Brasil, 2008, 30 minutos, comédia / terror. Diretor: Petter Baiestorf.
Esse curta-metragem traz momentos muito toscos e divertidos e outros muito incômodos, que não permitem ao espectador saber se se trata de uma brincadeira ou de uma tentativa falha de fazer algo sério.
Confesso que eu adoro filmes ruins e filmes “ruins”. Os primeiros são aquelas porcarias que tentaram dar certo, mas acabaram inevitavelmente no lado cômico devido à série de elementos não-funcionais na sua trama - nesse grupo, estão filmes como “Hellraiser - Renascido do Inferno” (1987), cuja história e efeitos são toscos, mas que diverte. No segundo grupo estão filmes como “A Morte do Demônio” (1981) e “A Noite dos Demônios” (1988), cujos aspectos técnicos e artísticos são tão ruins que só podem ser brincadeira e acabam divertindo o espectador por serem engraçados (embora tenha gente aí jurando que são filmes de terror, ui!).
“Vadias do Sexo Sangrento” (2008), uma produção sul-rio-grandense, tem tudo para estar no segundo grupo, já que a história por si só parece não querer nos convencer tampouco as atuações têm essa pretensão, tão ridículas - em ambos os sentidos - que são. Logo no começo do filme conhecemos um maníaco que persegue as mulheres, porque, quando criança, durante uma excursão, foi estuprado por 48 padres, o que gerou nele algum conflito psicológico. Paralelamente, conhecemos um rapaz que está disposto a tudo para voltar com a namorada, que já não lhe quer mais e até já o trocou por outra mulher, pois quer experimentar coisas novas. Num dado momento, a vingança do ex-namorado resulta num encontro de todos com o maníaco - e também com um senhor que pesca tranqüilamente na praia e com o narrador da história.
Os bastidores: o diretor e dois atores se preparando para a cena final.
Estamos falando de uma produção a qual podemos chamar, no mínimo, de ousada. A obra conta com nudez frontal masculina e feminina num país que já deu muita vazão à sexualidade e ao sexo, inclusive explícito, mas que agora se resguarda numa falsa moralidade que teme mostrar nudez antes das 10 horas da noite; a obra também conta com a criatividade do elenco e da equipe para apresentar uma cena de remoção do intestino - adendo importante: pelo ânus - além de um momento no qual, por vingança, uma personagem invade a barriga de outro, matando-o por dentro; ainda temos uma cena de farta ejaculação, bastante gore, uma cena de estupro e diálogos extremamente ruins que não querem dizer absolutamente nada. Como vemos, o filme tem tudo para dar certo - e não temo ao afirmar isso.
E ele dá certo em algumas cenas. Ele diverte e cativa o espectador com o monte de bobagem a que estamos assistindo, dou destaque a especial à cena do homem que pesca que, ao ver o outro com o intestino pra fora e totalmente nu, decide ir ver o que estava havendo (o ex-namorado estava estuprando a sua ex-namorada na frente da atual namorada dela) e acaba se masturbando em vez de ajudar a moça amarrada. Mas existem outros momentos que colocam em dúvida a seriedade - ou a não-seriedade - do filme, como os vários momentos em que o jovem tenta reconquistar a ex: as cenas parecem ter a função de criar uma veia dramática na história que simplesmente não cabe ali, mesmo que esse tom sério fique meio balançado pela interpretação do ator.
Definitivamente, não é um filme para espectadores pudicos.
Eu diria que esse é o tipo de filme que nos diverte durante a sua exibição, mas não é certo nem provável que vá divertir, justamente porque lhe falta o elemento x que permitiu ao filme de Sam Raimi ser a grande obra-prima que é. Após o término da obra, fica o elogio à ousadia, mas logo vem o esquecimento, que é uma amostra de falta algum detalhe na história, algo que a fixe em nossas mentes. Mas decerto vale a pena conhecer mais do cinema independente de Petter Baiestorf, que atuou no interessantíssimo “A Noite do Chupacabras” (2011), de Rodrigo Aragão - este, simpaticíssimo - e que produziu outro filme relativamente famoso no circuito independente do cinema nacional, que é “Arrombada: Vou Mijar na Porra do seu Túmulo” (2007) - aliás, Baiestorf faz em “Vadias do Sexo Sangrento” uma ótima referência ao seu filme anterior, numa cena que envolve urina, sangue e raiva por parte de uma vítima do maníaco.


