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3 de ago. de 2012

Alien - O 8º Passageiro

Alien. EUA / UK, 1979, 117 minutos, ficção científica. Diretor: Ridley Scott.Ridley Scott apresenta um suspense interessantíssimo, do qual o espectador não desgruda os olhos.


Ridley Scott, muito antes de ter o seu talento como diretor merecidamente reconhecido, dirigiu bons filmes no cinema. Talvez um grande destaque da sua filmografia seja o hoje clássico da ficção científica Alien, que, no ano de 1980, recebeu duas nomeações ao Academy Awards. Como todo bom filme de sucesso relativo recebe uma continuação, "Alien" também veio a se tornar uma série.

Ao voltarem de uma viagem espacial, sete cientistas descobrem que a nave mudara sua trajetória a fim de atender a um sinal compreendido como SOS. A contragosto de alguns, a nave se dirige para o local, de onde são recolhidas amostras de suposta vida extraterrestre. Lá, no entanto, acontece um acidente que traz um perigo iminente para toda a tripulação.

Confesso que a história do filme é bem simples. Não há muito que contar, tudo o que vemos praticamente é uma versão mais cult (e melhor dirigida) de um assassino midiático, como, por exemplo, Freddy ou Jason. Para mim, o Alien é isso: uma criatura que pode atacar – e provavelmente vai atacar – a qualquer momento, numa fúria implacável. A narrativa toda se desenvolve com a tripulação cercada pelo alienígena. Gosto principalmente do modo como souberam aproveitar a idéia da nave: rapidamente pensamos em um espaço confinado – e realmente é, já que os tripulantes estão presos, sem chances de sair –, no entanto, o espaço dentro da nave é realmente grande, de maneira que podemos ver a movimentação dos atores o tempo todo. Por haver muitos lugares para onde correr, e também pelo fato de que a nave não nos é um ambiente familiar, a tensão criada fica ainda maior.

Ridley Scott soube bem como dosar as suas cenas. Não há exageros nelas, não há excessos nas cenas. Outro diretor facilmente se ocuparia em mostrar o alienígena o tempo todo, tornando-o um freak show, do qual o espectador potencialmente se cansaria rápido. A opção por reduzir a participação da criatura no filme tornou a obra mais charmosa – ele é uma ameaça silenciosa e quase invisível. Vale ressaltar que o uso das cores favorece muito isso: na escuridão da nave, qualquer elemento negro aparece pouco e causa espanto. E temos também que considerar as personagens humanas, pois todos usam roupas claras, o que os coloca num plano de visibilidade anterior ao do alienígena. Os efeitos visuais são realmente bons e impressionam, principalmente se considerarmos a época em que o filme foi feito. Não fico surpreso com o fato de que o filme tenha conquistado a estatueta dourada de Melhores Efeitos Visuais.

A respeito das atuações, não creio que haja grande destaque. Os grandes nomes são os de Sigourney Weaver e de John Hurt, já que os outros são atores pouco lembrados. Como a função evidente de protagonista, Weaver tem destaque notável como a líder dos tripulantes. Sua atuação, devo dizer, não é maravilhosa e está bem longe de ser impressionável. Está apenas correta, sem surpreender, sem, porém, decepcionar. A grande cena de John Hurt, mais conhecido por "O Homem-Elefante" (1980), é aquela famosa, na qual um alienígena-bebê sai de dentro dele, rasgando-lhe a barriga e explodindo sangue por todos os lados. Decerto, uma das cenas mais lembradas do cinema. Tom Skerritt, Verônica Cartwright, Ian Holm – são todos bastante coadjuvantes no filme, tornando-se, por vezes, quase figurantes, já que o grande foco do filme é a relação nada saudável entre Ripley e o Alien.

Honestamente, acho que se trata de um filme divertido, mas não consigo vê-lo como muitos cinéfilos fazem. Para mim, é uma obra capaz de entreter, mas está longe de ser um marco do cinema. Decerto, um marco na carreira de Ridley Scott, o diretor, que mais tarde dirigia outros bons filmes, como "Thelma e Louise" (1991) e "Gladiador" (2000). Não posso deixar de acrescentar que para Weaver, a Tenente Ripley foi uma personagem marcante – tanto que, pela continuação de "Alien", lançada sete anos depois, a atriz recebeu a sua primeira indicação ao Oscar. Enfim, um filme que merece ser visto com atenção e que merece ser curtido, porque vale a pena.

4 de dez. de 2010

Thelma e Louise

Thelma and Louise. EUA, 1991, 130 minutos. Drama / Aventura.
Indicados a 6 Academy Awards, incluindo Melhor Diretor e Melhor Atriz (Susan Sarandon e Geena Davis). Vencedor do Academy Award de Melhor Roteiro Original.
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Thelma e Louise é um dos poucos filmes do cinema que realmente retratam a mulher da maneira que merecem: livres, aventureiras e, sobretudo, leais à sua própria causa. Sem sombras de dúvida, esse é um grande trabalho de Ridley Scott, que, em parceira com as duas grandes atrizes principais desse longa, compôs uma pequena pérola do cinema. Há aqueles que dizem não se tratar de uma obra essencial para os cinéfilos; eu prefiro acreditar que, mesmo não sendo uma obra-prima do cinema, seja um filme extremamente válido e, na pior das hipóteses, pode apenas entreter o espectador.

Thelma é uma dona de casa submissa aos despropósitos maritais. Louise é uma garçonete que implica com o jeito com o qual Thelma vive sua vida. Um dia, elas combinam de sair para passar dois dias fora - pescando e se divertindo. No entanto, um acontecimento inusitado faz com que elas cometam um crime e rapidamente se tornam fugitivas procuradas, com direito a inclusão do FBI na investigação e perseguições policiais.

A história do filme poderia facilmente fazer o espectador pensar que se trata de uma aventurazinha boba - e a sinopse até pode fazer parecer com que seja mesmo -, mas o filme grande proporções grandiosas e se mostra um excelente road-movie, com excelente mistura de elementos dramáticas, policiais e aventureiros. O grande acerto dessa obra é não se preocupar em criar situações que nos façam julgar as personagens, mas sim compreendê-las na totalidade de seus atos, quase sempre libertários. O tema principal do filme não é as aventuras pelas quais passam as personagens. O foco se mantém na transformação pela qual passam Thelma e Louise ao longo do filme e no quanto são capazes de conhecer-se através dos perigos que encontram. As duas levam vidas comuns e sem grandes perspectivas, até que têm a oportunidade de se tornarem realmente livres, sem receios e sem arrependimentos. E o grande charme do filme é mostrar isso com delicadeza e segurança, sem fazer com que nós nos sintamos em dúvida em relação ao comportamento dos personagens - elas são mulheres de posicionamento firme e, embora impulsivas, vêem nisso a chance de serem elas mesmas. [SPOILER] O final do filme apenas prova o quão verdadeiro é o que eu digo: dada as circunstâncias, as personagens optam pelo ato libertário, uma vez que a morte é a prova de que elas realmente estão em paz consigo mesmas e que, sobretudo, elas são livres o suficiente para fazer essa escolha e ainda ser felizes com ela. [FIM DO SPOILER]

Ridley Scott compôs uma obra impressionante, na minha opinião. A maneira como soube captar as expressões e as cenas envolvendo as duas atrizes foi fascinante, principalmente porque ele consegue fazê-las ser uma só: Louise, a princípio extrovertida, torna-se temerosa em relação a que atitude tomar; Thelma, bastante submissa, mostra-se forte incentivadora das atitudes impulsivas. Dessa maneira, elas se completam e o diretor soube como mostrar isso com eficiente. Destaque especial para as ótimas paisagens fotografadas - mesmo que boa parte da viagem dela consista em percorrer o deserto, Ridley Scott soube como tornar o deserto um cenário interessantíssimo. O cenário, aliás, serve como contraponto em relação às personagens: ainda que isoladas geograficamente, elas estão muito bem acompanhadas - por elas mesmas. Susan Sarandon e Geena Davis estão fabulosas. A primeira compôs uma personagem difícil, que passa por uma provação emocional muito forte. Mesmo que não saibamos exatamente o que aconteceu no Texas, temos certeza de que isso é peso dramático na vida de Louise. Sarandon soube como mostrar o peso e a leveza da personagem, nos presenteando com ótimos olhares, ótimas cenas. Geena Davis faz da impulsividade de Thelma um elemento favorável. A atriz a torna engraçada, traz humor às cenas, faz-nos rir com as suas atitudes inconsequentes. Não me resta dúvidas de que o filme mereceu as indicações que recebeu, porque provavelmente esse é um dos melhores road-movies já criados.

Thelma e Louise é um filme interessante, do qual gosto bastante. Vê-lo é um prazer; revê-lo é um prazer maior. A cada vez que eu o vejo, descubro novas características nas personagens e as enxergo ainda maiores, bem mais fantásticas do que da vez anterior. Ridley Scott em sua melhor obra? Talvez. E reafirmo aquilo que disse no primeiro parágrafo: esse filme é uma pequena pérola do cinema! Nenhuma mulher pode se dizer feminista se não tiver visto ao menos uma vez Thelma e Louise, porque essas duas personagens são realmente a figura simbólica da alma feminina livre.