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9 de ago. de 2012

A Saga Crepúsculo: Eclipse


The Twilight Saga: Eclipse. EUA, 2010, 124 min, fantasia. Diretor: David Slade.
Apesar de reclamarem – com razão – do livro, lê-lo é consideravelmente mais interessante do que assistir a essa produção, que falha em todos os seus aspectos.

Quando li o primeiro volume da saga Crepúsculo – justamente o livro “Crepúsculo” (2005), lançado no Brasil em 2008 –, eu o achei razoável. Não um lixo como os haters dizem, não uma maravilha como os lovers propõem – apenas um livro que consegue cumprir seu objetivo primeiro, que é manter o leitor acompanhando a narrativa. Os livros subseqüentes são ruins. Não apenas ruins, mas verdadeiramente ruins. E não bastasse a saga como um todo – há ainda um livro para ser lançado, Midnight Sun –, surgiu um spin-off da trama em 2010, na qual os eventos narrados acontecem em concomitância com o que é apresentado no terceiro volume, “Eclipse” (2007), cuja adaptação para o cinema aconteceu em 2010, trazendo os mesmos atores que haviam personificado os populares personagens do romance literário.

 Kristen Stewart - grande interpretação! - e Taylor Lautner.

No primeiro filme, Bella conheceu Edward e descobriu sobre vampiros e lobisomens, além de ter sido caçada por James, um vampiro que desejava o sangue da garota. No segundo filme, houve a separação: Edward decidiu se afastar de Bella a fim de não a colocá-la em riscos constantes, o que fez com que ela se aproximasse de Jacob, amigo da família que era lobisomem. Nesse terceiro episódio, a cidade de Seattle é tomada por vampiros recém-criados, cuja dona, Victoria, deseja construir um exército com eles a fim de se vingar de Bella, que ela julga principal responsável pelo extermínio de seu namorado James (no primeiro volume).

O que me deixou assombrado nesse filme – aliás, reformulando: o que me deixou mais assombrado nesse filme – é o fato de a maquiagem ser extremamente pouco realista! É impossível olhar pro Edward e achar, mesmo que rapidamente, que a tez de sua pele é sua de verdade. Não apenas a pele de um branco incomum – mesmo no meu imaginário, que pensava em algo como mármore branco, não como trigo distribuído heterogeneamente pela pele –, mas também os olhos! Aquele amarelado dos olhos torna tudo ainda mai risível, sendo impossível levar a sério qualquer momento em que qualquer Cullen apareça. Lembrando que eles convivem com humanos o tempo todo – me surpreende que ninguém nunca tenha chegado à conclusão que eles são posers de vampiro, porque é evidente que eles definitivamente não se parecem com pessoas comuns – não com aquele branco que se restringe ao rosto, deixando o pescoço normal; não com aqueles olhos que muitas vezes não se parecem com nada.

 Riley, Edward e Victoria - fosse um ménage, seria mais interessante, ainda que, ainda assim, feio.

Reclamam de Kristen Stewart, chamando-a de inexpressiva. Mas, realmente, acho que ela é o menor dos problemas do filme. Talvez o maior problema seja o roteiro, que é ridículo, misturando os eventos de “Eclipse” com os eventos de “A Breve Segunda Vida de Bree Tanner” (2010), provavelmente porque eventualmente esse livro também acabará levado às telas. Honestamente, não há porque a associação das tramas num sentido tão físico – fazendo-as confluir uma na outra –, bastava que se mantivesse como é o no livro, em que alguns acontecimentos do terceiro volume são posteriormente explicados no spin-off. Assim, haveria menos confusão, sobretudo porque o tempo todo somos apresentados à situação de uma vampira cujos nomes não conhecemos sendo que ela é simplesmente morta no final do combate entre os Cullen e os recém-criados. A sensação que fica é que a personagem, em vez da relevância que tem (ela é, afinal, a protagonista de outro romance), é apenas um enfeito sem fundamento. Seria melhor conceder a ela apenas a cena final e depois, havendo mesmo a adaptação do outro livro, fazê-la aparecer mais, como se deve.

 Bree Tanner, que aparece aqui só pra justificar um potencial próximo filme da série "Crepúsculo".

Mas, de qualquer forma, o problema também está nos diálogos. São péssimos! Todos! Do começo ao fim! Tudo é dito de modo incômodo, as frases parecem não se conectar entre si, havendo ali apenas intenção de usá-las como elemento de impacto, que, no final, apenas obtêm impacto negativo. Isso, acrescido à incapacidade de qualquer ator de realmente ser realista, faz com que essa produção seja verdadeiramente um equívoco. David Slade, o diretor, havia dito que jamais se envolveria com a série – mordeu a língua, disse que havia dito brincando, faturou uma boa grana e nos apresentou essa coisa terrível, que é ruim até mesmo nos seus efeitos especiais, consideravelmente piores que os filmes anteriores.

Não há muito que apreciar aqui. A obra é toda antifuncional: efeitos visuais ruins, trilha sonora medonha, roteiro tenebroso, direção primária – eu, sem curso de cinema, sem experiência, produziria o mesmo resultado que Slade, que já havia dirigido alguns títulos antes, inclusive “30 Dias de Noite” (2007), um relativo sucesso comercial. Quanto às interpretações, apenas demérito: chega a ser triste ver os vampiros, sobretudo a família Cullen – Jasper é, de longe, o mais risível. Trata-se de uma obra para fãs obcecados apreciarem: eles assistirão ao filme e enxergarão qualidade onde notoriamente não há. E insistirão que se trata de uma obra linda, suspirando por Edward e querendo viver um romance como o de Bella. Dessa vez, tomo o partido dos haters – trata-se meso de um filme para ser odiado.

4 de jun. de 2011

Três Formas de Amar

Threesome. EUA, 1994, 93 minutos, comédia romântica. Diretor: Andrew Fleming.
Ainda que os personagens sejam imaturos e tenham atitudes que me incomodem, acredito que esse seja um filme que conseguem agradar o espectador e deverti-lo com a sua proposta - é o tipo de filme que se vê facilmente duas vezes.

Estava buscando ultimamente filmes que retratem relacionamentos a três e, quando bati os olhos num filme cujo título original é Threesome, eu rapidamente baixei para conferi-lo. Em nem um momento eu esperei uma grande surpresa desse filme e talvez seja exatamente por isso que eu tenha me surpreendido tanto com essa obra.

Eddie e Stuart dividem o quarto do dormitório da moradia do campus da universidade onde estudam. A terceira pessoa a dividir o espaço, que chega algum tempo depois os surpreende: é uma garota. Como os quartos não são mistos, um erro burocrático acabou colocando Alex junto com dois rapazes. Aos poucos, surge entre eles uma ligação e eles se envolvem numa relação a três.

Três Formas de Amar tem um roteiro leve e sua intenção não é promover um debate sobre o quão correto é manter uma relação sentimental ou sexual com mais de uma pessoa ao mesmo tempo. É apenas uma comédia de ares sutis que mostra como a vida dos personagens se desenvolve a partir do momento em que eles se vêem apaixonados uns pelos outros. E o que torna o filme bem interessante é exatamente isso: eles são amigos, são amantes, são pessoas comuns. Os três jovens são bem naturais e esse é o ponto-chave para fazer com que o espectador se identifique com a situação deles e até mesmo com eles. Admito: não é muito fácil se identificar com Stuart – o personagem é birrento, estereotipado, meio irritante, mas acabei gostando dele também. O ar de cumplicidade existente entre eles faz com que haja uma transferência: um personagem legal demais, como Eddie, transfere um pouco da nossa simpatia por ele para Stuart.

De tudo o que mais vi no filme, o que mais me agradou foi a amizade dos personagens. Surge entre eles uma afinidade muito interessante, que os coloca bem próximos e os permite compartilhar de alegrias e tristezas. Foi essa a sensação que tive: eles sabem como compartilhar. E não têm vergonha disso! Eddie, por exemplo, primeiro aprender a amar para depois se sentir atraído por eles; Alex se sente atraída primeiro, mas depois passa a amar mais; Stuart, por sua vez, permanece atraído e amando. Então vem o sexo e, em princípio, intensifica essa proximidade deles. Destaque para a bonita cena no lago, em que os três personagens começam a se beijar delicadamente, todos nus, e Eddie comenta que os três representam uma Eva pós-moderna com dois Adões, banidos do paraíso e condenados a vagar pelo deserto. A afinidade mais a cumplicidade que há entre eles tornam-nos melhores, elevados quase espiritualmente e eu me senti bem observando essa relação a três.

O filme ainda conta com momentos engraçados. Não se limita ao suave, busca às vezes o exagerado e rende boas cenas. Morri de rir – o que é muito incomum – quando Alex deita na mesa da biblioteca e pede para Eddie ler pra ela e então começa a se esfregar na mesa, em posições absurdas, enquanto Eddie lê e, ao mesmo tempo, a olha com uma expressão de espanto. Para finalizar, depois de se contorcer inteira, Alex diz: “Nossa, adoro palavras difíceis”. Mais tarde, quando Stuart está fazendo sexo oral em Alex, que fala ao telefone com Eddie, ela pede que ele lhe diga algumas palavras bem grandes e, enquanto Stuart continua a fazer sexo oral nela, ela começa a entrar em êxtase com as palavras de Eddie. Morri de rir de novo com essa cena, principalmente pela tara dela por palavras grandes e de uso pouco comum. Os sonhos que ela narra pra Eddie também são maravilhosas fontes de riso: ela sonhou que estava no deserto, vestindo biquíni de pele, enquanto Eddie era um açougueiro que estava com lingüiças. Fantástico, ri de novo! Talvez eu estivesse num bom humor ou talvez o filme seja mesmo engraçadinho, mas o fato é que eu gostei dessas cenas de humor.

As personalidades dos personagens não exigem muito dos atores, então a interpretação deles é bem mediana, sem nenhum atrativo em específico. De qualquer modo, Três Formas de Amar não requer nenhuma interpretação digna de indicação ao Oscar, então creio que o trabalho desses atores seja válido dentro de suas proporções. Dos três, o destaque maior é de Josh Charles, intérprete de Eddie, não apenas porque ele parece ser o mais racional dos personagens como ele também me pareceu ser o menos cheio de estereótipos – ele é também o personagem mais redondo e, em função disso, a atuação do ator é a mais complexa.

Trata-se de uma obra interessante, bastante suave, que mostra o relacionamento deles sem impor caráter crítico. A história é contada de forma leve, conquistando o nosso carisma e esse é a qualidade máxima do filme: fazer com que nos identifiquemos com os personagens e suas situações. Decerto vale a pena ser visto, principalmente quando o que se procura é apenas se divertir, sem a pretensão de ver uma grande obra cinematográfica. Válido para se ver sozinho ou acompanhado...

20 de jan. de 2011

Oito Contos de Amor

Brasil, 1997, 87 páginas - Editora Ática (2ª Edição). Autora: Lygia Fagundes Telles.
Como leitura de transição, essa antologia funciona muito bem, tendo três dos melhores contos escritos pela autora.

Essa obra se trata de uma antologia de oito contos da autora Lygia Fagundes Telles, uma das mais famosas autoras nacionais, responsáveis por inúmeros romances famosos, como Ciranda de Pedra – que inclusive foi adaptado para a teledramaturgia –, e livros de contos, destacando-se os títulos Antes do Baile Verde e A Estrutura da Bolha de Sabão. Os oito contos desse livro foram recolhidos de cinco livros da autora e o responsável pela seleção é Pedro Paulo de Sena Madureira, que selecionou os seguintes títulos (listados aqui na ordem do livro):

1. As cerejas
2. Pomba enamorada ou uma história de amor
3. As pérolas
4. Herbarium
5. A chave
6. Apenas um saxofone
7. O encontro
8. A estrutura da bolha de sabão

Acredito que a seleção tenha sido boa, principalmente porque ela abrange muitos tipos de contos. Alguns são definitivamente mais sensíveis enquanto outros são mais pungentes, criados sob uma estrutura bem diferente dos contos feitos para que o leitor se apaixone pelo enredo. Não vou comentar sobre os oito contos, porque o post ficaria excessivamente grande, então eu vou me focar naqueles que mais atraíram a minha atenção. Os contos Pomba enamorada ou uma história de amor, As Pérolas e Apenas um saxofone, que são os contos sobre os quais falarei, encontram-se em dois livros: o primeiro foi publicado originalmente em Seminário dos Ratos enquanto os outros dois foram publicados em Antes do Baile Verde.

Pomba enamorada ou uma história de amor: conhecemos a história de uma mulher, eleita a princesa da Primavera num baile, que conhece Antenor, por quem se apaixona perdidamente. O grande problema é a reciprocidade – ou melhor, a falta dela! O homem não lhe dá qualquer valor porque não a ama nem nunca pretendeu amá-la, haja vista que o encontro deles foi apenas ocasional. O amor dela por ele é tão grande que ela se torna obsessiva – procura-o em todos os lugares, sob sol, sob chuva, deseja-o incessantemente. O mais interessante é o modo como a autora trabalha o passar do tempo. Em poucas passagens, o conto se desenvolve muito, os anos vão passando e a obsessão da personagem permanece, o espectador acompanha a história muito entretido. São oito páginas de puro entretenimento.

As Pérolas: um homem doente vê a esposa de arrumar, preparando-se para ir a um encontro no qual ela encontrará um amigo do casal, que a ama. O homem pouco a pouco projeta imagens de como será o encontro e de como gradativamente o amigo e a esposa vão se enamorar, esquecendo-se ambos dele, que, à época do casamento deles, já estará morto há algum tempo. A narrativa se fortalece pela dose correta de sentimento presente nela; o espectador acompanha os pensamentos do moribundo e se compadece de sua situação, ao mesmo tempo em que consegue fazer projeções além daquelas propostas pela autora.

Apenas um saxofone: conhecemos a história de Luisiana, uma mulher muito rica – tão rica que se dá o dinheiro de autononimar-se “Luisiana” – e que vive das lembranças do passado e da vida que teve com um tocador de saxofone. Dentre os três, esse é o único conto narrado em primeira pessoa e podemos perceber com muita força a personalidade da narradora. O modo como ela nos conta a sua vida é mesmo apaixonante, mas curiosamente esse efeito é conquistado paradoxalmente: a personagem nos conta mais coisas ruins do que coisas boas, mas o nosso encanto se deve à sua sinceridade muito espontânea.

Acredito que esse livro valha por esses três contos. É uma leitura de transição, livro que lemos quando não temos outro para ler e queremos alguma distração. Não nego a qualidade da autora, mas “contos de amor” realmente não são os meus preferidos. Mas esses contos que eu comentei realmente valem a pena.

14 de set. de 2010

Assunto de Meninas

Lost and Delirious. Canadá, 2001, 98 minutos. Drama.

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Há algum tempo, li num TOP 25 de um Blog, uma lista de filmes com temática homossexual e esse estava entre eles. Ainda que de imediato tenha querido conferi-lo, demorei uns dois meses até poder finalmente vê-lo. Eu imaginava que assistiria a um debate sobre a relação entre iguais, mas, no final, concluí que este é um filme amplamente conectado às relações humanas de uma maneira geral e aos medos e preconceitos que as tornam limitadas. É um excelente drama que merece ser visto; até mesmos os homofóbicos cinéfilos admitirão tratar-se de um ótimo filme!

Mary "Mouse" é enviada para um colégio interno devido às dificuldades de comunicar-se com o seu pai e amadrasta, já que a mãe morrerra há três anos de câncer e a garota ainda sofre a perda dela, principalmente por não conseguir, às vezes, lembrar-se do seu rosto. No colégio, passa a dividir o quarto com Tori e Paulie, duas garotas que a princípio parecem apenas amigas, mas na verdade amam-se muito além disso. Pouco a pouco, as três começam a dividir segredos e também percebem a interferência de fatores externos pertubando a relação entr elas. Basicamente, é essa a história, mas eu tenho elogios bem grandes ao roteiro, pois certamente soube aproveitar o melhor de cada personagem através de perspectivas boas e ruins, monstrando que, por melhor que seja o sentimento que se tenha, nem sempre ele é suficiente para embasar todas as ações, confugirando, assim, uma vida perfeita e conforme desejada anteriormente.

Um dos maiores acertos do filme é mostrar três tipos diferentes: Victoria é aberta quanto à sua vida, mas nutre um profundo medo em relação ao que as pessoas pensam e à relação familiar; Pauline é ainda mais aberta, chegando a um ponto de não se importa com o que pensam acerca dela, desde que possa ser livre para amar e ser amada; Mary "Mouse" - que recebe o apelido de Mary B. (de Brava, no sentido de corajosa) - é extremamente tímida, se resignando mais a ouvir do que a falar, mas que tem conceito extremamente precisos sobre o que deseja para si e o que acha dos relacionamentos com os quais convive. Quando digo que esse é um acerto, é porque num determinado momento do roteiro, todas essas personagens podem trocar de situação, ver-se na pele da outra, imaginar o porquê daquela dor e como dominá-la a fim de seguir em frente. Há uma correlação interessantíssima no filme, envolvendo o relacionamento entre Tori e Paulie e um falcão machucado na floresta; talvez, se eu explicar aqui a metáfora que enxerguei, eu acabe impossibilitando que vocês enxerguem por si só o mesmo que eu vi. Considerando isso, sugiro que prestem atenção no significado das cenas aparentemente repetitivas, mas que tem fundamento. São nesses momentos mais simples que se percebe o processo de libertação pelo qual as três personagens - inclusive o falcão - estão passando. A suavidade com que o roteiro aborda o tema nos faz gostar das garotas e torcer para que fiquem juntas, não importa sob quais circunstâncias. Outra grande acerto é a narrativa em primeira pessoa: vemos tudo pela visão de Mary B., que nos revela suas opiniões acerca do que sente na presença das amigas, ou quando está sozinha, etc.

Agora, acredito que devo dedicar um parágrafo a alogiar as atrizes principais e também à diretora. Mischa Barton - que eu pensava ser uma modelo, não uma atriz - está excelente na pele de Mary B. Sua instropecção é capaz de fazer com que o espectador a acompanhe numa jornada dentro de sua própria mente e a todo momento tentamos invadir os pensamentos dela para conhecê-los, decifrá-los. Certamente, as cenas finais, na qual ela recita a mando de Paulie trechos de Lady Macbeth, são aquelas em que quem assiste o filme realmente chega à conclusão de que outra atriz talvez atrapalharia mais do que ajudaria o resto do elenco. Jéssica Paré, intérprete de Tori, também está magnifíca, num misto de amor e preconceito, dos quais simplesmente não consegue lidar, mas que precisa, definitivamente, escolher entre um ou outro. Piper Pirabo, mais conhecida por causa de sua personagem em Show Bar, que é um filme agradável, mas também presente em bombas, como O Terceiro Olho, se revelou muito convincente nesse filme, numa atuação bem difícil, não somente pelas cenas, mas também pelo sentimento de amor profundo que deveria demonstrar. Logo, às três atrizes, dedico muitos elogios. Téa Pool, a diretora, realizou um trabalho fantástico em Assunto de Meninas, conduzindo as atrizes de uma maneira extremamente sensível e usando ótimos cenários para compor o visual inquisitivo e ao mesmo tempo belo do filme.

Ao final do filme, concluí que é um dos que eu assisti recentemente de que mais gostei. Assim, recomendo-o a todos que gostem de um drama cuja densidade é extremamente expressiva, num claro convite à reflexão. Quanto ao título nacional, que eu não poderia esquivar-me de comentar, achei-o válido, melhor, inclusive, que o original, que faz referência a uma cena específica, logo no começo do filme. O título nacional, porém, faz alusão a uma cena ainda mais densa, cujo significado é muito específico e praticamente rege todo o roteiro, do começo ao fim. Admito que os tradutores-inventores acertam às vezes. Embora eu o tenha visto sozinho, acho que uma companhia - qualquer que seja o gênero dela - caia bem, pois é necessário que haja alguém ao seu lado para quem você diga: "Uau, o filme é bom mesmo!". Eu fiz esse comentário para o meu gato, mas, muito sonolento, ele não prestou atenção em mim...

Luís

20 de jun. de 2010

(500) Dias com Ela

(500) Days of Summer. EUA, 2009, 95 minutos. Comédia / Drama / Romance.
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"Só não me sinto à vontade sendo namorada de alguém. Não me sinto à vontade sendo qualquer coisa de alguém. Eu gosto de ser sozinha. Relacionamentos são complicados, pessoas se machucam. Quem precisa disso? Somos jovens, moramos em uma das mais belas cidades do mundo. Vamos nos divertir enquanto podemos e guardar as coisas sérias para mais tarde. Hoje em dia, casamento dá em divórcio. Essa coisa de amor não existe, é uma fantasia."
Summer Finn.

Esse é um daqueles filmes pequenos que, bem estruturado, consegue fazer com que muitos espectadores - mesmo os cinéfilos mais exigentes - acabem gostando do que tem pra mostrar. Desse modo, (500) Dias com Ela ganhou bastante destaque e graças ao boca a boca (muito positivo) se tornou um dos filmes mais comentados ano passado. Vale ressaltar que houve certa estranheza quando o roteiro desse filme não foi nomeado pela Academia como um dos cinco que concorriam na categoria Melhor Roteiro Original.

Do começo ao fim do filme, nós conhecemos a vida de Tom, que se encanta por Summer tão logo que a vê. A princípio, crê que jamais poderia se aproximar dela, que estão em níveis diferentes, mas descobre que ela nutre por ele certo apreço e que esse sentimento se torna maior e surge entre os dois um relacionamento aparentemente estável. Summer vive como quer e não se deixa aborrecer - sempre que algo lhe desinteressa, ela logo parte para outra, como deixa claro numa passagem que Tom lhe diz que está trabalhando há muito tempo naquela empresa e ela lhe diz que não consegue ficar tanto tempo no mesmo lugar. Tom experimenta, então, 500 dias com Summer, sendo que os primeiros são fantasticamente excepcionais, e então começam os problemas (quando ela começa a demonstrar insatisfação) e, já nos últimos dias, o total desespero de Tom.

Antes de mais nada, quero apontar no filme tudo aquilo que me agradou. Decerto, o roteiro é o melhor: pouco a pouco, acompanhamos sem pressa o envolvimento dos personagens centrais e conseguimos enxergar nos dois as suas características principais sem que eles mesmos se ocupem em dizê-las. Tanto Tom quanto Summer são bem estruturados e, cada um à sua maneira, são personagens completos e densos. Na minha opinião, ela tem muito mais destaque que ele, principalmente pelo seu modo de ser, muito mais interessante do que o modo de ser de Tom. Os diálogos do filme são mesmo muito bons, são delicados e sensíveis, parecem se enquadrar muito bem naquilo que o filme propõe. E as cenas são tratadas com carinho, dando aos personagens a dedicação que eles merecem. A fotografia do filme é igualmente boa e eu gostei muitos das tomadas em áreas abertas, como a cena final, onde Tom e Summer conversam num parque. Eu tinha certa antipatia por Zooey Deschanel, mas depois que a vi como Summer, tive por ela um pouco mais de simpatia: ela sorri de modo muito bonito, muito espontâneo, e seus olhos azuis são tão bonitos!

Eu confesso que não encontrei pontos negativos no filme. Mas, mesmo assim, acho que é um filme que não traz nada novo ao gênero e que é rapidamente esquecível, apesar de sua qualidade. Logo depois de vê-lo, eu já me sentia como se o tivesse visto há muito mais tempo, de que modo que nem me lembrava de algumas passagens. Embora eu seja fã da não-linearidade, eu devo dizer que não me agradou a opção por mostrar começo, meio e fim misturados, mas não creio que isso consista num problema grande - apenas me causou um sutil incômodo. A atuação de Joseph Gordon-Levitt também não me cativou totalmente e percebi uma disparidade entre o personagem e o ator: ficou evidente para mim que o personagem é interessante demais para um ator um pouco limitado e isso o colocou aquém da atuação de Zooey Deschanel, mas, assim como a nã-linearidade, não me impediu de gostar do filme.

Acho que (500) Dias com Ela deveria ter sido lembrado pela Academia, principalmente porque o seu roteiro é grandioso dentro do gênero romance. De um modo geral, creio que seja um filme bom para se assistir acompanhado daquela pessoal especial, numa noite fria. É um filme que agrada, porém não mostra nenhuma super novidade. Infelizmente, o título original se perde na tradução e chega a ser triste quando no filme à uma alusão explícita (a garota chamada Autumn) ao segundo sentido da palavra "Summer" no título. Será que podemos mesmo dizer que os 500 Dias com Summer foram mesmo dias ensolarados? Talvez...

Luís

10 de jun. de 2010

Procura-se Amy

Chasing Amy. EUA, 1997, 113 minutos. Comédia / Drama / Romance.
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Estava passeando pela internet quando me deparei com uma lista interessante falando sobre como é explorada o sofrimentos dos homossexuais nos filmes. Num dos itens listados constava Procura-se Amy e a breve descrição do autor do artigo fez com que eu me interessasse pelo filme - mesmo que Ben Affleck estivesse à frente do elenco. Eu não esperava que o filme fosse grandioso, tampouco esperava que fosse medíocre. E minhas expectatitvas estavam certas: trata-se de um filme divertido, que vale a pena ser visto.

Holden e Banky são amigos há mais de vinte anos. Os dois trabalham juntos na criação de um comic book, dividem o mesmo apartamento e tratam-se definitivamente como melhores amigos, porque de fato o são. Um dia, Holden conhece Alysson, uma roteirista bastante divertida e espontânea que faz com que ele rapidamente se interesse por ela. A situação se complica quando Holden descobre que Alysson é lésbica, mas - como acontece em todas as comédias românticas - o amor e entrosamento fala mais alto, de forma que Holden e Alysson se aproximem e, como consequência, surjam conflitos entre ele e seu melhor amigo.

Muitos podem até achar que esse filme seja pura babaquice ou que seja construído usando como base lugares-comuns. Na minha opinião, trata-se de uma obra interessante, que consegue ampliar a mente dos espectadores mais fechados em relação às relações homossexuais. Boa parte dos diálogos, obviamente aquela que cerca dos personagens Holden e Banky, são focadas nos pensamentos estereotipados mais abundantes, que incluem o conceito de "comer" - concepção muito bem explicada num diálogo acirrado entre Alysson e Banky -, "virgindade" e relacionamentos sexuais "padrões". Acredito que antes de mais nada, esse seja um filme para explicar aos héteros que uma relação sexual pode se consumar sem a participação de um membro do outro sexo e que a intensidade do prazer não tem a ver com o tamanho do pinto, mas sim com a vontade de estar junto com a outra pessoa - seja ela homem ou mulher ou os dois.

Além dos bons diálogos esclarecedores, há também um desenvolvimento legal do personagem Banky, que é bastante coadjuvante e que certamente merecia mais atenção. É difícil saber o que ele sente pelo seu melhor amigo. O personagem parece ser um turbilhão de pensamentos - amigos há tantos anos, desde quando ele passou a ver Holden com outro olhar? E é difícil para o espectador saber com que perspectiva ele enxerga: sua preocupação implica no medo de que Alysson se torne o único foco de atenção do amigo ou sua preocupação jaz no receio de que estejam enterradas as possibilidades de um envolvimento amoroso entre ele e o amigo. A somar, há ainda a proposta reflexiva de que por conviverem juntos há muito tempos, surge certo entrosamento a mais, algo que não se limita à amizade fraternal. Achei realmente uma pena que o filme não trabalhe muito bem esse ângulo e deixe esse pensamento flutuar rapidamente, sem retomá-lo e sem se aprofundar um pouco mais. Os temas pelo quais o filme transita poderiam render análises mais interessantes, sem fazer com que o filme perca o seu tom humorado. [SPOILER] Depois de tudo pelo que os personagens passam, o ápice do filme acontece quando Holden, personagem de Ben Affleck, explica a Alysson e a Banky o que sente pelos dois, beija o amigo e confessa sentir-se um pouco atraído por ele e, de quebra, propõe uma relação a três, a fim de que ele tenha pelo menos um pouco da experiência de Alysson e assim possa entendê-la melhor. O ato não se consuma e tais eventos causam um rompimento aparentemente definitivo entre todos. Na minha opinião - que sou um cultuador admirado da amizade utópica dos filmes -, o momento mais triste é a separação de Holden e Banky: bissexuais ou não, apenas amigos ou algo mais, o sacríficio da amizade supera qualquer envolvimento amoroso incompleto. [FIM DO SPOILER].

Procura-se Amy não é um grande filme e só saberão quem é a Amy do título quando o virem. Ele é apenas mediano, com um roteiro simpático, uma boa trilha sonora, um desenvolvimento satisfatoriamente linear dos personagens. Nem mesmo a pífia e costumeira atuação de Ben Affleck me irritou - consegui inclusive achá-lo charmoso e melhor do que o habitual. Jason Lee, como coadjuvante, supera o ator principal nas cenas em que aparece e isso deve ser considerado ao avaliar o elenco. A atriz faz com que nos desesperemos um pouquinho nas cenas de grande carga emocional, já que ela grita como uma gralha louca e fere os nossos ouvidos. De um modo geral, os elementos cinematográficos compõem um filme legal para se ver sozinho ou acompanhado, numa tarde ou noite qualquer. Trata-se de uma obra não muito marcante, mas que se mostra simpática e que por isso merece ser vista - mesmo que você venha a esquecê-la algum tempo depois.

Luís
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