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24 de jun. de 2011

Glue

Glue, Historia Adolescente en Medio de la Nada. Argentina / UK, 2006, 110 minutos. Drama.
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A descoberta da sexualidade na adolescência é um tema que pode gerar uma boa cinematográfica, desde que, obviamente, o roteiro não se foque em situações bobas e lugares-comuns, aos quais filmes com essa temática estão sujeitos. Quando li a sinopse de Glue, rapidamente pensei que se tratava de um filme bom dentro dessa subcategoria, mas eu estava terrivelmente enganado.

O mote dessa produção mexicana é a viagem de três jovens a um lugar onde poderão ficar sozinhos e é nesse lugar que eles conhecerão as suas sexualidades e as explorarão de modo aberto e sem preconceito. É assim que o filme é vendido, mas ele está bem longe de cumprir a sugestão dada pelas linhas que eu escrevi. Glue simplesmente não mostra nada e a tal viagem da sinopse consiste numa cena de uns oito minutos – muito longos, só para constar – que mostra pouquíssimas coisas de relevante.

Li num blog que o diretor de Glue se baseou num roteiro curto e que os atores só o leram uma vez. A partir das situações propostas pelo diretor, eles desenvolveram a cena no improviso – talvez esse tenha sido o erro. Alexis dos Santos, o diretor, se equivocou ao pensar que poderia pegar uma câmera e sair filmando sem ter algo sólido em que se embasar; errou ao pensar que seus atores teriam a capacidade de lidar com esse modo excêntrico de direção; errou na edição, quando permitiu que cenas longuíssimas e sem propósitos fossem misturadas a efeitos cansativos. Creio que o maior problema de Glue seja a direção totalmente equicovada! Não há como esperar muito dos atores se percebemos que não há ali uma mão firme para lhes guiar, logo não culpo os jovens intérpretes dos chatos personagens Nacho, Andréa e Lucas, sendo este o protagonista, aquele o melhor amigo e ela a garota que acaba envolvida nas propostas desordenadas dos garotos.

O roteiro não se ocupa em fazer nada, até creio que seja lorota o que o diretor contou: provavelmente jamais houve um roteiro. Os personagens não se desenvolvem, não evoluem; há cenas intercaladas que não apenas quebram o clima (que já é fraquíssimo) como também perturbam o espectador com a sua terrível falta de utilidade. Confesso que não houve uma cena em específico que me chamou a atenção. A única cena mais interessante é aquela na qual os personagens se relacionam a três, no banheiro masculino de uma festa – ela é quase intensa, quase correta, quase bonita. Enfim, quase.

Fica evidente que eu não recomendo Glue. Não sei se há alguém que goste dessa obra, mas essa pessoa decerto enxergou coisas que eu não pude ver. Achei um filme monótono, sem propósito e, como se não bastasse, longo demais! Vários questionamentos importantes foram deixados de lado ou se perderam em meio às frases falhas de efeito que Lucas, o protagonista, solta ao longo do filme. Uma pena, perdi o meu tempo. Não perca o seu.

Luís

22 de jan. de 2011

The Sex Movie

The Sex Movie. EUA, 2006, 84 minutos, comédia. Diretor: Colton Lawrence.
Filme feito para ser visto numa noite sem nenhuma grande pretensão e agrada principalmente aqueles que gostam de ouvir diálogos sobre sexo - e eventualmente ver cenas de sexo.

“A beleza da vida quase sempre é encontrada quando desistimos de controlá-la”.
The Sex Movie é um filme sobre sexo e isso fica claro pelo péssimo título original. Infelizmente, acho que esse filme não foi lançado no Brasil nem sequer em DVD e muito provavelmente ficará sem vir para cá por muito tempo, porque provavelmente não deve ser muito conhecido nem mesmo no país que o concebeu.

O cenário do filme é a casa de Kris, que convidou os seus três amigos – J.D., Heidi e Rafe, respectivamente um heterossexual, uma lésbica e um gay – para passar uma tarde em sua casa, como nos velhos tempos. Os quatro trabalham nos bastidores de ensaios pornográficos, então o sexo é algo bastante natural pra eles. E é exatamente sobre isso que eles discorrem ao longo do filme: tabus, medo, machismo exacerbado, a sociedade e a sexualidade, os defeitos masculinos, os defeitos femininos, etc.

Como disse acima, o cenário é a casa de Kris e é nesse ambiente que os personagens ficam durante os 84 minutos de filme. O roteiro privilegia os diálogos e as constatações de cada personagem, garantindo que cada um tenha o seu espaço em cena e que exprima claramente as suas opiniões sobre o tema que debatem. Não acredito que nenhum personagem seja coadjuvante, porque fica bastante evidente a importância de cada um na trama: todos têm o mesmo peso em cena e o diretor optou por intercalá-los; se um fala, os outros se tornam secundários, vão revezando, um tendo destaque em cada momento. Como todos têm opiniões fortes e são bastante rígidos nas suas convicções, muitas discussões sérias acontecem ao longo do filme e todas as elas são bem estruturadas, apresentando então argumentos mais fortes para defender os posicionamentos dos personagens. Vale ressaltar que eles estão sob o efeito do álcool e de ¼ de pílula de ecstasy – logo perder o controle fica bem fácil. E assim eles começam não apenas um jogo de palavras e debates, mas também um jogo de sedução, no qual brincadeiras ousadas são propostas o tempo todo, desde as garotas se beijarem e se acariciarem até os rapazes mostrarem os seus pênis e se beijarem também.

É curioso notar o uso da expressão “no calor do momento”, que é dita pelo personagem heterossexual quando o homossexual o beija inesperadamente e ele retribui. Todos os acontecimentos que os personagens vivenciam têm a ver com a situação daquele momento e não de experiências anteriores entre eles. Tanto é que eles são amigos e inimigos ao mesmo tempo; há neles o conforto da amizade e a fúria da arqui-inimizade. A proximidade entre eles causa um conflito muito intenso em cada um, já que todos estão envolvidos no jogo perigoso proposto pela anfitriã: sexo e sentimentos, não apenas fazê-los, mas também senti-los. Acredito que a melhor personagem, aquela é mais desenvolvida seja Kris, a dona da casa. Ela se mantém coerente ao longo do filme todo e apresenta argumentos irrefutáveis sobre vários assuntos, como, por exemplo, a evolução do ser como criatura bissexual. Os outros personagens são instáveis em muitos momentos. J.D. é de uma arrogância extrema e num momento diz que acha homossexuais uma aberração, principalmente se considerar os preceitos religiosos, e noutro momento diz que não tem nada contra eles; Rafe e Heide envolvem-se num jogo de confidências que não é respeitado nem por um nem por outro; Rafe é submisso demais enquanto Heide é muito extremista, mas depois a situação inverte e explode – no final do filme, todos os personagens já discutiram com todos, houve agressão, objetos atirados na parede, uma cena de sexo. Acho que o grande problema do filme é o final, que parece totalmente fora do contexto da obra, já que tudo se voltou para um romantismo errôneo e destoante, que definitivamente deveria ter sido evitado nessa obra em particular.

Há um tom meio amador no filme, principalmente nas tomadas externas, quando os personagens são filmados andando na rua – a câmera não deve ser profissional e isso resultou naquela imagem meio ruim. Os atores provavelmente não são profissionais também. Em alguns momentos, eles parecem amadores. A exceção fica por contra de Michelle Mosley e Mathew Tyler, intérpretes de Kris e J.D., que mantém a sua boa atuação do começo ao fim. A simplicidade da atuação de Mike Fallon, o Rafe, me irritou, porque o seu personagem precisava de um tom menos submisso e miúdo e o ator simplesmente se deixa desaparecer ao lado dos outros atores. Eleese Longino, Heide, é aquela que mais discute em todo o filme. Suas discussões se baseiam em gritos, o que me perturbou um pouco, e em algumas cenas, ela parece bem confusa quanto àquilo que deve demonstrar sentir.

Creio que The Sex Movie seja uma obra interessante, mas não é grandiosa nem pretensiosa e talvez esse seja o seu acerto. Não há nela grandes expectativas – é uma produção cujo único fim é entreter o espectador. E eu devo dizer que consegue fazer isso bem se o espectador conferi-la também sem grandes esperanças. O ponto alto do filme são os diálogos sobre sexo e as constatações críticas apresentadas ao longo do filme. Não é um filme do qual você sempre se lembrará, mas decerto é um entretenimento para uma noite fria em que você está sozinho em casa. Pensando bem, talvez seja mais legal vê-lo acompanhado...

31 de out. de 2010

Filhos da Esperança

Children of Men. EUA, 2006, 109 minutos. Drama/Ficção Científica.

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Ouvi sobre esse filme quando um colega comentou o quão bom ele [o filme] era. Esboçou um resumo rápido a respeito do assunto abordado; eu achei um pouco vago demais, mas, depois de um ano, decidi assisti-lo. E, diferentemente do que eu pensava, o filme me surpreendeu com a sua trama, que fala a respeito do ano de 2027, no qual a pessoa mais jovem tem 18 anos, isto é: o último parto ocorreu em 2009! Então, um ex-ativista é chamado por Julian, líder de um grupo de protestantes radicais, para que a ajude num transporte que é extremamente importante. Primeiro ele nega ajuda, mas depois se depara a situação que tem de lidar: há uma garota grávida, que precisa ser movida a fim de que não seja raptada ou morta.

O primeiro comentário que quero fazer quanto às características do filme é a maneira de destruição que é mostrada. Já assistimos a muitos eventos que tratam do fim de humanidade; vimos as sociedade submergir, em O Dia Depois de Amanhã; presenciamos ao quase choque entre um meteoro e a Terra, em Armageddon; soubemos da marginalização dos humanos pelo macacos, em O Planeta dos Macacos. Pela primeira vez, no entanto, os humanos não foram atacados ou mortos: simplesmente deixaram de nascer, embora continuem morrendo das mesmas causas que morriam, seja morte natural, guerras ou acidentes. De tal forma, a expectativa pelo fim parece bem mais cruel do que nos outros filmes e o tom pessimista que Alfonso Cuarón deu ao fim faz parecer com que quaisquer atitudes dos personagens seja irremediavelmente inútil, o que sustenta ainda mais a expectativa dos espectadores. Dentre as cenas que mostram de maneira mais efusiva essa sensação de fracasso, presente no contexto do filme, está aquela em que várias pessoas observam tristemente à notícia de que o "Bebê Diego", a pessoa mais jovem do mundo, morreu aos 18 anos após recusar a dar um autógrafo e ser esfaqueado, o que o levou à morte.

Dentro da rígida estrutura política estadunidense, na qual ou todos os imigrantes são retiradas à força do país ou são mortos, Theo, personagem de Clive Owen, atira-se obstinadamente à tentativa hercúlea de levar Kee, a jovem grávida, até o local onde ela será tratada com todos os cuidados necessários e ainda poderá dar chance para as esperanças de que o mundo simplesmente não acabe. Eu tenho a impressão de que Clive Owen vem interpretando o mesmo personagem - apenas o nome que muda - há um longo tempo, salvo em Closer, em que enão precisa correr para salvar alguém. O ator é bastante convincente nesse papel, mas certamente lhe falta alguma versatilidade; acho que seria interessante vê-lo de outra maneira, talvez mais submisso à situação, menos herói. Mas enquanto continuar convencendo assim, melhor para nós. Julianne Morre poderia ter sido bem mais aproveitada. Sua participação resume-se a poucas falas e um tiro que logo nos primeiro trintas minutos de filme a mata. Se Clive Owen combinou bem com Natalie Portman e Julia Roberts, por que não haveria de combinar também com Julianne Morre a fim de desenvolver melhor o reatar da relação entre os personagens? Mas, mesmo que tenham optado por fazer de outro jeito, a atriz marca presença e garante boas, porém pequenas, cenas.

O ápice do filme está numa das cenas finais, quando há aquele momento fotográfico no qual todos param. Quem assistiu ou quem for assistir sabe (ou saberá) a qual cena me refiro. É nesse momento que percebemos que valeu a pena ter-lhe visto. Então, eu recomendo que assistam a esse filme. Não o façam, porém, se quiserem bastante diversão, pois este é um filme para ser observado com atenção, registrando alguns momentos (que certamente virão a ser copiados daqui a alguns anos).

5 de out. de 2010

O Ilusionista

The Illusionist, 2006, 110 minutos. Drama.

Indicado ao Academy Award na categoria Melhor Fotografia.
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Já tinha lido críticas realmente muito boas sobre esse filme e considerando que talvez estivesse perdendo uma excelente obra, decidi vê-lo; porém permaneci adiando a conferência, até que um sábado cheio de planos frustrados me levou à locadora. Nesse filme, segundo filmes com os atores Edward Norton e Jessica Biel, descobri que, embora pensasse diferente, Norton é um ator bastante apático e Biel é não sabe somente gritar. Edward Norton é Eisenhem, um ilusionista que entretém as pessoas com os seus espetáculos. O Chefe-Inspetor, interpretado por Giamati, começar a fechar o cerco, querendo descobrir o funcionamento dos seus truques ao mesmo tempo em que põe o mágico à análise do príncipe. Numa das atrações, Eisenhem reencontra Sophie (Jessica Alba), com quem teve um relacionamento na adolescência. Então, os dois desejam estar juntos, dispostos a fugir para isso, tendo, no entanto, que enfrentar a ira do príncipe, que está prestes a se casar com ela.

Eu realmente acredito que criei muitas expectatitvas acerca dessa produção, pois nos quarenta minutos finais, eu estava indeciso ainda quanto à minha opinião a respeito do filme. Parecia haver muito o que desenvolver, porém eu não acreditei que fosse possível de a história concluir satisfatoriamente, pois já no meio parece completamente conclusa, esperando, talvez, um rápido desfecho sobre um ou outro personagem. Logo no começo, senti que seria mais de uma hora de completo prazer, pois a introdução à história é bastante interessante, sem exageros ou escassezes. Porém eu realmente não compreendi o veloz reencontrar das emoções; eles não se viam desde adolescentes e ela nem sequer se lembrou imediatamente dele, porém descobriram-se a amar um o outro tal como era antes. Na minha opinião, apressaram demais essa parte, deixando-a muito no início e um tanto forçada. Se tivesse explorado melhor o relacionamento dos dois, incluindo a mudança comportamental dela em relação ao noivo, isso evitaria que o quarto final de filme fosse repetitivo. Quanto ao final, não sei se me deixou feliz ou aborrecido. Eu costumo não gostar de filmes com finais surpreendentes, principalmente se estes forem incoerentes. Ao final de O Ilusionista, tem um daqueles pseudo-finais, que parecem dar conclusão ao filme, mas são somente uma brecha para o final de verdade, que vem a seguir. Se por um lado eu gosteid a ótima relação entre a abordagemd a "ilusão", por outro eu não gostei da maneira como tudo aconteceu. Entre prós e contras, minha opinião quanto ao fim se manteve neutra, sem elogiá-lo e sem, no entanto, desmecerê-lo.

O único outro filme com Edward Norton a que tinha assistido foi Clube da Luta, no qual eu o considerei bastante comum, sem grandes momentos de atuação, porém satisfatório. Em O Ilusionista, está bastante apático, em nenhum momento se destaca verdadeiramente, fazendo jus à sua posição de protagonista. Acredito que o que lhe engrandece a atuação é o final do filme, que nos faz chegar à falsa conclusão de que ele interpretou - me refiro ao ator, literalmente - tudo muito bem. Já Jessica Biel é bem coadjuvante, talvez aparecendo em pouco mais do que trinta minutos. Como só a tinha visto em O Massacre da Serra Elétrica, aderi ao pensamento de que ela somente fazia filmes de gosto duvidoso e desprovidos de qualidade quanto à interpretação. Não que eu tenha me surpreendido com a sua capacidade interpretativa em O Ilusionista; eu apenas concluí que ela pode ser bem melhor do que é, se escolhesse melhor os roteiros em que atua - para não acabar sendo indicada ao Framboesa de Ouro, como já aconteceu - e caso se entragasse mais à personagem, dando o melhor de si. Rufus Sewell, que já participou do questionável Filha da Luz, limita-se a expressões estranhas para demonstrar suas emoções, sendo facilmente escondido pelos outros atores. De uma maneira geral, eu acho que a atuação é satisfatória e merece uma nota seis, ou talvez seis e meio.

Lembram-se da situação em que eu estava quando assisti ao filme? Sábado de planos falidos. Pois bem, em condições assim, assistam a esse filme. Não o coloque na frente de outras obras - caso você tenha uma lista -, porque eu acho que não vale a pena. Veja-o sem expectativas, acreditando que, no mínimo, encontrarão um filme razoável; assim, quem sabe, tenham uma recepção mais calorosa a O Ilusionista.

2 de set. de 2010

Pulse

Pulse. EUA, 2006, 91 minutos. Terror.
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Eu poderia começar dizendo várias coisas, mas quero ir direto ao ponto: esse filme é muito ruim! Chega a ser difícil acreditar que esse filme foi escrito por Wes Craven, que nos apresentou o sardônico vilão do interessante A Hora do pesalo e que, mais tarde, dirigiria Pânico, filme que traria de volta os famosos assassinos mascarados. Pois bem, Craven se uniu a Ray Wryght e ambos vieram com essa bomba cinematográfica.

Essa resenha possui muitos spoilers, porque, como não há coisas boas a dizer, o jeito é criticar aquilo que vi. Eu nem sequer sei dizer do que Pulse trata. Há fantasmas, há redes tecnológicas de comunicação assim como existe um tom apocalíptico. De um modo geral, o filme fala sobre mortos que encontraram uma passagem para o mundo dos vivos através de celulares, computadores, televisores - e nos caso dos fantasmas narcisistas e das domésticas-do-além, até mesmo espelhos e lavadoras de roupa se tornam portais.

Pulse é uma bosta de filme cercado de incoerências e muitas delas chegam a ser risíveis, já que tomam o espectador por estúpido e sugerem que ele não seja capaz de perceber o quão errado aquilo está.  Um bom e rápido exemplo: Stone, depois de contaminado pelo espírito que o tocou, tem contato físico com Tim (esse segura o braço daquele) e Tim acaba contaminado também, morrendo depois; numa das passagens, depois que um espírito sai de uma lavadora de roupas (do que o espírito fazia lá, não faço a mínima ideia) e ataca Izzie, ela não passa o contágio pra Mattie, que a toca, a segura, a abraça, a beija, etc. Soa muito incoerente, mas, afinal, como poderiam matar a mocinha do filme? E no final nós podemos perceber que a lógica da coisa é: quanto mais próximo de um local onde há grande fluxo de ondas, maior a facilidade com que os espíritos transpõem a barreira do mundo dos mortos para o nosso mundo. Daí eu pergunto: qual o motivo pelo qual havia um espírito dentro da máquina de lavar roupa? Ela por acaso é como um microondas? (eu definitivamente impliquei com a maldita cena na lavanderia)

O roteiro tem uma frase que, bem usada, poderia resultar num filme bem interessante. Um personagem diz que ele e um colega tentavam criar uma superbanda-larga e que, ao descobrirem uma frequência de onda muito alta, eles acabaram fazendo com que os dois mundos se conectasse, como se uma quarta dimensão pudesse ser vista e tocada. A premissa soa interessante, mas eles não souberam usar essa história e tudo se resume a uma frase de três segundos. É meio complicado falar sobre atuações, porque o filme não apresenta isso. Se os atores estão em momentos sofríveis, nem sei o que dizer do diretor, que possivelmente não conseguiu impor sua opinião sobre aquilo que os atores apresentaram ou, por mau gosto, achou que aquilo estava bom. A parte boa é que Kristen Bell e Ian Somerhalder são bonitos e, se houvesse alguma história para contar, formariam um casal simpática. Os outros atores ou são feios e poluem ainda mais o visual do filme ou são bonitos mas desaparecem em dois minutos, não interferindo assim na poluição do filme. O tom sombrio seria bastante útil, porque causa certo incômodo, mas, considerando que o filme é uma bomba, a fotografia não ajuda em nada.

Vale lembrar que essa é mais uma das dezenas de produções refilmadas de filmes asiáticos, que, como muitos de nós sabem, ficam apenas bons quando vistos na versão original. Não sei se Kairo, de 2001, que deu origem a Pulse é bom, mas o remake certamente não tem resultado positivo e em vez de entreter ele acaba irritando o espectador, que vê uma série de babaquices e se desespera com tamanha capacidade de se fazer um filme péssimo. Certamente um bom exemplar para ser comentado no Filmes ExCelentes - com C maiúsculo -, blogue do Tobias, especializado em apresentas filmes-bomba.

Luís

9 de ago. de 2010

Original e Remake: A Profecia

Eu criei um post no começo do ano, comentando sobre os dois filmes que representam a primeira parte da saga Sexta-Feira 13. Agora, resolvi retomar essa sessão e, para isso, convidei alguém especial: o Marcelo, do blog Diz que Fui por Aí. Como o admiro, como companheiro de conversas e também como admirador de filmes, convidei-o para vir aqui. Como curiosidade, vale ressaltar que em mais de dois anos, o Marcelo é o primeiro blogueiro a participar com uma resenha ou um artigo.
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Advertência: o artigo abaixo possui um grande número de relevações sobre o enredo.


Para os que não me conhecem, meu nome é Marcelo Antunes, proprietário do blog "Diz Que Fui Por Aí..." e colaborador no "Um Oscar Por Mês". A convite do Luís, escrevi um texto sobre a primeira versão do filme A PROFECIA, levado às telas em 1976, para uma nova sessão do “Literatura e Cinema”, cujo propósito é analisar algumas obras que, alguns anos depois, foram refilmadas. O próprio Luís abriu a sessão, em janeiro passado, com o original e o remake de Sexta-Feira 13. Hoje, ele será o responsável pelo texto da versão de 2006, de A Profecia.

"Refazer" filmes não é nenhuma novidade no cinema. Algumas vezes eles funcionam, outras não. Devo confessar que, de modo geral, o segundo caso me ocorre mais constantemente. O que Gus Van Sant fez com Psicose? E Tim Burton com o Planeta dos Macacos?

Quem sabe, numa postagem futura, elucidaremos essas questões? Material é o que não falta! Por ora, no entanto, nosso olhar se debruça sobre THE OMEN - original e cópia.


Há 34 anos, a 20th Century Fox levava às telas aquele que é, apontado por muitos, como um dos grandes filmes de terror de todos os tempos: A Profecia (The Omen, no original). Baseado no romance homônimo de David Seltzer - que também escreveu o roteiro - , o longa estreou, numa bem sacada estratégia de marketing, em 06 de junho de 1976. Trinta anos depois, quando uma nova versão foi lançada, a estreia ocorreu em 06 de junho de 2006, numa clara alusão ao número 666.

Sinopse: Katherine Thorn (Lee Reemick) é a esposa do diplomata americano Robert Thorn (Gregory Peck), que dá a luz à uma criança natimorta. Convencido por um padre, o político decide adotar um bebê recém-nascido - tudo arranjado para que Katherine não desconfie de nada - a quem chamam de Damien. O tempo passa, os Thorn mudam-se para a Inglaterra - onde Robert é nomeado embaixador - e Damien se revela uma criança diferente das demais. No seu quinto aniversário, sua babá suicida-se durante sua festa, jogando-se de uma das janelas da casa da família, após discursar em sua homenagem. A cena é capturada por Keith Jennings (David Warner), um paparazzo que, mais tarde, desempenhará importante papel na trama. Esse é apenas o primeiro dos acontecimentos estranhos que envolvem o garoto que, segundo Brennan, um desesperado padre que procura Robert, é o filho de Lúcifer.

1. Personagens e suas funções na história.
No original: Damien - O filho do capeta que tem como objetivo dominar o mundo; Robert Thorn - Adotar Damien como filho no lugar daquele que havia morrido. No desenrolar da trama, Robert vê-se obrigado a matar o próprio rebento; Katherine Thorn - Torna-se mãe do menino-capeta sem saber de quem realmente se trata. Acaba sendo vista como possuidora de problemas psquícos; Mrs. Baylock - Misto de babá e guardiã do Anticristozinho.
No remake: a família Thor praticamente é a mesma do filme original. Robert, Kathy e o jovem Damien foram exatamente recriados a partir dos personagens primeiros, sem que suas personalidades fossem modificadas. Robert, tal como na história de 1976, é o responsável pela adoção de Damien e a primeira pessoa a notar o comportamento estranho (e a potencial origem obscura do garoto) é Kathy, a mãe. A somar, há Mrs. Baylock, a babá de Damien: com o intuito de instruir a formação satânica do garoto, ela surge como uma figura misteriosa, disposta a tudo para cumprir sua missão.

2. Direção e desempenho do elenco.
No original: A direção de Richard Donner é acertadíssima. Seu grande mérito foi exatamente contar a história “remando contra a maré” do que estamos acostumados a ver em filmes do gênero. Para os que preferem um terror regado a sangue e muitos gritos, A Profecia pode soar estranho. O longa-metragem assusta e incomoda com cenas que de explícitas pouco têm. A ligação da criança com o demônio não é mostrada obviamente em momento algum e isso só fica claro, para o espectador, através de situações e personagens como a aterrorizante babá Mrs. Baylock, numa grande atuação de Billie Whitelaw. As atuações de Lee Remick e Gregory Peck - voltando à ativa, depois de algum tempo ausente da telona - também são extremamente verossímeis. Como se esquecer da cena em que Katherine é atacada por macacos ou a que Thorn e Jennings estão em um cemitério, um dos momentos mais reveladores da história? Ah, claro, não esquecendo também do pequeno Harvey Stephens que, embora não tenha seguido carreira, provou ter sido a escolha perfeita para viver o pequeno Anticristo.
No remake: devo dizer que esse é ponto problemático da obra refeita. Os atores não parecem muito entrosados e suas interpretações parecem bastante superficiais. Julia Stiles se mostra pouco expressiva, numa atuação miúda e apática; Liev Shreiber tem um desempenho um pouco maior, mas mesmo assim não chega a surpreender como Robert Thorn, vivido por Gregory Peck no original. O grande destaque é Mia Farrow, que refez Mrs. Baylock de forma tão acertada quanto Billie Whitelaw em 1976. O intérprete de Seamus Davey-Fitzpatrick, o anticristo, não acrescenta muito à trama como ator, o seu visual inocente e contraditoriamente perigoso foi bem aproveitado.

3. Desenvolvimento do roteiro.
No original: Embora alguns trabalhos de David Seltzer não deponham a seu favor - taí O Mistério da Libélula que não me deixa mentir - o roteiro de The Omen é quase perfeito, daqueles que “descem redondo”. A trama cumpre o seu papel e “prende” o espectador intensamente, a cada nova cena, até o surpreendente final.
No remake: por ser uma refilmagem bastante fiel à obra original, praticamente tudo o que acontece na versão de 1976 também acontece na nova versão. Vale ressaltar que foram feitas adaptações interessantíssimas, principalmente aquelas vistas no início do filme, quando os padres discorrem sobre os eventos recentes que podem indiciar a chegada do anticristo.

4. Efeitos sonoros e visuais.
No original: Com uma fotografia sombria que casa perfeitamente com o clima da história e edição e efeitos especiais que, embora modestos, dão um show, um dos grandes destaques do longa-metragem é, sem dúvida, a incrível trilha sonora de Jerry Goldsmith - inspirada na ópera “Carmina Burana” - ganhadora do Oscar. Pois é. Atire a primeira pedra quem não sentiu calafrios ouvindo “Ave Satani” (nomeada a melhor canção original) - um daqueles clássicos casos em que a música desempenha papel de protagonista na trama?
No remake: o tom sombrio foi adotado como elemento de acréscimo às cenas tensas. A trilha sonora não me parece muito marcante, mas não posso dizer que ela é falha, já que consegue transmitir bons momentos de tensão ao espectador. Com a vinda da tecnologia, novos efeitos puderam ser utilizados e assim algumas cenas se tornaram mais superficiais – talvez porque passaram a exigir mais dos atores. Para comprovarem o que eu disse, basta comparar as cenas em que Katharine Thorn se acidenta despencando da escada: a de 1976, realizada com Lee Remick se jogando contra uma parede (ou seja, ela estava em pé e seu movimento era horizontal) é bem mais expressivo que a de 2006, na qual Julia Stiles simplesmente fez uma expressão estranha e os técnicos responsáveis se ocuparam em fazê-la se movimentar digitalmente.

Opinião do Marcelo.
• A qual filme eu prefiro: A versão de 1976, evidente.
• O remake de A Profecia é válido? Sinceramente, penso que certos filmes não necessitariam ser feitos uma única vez, imagine duas. Não é o caso de A Profecia, evidente. Mas não entendo o porquê de uma refilmagem. Talvez a data, o aniversário redondo da produção, tenha inspirado recontarem a história. Sei lá.
• O remake faz jus ao filme original? Nenhuma das continuações do filme estão à altura do original, inclusive o remake.

Opinião do Luís.
• A qual filme eu prefiro: eu definitivamente prefiro a obra de 1976, ou seja, a obra original, que acaba se sobrepõe ao remake se formos analisar ambos os filmes em diferentes quesitos, como fizemos acima.
• O remake de A Profecia é válido? Confesso que não vi qualquer necessidade de se recriar uma obra que estava muito bem, sem qualquer sinal de velhice. Creio que o remake tenha apenas tido o intuito de aproveitar o momento que se aproximava (dia 06 do mês 06 de 2006) para reacender um questionamento já antigo acerca do número bíblico 666 e lucrar bastante com isso.
• O remake faz jus ao filme original? Não acredito definitivamente que o remake se equipare ao original. Admito, no entanto, que essa é uma obra que, em qualidade, não chega a ser ridícula, como usualmente acontece com os remakes. Não são equivalentes, porém. O filme de 1976, com Gregory Peck, Lee Remick e Billie Whitelaw, é ainda superior e, por isso, mais apto para análises críticas e entretenimento com qualidade.

A Profecia é um filmão que, como quase toda obra do gênero, é cercada por várias lendas, envolvendo aqueles que, direta ou indiretamente, trabalharam no projeto (o avião que Peck pegaria caiu, vitimando todos os passageiros; o hotel em que o diretor esteve hospedado sofreu um ataque por parte do IRA, etc.), o que confere, de certo modo, uma espécie de charme extra. Portanto, para os fãs e também os não fãs do gênero, fica a dica desse que é - por que não? - um clássico do terror. (por Marcelo)

Assim como o Marcelo, também penso que A Profecia (1976) seja um grande filme de terror e que o seu grau máximo de intensidade esteja na sua forma agressiva de mostrar implicitamente um conteúdo chocante. Não me restam dúvidas de que esse seja um dos últimos grandes filmes de terror – bom elenco, boa história, bons aspectos técnicos e artísticos. Enfim, uma grande obra! (por Luís).

10 de jul. de 2010

Zuzu Angel

Brasil, 2006, 100 minutos. Drama.
Indicado ao Grande Prêmio Cinema Brasil em 5 categorias. Venceu por Melhor Figurino.
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Começar dizendo que o cinema nacional evoluiu em relação aos últimos trinta anos é clichê. As chanchadas deram lugar a obras mais sérias, com conteúdo dramático mais apurado. Com isso, surgiram grandes nomes e outros foram ressaltados. Atualmente, filmes brasileiros tem recebido grande destaque. Zuzu Angel é um desses filmes que atraem principalmente por dois motivos: tem nomes de peso (como Patrícia Pillar e Daniel de Oliveira) e sua temática nos remete a uma ferida recente na história do Brasil.

Acredito que não haja muitos que não saibam quem foi Zuzu Angel. Estilista renomada do Rio de Janeiro, foi casada com um estadunidense, com quem teve três filhos. Tornou-se uma figura extremamente reconhecida quando ousou enfrentar a ditatura militar a partir do ano de 1971, quando seu filho desapareceu e ela soube que ele poderia estar preso. Após um tempo, concluiu que ele estava morto e começou sua jornada em busca de justiça. Um dos eventos mais conhecidos foi o fato de ela ter ido gritar por justiça nos corredores da ONU.

Eu particularmente adoro esse perído histórico brasileiro. É um dos que mais gosto de ler sobre e pelo qual me interesso bastante. Como eu disse, é uma ferida recente, afinal, acabou faz apenas 24 anos e os resultados dos 21 anos durante os quais o sistema ditatorial funcionou ainda são muito comentados. Uma cinebiografia de uma personalidade tão forte como Zuzu Angel poderia ser um grande marco no cinema, uma vez que poderia aproveitar todos os elementos técnicos e artísticos e transformá-los numa apresentação fiel à situação que existiu entre os anos de 1964 e 1985 além de criar uma boa heroína do cinema nacional, afinal, Zuzu tinha tudo para ser relembrada por tudo que teve coragem de fazer.

O filme, porém, conta com alguns probleminhas que o tornam mediano. Quanto ao roteiro, não vou me ocupar em criticá-lo ou elogiá-lo, pois como se baseia em fatos reais fica meio difícil esperar que nele sejam acrescentados fatos mais dinâmicos que talvez não sejam reais. Não o achei monótono, nem cansativo. Em suma, gostei dos pontos que ele aborda, nos mostrando com certa eficiência o problema supremo que existia naquela época: impor-se contra um regime extremista e perigoso. Acho apenas que o fato de Zuzu ser passional demais estraga um pouco, porque ela parece mais submissa ao sistema do que corajosa a ponto de enfrentá-lo. Não sei exatamente como expor o que penso, pois acho que "submissa" não é palavra correta. Mas ela é muito pendente, quase sempre mais ocupada em choraminguar porque o filho morreu do que empenhada em buscar justiça. Porém, a partir do meio do filme, isso muda e ela finalmente se torna a mulher que eu gostaria de ter visto nos minutos iniciais. As pessoas que me conhecem - e conhecem minha opinião sobre certos elementos cinematográficos - sabem que eu detesto mistura de ficção com realidade, principalmente quando eles inserem fantasmas conversando con os vivos a fim de acrescentar o caráter dramático que, por si só, a cena não possui.

O problema com a caracterização de Zuzu também é do diretor, que em poucas cenas arranca tudo aquilo que Patrícia Pillar pode oferecer. Para ser sincero, me emocionei na cena em que ela diz o que pensa - de maneira seca e em bom tom - sobre a farsa que os militares armaram para julgar o seu filho já morto. Essa cena, porém, foi a única que senti todo o talento da atriz. Mas, de um modo geral, vale a pena ver o filme por causa de sua atuação. Algumas vezes tive a impressão de que não havia na personagem todo o desespero que uma mãe sentiria ao se referir a um filho cujo final ela desconhece, mas não direciono à atriz minha crítica. Acho que o erro foi mesmo de Sérgio Rezende, que não soube administrar bem o que ele queria de cada cena. Daniel de Oliveira, dois anos depois de viver Cazuza, continua interpretando o mesmo personagem. Esqueceram de dizer a ele que o filme era o outro e que a sua atuação, consequentemente, também deveria ser outra. Se ele é ou não um bom ator, eu não sei. Mas que ele consegue se repetir sempre e sempre, isso é fato. Todos os outros atores que aparecem no filme são coadjuvantes e apenas um interfere realmente na qualidade da obra; infelizmente sua interferência é extremamente negativa. Intéprete do sargento que fica contra o regime ao lado do qual esteve uma vez, a interpretação do sujeito (que eu nem sei o nome) é totalmente caricata e não caberia nem mesmo num filme que satiriza situações sérias.

Há várias cenas bonitas, muito bem construídas e interessantes, das quais o diretor soube captar bem o clima e ele as apresentou para nós de maneira poética. Um bom exemplo é a cena em que Zuzu recebe a carta que diz a ele que seu filho foi torturado e morto. A mistura das cenas de tortura com as cenas que mostra a personagem desesperada são bonitas - não são, porém, coerentes, afinal ninguém consegue ler uma carta como a personagem fez. Mas diante da beleza daquela cena, o fator coerência é (quase) esquecível.

Zuzu Angel é um filme mediano, porém deve ser visto, principalmente pelos fãs do cinema nacional. Não é uma obra grandiosa nem possui todos os elementos favoráveis à sua máxima qualidade como produção cinematográfica, mas é um filme interessante, que conta com a boa atuação de Patrícia Pillar e o excelente plano de fundo histórico sobre a ditadura militar.

Luís
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6 de jul. de 2010

O Último Rei da Escócia

The Last King of Scotland. Inglaterra, 2006, 121 minutos, Drama.
Vencedor do Academy Award na categoria Melhor Ator (Forest Whitaker).
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Nicholas Garrigan é um jovem recém-formado em medicina. Procurando diversão, ele decide ir para Uganda, onde também pode ajudar com suas habilidades médicas. Ao chegar lá, descobre que o país está passando por um golpe político e que Idi Amin acabou de tomar o poder através de um golpe militar. Ao ajudá-lo após um acidente, Nicholas acaba conquistando a simpatia do presidente, que, aos poucos, torna-se um dos mais severos ditadores da África.

Primeiro, devo dar o devido crédito à pessoa que me incentivou a assistir a esse filme. Pois bem, digo que, com seus comentários extremamente positivos acerca do filme, a Jéssica me fez ter interesse. A primeira coisa que constatei a respeito de O Último Rei da Escócia é que o seu ritmo é bem lento, o que seria um excelente motivo para nos colocar bem próximos dos eventos narrados, nos permitindo acompanhar, juntamente com o personagem de James McAvoy, a transformação ocorrida em Amin. O ritmo lento ainda influenciaria na percepção do espectador, que compreenderia facilmente o processo gradual que fez com que Amin se tornasse tão cruel, conforme vemos no final do filme. O meu principal argumento aqui é pensar que esse seja o tipo de filme que precisa de uma narrativa mais detalhada, com mais nuances, mostrando vários ângulos e perspectivas, nos exibindo várias vertentes da verdade, tornando-a, embora possivelmente real, bastante abaladora.

A lentidão, no entanto, em vez de enfatizar as circunstâncias importantes e criar o efeito desejado de continuidade prolongada, provoca profundo cansaço no espectador. O filme tem duas horas, mas eu me senti com se estivesse há quatros horas e meia em frente à TV. A lentidão virou lerdeza e isso me causou tédio. Não posso criticar o roteiro pela história que ele conta, uma vez que, sendo embasado em fatos reais, não podia acrescentar situações inexistentes à história do ditador e de Uganda. Penso que um dos problemas foi a direção, que não conseguiu tornar o filme dinâmico a ponto de entreter. Apenas cheguei ao fim dele porque achei que seria desrespeitoso maltratar as atuações de Whitaker e McAvoy desligando a TV. Kevin MacDonald usou a mostrar as várias facetas de Amin, exibindo inclusive duas cenas de extremo impacto: uma mulher com os membros costurados de maneira investira - os braços nos lugar das pernas e as pernas no lugar dos braços - e a sua demonstração do que acontece ao homens de sua vila quando ele saem com mulher dos outros. Percebi que a direção é firme, principalmente porque extrai o melhor dos atores; peca, no entanto, ao deixar que seu filme, que potencialmente resultaria numa excelente obra, se transformar numa lenga-lenga infindável e, consequentemente, cansativa.

Dentre os indicados ao Oscar naquele ano, apenas vi as atuações de Leonardo DiCaprio, em Diamante de Sangue, e Forest Whitaker. Embora sua composição seja realmente eficiente, eu não penso que ela poderia lhe render um Oscar. O ator está no máximo correto, sem exageros e sem qualquer aprofundamento que faça com que creiamos que ele merecia a estatueta. Muitos podem discordar de mim, mas penso realmente que o ator em papel principal seja James McAvoy; nos circuitos de prêmios, no entanto, ele chegou a ser indicado como Melhor Ator Coadjuvante. O personagem Amin foi muito bem interpretado, mas dar ao ator um prêmio por sua atuação é um pouco exagerado. Já McAvoy me surpreendeu. Havia visto duas atuações dele apenas e uma delas me agradou, embora O Procurado não seja assim um filme que exija grandes atuações. Aqui sua interpretação é bastante positiva, mas, assim como Whitaker, ele está apenas correto e por isso não vou me prolongar em cortejos para o ator.

Considerei-o um filme parcialmente bom: tem qualidade técnica, porém pouco entretém. Mas eu não vou dizer a vocês que não o vejam, porque acredito que é sempre bom dar uma conferida num filme assim, pois vocês podem realmente gostar dele. Infelizmente, não foi o que aconteceu comigo. E eu duvido que eu vá vê-lo uma segunda vez.

Luís
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22 de jun. de 2010

O Pecador


The Sinner. EUA, 2006, 364 páginas (Editora Record). Suspense / Policial.

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Esse livro faz parte da mesma série na qual estão inclusos os títulos Dublê de Corpo e Desaparecidas. Os eventos narrados aqui são anteriores aos que são mostrados nos outros livros. Ainda que a ordem de publicação determine a ordem cronológica, eu comecei a ler na ordem inversa (pois não sabia tratar-se uma série) pelo livro Desaparecidas. Coincidentemente, tenho regressado, vendo a estória exatamente de trás para a frente e não intercalada: no primeiro livro que li - o último a ser publicado - Jane Rizzoli teve a sua filha; no segundo - penúltima publicação - , ela estava grávida; e nesse ela descobriu sua gravidez. Isso certamente não é um problema, já que consigo ordenar os acontecimentos normalmente.

Como imaginava, Jane Rizzoli e a Dr. Maura Isles são as personagens centrais desse livro, que nos apresenta três crimes distintos acontecidos: duas freiras, mortas no convento em que vivem; uma mulher que não pode ser identificada, devido ao corte das mãos, dos pés e da face; e um vice-presidente de uma famosa firma. Detetives diferentes investigam esses crimes, que ocorreram de cenários bem distintos, mas aos poucos, parece surgir uma sutil conexão, relacionando um com o outro. Com se isso ainda não bastasse, mais uma revelação assustadora: Camille, uma das freiras mortas a golpes furiosos contra a cabeça, deu à luz recentemente, contrapondo os seus votos religiosos. As investigações têm início e, aos poucos, inúmeras peças do quebra-cabeça vão se encaixando, construindo uma linha instigante e assustadora, na qual todos podem se tornar vítimas da pessoa misteriosa responsável pelos crimes.

Tal como nos livros anteriores - ou posteriores, se preferirem - Tess Gerritsen mostra sua fluência ao narrar tais situações, que por vezes situam o leitor facilmente no cenário proposto. Lê-la, portanto, é uma viagem bem interessante em meio a cenário muito bemd escritivos, a cenas apavorantes e, principalmente, a uma estrutura narrativa extremamente eficiente quanto a apresentar ao leitor elementos fundamentais para o gênero suspense. Como se não fosse suficientemente interessante o livro, com toda a agilidade de acontecimentos mostrados, impedindo que o leitor se canse, há ainda a inclusão de tramas paralelas, como relacionamentos amorosos, dúvidas quanto ao futuro e a melhor decisão a tomar e, como o próprio título do livro sugere, o que é e o que não é pecado. A narrativa é tão atrativa, principalmente conduzida pelo parto da freira Camille, que quando começamos a lê-lo, não paramos. Eu demorei mais de três semanas para ler Túneis, porém apenas três dias para ler O Pecador.

A autora não perde tempo com temas indiferentes às situações que nos apresenta com o decorrer do livro. Tudo que vimos é, de alguma forma, conectado com o tópico principal do capítulo e colabora para conduzir a um desfecho bastante inteligente, no qual Tess ata todos os pontos descritos na sua narrativa. O momento mais surpreendente, na minha opinião, é uma das últimas constatações de Maura, quando ela analisa uma foto com bastante atenção e constata que os pássaros estão mortos. O leitor que estiver acompanhando atento aos diálogos, compreenderá muito com essa simples informação. As construções dos personagens Maura e Jane continuam impecáveis, detalhando-nos bastante sobre a vida delas e a forma como agem em relação aos mais diversos assuntos, sejam eles pessoais ou profissionais. Resta-me, portato, recomendar esse livro, pois sempre sombra de dúvida vale a pena conferi-lo. A minha única ressalva é: tentem lê-lo na ordem cronológica correta, começando pelos livros que, até a data da publicação dessa crítica, ainda não foram lidos por mim.

Luís
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Em “O Pecador”, Tess Gerritsen traz de volta Jane Rizzoli, a policial que tende a ganhar o afeto do leitor por seu lado, pode se dizer mais masculino (Acho que masculino é a palavra errada, mas não achei outra melhor) e Maura Isles, a médica legista, essa mais fria por fora, mas que nesse romance demontra seu lado mais sentimental, assim como Jane. As duas se unem para desvendar um caso em um convento, onde duas freiras sofreram um ataque, sendo que uma delas morreu (Camille) e a outra ficou seriamente ferida (Irmã Úrsula).

Particularmente acho que há dois fatores óbvios que influenciam nas obras da autora, fazendo que seus livros sejam tão prazerosos de serem lidos, o primeiro são os personagens, pois mesmo tendo a estória principal, claramente os personagens mais importantes são Jane e Maura, não importa se há freiras morrendo em “O Pecador”, ou imigrantes ilegais em “Desaparecidas”, ou um complexo sistema para roubar bebês das mães em “Dublê de Corpo”, a estória sempre será das duas, tanto que temos passagens da vida pessoal delas, como o natal na casa de Jane ou os pensamentos pecaminosos de Maura com o padre. O outro fator é a estória, mais especificamente a capacidade da autora de fazer reviravoltas incriveis em poucas páginas, tornando, por exemplo Camille, personagem que mantemos toda a atenção, em apenas uma estória triste no meio de tudo (Uma das melhores passagens do livro é quando Rizzoli encontra Randall pela segunda vez, e no final diz a enfermeira para por uma foto de Camille, pois acha que ele sente falta da filha)e tornando a Irmã Úrsula, pra quem nem ligamos muito em uma personagem muito importante, e quando o leitor começa a fazer suposições pode se descobrir totalmente enganado. Eu por exemplo apostava no Padre Brophy como culpado, mas o Dr. Sutcliffe não me enganou também. Outro ponto a favor dos livros são os prólogos…nos três livros que li dela, todos os começos são bons (Com mérito maior para “Duble de Corpo”) e fazem com que o leitor se sinta motivado desde o começo da narrativa.

Esse, como os outros livros que li de Tess Gerritsen são muito recomendáveis, nele sobra ação, há uma estória boa com várias ramificaçõe, há romance também (pouco, mas há), e até um pouco de suspense no final com a invasão à casa de Maura no final do livro.

Renan