Mostrando postagens com marcador Sci-Fi. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sci-Fi. Mostrar todas as postagens

3 de ago. de 2012

Alien - O 8º Passageiro

Alien. EUA / UK, 1979, 117 minutos, ficção científica. Diretor: Ridley Scott.Ridley Scott apresenta um suspense interessantíssimo, do qual o espectador não desgruda os olhos.


Ridley Scott, muito antes de ter o seu talento como diretor merecidamente reconhecido, dirigiu bons filmes no cinema. Talvez um grande destaque da sua filmografia seja o hoje clássico da ficção científica Alien, que, no ano de 1980, recebeu duas nomeações ao Academy Awards. Como todo bom filme de sucesso relativo recebe uma continuação, "Alien" também veio a se tornar uma série.

Ao voltarem de uma viagem espacial, sete cientistas descobrem que a nave mudara sua trajetória a fim de atender a um sinal compreendido como SOS. A contragosto de alguns, a nave se dirige para o local, de onde são recolhidas amostras de suposta vida extraterrestre. Lá, no entanto, acontece um acidente que traz um perigo iminente para toda a tripulação.

Confesso que a história do filme é bem simples. Não há muito que contar, tudo o que vemos praticamente é uma versão mais cult (e melhor dirigida) de um assassino midiático, como, por exemplo, Freddy ou Jason. Para mim, o Alien é isso: uma criatura que pode atacar – e provavelmente vai atacar – a qualquer momento, numa fúria implacável. A narrativa toda se desenvolve com a tripulação cercada pelo alienígena. Gosto principalmente do modo como souberam aproveitar a idéia da nave: rapidamente pensamos em um espaço confinado – e realmente é, já que os tripulantes estão presos, sem chances de sair –, no entanto, o espaço dentro da nave é realmente grande, de maneira que podemos ver a movimentação dos atores o tempo todo. Por haver muitos lugares para onde correr, e também pelo fato de que a nave não nos é um ambiente familiar, a tensão criada fica ainda maior.

Ridley Scott soube bem como dosar as suas cenas. Não há exageros nelas, não há excessos nas cenas. Outro diretor facilmente se ocuparia em mostrar o alienígena o tempo todo, tornando-o um freak show, do qual o espectador potencialmente se cansaria rápido. A opção por reduzir a participação da criatura no filme tornou a obra mais charmosa – ele é uma ameaça silenciosa e quase invisível. Vale ressaltar que o uso das cores favorece muito isso: na escuridão da nave, qualquer elemento negro aparece pouco e causa espanto. E temos também que considerar as personagens humanas, pois todos usam roupas claras, o que os coloca num plano de visibilidade anterior ao do alienígena. Os efeitos visuais são realmente bons e impressionam, principalmente se considerarmos a época em que o filme foi feito. Não fico surpreso com o fato de que o filme tenha conquistado a estatueta dourada de Melhores Efeitos Visuais.

A respeito das atuações, não creio que haja grande destaque. Os grandes nomes são os de Sigourney Weaver e de John Hurt, já que os outros são atores pouco lembrados. Como a função evidente de protagonista, Weaver tem destaque notável como a líder dos tripulantes. Sua atuação, devo dizer, não é maravilhosa e está bem longe de ser impressionável. Está apenas correta, sem surpreender, sem, porém, decepcionar. A grande cena de John Hurt, mais conhecido por "O Homem-Elefante" (1980), é aquela famosa, na qual um alienígena-bebê sai de dentro dele, rasgando-lhe a barriga e explodindo sangue por todos os lados. Decerto, uma das cenas mais lembradas do cinema. Tom Skerritt, Verônica Cartwright, Ian Holm – são todos bastante coadjuvantes no filme, tornando-se, por vezes, quase figurantes, já que o grande foco do filme é a relação nada saudável entre Ripley e o Alien.

Honestamente, acho que se trata de um filme divertido, mas não consigo vê-lo como muitos cinéfilos fazem. Para mim, é uma obra capaz de entreter, mas está longe de ser um marco do cinema. Decerto, um marco na carreira de Ridley Scott, o diretor, que mais tarde dirigia outros bons filmes, como "Thelma e Louise" (1991) e "Gladiador" (2000). Não posso deixar de acrescentar que para Weaver, a Tenente Ripley foi uma personagem marcante – tanto que, pela continuação de "Alien", lançada sete anos depois, a atriz recebeu a sua primeira indicação ao Oscar. Enfim, um filme que merece ser visto com atenção e que merece ser curtido, porque vale a pena.

16 de mar. de 2012

Poder sem Limites

Chronicle. EUA / RU, 2012, 84 minutos, sci-fi. Diretor: Josh Trank.
Uma obra que, apesar de madura e sóbria, não é verdadeiramente interessante.

O subgênero found footage apareceu no cinema com bastante freqüência desde “A Bruxa de Blair” (1999), no qual um tape registra as imagens de uma aventura de três jovens numa floresta na qual supostamente vivia uma assombração – o fato de os jovens terem desaparecido e o vídeo ter sido encontrado faz com que pressuponhamos suas mortes e talvez isso comprove a existência do perigo sobrenatural na floresta. Mas os ambientes desse subgênero do cinema não aparecer apenas em filmes de terror tampouco requerem a presença de ambientes escuros. “Poder sem Limites”, ou Chronicle, conforme o original, nos mostra justamente isso: os três protagonistas dessa trama são jovens do ensino médio que vivem rotinas bastante ordinárias e que subitamente se vêem ante uma nova experiência de vida.

 Os três jovens prestes a passar pela mutação que lhes concederá poderes.

Apesar de um tom bastante sobrenatural que às vezes presenciamos e da história que, por si só, já apresenta aspectos inerentes à ficção científica, o filme facilmente transita entre o terror e o drama, apresentando um gênero híbrido e, pelo menos nesse aspecto, bastante funcional. Basta vermos como gradualmente o ritmo do filme muda, bem como a sua atmosfera, que fica cada vez mais sombria conforme a narrativa avança. Porém, os elementos dramáticos não se perdem, co-existindo pacificamente e intensificando cada cena. Logo no começo do filme, vemos a proposta dos personagens de viverem e registrarem em fita as suas rotinas e, também no começo da película, vemos a fonte dos novos poderes que Andrew, Matt e Steve adquirirão – quando descem a uma caverna, descobrem uma parede cristalina colorida e fluorescente que parece emitir ruídos peculiares. A partir de então, observam as novas características conquistadas: capacidade de mover objetos com a mente.

Os garotos são adolescentes e, sem a maturidade apropriada, compreendem a princípio o poder como uma brincadeira. E fazem uso dos novos poderes para atitudes jocosas – construir castelos de lego, mover copos sobre a mesa, fazer móveis tremerem e, já mais hábeis, moverem os carros nas vagas do estacionamento. Mas, à medida que seus poderes aumentam e eles tomam consciência de que podem ficar descontroláveis, decidem que precisarão obedecer uma série de regras para o bom uso de suas habilidades. Parece meio clichê, pois sabemos que personagens com capacidades sobre-humanas são naturalmente falhos e decerto as usarão em momentos inadequados – e isso acontece nessa película, como pressupúnhamos. Percebemos, porém, bastante maturidade no roteiro para lidar com essa situação de forma gradual em vez de torná-la abusiva: Andrew vai pouco a pouco cedendo à pressão social, seja por parte do seu pai, que é um alcoólatra agressivo, ou seus amigos, que mesmo querendo ajudá-lo conseguem inibi-lo ainda mais.

 Andrew, já totalmente descontrolado e perigoso.

Honestamente, penso que o filme tenha verdadeiramente os seus bons momentos, com direito a personagens verossímeis e situações que são cabíveis na narrativa. No entanto, há algo que não me chamou a atenção, embora eu não saiba precisar esse elemento com facilidade. Simplesmente a história não me agradou na totalidade e muitas vezes eu me vi querendo que o filme acabasse logo. Não me sentia muito interessado no drama dos personagens e isso não se deve a momentos que parecem “falhos” no roteiro, como, por exemplo, a ausência de explicação para o objeto extraterrestre ou com capacidade físico-químicas não desobertas – percebemos que o foco do filme – inclusive sua própria estrutura – não permite que esse assunto seja abordado com naturalidade. Alguns podem se incomodar com essa não-explicação, mas eu a considerei excelente na história, tirando dela a responsabilidade por eu não ter apreciado tanto o filme.

De um modo geral, não creio que seja uma obra desagradável de ser vista, até mesmo porque o filme é bastante curto, os atores são eficientes, os efeitos visuais, ainda que não os ache excelentes, não perturbam as cenas, a direção é, senão maravilhosa, pelo menos objetiva e clara no encadeamento dos elementos narrativos. Acredito que possa ser um bom entretenimento, dependendo do humor com o qual assistirem a esse filme, que, a meu ver, é mais satisfatório do que insatisfatório, mas, ainda assim, nada que verdadeiramente entretenha.

26 de dez. de 2011

O Preço do Amanhã

In Time. EUA,  2011, 109 minutos, sci-fi. Diretor: Andrew Niccol.

O filme consegue trazer uma metáfora interessante a respeito do consumismo e ainda tem um ritmo interessante para se sustentar do seu começo ao filme. Não é uma obra-prima, mas não é um filme de ação como muitos que são lançados a cada ano.

Assim que li a respeito desse filme, pensei que seria “apenas mais um”. Havia alguma coisa na sua sinopse e nas informações técnicas que me fazia pensar que seria bem chatinho, até mesmo desnecessário. Mas resolvi dar uma chance ao filme e assisti às quase duas horas de ficção, na qual o tempo é o produto mais consumido - ele é fundamental para tudo e todos vivem em função dele: os trabalhadores querem mais tempo, os ricos o têm de sobra, o roubo de tempo nas periferias acontece sempre. No futuro registrado pelo filme, os avanços genéticos permitiram que as pessoas não envelhecessem além dos 25 anos e, chegado o vigésimo quinto aniversário, um relógio no pulso começava a marcar a quantidade de tempo que a pessoa tinha até sua morte: um ano. Então, é necessário acumular mais tempo a fim de viver mais.

 Gente rica demais e segurança de menos: roubar bancos nunca foi tão fácil.

O roteiro é também do diretor, então Andrew Niccol assina tanto a direção quanto o enredo. Na trama, ele se ocupa em mostrar a exploração dos personagens de uma das área mais pobres - eles são a classe operária de cuja vida é arrancado o máximo de trabalho possível e a quem se oferece pouquíssimo tempo (“dinheiro”) pelo esforço físico. Indubitavelmente, eles representam o grupo mais desvalorizado de pessoas e, por conseguinte, são aqueles que mais buscam uma estrutura capitalista como aquela na qual vivem. Excelente a idéia de transformar dinheiro em tempo, até porque vivemos justamente isso, com a diferença é que tempo continua sendo tempo enquanto dinheiro é fisicamente dinheiro, numa confluência bem menor do que a situação mostrada no filme. Os primeiros trinta minutos do filme se focam no personagem de Will Salas, um rapaz de 27 anos sempre acostumado a viver um dia por vez - isso porque o máximo de tempo que sempre tem é 24 horas. Sua vida se desestrutura depois de dois eventos: a morte da mãe, cujo tempo acabou subitamente devido aos valores exorbitantes cobrados pelos serviços públicos (transporte, saúde etc.), e o encontro com um homem que tinha um século de vida já vivido e outro século para viver. O homem, já cansado dessa imortalidade, passa todo o seu tempo a Will e depois se mata, deixando o jovem com tempo suficiente para ir em busca do que quer: “reforma agrária” do tempo.

A mudança de área, da mais pobre para a mais rica, e o fato de que a polícia e o Guardião do Tempo assume que Will roubou o homem de 100 anos reservados fazem com que o personagem passe a ser perseguido. Mais pra frente, encontra-se com Philipe Weis, um bilionário quase centenário, com quem se envolve num jogo de pôquer e de quem consegue mais uma boa quantidade de tempo. No entanto, acaba descoberto durante uma festa e, visando uma fuga mais segura, usa Sylvia Weis como refém. A garota, até então encantada pelo jeito altivo de Will, agora teme o comportamento dele e as conseqüências daquilo - estão, afinal, voltando para a área mais pobre, onde ela - com uma década acumulada - se tornará facilmente um alvo da máfia do tempo. É interessante notar que o roteiro basicamente se divide em dois momentos, retratando a expansão de Will para territórios além do que é naturalmente dele, e depois na relação de Will com Sylvia e na relação dos dois com os perigos que o cercam. A opção por nos fazer simpatizar com o personagem e com a situação dele antes de levá-lo aos extremos é inteligente, já que assim nós temos mesmo a impressão de que sabemos um pouco mais sobre ele em vez de simplesmente nos vermos na situação de meros espectadores de sua correria.

 Não importa a situação - ela sempre está de salto e fazendo loucuras!

Andrew Niccol também optou por não dar muita atenção aos momentos dramáticos, preferindo que a discussão a respeito dos dramas pessoais aconteçam pela ação e não necessariamente pelas atuações. Acho que isso foi um acerto, pois se escolhesse enfurnar a ação dando mais espaço pro drama decerto veríamos algo meio desastroso e incoerente. Até porque acho que os protagonistas não sustentariam bem o filme se ele fosse mais dramático - concordo que os dois são esforçados, percebemos que eles tentam o tempo todo não derrabar nos cacoetes de atuação, mas daí a atuar com todo empenho dramático é forçar a barra. Justin, que já havia mostrado em The Social Network que pode ser um bom ator, aqui também mostra que consegue lidar bem outro gênero (embora, convenhamos, ele está péssimo na comédia Bad Teacher!). Amanda Seyfried, por sua vez, já percorreu vários gêneros - comédia musical em Mamma Mia!; thriller em “O Preço da Traição”, romance em “Cartas para Julieta” - e mostra que ela também consegue participar de uma ação. E também prova que é plenamente capaz de realizar qualquer coisa - inclusive saltar e correr pelos telhados - de salto alto!

O filme de Andrew Niccol não é uma obra-prima, definitivamente. Mas ele tem ritmo adequado ao gênero, tem uma proposta de roteiro que extravasa o senso-comum, embora, claro, haja alguns defeitos ao longo da história - como o fato de os protagonistas serem imbatíveis e de os bancos contarem com tão ínfima proteção. Não é filme de se jogar fora e acho que ele facilmente entretém o espectador, desde que esse não espere uma super trama cheia de reviravoltas nem um filme todo complexo. E talvez a sua linearidade e simplicidade, agregadas a uma dinâmica interessante, sejam os principais motivos pelo filme ter dado certo.

31 de mai. de 2011

Matrix Reloaded

Matrix Reloaded, 2003, 138 minutos, ficção científica. Diretores: Lana e Andy Wachowski.Muitos reclamam de que as sequências do filme de 1999 perdeu os questionamentos filosóficos que tornavam o filme original grandioso. Se isso aconteceu mesmo, pelo menos continua entretendo; então vale a pena.


Eis a segunda parte da trilogia e, curiosamente, muitos fãs alegam que a franquia perdeu parte do charme e que todo o debate filosófico visto antes, agora se perdeu. Quanto a isso, falo mais tarde, mas o fato é que em Matrix Reloaded continua com os mesmos atores liderando o elenco, algumas novas ótimas cenas e manteve os aspectos técnicos tão eficiente quanto no anterior, talvez até melhores!

Neo, Trinity e Morpheus têm que lutar conta Merovíngio para que este liberte O Chaveiro, homem que possui todas as chaves dentro da Matrix. Paralelamente a isso, eles tem que ajudar Zion a combater as máquinas, que estão prestes a destruir. Para isso, contam com a ajuda de Niobe, que tivera um relacionamento com Morpheus, para resolver os problemas em Matrix e na colônia.

Ainda que a história pareça curta, a continuação, tal como o filme anterior, rende mais de duas horas. Eu realmente acredito que a discussão filosófica não foi totalmente abandonada, porque a percebemos o tempo todo. Mas, tal como muitos fãs alegam, não vemos aqui todos aqueles argumentos embasamento a realidade ou a irrealidade em que vivem as penas. Se por um lado optaram pela inibição do caráter questionador que antes fora apresentado, acrescentaram mais charme a esse filme com as diversas cenas repletas de ação e luta. Como disse lá em cima, os aspectos técnicos continuam tão bom quantos, mas aparece que dessa vez as cenas e a tecnologia usada nelas estão em perfeita harmonia, proporcionando ótimos momentos que dão destaque não somente à qualidade dos efeitos exibidos, mas também às atuações, que parecem também mais à vontade em seus personagens. Os efeitos sonoros estão bem postos considerando as cenas em que aparecem, dão um tom harmoniosoa elas. Para mim, a edição desse filme supera o anterior, pois nos permtie ver cada luta em todos os ângulos possíveis, assim como inúmeras outros momentos - não apenas os de luta - permitem esse feito muito bom, que é o de pôr o espectador dentro do que ele está vendo.

Outros atores foram acrescidos ao elenco pobre - porém capaz - do primeiro filme. Harold Perrineau Jr., intérprete de Michael, de LOST, entrou como Link, novo piloto da nave Nabucodonosor; Jada Pinkett Smith deu vida à interessante Niobe; Lambert Wilson e Mônica Bellucci interpretam, respectivamente, os também interessantes Merovíngio e Persephone. Há também alguns personagens curiosos, porém de pouco destaque, como os Gêmeos e Gloria Foster atua mais uma vez como Oráculo, tendo falecido antes que começassem as filmagens do terceiro e último filme. O meu mais sincero elogio vai a Carrie-Anne Moss, que justifica com unhas e dentes a sua personagem, fazendo o espectador compreender que nenhuma outra atriz talvez fosse capaz de merecer Trinity. Todos os atores que citei acima como novos também estão bem, embora bem sejam bem pouco aproveitados ao longo de duas horas e vinte minutos. Mais uma vez os efeitos especiais cobrem a atuação superficial de Keanu Reeves e Laurence Fishburne, que, como eu já havia dito antes, são bastante limitados.

Há grandes cenas nesse filme. Prefiro não dizer que dou destaque a essa ou àquela, porque são muitas das quais eu gosto; somente para exemplificar, há o inteligente encontro entre Neo e o Arquiteto, homem que construiu Matrix e que finalmente explica a Neo o que ele realmente é: um bug no sistema. Ainda faz um breve resumo de tudo o aconteceu antes do surgimento de Neo, mostrando a ironia da situação, afinal, para uns ele é um erro de cálculo, para outros, ele é o Escolhido. As cenas de luta são as de mais destaque e certamente as que entretêm o espectador a ponto de não fazê-lo piscar.

Tal sequência demorou 4 anos para chegar aos cinemas e seis meses depois chegou a terceira parte da trilogia, encerrando - pelo menos pensamos estar encerrado - o universo Matrix e as guerras que começam aqui. Como o própiro título sugere, esse filme veio recarregado, com tudo que a tecnologia pode oferecer e também com mais charme do que o anterior; talvez seja a presença das belas Jada e Monica no elenco. Como não disse antes, aproveito para comentar agora: Sr. Anderson está cada vez mais próximo de não conseguir combater o Agente Smith, que insiste na sua desenfreada reprodução assexuada a fim de exterminar Neo. Ao final desse filme, ficamos desejosos de ver o que virá de novidades e como toda a história será concluída, esperando que seja sensata ao se finalizar. Confiram-no.

18 de fev. de 2011

A Origem

Inception. EUA, 2010, 148 minutos, ficção científica. Diretor: Christopher Nolan.
Esse diretor me prova que é capaz de fazer um filme que atinge a massa e, ao mesmo tempo, tem muita qualidade fílmica.

Esse foi um dos filmes mais comentados do ano anterior e está presente na lista dos melhores filmes de todos os blogues de cinéfilos nesse ano. Eu confesso que não tinha vontade de assistir a essa produção, mas, devido a todos os elogios que ela tem recebido, decidi que é hora de conferi-la. E admito: trata-se de uma das obras mais interessantes lançadas no ano anterior.

A obra é tão positiva que nem mesmo os efeitos especiais a prejudicaram. Explico: eu simplesmente não entendo nem suporto essa mania hollywoodiana de inserir efeitos especiais nos “grandes” filmes a fim de atrair a atenção do público para o que acontece de fascinante da tela. Em A Origem, porém, os efeitos são extremamente necessários para que consigamos compreender toda a essência da trama, que nos mostra o mundo dos sonhos e o mundo da realidade, planos que às vezes se confundem no consciente e no subconsciente de uma pessoa. O personagem central dessa produção é Cobb, uma espécie de “ladrão”: ele invade a mente da pessoa através dos sonhos e lhe rouba informações importantes. Ele é foragido e perseguido pela lei, exatamente por isso não pode rever os seus filhos nem voltar para a sua vida antiga. Surge diante dele a oportunidade de modificar isso – uma última proposta de emprego lhe propõe que, em vez de roubar uma informação secreta, ele insira uma idéia na cabeça de alguém. Se bem realizado, sua tarefa garante sua absoluta absolvição e lhe permite viver dentro da lei novamente.

Como percebemos, a situação de Cobb é bastante delicada e também a sua capacidade lhe garante oportunidades únicas, como investigar a fundo o que uma pessoa pensa e quais são os seus mais valiosos segredos. Quando o seu trabalho não é mais roubar, e sim inserir um pensamento, ele é obrigado a reunir um time de companheiros para lhe ajudar a concretizar o seu plano. Eis que entram os outros personagens, como Ariadne, a responsável pela construção dos níveis de sonho; Arthur, ajudante de Cobb; Eames, um imitador, capaz de se fazer passar fisicamente por qualquer outra pessoa. O roteiro do filme nos apresenta a vários personagens, cada um com uma função importante na trama, então, mesmo que pareça haver personagens demais, o roteiro dá conta de explicar a finalidade deles e conceder a todos motivos racionais para a sua presença na trama. De certo modo, fui remetido ao filme Matrix, onde os personagens viver duas realidades: uma virtual e outra real. Algo semelhante acontece nesse filme, ainda que a proposta filosófica seja diferente. Em Inception, somos apresentados à estrutura do sonho – como ele funciona, como nós o presenciamos, como interagimos dentro dele. Não nego que é interessantíssimo ter consciência de certas coisas que, de tão cotidianas, mal percebemos, como o fato de sempre nos lembrarmos de um sonho no meio dele, nunca como ele começou. É interessante o modo como o roteiro cria subníveis dentro da trama e conecta perfeitamente uma coisa à outra, fazendo com que possamos compreender com bastante clareza o que está havendo. Decerto é um bom roteiro, que merece atenção especial.

O elenco do filme também é bastante elogiável. Na verdade, acredito que toda a força interpretativa se resume aos atores Leonardo DiCaprio e Ellen Page, ambos em excelentes momentos de suas carreiras, nos concebendo momentos de tensão e ao mesmo atuando numa sintonia muito notável. A garota praticamente aparece junto com DiCaprio e todas as suas cenas parecem estar relacionadas às dele, mas mesmo com essa intensa subordinação, ela consegue atrair a atenção para si. Os outros atores também estão muito bem, mesmo aparecendo pouco. Joseph Gordon-Levitt, mais memorável pelas suas personificações nos filmes Mysterious Skin e (500) Days of Summer, se mostra eficiente como coadjuvante e mostrando uma atuação consistente, mesmo que apareça em poucos momentos ao longo das mais de duas horas de filme. A coadjuvante de destaque é Marion Cotillard, intérprete de Mal, esposa de Cobb e um bug do sistema – ela é boazinha, é depressiva, é perigosa, é acolhedora, simultaneamente consegue desestabilizar qualquer sonho. Acredito que a atriz francesa foi a escolha certa para essa personagem, haja vista que ela requer um força interpretativa muito pungente, a qual Cotillard já mostrou possuir.

É claro que não dá pra falar desse filme sem comentar sobre as escolhas de Christopher Nolan. O diretor soube como registrar com eficiência os momentos desse filme, nos mostrando sem exageros aquilo que é relevante exibir. Ele soube como expor o melhor dos atores, soube como escolher bem os efeitos especiais e a hora certa de inseri-los na trama, soube como filmar os ângulos, os detalhes, conseguiu nos mostrar uma fotografia elogiável. Outro diretor provavelmente teria deturpado o sentido do filme, enchendo-o de coisas bobas e sem sentido, mas Nolan fez de Inception mais um de seus bons filmes – vale ressaltar que cabem também a ele os elogios pela nova vida do personagem Batman, relançando em 2005 com o filme Batman Begins e tendo sua continuação lançada em 2008, sob o título The Dark Knight.

Indubitavelmente, A Origem é um filme que faz jus a toda a massa sólida de comentários positivos que tem recebido. Para mim, trata-se de uma boa obra cinematográfica, capaz de cativar pela sua qualidade e pelo modo como entretém. Não há como negar que a dinâmica do filme é fantástica, haja vista que ficamos nos divertindo ao longo de mais de duas horas sem nem ao mesmo perceber que tanto tempo se passou. Recomendo com certeza que o vejam, porque vale a pena.

26 de out. de 2010

Heróis

Push. EUA, 2009, 111 minutos. Ficção Científica.
_______________________________________

Não sei exatamente o que me motivou a ver esse filme, mas com muita boa vontade eu o peguei na locadora e, com certo entusiamo, me sentei para conferi-lo. Não demorou muito para que eu percebesse que o filme não é exatamente aquilo que ele promete ser e que, se visto com olhar crítico, torna-se aquilo que se pode chamar de abominação cinematográfica. Eu, no entanto, não fui tão crítico ao vê-lo; dessa forma, penso que seja apenas mais um filme que é dispersivo e que engana o espectador com efeitos especiais exagerados.
Nick e Cassie Holmes se unem por acaso para encontrar uma terceira pessoa que é igual a eles: possui poderes especiais. Porém, há uma organização secreta estadunidense que os persegue, a fim de fazer experiências neles e estão justamente atrás daquela que os dois jovens desejam ajudar, pois ela é a única a ter sobrevividos às doses de injeções que lhe foram aplicadas.

Se leram esse resumo que fiz, certamente se lembraram de uma série de TV que estreou há algum tempo atrás cuja abordagem é semelhante à desse filme. Os nomes em português, inclusive, são os mesmos. Heroes mostra praticamente as mesmas coisas que esse filme mostra - a única diferena é que os eventos são um pouco mais coerentes e mais divertidos. O roteiro de Heróis se ocupa em mostra bastantes coisas que nós não queremos ver, como relacionamento românticos chatos, guerra entre gangues rivais, etc. Mas acho que o pior problema é a incapacidade de definir com exatidão aquilo que quer mostrar. Ora os personagens estão juntos, ora estão discutindo; ora o gênero se assemelha à ação, ora se torna romance. E acaba não sendo nem um nem outro. Para um filme que ficção científica que envolve perseguições, esperamos no mínimo um roteiro ágil e fácil. Queremos ver bastante ação, não explicações compridas e complexas. Com isso, não quero dizer que basta jogar uma ou duas informações toscas; quero apenas dizer que quanto maior a simplicidade e a agilidade mostradas, maior é o entretenimento do espectador que procura por filmes desse gênero.

Para mim, os destaques do filme são Dakota Fanning e Chris Evans. Não penso isso porque eles estejam talentosos nesse filme; definitivamente não estão.Mas ela é charmosa e ele é bonito. Isso fez com que eu tivesse um pouco de interesse pelas cenas em que aparecem.  Os outros atores, bem medíocres, limitam-se a expressões faciais estranhas - alguns nem apresentação variação de expressão - e uns movimentos comporais que são modificados graças aos muitos efeitos desalojados. Sobre os efeitos, atenção especial para os sujeitos berradores. Ao gritarem, eles conseguem destruir quaisquer coisas às suas frentes - inclusive os ouvidos de uma pessoa. As cenas com eles são extremamente irritantes, primeiro por causa do volume do áudio, que é horrível de tão alto e quem quase fica surdo é o espectador, e segundo por causa da infâmia provinda da inserção desses seres patéticos à história. Não sei se alguém já viu o filme, mas se já viram, por favor, me expliquem o que foi aquele ideia que o personagem Nick teve. Ele escreveu vários envelope indicando o que cada um deveria fazer, mas a explicação para a cena é tão confusa que eu me perdi no meio de tanto vai-e-volta. Aliás, expliquem-me também o significado do título original...

De um modo geral, o filme tem uma variação bem grande no entretenimento. Às vezes, tudo está legal, de repente fica ruim. Depois, o inverso acontece. Não é um filme totalmente ruim, porque é óbvio que poderia ser bem pior. Não é, no entanto, nenhum filme interessante de pessoas com super-poderes. Parece que esse filme é uma coletânea mal sucedida de narrativas com esse tópico: tive a impressão de ver um pouco de Heroes, um pouco de Carrie e A Incendiária (livros de Stephen King), um pouco de Matrix, etc. Enfim, não sei o que dizer... recomendo que, se realmente acharem que vale a pena, arrisquem-se a vê-lo.

7 de out. de 2010

Blade - O Caçador de Vampiros

Blade. EUA, 1998, 120 minutos. Suspense / Ficção Científica.
______________________________

Lançado há apenas 11 anos, Blade fez sucesso. Anos depois, esse filme é constantemente repetido nas diversas sessões de filmes presentes nas grades de programação do SBT. O roteiro de David S. Goyer trazia certa originalidade ao mostrar um quase-vampiro que tem como profissão a caça a outros vampiros. O personagem se tornou de tal maneira conhecida que até mesmo esteve rpesente nuam lista dos 100 melhores personagens do cinema de todos os tempos, ocupando a 47ª posição. Enfim, vamos ao que interessa.

Blade foi concebido pouco depois de sua mãe ter sido mordida por um vampiro; isso fez com que ele nascesse com as qualidades dos vampiros, como agilidade e força, mas sem os muitos defeitos dele. Dessa maneira, ele pode andar a luz do sol e se praticamente normal. Enraivecido, Blade caça vampiros e os mata, pois quer por fim a maldição dos seres das trevas. Do outro lado, há Frost, um vampiro criado, que tem causado muitos problemas, até mesmo entre a comunidade vampírica. E ele precisa de Blade para que consiga pôr em prática o seu plano.

Alguns não gostam do filme, mas eu não vejo grandes problemas nele. Certamente está longe de ser um grande filme, mas decididamente não se equivale a muitos filmes patéticos de terror, suspense e/ou ficção científica que são lançados anualmente. Acho mediano por causa de uns problemas quanto a criação de certos efeitos especiais e umas bobagenzinhas no roteiro, mas isso não significa que o filme não entretenha quem o vê. Eu particularmente não gostei daquelas bobagens de vampiros alérgicos a alho e prata - isso se assemelha demais a alguns contos infantis e de certa forma faz com que o filme se aproxime de Clube do Terror, aquela série que passava na Rede Record. E também há algumas boas incoerências, como por exemplo a submissão dos vampiros naturais (aqueles que nasceram sobe ssa condição) e os vampiros criados, liderados por Frost. Se todos são fortes como o filme supõe que sejam, por que os vampiros naturais são tão submissos? Parece que não são capazes de fazer nada e essa ideia é reforçada o tempo todo. Outro defeito é a qualidades dos efeitos especiais: os recursos em 1998 já não eram tão escassos, então não haveria por que fazer cenas tão porcas como algumas que vemos. Detalhe para as cenas em que os vampiros explodem por causa de uma solução que a médica insere neles com injeções. Chega a ser triste ver aquele sangue de cor extremamente exagerado, que nem sequer parece estar no mesmo plano que os atores, criando um deslocamento estranho nas cenas. Tais cenas poderiam facilmente ter sido evitadas e, se fossem, aumentaria ainda mais o meu apreço pelo filme.

Quanto à atuação, é um pouco difícil falar, afinal o ator de mais destaque no filme é Kris Kristofferson, intérprete do ajudante de Blade. Wesley Snipes é pouco expressivo e, ainda que o personagem Blade esteja para o ator que o interpreta assim como T-800 está para Schawrzenegger - ou seja, os personagens têm pouca expressividade -, Snipes consegue deixar Blade ainda mais inexpressivo, uma vez que ele não consegue mexer aquela face solidificada. N'Bushe Wright, que deve ter cursado artes dramáticas na mesma escola que Jennifer Lopez, é outro grande empecilho, pois, como devem ter percebido, ela se equipara a Snipes e nenhum dois dois traz uma boa interpretação nem conquista nossa simpatia. Kristofferson, como um velho bastante objetivo, se mostra mais eficiente, mas não muito - ele, pelo menos, nos agrada de certa maneira. Não assistimos a esse filme em busca de excelentes interpretações, porque se fosse isso que quiséssemos, deveríamos procurar por algum filme com Meryl Streep.

Como diversão, dá pra passar o tempo. Não é nenhum grande obra e tem bons efeitos especiais, embora também haja aqueles que fazem com que o filme perca credibilidade. Alguns efeitos ruins cobrindo atuações toscas; história relativamente interessante; para os fãs de vampiros, vampiros. Gosto de pensar que esse não é um filme bom, mas definitivamente poderia ser pior. E isso me motiva a não criticá-lo severamente, considerando-o apenas um filme mediano. E nem consigo imagimar como Blade pode ser melhor do que personagens como Clarice Sterling e Norman Bates, que ocupam respectivamente as posições de número 97 e 80.

Luís
__________________

13 de ago. de 2010

Distrito 9

District 9, de Neil Blomkamp. EUA / Nova Zelândia, 2009, 112 minutos. Ficção Científica. 
Indicado ao Academy Award na categoria Melhor Filme.
__________________________________________________________________

Produzida por Peter Jackson, essa obra de Neil Bloomkamp foi bastante comentada na época do seu lançamento, principalmente pela sua amostra selvagem de como seria a imposição da convivência entre seres extraterrestres e seres humanos. Eu me lembro de que ouvi muitos comentários a respeito, ouvi adjetivos como “nojento”, “exagerado” e até mesmo expressões como “sem pé nem cabeça”. Tantos comentários me fizeram ficar curioso a respeito do filme.

A abordagem parte do princípio que uma nave especial, num determinado momento, ao visitar o Planeta Terra, estacionou sobre uma região na África e não conseguiu mais sair de lá, provavelmente por problemas técnicos. Os humanos, curiosos a respeito daquilo, invadiram a nave e descobriram a existências de alienígenas, os quais foram transferidos para uma região onde seriam alojados. A partir dessa introdução, somos apresentados a Wikus Van De Merwe, que é genro de um poderoso industriário e que é encarregado de, conforme a lei, avisar os seres extraterrestres de que eles serão despejados em 24 horas e reabrigados em outro lugar. Sua missão primeira é conseguir a assinatura das criaturas, mas isso se torna uma tarefa epopéica.

Creio que o maior concentrador de elementos interessantes no filme seja o roteiro. Honestamente, é o que mais me chamou a atenção. Embora eu tenha gostado da direção de Neil Bloomkamp e acredite que o diretor soube como elaborar bem os seus planos de ação com boas tomadas que envolvem cenas interessantes de ação – e aqui estão inclusas as perseguições e explosões – e algumas cenas de caráter emocional – como as ligações que Wikus faz para a esposa na tentativa de que ela o aceite depois que ele foi contaminado. Quanto às atuações, devo dizer que eu não as achei fantásticas; nem sequer sei se as achei corretas, porque elas ficam sobpostas ao plano do roteiro, já que a história parece se impor aos outros elementos do filme.

Talvez o que mais incomode as pessoas em relação ao filme seja a banalização da situação vivida: os seres humanos a princípio reagem contra a estadia dos alienígenas, mas depois eles se acostumam de tal modo que chegam a residir em torno da favela que o Distrito 9 se tornou. A situação é tão real que humanos e aliens falam a mesma língua, todos se entendem e interagem, numa constante transação – mercadorias são vendidas, assim como as armas; estas criam uma elevação do índice de marginalidade, já que o tráfico se intensifica e cria problemas para os dois lados, dentro e fora do distrito onde estão os alienígenas cercados. Os acontecimentos são de tão intensos que há uma humanização daqueles seres do outro planeta: eles têm nomes comuns aos nossos (Christopher, por exemplo), eles passam por processos burocráticos, podem ser autuados, são molestados pela milícia – enfim, apenas provêm de outro lugar, mas se tornaram tão humanos quanto os próprios humanos. Em minha opinião, esse é o grande acerto do filme. Em vez de mostrar os anos iniciais, aqueles que vieram imediatamente depois da “invasão”, a opção foi mostrar a situação já estabilizada, depois de muitos anos que a neva havia chegado. Desse modo, é totalmente crível que a situação esteja daquele jeito, principalmente no que diz respeito à estadia e à marginalização daqueles indivíduos.

A estruturação da obra é bem construída. Primeiro temos a impressão de que se trata de um filme documentado e mais tarde essa aparência de documentário é substituída por uma estrutura narrativa comum a filmes cuja intenção não é exatamente retratar uma realidade objetiva. No primeiro momento, vemos a alternância da história e de relatos, que vão construindo a nossa visão da situação que é vivida em Johanesburgo, na África. Depois, vemos apenas a situação de Wikus, que, depois de contaminado e tornar-se o primeiro ser humano a portar ambos os genes (tanto humano quanto alienígena), se transforma em alvo de poderosos industriários cuja intenção é aproveitar suas recentes habilidades, como a de controlar as armas extraterrestres, para dominar o comércio armamentício e lucrar com isso.

Distrito 9 soube abordar vários temas muito recorrentes na nossa sociedade de um modo compacto e, ainda assim, intenso. A junção de vários elementos no roteiro criou uma obra interessante, cuja proposição de questionamento é crítica e muito objetiva. Gostei de como a obra foi composta. A indicação ao Oscar na categoria Melhor Filme foi um pouco exagerada, mas, mesmo assim, não desmereço o filme, porque vejo nele qualidades em maior quantidade do que defeitos. Recomendo que vejam.

11 de ago. de 2010

Avatar

Avatar, de James Cameron. EUA, 2009, 161 minutos. Ficção Científica.
Ganhador de 3 Oscar e indicado a outros 6 prêmios, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor.
_________________________________________________________________

James Cameron se tornou responsável pelas duas maiores bilheterias do cinema. Em 1997, ele trouxe às telas a história de Titanic, famoso filme que obteve o recorde de indicações ao Oscar e que tornou memoráveis certas cenas. Doze anos depois, em 2009, ele dirigiu e escreveu Avatar – que conquistou várias indicações no Oscar 2010 e que se tornou febre entre os que gostam de filmes.

Honestamente, acho que o principal fator do filme que manifestou toda essa aglomeração em relação à obra é o conjunto de efeitos especiais. Cameron sempre teve uma tendência a filmes de proporções grandiosas – tal como O Exterminador do Futuro (ele foi o responsável pelos dois primeiros filmes) e Titanic – e seus filmes normalmente são recebidos com certo entusiasmo, já que o primor técnico, principalmente no que diz respeito à perfeição fotográfica e ao figurino é de fato elogiável. Eis que surge Avatar e os efeitos visuais são utilizados em larga escala, o que provoca um intenso frenesi nos rapazezinhos e mocinhas que amam filmes cheio de explosões, naves, mundos paralelos, etc. Isso me faz perguntar: o que é realmente importante num filme?

A minha pergunta provém do fato de que Avatar pode ser um filme que impressiona pelos efeitos, mas, como um todo, não chega a ser elogiável. Os efeitos gráficos constroem um bom cenário e as edições de som transformam o filme numa sucessão coerente de barulhos épicos (como as explosões, nas cenas finais), mas é só isso. Não há espaço para atuações, já que os atores ficam sobpostos aos seres azuis, os Na’vi, criados por computador. Cameron utilizou atores reais – como Zoe Saldana – para viver os Na’vi, mas mesmo assim fiquei com a sensação de que o trabalho desses atores foi desperdiçado. Nem mesmo aqueles que são predominantemente humanos foram bem aproveitados. Muitos podem dizer que Michelle Rodriguez não é boa atriz e que sempre se repete, mas, mesmo se eu considerasse tais afirmações verdadeiras, ainda teria que dizer que ela foi totalmente mal aproveitada como Trudy. Sua participação se resume a quatro cenas, de quinze segundos cada e com pouquíssimas falas. Sigourney Weaver, que anteriormente trabalhara com Cameron em Aliens, o Resgate (pelo qual ela foi indicada como Melhor Atriz), aqui interpreta Dra. Grace; sua participação, devo dizer, acontece apenas para uma explicaçãozinha meia-boca no meio do filme sobre como os humanóides azuis se conectam à vegetação de Pandora. O que dizer de Sam Worthington? Sua capacidade interpretativa me deixou em dúvida: ele passa mais tempo como avatar, de modo que não pude avaliá-lo bem.

A respeito do roteiro, realmente fiquei impressionado: não me contou nada novo. Tudo o que eu vi me pareceu muito conhecido, como se eu já tivesse assistido a dez filmes cujos clímaces tenham sido recortados e inseridos no roteiro de Avatar. Ainda que haja uma sensação de originalidade, creio que isso se deva ao modo como Cameron dirigiu a sua obra e não no modo como concebeu a história dela. E Avatar ainda tem uma onda crescente de clichês, a começar pelo mote que desencadeia os acontecimentos mais importantes: o rapaz rejeitado (lembram-se de que não o queiram por ele ser paraplégico e não ser o seu irmão gêmeo?) envolve-se com uma garota “fora do seu mundo” (nesse caso, a expressão é no sentido literal) e, embora esteja com ela, provoca-lhe, de certo modo, algum mal; descobre-se, no entanto, apaixonado e volta-se contra aqueles para quem trabalhava. Me digam, com sinceridade: quantas vezes já viram isso? Eu já vi várias vezes e devo dizer que consigo apontar semelhanças entre o roteiro de Avatar e o roteiro de Um Amor Para Recordar. Curioso ser estruturado em duas horas e meia e não ter tanto o que dizer.

Confesso, no entanto, que o filme não é apenas sobrevalorização. Não sei se posso chamar de fotografia aquela criação computadorizada do planeta Pandora, mas devo admitir que se tratam de excelentes imagens, que impressionam pelo bom gosto estético. E o desempenho de Cameron como diretor desse filme também é elogiável, já que seu trabalho consiste em reunir uma série intensa de elemento de grande impacto visual. Honestamente, não o culpo por achar o filme chato – eu sempre soube que ele é um diretor que privilegia o choque provocado por algo totalmente novo e que coloca como segundo plano as atuações e até mesmo o roteiro. Como exemplo, cito Titanic: a história de um navio que afunda poderia facilmente ser abordada em uma hora e meia, no entanto, a abordagem panfletária de efeitos especiais o prolongou no dobro do tempo. Não quero, com isso, criticar Titanic – este é um filme do qual gosto muito, saibam!

Eu realmente não me senti tocado por nada que foi exibido em Avatar. Acho que esse é um dos filmes que impressionam pouco, porque parecem novos, principalmente no que diz respeito às técnicas audiovisuais que foram empregadas na construção dessa obra. De resto, é só mais um filme, que não modifica nada na vida de quem o vê. Mesmo tendo conquistado mais lucro do que Titanic, ainda creio que o seu filme de 1997 seja a verdadeira obra-prima de Cameron!