Jack e Rose pouco antes de passarem para fora do navio. Há ainda tudo aquilo que vimos em O Dia Depois de Amanhã. As mesmas cenas, efeitos semelhantes - a diferença é que Jake Gyllenhall é muito mais carismático. Tragédias estruturais quanto ao filme são suficientes para complementar as tragédias que o filme mostra. Nem tudo, porém, é ruim. Os efeitos, mesmo que iguais aos que já vimos, entretém e a maneira como o diretor soube captar as paisagens é bem positiva. Destaque especial para a cena em que ondas imensas invandem o himalaia e, posteriormente, quando a arca navega próximo ao Monte Everest.
( "- O que no mundo tem mais de 8.000 metros de altura?", americano mostrando o quão ignorante é!)

2012 é um filme com muitos efeitos especiais - alguns deles interessantes -, mas sem conteúdo. Certamente conquista aqueles que primam os efeitos e acham que o roteiro deve se subordinar à capacidade gráfica de um filme. Aquele que gostam de histórias, pouco se entreteram com o filme. No meu caso, que gosto de bons efeitos especiais, de filmes de catástrofes e também prezo pelo bom desenvolvimento de uma obra, achei-o apenas mediano.

Luís
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2012 foi um dos filmes mais esperados do ano. Dirigido por Roland Emmerich, o mesmo diretor de outros sucessos como O Dia Depois de Amanhã (que gosto muito) e Independece Day. Só pelos filmes citados, o que poderíamos esperar? Catástrofes? Efeitos especiais? É...é isso que o filme vende, mas por vezes ficamos com aquela sensação de "Puxa, era só isso ?" e nos deixa com a impressão de que o filme vende coisas falsas.  Quem não foi no cinema esperando ver o Cristo Redentor ser destruído, cena essa que até ganhou um poster exclusivo. Se a cena durar 10 segundos é muito.

Há outros pontos que deixam a desejar como o roteiro. Por vezes, acho que esqueceram de escrever e decidiram por efeitos especiais. Não que eu fosse ao cinema esperando uma história real, mas há cenas que agridem a realidade que quando são exibidas tiram aqueles sussurros da platéia como "Nossa, mas que mentira". As atuações também não são lá essas coisas, mas no geral, passam. John Cusack convence como pai ausente, mas não como mocinho. Amanda Peet também é razoável. [SPOILER] Achei absurdo o fato do atual marido de Kate ter morrido e dez minutos ela já estar beijando o ex marido.[FIM DO SPOILER]. Mas se tem um personagem que me irritou, esse foi Yuri Karpov. Deus, toda vez que o personagem entrava em cena ele conseguia me irritar com seu jeito escroto de falar. E que final foi aquele? Ele jogou o filho! Patético.

Mas o que mais me deixou constrangido no filme não foi as atuações e nem o roteiro. Foi o final. Acho que estou pra ver um final mais hipócrita. [SPOILER] No final, temos mais ou menos o que acontece com O Dia Depois de Amanhã, só que nesse, ainda achei legal, pois para entrar no México, os norte americanos perdoaram a dívida externa. Medida Econômica favorecendo os ricos, isso acontece. Mas em 2012 a África é que é elevada no final, sendo que a última cena é um close bem dado no continente. Aaa...Muito tosco. Depois do continente ser "o quintal do mundo" os americanos querem ir pra lá? Espero que os nativos matem todos.[FIM DO SPOILER]

O filme de bom só tem os efeitos mesmo, e extremamente bem feitos. A cena que aquela onda enorme invade as montanhas (enquanto o carinha fica tocando o gongo) é de tirar o fôlego. Pessoalmente, acho que o filme não é algo imperdível, mas quando quiser ir ao cinema só pra relaxar, escolha 2012.

Renan

14 de dez de 2009

Harry Potter

Eu (Renan) e minha irmã Joice (que já contribuiu aqui no blog em obras como A Múmia:  Tumba do Imperador Dragão) iremos postar o perfil vencedor da enquete do mês de dezembro: Harry Potter. Optamos por escrever juntos, assim como o Luís e a Ciça no perfil do escritor Stephen King. Adotamos a ordem cronológica dos livros para os que não conhecem a série aprender um pouco e no final damos nossa opinião sobre o conjunto em geral.

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Harry Potter é a série que fez parte da adolescência de todos aqueles que hoje estão lá nos 17 a 20 anos.No geral, considero Harry Potter uma das melhores séries que já li, e com certeza está entre as melhores já escritas. O que mostra isso é a tamanha popularidade dos livros (e também dos filmes) que ganham novos fãs a todo o momento. Escrito em 1997 pela britânica J.K Rowling, a série começa com o primeiro volume: Harry Potter e a Pedra Filosofal. Nele é que conhecemos Harry, garoto órfão maltratado pelos tios, que não se encaixa em nenhum padrão normal e que nem sabe ser um bruxo até começar a receber cartas estranhas que abrem um novo mundo completamente diferente da realidade a que nós, trouxas, estamos acostumados. É nesse volume que J.K inclui a maioria dos personagens importantes, além de criar um mundo mágico onde o esporte tradicional é feito sobre vassouras que voam (atentem para o pomo de ouro, tendo em vista que ele é importante para a última parte da estória), onde é possível ver cães gigantes de três cabeças e etc. Em a Câmera Secreta (do ano seguinte), vemos a evolução do garoto e um pouco mais sobre seus amigos, Rony e Hermione, além do começo da introdução de uma trama com raízes complexas e profundas que se descortinará no decorrer da série, e um novo confronto com o vilão Voldermort, ou Você-Sabe-Quem para os mais fracos (deve ser o clima do livro, mas esse ainda é um dos meus preferidos). Novamente, a escritora mostra um domínio sobre a escrita e faz com que o leitor fique preso até o livro acabar. Lembrando que nesse livro também há passagens importantes para os outros livros. Em O Prisioneiro de Azkaban (de 1999), temos a aparição de novos personagens, um maior amadurecimento dos três, e a revelação de segredos que até então atormentavam Harry e que serão importantes posteriormente. Há nesse livro (e principalmente no filme) um tom sombrio, que mostra a série amadurecendo sem, perder um toque cômico. Em 2000, foi lançado quarto livro: Harry Potter e o Cálice de Fogo, sem duvida um dos mais legais, já que é imenso e traz mais detalhes, além de começar a ficar mais adulto (tanto o livro quanto os personagens) e ser cheio de acontecimentos interessantes. E uma espécie de divisor de águas, posto que daqui pra frente os livros não são mais tão inocentes, e trazem uma carga maior de informações e ações.

Harry Potter e a Ordem da Fênix só saiu três anos depois do seu antecessor, e a partir dele, a espera dos fãs teve que aumentar um pouco. O quinto livro é o maior da série com suas 702 páginas, porém, as vezes temos a impressão que lemos, lemos, lemos e não acontece nada de forma que o livro se torne um pouco cansativo. É nesse volume que a comunidade bruxa vive com o temor e a apreensão, visto que Voldemort pode ter retornado de vez. O sexto volume talvez seja o meu preferido. Lançado em 2005, Harry Potter e o Enigma do Príncipe de inocente não tem nada. Já podemos ver temas como a morte e uma magia negra profunda e macabra, há o romance que fica mais evidente e há a morte de um personagem extremamente querido, sem falar que a premissa para o sétimo, e último livro, começa nele. Pois bem, depois praticamente 10 anos, Harry Potter chega ao final. O sentimento de lê-lo (para quem acompanhou a série e esperou o lançamento dos livros) é indescritível. Acima de tudo, não queremos que a série acabe, ao mesmo tempo que queremos muito saber o final. J.K mostrou nesse livro que sabe como escrever uma batalha (que tem tudo para virar épica no cinema), sabe como emocionar o leitor com cortes de personagens cultivados desde o primeiro livro, mas deixa os leitor na mão com o final. Quando acabei de lê-lo, não acreditei que o livro tinha acabado de forma tão besta, mas analisando, a parte final não chega nem perto de estragar a magia e o entusiasmo que sentia quando lia (e as vezes leio) os livros.

Não cabe a nós ficar contando o que acontece nos livros, isso fica para sua leitura. O que é interessante discutir, é que é nesse novo mundo que se abre em nossas mãos que conhecemos personagens inesquecíveis e estranhamente reais. É uma série bastante interessante, na medida que levou inúmeras pessoas a uma grande depressão por não poder viverem nessa realidade  (eu na época inclusive), e que abriu uma nova porta na literatura, posto que a partir daí as ficções se tornaram cada vez mais cheias de “criaturas mágicas”. O interessante é que o livro cresce conforme os personagens e os leitores crescem, onde constatamos a sensibilidade de J.K. para acompanhar a fase transitória tanto do personagem Harry que está saindo da infância e entrando na adolescência, quanto dos leitores que estão na mesma, e que até então estavam lendo a coleção vagalume.
Em uma rápida analise psicológica, podemos dizer que Harry Potter é nada mais que a personificação do conflito pelo qual passamos nessa fase da vida, sendo que no primeiro livro, ao começar a descobrir o mundo, esse pré-adolescente começa a se sentir deslocado na vida real, nunca achando um nicho no qual se encaixe ou algo em que fosse bom, em suma, passando por uma fase de perda da inocência e ganho de conhecimento, que é justamente o que a entrada dele para Hogwarts e seu primeiro contato com “o Mal” representa. O que também vemos no segundo, quando os garotos começam a reparar mudanças em seu corpo (representado aqui pela poção polissuco), e também no terceiro e no quarto onde vemos o começo de uma certa irresponsabilidade tão característica dessa fase, além do romance que não poderiam faltar.
É sempre muito triste quando nossos próprios sonhos caem por terra, mas aqui tenho de fazer a triste comparação. Para aqueles que já leram As Crônicas de Nárnia e O Senhor dos Anéis, fica claro que J.K. não escreveu nenhuma historia tremendamente original, afinal, encontramos inúmeros elementos dessas obras dentro do mundo de Harry. Não foge muito da decepção que sentimos ao ver que Crepúsculo na verdade é uma amarra de Vampire Diaries e também dos livros da série de Sookie Stackhouse.
Enfim, o que realmente importa é que Harry Potter marcou muito toda uma geração que cresceu acompanhando o crescimento do jovem bruxo e que são livros extremamente gostosos de ler. Recomendamos muito a todos.

Joice e Renan

12 de dez de 2009

Frost / Nixon


Frost / Nixon. EUA / Inglaterra, 2008, 122 minutos. Drama.
Indicado a 5 Academy Awards, incluindo Melhor Ator (Frank Langella), Melhor Diretor (Ron Howard) e Melhor Filme.
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Eu realmente esperava muito menos desse filme, mas ao vê-lo concluí que todas as indicações que o filme recebeu foram válidas e coerentes com aquilo que o filme apresenta. Muitos não conhecem a história de Richard Nixon, o controverso presidente que se envolveu no caso Watergate, um escândalo de roubo e que foi inocentado de suas culpas sem nem ao menos ir a julgamento. Em entrevistas a David Frost, ex-presidente e entrevistador entram em um profundo e perigoso embate, um em busca da verdade ou outra em busca de defender-se.

Casos que envolvem crimes políticos são sempre interessantes, principalmente se eles estão relacionados à figuras extremamente importantes, como o próprio presidente. Nixon tornou-se memorável não exatamente pelo que fez de bom, mas sim pela sua dificuldade em lidar com alguns assuntos. Foi o terceiro presidente seguido que teve que lidar com a Guerra do Vietnã e cometeu muitos erros, que culminaram na morte de muitas pessoas; teve que se aproximar da China a fim de negociar algumas transações e, próximo à época de sua reeleição, houve o escândalo Watergate - e "gate" seria um prefixo utilizado nos casos de corrupções que seguiram. E o filme, embora não seja um documentário político acerca do evento, mostra muito o quanto isso refletiu na população: todos ficaram contra Nixon e contra a anistia que lhe foi concedida.

O envolvimento entre Frost e Nixon é brilhantemente mostrado. Tanto Frank Langella quanto Michael Sheen mostram-se realmente eficientes em suas atuações e eu realmente acho que ambos deveriam ter sido indicados ao Oscar de Melhor Ator - e para isso, logicamente, Richard Jenkins, Brad Pitt, Mikey Rourke ou Sean Penn não poderia estar na lista. Como Nixon, Langella exibe um comportamento muito frio e calculista, extremamente centrado na importância de suas palavras e na maneira como induzir o estrevistador e até mesmo o espectador. Michael Sheen tem um excelente desempenho, mostrando-se esperançoso, confiante e inseguro - tudo ao mesmo tempo. Estar diante de alguém tão intimidador quanto Nixon, principalmente se ele for como Langella o interpretou, deve ser realmente difícil e Michael Sheen soube como fazer uso da interpretação do outro para aumentar ainda mais a sua própria expressividade. O elenco secundário do filme também positivo e, pasmem, eu consegui me surpreender com Kavin Bacon, que está muito bem como auxiliar do ex-presidente. Rebecca Hall, que curiosamente estave em outra produção indicada a outra categoria da mesma cerimônia, também está muito bem em papel de suporte. O resto do elenco está correto, todos em papeis menores, porém fundamentais à história.

De maneira inteligente e envolvente, o filme nos coloca a par das famosas entrevistas que Nixon concedeu a Frost e o resultado que delas proveio. De um modo geral, é um filme muito bom. Só deixa a desejar pelo fato de seguir uma linha de desenvolvimento que eu particularmente desaprovo, que é aquele em que primeiro tudo parece dar certo, depois tudo começa a dar erro e, por fim, tudo termina feliz, como se imaginava que acabaria no começo. Ignorando esse defeitinho, é um filme que vale a pena ver.

Luís
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Ron Howard é decididamente um diretor do qual eu gosto (mesmo não tendo assistido muito de suas obras). Ele dirigiu dramas excelentes como Uma Mente Brilhante e adaptações boas como O Código DaVinci e Anjos e Demonios. Em Frost/Nixon ele faz, mas uma obra prima.

Tenho que alegar minha ignorância sobre os episódios de corrupção que envolveu o presidente Richard Nixon, mas o filme não exige conhecimento prévio. Tudo é mostrado da maneira certa e no tempo certo para que haja compreensão de todos. Outro ponto positivo é o ato do filme não ter toques de um documentário, fato que ocorre com Milk. O enredo é extremamente envolvente. Praticamente nem vemos às duas horas passarem direito. Cada entrevista é um jogo para que um caia na armadilha do outro fazendo o telespectador torcer para Frost sem invejar a capacidade de dar ótimas respostas de Nixon.

Talvez o melhor do filme sejam as atuações. Concordo com o Luís que Michael Sheen deveria estar na lista dos cinco indicados, mas como não assisti ao filme pelo qual Richard Jenkins foi indicado, e por isso não posso ter uma opinião formada. Já falando dele, Michael Sheen (que também faz o vilão Aro em Lua Nova) está extremamente bem principalmente quando as entrevistas estão indo mal, pois quando Nixon reverte a pergunta fazendo-a ficar a favor deste, a expressão que Sheen faz é muito boa. Frank Langella também está ótimo e com certeza mereceu a indicação. Nixon se mostra um homem forte que acredita que "quando um presidente faz, não é ilegal". A capacidade dele de desviar das perguntas também é incrível. O elenco secundário conta com atores importantes como Kavin Bacon (Sobre Meninos e Lobos) e Oliver Platt (2012) e também há Rebecca Hall que parece ter saído do anonimato estrelando, além desse, Vick Cristina Barcelona, outro filme indicado a outra categoria.

Não achem que estou exaltando o filme, pois tudo nele funciona perfeitamente dando a todos os apreciadores do mundo do cinema um belo presente.

Renan

10 de dez de 2009

Harry Potter e a Pedra Filosofal

Eu e o Renan decidimos republicar algumas resenhas que foram feitas na versão antiga do Literatura e Cinema. Para escrever sobre a saga do bruxo mais famoso dos livros, nós convidamos uma colega que é fã da série e que, além de ter todos os livros, conhece também muitos detalhes importantes do enredo. Agradecemos à Nivea na primeira vez que ela participou e, hoje, mais uma vez, nós a agradecemos por ter aceito participar daquela vez. Por enquanto, ficaremos com as republicações, mas saiba que mais convites virão!
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Harry Potter and the Philosopher's Stone. Inglaterra, 1997, 263 páginas (Editora Rocco).
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Bom, minha história com Harry Potter é bem esquisita... primeiramente devo dizer que sou loucamente apaixonada pela série. Em segundo lugar, quando fui assistir à "Harry Potter e a Pedra Filosofal" no cinema, eu não gostei do filme. Na época eu não entendi nada. Felizmente, alguns dias depois eu ganhei esse livro. Até a página trinta ,mais ou menos, eu ainda não tinha mudado de opinião. Maaaasss depois que a história foi se desenrolando, eu amei!!!!

Sobre o filme, pode-se dizer a favor que é o mais bem adaptado em relação ao livro, provavelmente porque o primeiro livro é o menor de todos; ou porque o diretor não quis dar asas à própria imaginação. Ouso dizer que, ainda hoje, quando crianças lá com seus dez anos vão assistir o filme sem ler o livro, não entendem nada, assim como eu demorei para assimilar. Mas o filme tem seus atrativos: rostinhos bonitos (que ainda estavam aprendendo a atuar), efeitos especiais, e alguns montros para enfeitar. E lógico, não podemos esquecer que o Bem vence o Mal, o que já é suficiente para quem não entender todo o resto da trama.

Já o livro, é muito mais detalhado. Todos se encantam e alguns se identificam com o órfão maltratado pelos tios. A tentativa das cartas chegarem a Harry é um pouco maior do que a mostrada no filme; sem contar que Harry Potter demora praticamente 100 páginas para chegar a Hogwarts - o livro todo tem 263 páginas. É interessante pensar na pesquisa que J.K. Rowling fez. Por exemplo, Nicolau Flameu, o criador da pedra filosofal, realmente existiu. E o livro mencionado em "a pedra Filosofal", Quadribol através dos séculos também existe e está a venda nas livrarias. J.K. apenas o publicou com um nome de autor fictício.

Não quero ser muito spoiler,porque tem gente que nunca leu o livro,só assistiu o filme.263 páginas não serão muitas pois a leitura será prazerosa; alguns pequenos detalhes,aos quais não damos atenção se mostrarão muito importantes para o final,que sempre é surpreendente.Eu já li o livro pelo menos umas quatro vezes. Se eu começar a ler de manhã, à noite já acabei. Mas se você for ler o livro,leia com calma e aprecie o estilo de Rowling.

Nivea
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A série Harry Potter escrita pela inglesa J.K Rowling teve seu primeiro capítulo, Harry Potter e a Pedra Filosofal, publicado em 1997. A estória surgiu, segundo a autora, em um viagem para Londres onde tudo, praticamente pronto surgiu em sua cabeça. O enredo é mais ou menos assim: Harry, quando ainda era um bebe foi atacado por Lord Voldemort com o feitiço da morte, mas algo aconteceu errado e o bebe ficou apenas com uma ciatriz em forma de raio na testa. Depois desse episódio, ele foi levado para morar com os tios trouxas (trouxas são as pessoas que não são bruxos). O que ele cresceu sem saber, foi que ele virou um ícone na comunidade bruxa, por ter, supostamente, derrotado o mais poderoso bruxo das trevas já que o feitiço lançado saiu pela culatra. Com 11 anos, ele recebeu o convite para estudar na escola de magia e bruxaria de Hogwarts, onde ocorreria (dividido entre os livros) as aventuras do garoto. Pessoalmente, considero Harry Potter a melhor série que já li, e talvez, uma das melhores já escritas. J.K Rowling modificou a mente de diversas pessoas em todo o mundo, fazendo quem não gostava muito de ler em maníacos por literatura.


Como disse acima, o primeiro livro foi lançado em 1997 e tem como enredo basicamente o que citei acima também. Além disso, como é mostrado até no título, o livro traz também um assunto mais discutido entre os alquimistas: a pedra filosofal, que segundo lendas tem o poder de transformar tudo em ouro, além de dar a vida eterna. É nesse volume também, que são inseridos a maioria dos personagens importantes para a série, como os fiéis amigos Rony e Hermione que o ajudaram em todos os momentos em que precisou, além de Dubledore, o diretor da escola e outras pessoas entre alunos e professores. Há ainda o quadribol que é um esporte praticado pelos bruxos onde esses voam em vassouras. Um elemento do jogo é o pomo de ouro, e esse em especial seria importante para o último livro (por isso, prestem atenção).

De maneira geral, Harry Potter é extremamente agradável de se ler e ainda é pequeno, como disse a Nívea. Já ouvi comentários que esse livro é infantil, e em algumas partes tenho que concordar, mas não se esqueçam que Harry Potter é uma série, e de acordo com a publicação dos outros livros, percebemos claramente a maturidade dos personagens. Uma curiosidade: no livro, há também uma pequena citação ao Brasil que acontece na parte que Harry vai ao zoológico e uma cobra brasileira conversa com ele.

Renan

8 de dez de 2009

Melhor Atriz - Oscar 2009

Dando continuidade às nossas análises sobre algumas categorias do Oscar desse ano, eu e o Renan viemos aqui para apresentar as nossas opiniões sobre as indicadas na categoria Melhor Atriz. Antes de mais nada, eu gostaria de dizer algo que quase todos sabem: embora fossem cinco as indicadas, o prêmio ficou entre duas delas. Havia apenas duas que ainda não haviam recebido indicações, que eram Anne Hathaway e Melissa Leo; Jolie já havia sido indicada antes e já tem um Oscar pelo seu desempenho como Melhor Atriz Coadjuvante em Garota, Interrompida; Meryl Streep tem dois Oscar por suas atuações em Kramer x Kramer e A Escolha de Sofia, respectivamente como Atriz Coadjuvante e Atriz Principal; Kate Winslet, ainda que indicada cinco vezes antes, não possuía nenhum prêmio da Academia.

Todos os cinéfilos souberam que a disputa, portanto, ficava entre Meryl Streep e Kate Winslet. A pergunta é: as duas concorriam por sua capacidade artística e desempenho nos respectivos filmes ou estavam ali porque a Academia, em débito com ambas, precisava prestigiá-las de alguma maneira? Essas duas atrizes já estiveram presentes como indicadas em algumas outras cerimônias da Academia. Em 1996, 2007 e 2009 receberam indicações (e não ganharam), mas concorreram apenas nos dois últimos anos. O último Oscar de Meryl veio em 1983 e desde então, recebeu mais onze indicações; Winslet foi indicada cinco vezes, sem receber o prêmio. Logo, a disputa era entre elas, embora as outras atrizes fossem muito talentosas e estivessem em desempenhos impressionantes.

O Renan quis falar sobre as atrizes que mais o impressionaram e os textos sobre Angelina Jolie e Anne Hathaway sãod ele. Por consequência, coube a mim falar sobre as outras três atrizes, incluindo as duas sobre quem divaguei acima. Sem me prolongar mais, vamos àquilo que interessa: a análise e o veredicto.


Angelina Jolie, por A Troca - segunda indicação ao Oscar.
Estamos acostumados a ver Angelina Jolie em filme de ação como Sr e Sra Smith e Tomb Raider. Em A Troca vemos Jolie em um papel diferente. O filme é dirigido Clint Eastwood e só por aí podemos esperar algo de bom. Além disso, o enredo é denso e a interpreteção de Angelina Jolie como Christine só dá mais crédito ao conjunto. Sua personagem é uma mãe solteira que tem seu filho raptado e faz de tudo para reencotrá-lo.


Anne Hathway, por O Casamento de Rachel - primeira indicação ao Oscar.
Anne Hathaway é um atiz da qual eu gosto muito. Em O Casamento de Rachel, Anne mostra que deixou de ser uma atriz da Disney e veio pra ficar. Kym, sua personagem é descontrolada, fala nas horas erradas, e causa problemas no casamento de sua irmã. Todo esse cenário dramático é realçado pela atuação de Anne que, com certeza, mereceu a sua primeira indicação ao Oscar.

Kate Winslet, por O Leitor - sexta indicação ao Oscar.
Depois de esperar 13 anos (sua primeira indicação foi em 1996), Kate finalmente recebeu o prêmio da Academia. Sua personagem em O Leitor é muito importante para o filme, pois ela conduz boa parte da história e cabe à atriz toda a carga emocional que o tosco Ralpj Fiennes não consegue mostrar. Eficiente em sua atuação, Winslet nos presenteia com mais uma bela interpretação. Há dois problemas, no entanto: essa definitivamente não é a melhor atuação de sua carreira e Hanna Schmitz, sua personagem, é claramente coadjuvante. Kate infelizmente venceu na categoria errada.



Melissa Leo, por Rio Congelado - primeira indicação ao Oscar.
Essa é uma atriz que usualmente recebe papéis mínimos em filmes potencialmente bons. A ela, são dados aqueles personagens praticamente insignificantes, que pouco aparecem (basta ver em 21 Gramas). Rio Congelado apresenta a catarse em sua carreira: como uma mulher decidida, ela se arrisca ao transportar ilegalmente as pessoas do Candá para os EUA. De maneira simples, sua atuação é arrebatadora e a indicação veio parar confirmar isso. Como Ray, a atriz supera as suas concorrentes ao prêmio.



Meryl Streep, por Dúvida - décima quinta indicação ao Oscar.
Em 2008, ela foi Donna, uma simpática dona de hotel na Grécia, e foi Irmã Aloysius, uma severa freira que coloca em questionamento a relação de um padre e um estudante. Tanto em Mamma Mia como em Dúvida, ela nos impressionou, principalmente por estar em papéis muito diferentes. Isso apenas prova a verdadeira camaleoa que Meryl Streep é. Achei-a perfeita como uma freira; de tão inflexível, sua personagem incomoda até os espectadores. Os olhares, o tom de voz, a postura comporal, a rigidez na opinião... tudo isso fez com que a atriz superasse seu próprio recorde e recebesse - merecidamente - mais uma indicação.

A 81ª cerimônia do Oscar certamente não foi fácil na escolha das atrizes, uma vez que a Academia se viu diante de um dilema: agir com justiça ou agir com justiça. Optou por corrigir falhas anteriores premiando Kate Winslet por seu desempenho e se esqueceu de avaliar a atuação das atrizes por excelência. Fazendo um breve resumo de nossas opiniões antes de dizermos se concordamos com a premiação ou se discordamos dela. Anne Hathaway está apenas correta em O Casamento de Rachel e, mesmo que o Renan supervalorize a atuação da moça, eu apenas acho que esse filme foi um divisor, que a colocou no grupo de atrizes que expõe com firmeza sua capacidade dramática; Jolie, bem diferente do usual, nos surpreendeu e nos emocionou; Meryl Streep, segura de si em todas as cenas, sem exageros e numa belíssima interpretação; Melissa Leo, uma agradável surpresa e Kate Winslet não estava nem de longe na sua melhor interpretação e, se quisessem tê-la indicado e até premiado, que fizessem isso pelo filme Foi Apenas um Sonho, no qual ela é de fato atriz em papel principal e está bem melhor do que em O Leitor.

Por fim, vamos ao que interessa. Se eu e o Renan tivessemos que entregar o prêmio a uma dessas cinco atrizes, a premiada não seria a escolhida pela Academia, mas sim a competente e extremamente expressiva Melissa Leo, que, mesmo talentosa, normalmente é colocada em segundo plano em alguns filmes. Portanto, discordamos da premiada! Vale ainda ressaltar que, dentre as categorias já analisadas (Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Ator Coadjuvante), essa foi a primeira vez que chegamos num impasse: o Renan ficou tendencioso entre Angelina Jolie e Melissa Leo ao passo que eu estava mais convicto de que a premiaria. Gostaríamos de dizer que achamos todos os filmes acima recomendáveis e que vocês, leitores, deveriam conferi-los para analisar as performances dessas atrizes - destaque especial a Rio Congelado, que nos fez querer presentear a sua atriz principal.

Luís

6 de dez de 2009

Abril Despedaçado


Brasil, 2001, 100 minutos. Drama.

Indicado ao Globo de Ouro na categoria Melhor Filme Estrangeiro.
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Os leitores desse Blog e aqueles que me conhecem sabem que somente há pouco comecei a me interessar por filmes que não pertencem ao padrão hollywoodiano de cinema. Isso me fez conhecer interessantes filmes franceses, mexicanos, espanhóis. O cinema nacional, do qual estive sempre tão próximo, apenas passou a integrar o meu circuito recentemente, junto com os filmes oriundos de outros países que não os Estados Unidos. E nessa minha busca por filmes diferentes, deparei-me com Abril Despedaçado, que, na minha opinião, é uma pérola nacional, daquelas que não se pode ignorar.

Hoje, o ator Rodrigo Santoro tem fama internacional, já tendo inclusive participado de muitas produções estadunidenses, como a sua polêmica participação muda em As Panteras: Detonando. Sua fama primeiramente provém das novelas globais, das quais (quase) sempre se destacou. No ano de 2000, estreou em seu primeiro longa-metragem, o aclamado Bicho de Sete Cabeças. Na época, eu era novo demais pra dar importância a esses fatos, mas o tempo passou e eu insisti em mantê-los na ignorância. Quando por fim vi este filme, o primeiro com o ator - estou desconsiderando sua presença em As Panteras -, descobri o porquê de tantos elogios para a sua interpretação: ele está simplesmente irrepreensível nessa produção.

Dou credibilidade às atuações de todos os atores do filme, desde os que aparecem mais aos que aparecem menos e realmente creio que é por causa da densidade de suas interpretações que o filme é tão bom assim. Os atores conseguem externar muito bem cada momento de emoção e cada sensação é demonstrada com eficiência, sem exageros, sem superficialidades. A composição de cada personagem é eficaz e todos, sem exceção, conseguem nos fazer compreender qual é o significado de todas aquelas mortes e o quão tênue é a linha que separa a dignidade da vingança. Embora todas as pessoas mostradas ao longo do filme tenham seu peso, a obra enfoca mais dois personagens, que são Tonho e seu irmão, chamado apenas de "menino". Rodrigo Santoro e Ravi, que estreou no filme após concorrer com vários outros garotos, estão excelentes e em nenhum momento suas atuações definham; a linearidade é sempre constante e isso nos permite concluir que esta é uma obra muito sólida não somente pelo roteiro, mas também pelo que vemos quanto ao desempenho dos atores em cena. Achei meio estranho o sotaque, porque realmente parece tão nordestino assim, principalmente se compararmos com inúmeras outras obras cujo cenário é o sertão nordestino. Não há como dizer que não há a variação linguística típica da região, pois isso fica muito claro no filme. Mas de um modo geral, o que vemos são sons diferentes daqueles aos quais nos habituamos. Compreenderão bem o que eu digo aqueles que já assistiram a esse filme e viram também O Auto da Compadecida e Caminho das Nuvens.

Poucas vezes vi num filme brasileiro um roteiro tão interessante quanto esse, pois, embora consigamos resumi-lo em três linhas - o que farei mais adiante -, ele é muito rico naquilo que mostra, já que engloba desde uma tradição horrenda até o amor fraternal, o relacionamento familiar tempestuoso e, por fim, o romance, ainda que bem sutil. A narrativa se dá início no ano de 1910, no mês de fevereiro, quando o filho mais velho da família Breves é assassinado por um membro da família Ferreira; o conflito acontece por causa das terras, que um dia pertenceram a uma família e depois a outra. Em abril, quando o sangue na camiseta do irmão mais velho amarela, Tonho sai de cada para ir retribuir o sucedido, matando com um tiro aquele que matou seu irmão. Isso faz com que Tonho passe a ter os dias contados. Acredito que esse filme mostre muito bem aquilo que é descrito em Vidas Secas, de Graciliano Ramos: o caipira é um bicho do mato, arisco, de poucas palavras, mas que pode, eventualmente, ser domado. As relações são praticamente essas, afinal Tonho reage à infâmia causada com agressividade; por dentro, no entanto, é completamente doce, alheio à qualquer violência. A união com seu irmão é tão grande que juntos eles se diferem totalmente da paisagem árida do lugar em que vivem, destoando as emoções do lugar em que estão.

O filme tem uma fotografia muito bonita. Se os atores não conseguissem repassar o quão desolada a área é, a fotografia certamente conseguiria fazer isso com eficiência. Nas cenas finais, quando tudo o que vemos é o moinho à tração animal, com a mãe jogada ao chão chorando, temos a certeza de que nada resta àquele povo a não ser a solidão e a miséria. Não por causa de suas ações, mas sim pelo meio em que vivem: dispõe de pouco, esforçam-se ao máximo e, no fim, morrem sem honra.

Sinceramente, eu não vi contras nessa produção, somente prós. Por isso, eu digo que Abril Despedaçado é um dos melhores filmes brasileiros. Walter Salles prova que sua carreira como diretor é tão sólida quanto o filme nos apresenta e, devido à isso, me sinto obrigado a elogiar muito a obra e a recomendá-la a quem quiser assistir a um bom filme nacional. Há algum tempo, um de nossos parceiros, Cetreus, o dono do Cinemótica, elaborou uma lista dos 10 filmes brasileiros bons e 3 lixos (que vocês podem conferir clicando no link); me surpreende que Abril Despedaçado não esteja entre os dez. Também fiquei surpreso com o posicionamento de Cidade de Deus, mas o espanto maior coube à não-inclusão do filme desse post à lista dele. Dizem que gosto é gosto e não se discute. Eu concordo e minha opinião vocês conferiram acima: esse é um filme que vale a pena.

Luís

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Quanto a esse filme, digo uma coisa com total certeza: Abril Despedaçado é o melhor filme nacional que já vi. Tudo no filme funciona bem. O enredo regionalista consegue prender a atenção, as atuações são excelentes e o cenário seco e triste adiciona mais um ponto positivo ao filme. Bem resumidamente, o enredo é assim: Duas famílias rivais vivem na mesma região. O histórico das famílias deve ter acontecido a muito tempo, mas o fato é que desde que um integrante de uma família matou um da outra, a família que ficou sem seu ente querido tem que mandar o irmão mais velho do falecido para vingar a morte do irmão, e é esse ciclo que se repete até chegar nas gerações que o filme narra. O interessante disso é a inevitabilidade. Todos os filhos do casal sabem que mais cedo ou mais tarde eles terão o mesmo fim do irmão.

O filme se passa no agreste nordestino brasileiro de1910 e só por isso conseguimos formar uma visão do filme. Seca, pobreza, tristeza e a forte rivalidade entre famílias são partes integrantes do filme. Além disso, há um forte tom religioso que por vezes se transforma em macabro como pode ser notado no funeral. O interessante é que esse apego religioso é mostrado de forma muito verdadeira (quem já foi em um terço em um sítio ou até mesmo em uma Folia de Reis sabe o que estou falando), principalmente levando em conta a região e a época que o filme retrata. Outro tom que se sobressai no filme é um lado naturalista onde a família de Pacu se mostra tendo apenas o básico para viver. Logicamente este fato está ligado a pobreza que eles vivem, e para ganhar dinheiro, eles tem que participar de todo o processo até a vender o produto final que eles produzem: a rapadura. Falando nisso, todo o processo de moer a cana é mostrado de forma tão peculiar no filme, que por vezes não sabia se admirava a cena que tem um tom de cor de areia com uma fotografia linda, com o contínuo girar da moenda e com os constantes gritos do pai incentivando os bois a andares; ou se me entristecia em ver aquela realidade, que provavelmente muitas pessoas ainda vivem.

A atuação é outra que transforma o filme em recomendável. Rodrigo Santoro (talvez o ator brasileiro de maior sucesso no exterior já que fez filme filmes como As Panteras Detonando e 300) está perfeito no papel de Tonho. Seu personagem passa um ar tímido e que tem muito medo da morte e ao mesmo tempo sabe que ela está cada dia mais próxima. Esse modo de comportamento dele é quebrado apenas uma vez quando foge, mas a honra da família é mais forte que ele sabe que terá que voltar. Outro que chama a atenção é Ravi que interpreta o irmão mais novo de Tonho. Pacu é apenas uma criança que ainda fantasia coisas imaginárias, mas também tem uma mente crescida que já conhece seu futuro.

Renan