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2 de fev. de 2011

Café com Leite

Brasil, 2007, 20 minutos, drama. Diretor: Daniel Ribeiro.
Se todos os filmes nacionais produzidos fossem como esse curta-metragem, decerto a nossa indústria cinematográfica seria bem mais elogiada.

Esse é mais um dos filmes que provém da minha incursão pelo mundo dos filmes curtas-metragens nacionais. Só me interei por essa obra por dois motivos muitos básicos: a quantidade de pessoas que queriam vê-lo no site Filmow e a sua capa, que mostra dois rapazes e uma criança entre eles. Fiquei curioso para saber como esse tema seria desenvolvido e eu acabei baixando o curta para conferi-lo.

Admito que não me decepcionei. Nem um pouco, para ser sincero. Gostei do modo como Daniel Ribeiro, o diretor, concebeu a sua obra e como ele a trabalhou de modo que ela não ficasse melodramática nem superficial e muito menos que ficasse parecendo um culto à homossexualidade. Conhecemos, então, a história dos namorados Marcos e Danilo é alterada quando a morte dos pais de Danilo faz com que ele fique responsável pelo irmão Lucas, um garoto muito apegado a ele.

Acho que o que mais me chamou a atenção nessa produção foi a sua qualidade fílmica. Parece inegável que a qualidade das filmagens realmente é a primeira característica que nos chama a atenção – logo na primeira cena percebemos que foi usada uma câmera profissional. Isso, para mim, soou bastante curioso, haja vista que os curtas-metragens anteriormentes vistos por mim, à exceção fica por conta de Lucky Blue, tinha uma imagem desastrosa. Logo depois, a primeira cena por si só já me impressionou. Daniel Ribeiro soube registrar os atores Daniel Tavares e Diego Torraca em cena sem lhes atribuir quaisquer características vulgares, depreciativas, melosas ou mesmo exageradas – a cena é de uma sutileza crível e totalmente aceitável. Não há como não pensarmos que eles formam um casal bonito e desde o começo já somos conquistados pela simpatia deles. Penso também que a sintonia entre os atores tenha sido um fator fundamental para que essa produção nacional tenha sido tão funcional. O ator-mirim Eduardo Melo também faz jus à qualidade dos outros dois atores e não deixa a desejar em nenhum momento – os três juntos compõem um elenco que é, no mínimo, elogiável.

Penso que o grande acerto tenha sido não dramatizar em excesso, sem, porém, dramatizar de menos e cair na superficialidade. Aqui, podemos perceber o tom certo em todos os momentos e ao longo de vinte minutos o espectador pode acompanhar uma história quase tragicômica, na qual se misturam elementos dramáticos, como a perda dos pais e o distanciamento aparente entre Marcos e Danilo, e elementos mais cômicos, como a cena final, na qual Danilo e Lucas estão em perfeita comunhão, falando sobre videogames e testando o tempo correto do micro-ondas para chegar à temperatura ideal do leite. Destaque especial para a cena em que Marcos e Lucas conversam num parque – uma amostra clara de que uma criança é capaz de entender que o amor se realiza de várias formas e que por isso o preconceito é desnecessário. Acredito que esse momento acrescente um charme a mais à trama.

Gostaria que todos os filmes nacionais de longa-metragem fossem tão eficientes em seu discurso quanto esse curta-metragem. Daniel Ribeiro sabe registrar bons momentos em cena. Depois de assistir a esse filme, procurei mais sobre o diretor e encontrei outra produção que ele dirigiu – A Mona do Lotação, uma paródia evidente, e extremamente engraçada, à obra de Nelson Rodrigues. Acho válido citá-la, pois provavelmente não farei uma resenha exclusivamente para ela aqui no blog. Retomando o que eu dizia: Café com Leite merece uma conferida atenta e, ao meu ver, merece também alguns elogios – ao elenco, ao roteiro, ao diretor, à qualidade cinematográfica. E espero conhecer mais obras com esses atores e mais produções desse diretor.