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2 de fev. de 2012

Do Começo ao Fim

Brasil, 2009, 100 minutos, drama. Diretor: Aluisio Abranches.
Uma proposta interessante, mas um desenvolvimento de roteiro assombrosamente inverossímil.

“Eu te amo porque você precisa de amor”. – Francisco.

Não há como negar que o cinema nacional tem aumentado exponencialmente o seu empenho em produzir obras interessantes. Vários títulos têm surgido e os temas têm sido variados: alguns abordando personalidades famosas (Cazuza e Jean Charles, por exemplo), outros com temas convencionais (como Divã) - o mais interessante, no entanto, são as temáticas mais corajosas, como os recentes "Verônica" (2009), que aponta uma série de problemas relacionados ao ensino, à segurança, à sociedade, e "Do Começo ao Fim", do mesmo ano, que aborda um relacionamento homossexual incestuoso.

Antes de mais nada, quero explicitar algo em relação ao comentário que acabei de fazer. Por "temática corajosa", me refiro apenas ao mote do filme e não à maneira como ele foi concebida. Independentemente de acharem ou não o filme bom, não é concebível considerá-lo convencional, já que o seu tema é extremamente forte e, ainda que visível e "palpável" em nossa sociedade, tratado como inexistente. Devo também dizer que sou aberto a todo tipo de relação, desde que, evidentemente, ela seja consensual em relação a todas as partes envolvidas - por isso considero válido o envolvimento entre os irmãos de "Do Começo ao Fim" (mas não me agrada a situação proposta em "Cama de Gato" (2002), na qual três jovens estupram uma moça). Acho importante apresentar esse comentário, assim nenhum leitor pode interpretar a minha opinião em relação ao filme como preconceituosa - seja em relação à conduta homossexual ou à conduta incestuosa.

Como perceberam, o filme narra a trajetória de irmãos que se tornam amantes. O título faz alusão à vida deles, desde o momento em que eles se tinham apenas como irmãos e, partir de então, como eles foram evoluindo esse sentimento até constantarem que estavam apaixonados e que se queriam também numa vertente sexual e não apenas emocional - amam-se como um casal, não estando conectados apenas pelo laço fraterno. O "fim", não sei a que se refere, já que essa obra não se preocupa em mostrar o fim explicitamente - aliás, nem sequer é feita uma alusão a algum momento ou situação que possam definir o fim como "fim".

Devo dizer que eu gostei do roteiro por um motivo: praticamente metade da história é dedicada aos personagens enquanto crianças. É narrado, na primeira cena do filme, o modo como eles se "conhecem": Thomás, que ficara duas semanas de olhos fechados depois de ter nascido, viu o irmão tão logo que decidira abri-los. Nesse momento, há uma metáfora interessante, comentada pelo narrador, na qual é dito que Julieta, a mãe de Thomás e Francisco, não se preocupara quando o filho não abriu os olhos, pois sabia que ele o faria quando achasse certo. E, então, é dito de modo taxativo, mesmo que coberto por um tom muito amistoso, de que a Thomás fora concedido o livre-arbítrio. Essa é uma amostra clara de que os pais do garoto respeitariam as suas vontades e necessidades, aceitando-as mesmo que inesperadas e respeitando-as logo. Muitos reclamaram de que era desnecessário "desperdiçar" metade do filme para traçar essa trajetória; afinal, "ninguém está interessado neles como irmãos". Concordo no que diz respeito ao tempo gasto no detalhamento da relações das crianças - se houvesse uma redução, provavelmente haveria uma dinâmica maior no filme. E eu nem por um momento reclamei deles enquanto garotinhos - creio que seja necessário para o espectador primeiro conhecê-los como irmãos, para depois conhecê-los como amantes - mostrar como o amor fraternal se tornou amor matrimonial.

As falhas, porém, são como o título: do começo ao fim. Enquanto crianças, os garotos mantêm um envolvimento fraternal, apenas. Foi visível para mim que eles se amavam como um irmão ama o outro. Não há, em nenhum momento enquanto as filmagens mostram os atores-mirins, insinuações de quaisquer naturezas sexuais. Provavelmente isso se deve ao fato de que o diretor trabalhava com crianças, o que dificultaria uma cena de caráter mais ousado. Considerando o fato de que eles se comportam do mesmo modo o tempo todo, achei incoerente a cena em que Julieta, a mãe dos garotos, os olha e simplesmente descobre que eles são mais do que irmãos. É como se Julieta tivesse tido um insight e, naquele momento singular, tivesse decidido que os filhos eram gays. Infelizmente, o problema de trabalhar com criança e optar pela sutileza durante as filmagens fez com que isso destoasse da minha percepção de realidade.

Mais tarde, quando os garotos crescem e se tornam homens - e, portanto, têm a sua visão de mundo já bem estruturada -, o filme declara abertamente a relação homossexual e incestuosa dos dois. Isso é feito, porém, numa cena que está totalmente desencaixada do roteiro, uma cena feita exclusivamente para dar um tom poético à nudez dos atores em cena. Honestamente, eu a enxerguei sem qualquer propósito, considerei-a substituível, principalmente pelo momento no qual foi inserida. Voltando de um funeral, a câmera filma de cima, mostrando quatro personagens na sala. Rosa, a empregada, sai de cena; depois, o pai dos garotos também sai. Ficam os dois, que começam a tirar as roupas, num contexto claramente sexual. Como puderam colocar essa cena nesse trecho lacônico da obra? Muito questionável.

Esse, contudo, não é o grande problema. A segunda metade é simplesmente inverossímil; nela, não há nada em que seja realmente possível de se acreditar. Os personagens, que são irmãos, gays e mantêm uma relação entre si - repetindo: homossexuais e incestuosos -, não encontram quaisquer obstáculos para a consumação de seu envolvimento amoroso. Os pais simplesmente aceitam a relação; não a questionam, não se opõem. Não quero com isso dizer que a oposição e o questionamento deveriam provir da concepção de que a união deles seja errada; a reação primeiramente negativa dos pais deveria provir do fato de que eles estão inseridos numa sociedade que vê relações como a dos jovens como errôneas e, ainda, pecaminosas. Hoje é possível dizer que haja mais aceitação em relação aos homossexuais - o respeito, porém, ainda não existe majoritariamente -, mas é inquestionável que o incesto definitivamente não é bem visto. Numa entrevista, li que o diretor do filme não queria "levantar bandeiras, apenas contar uma história de amor". Isso, no entanto, acarretou uma série de inverossimilhanças, já que a leveza com a qual esse romance foi abordado toma como base uma sociedade extremamente utópica, na qual todos os relacionamentos são aceitos - se vocês vivem no mesmo mundo que eu, evidente que sabem que essa sociedade não é a nossa.

Quanto à vertente cinematográfica - principalmente no que diz respeito aos aspectos técnicos -, devo dizer que não achei a obra notável. No máximo, posso fazer um elogio à fotografia, a qual considerei boa e relevante, dando um charme a mais ao filme. A trilha sonora, cujo efeito é positivo em alguns poucos momentos, não se faz notar em muitos outros; trato-a, portanto, como insatisfatória quanto à sua intenção de causar efeito estético no espectador. A direção é turva e duvidosa, de mau gosto no que diz respeito à forma como a história dos personagens foi concebida pela alienação do diretor, que temeu ousar e mostrar algo realmente convincente. As atuações, lamento dizer, são instáveis e não me convenceram o tempo todo - Júlia Lemmertz é a que me parece melhor, mas, mesmo assim, está numa atuação muito mediana, beirando o insatisfatório. Fábio Assunção é um mero figurante, já que sua participação na película é mínima e quase irrelevante. Os estreantes, Rafael Cardoso e João Gabriel Vasconcellos, não fazem um trabalho maravilhoso, até porque não há muito que fazer, pois seus personagens não são desenvolvidos a ponto de permitir que os atores os trabalhem bem. Não culpo, porém, apenas os roteiros – acho ainda assim que os atores poderiam ter se empenhado mais. As crianças são muito espontâneas e elas me passaram a credibilidade do afeto que sentiam uma pela outra, mas isso não salva o filme no quesito atuação.

Eu sei que há os defensores do filme – há aqueles que digam que essa é uma história de amor e por isso é contada com essa suavidade. Não duvido de que seja uma história de amor; apenas não há verossimilhança em toda a narrativa. Uma professora minha uma vez comentou que “vidas em equilíbrio não dão história”, e o problema do filme consiste no fato de que tudo na vida dos personagens é excelente, de modo que não há qualquer conflito. Não o achei totalmente ruim, me entretive um pouco, mas definitivamente não achei uma obra válida, capaz de expressar com eficiência os dilemas do envolvimento dos personagens.

22 de jan. de 2012

Grandes Mentiras

Mentiras y Gordas. Espanha, 2009, 107 minutos, drama. Diretores: Alfonso Albacete e David Menkes.
Talvez eu o consideraria bom se o roteiro não priorizasse o sexo e as drogas em vez dos relacionamentos dos personagens e das suas interações.

Assisti a esse filme por recomendação de um colega e, considerando que algumas vezes ele me recomendou coisas boas – eventualmente, algumas bem ruins também –, eu decidi conferir esse filme intitulado originalmente “Mentiras y Gordas”, título que eu realmente não sei se é melhor do que a obviedade porca do título nacional.

Eu não sei bem o que eu esperava ao começar a assistir a esse filme. Mas eu deduzi pelo pôster que múltiplas histórias seriam contadas e provavelmente entrelaçadas em algum momento da narrativa, conectando então todos os personagens numa “única” trama. E é mais ou menos isso que acontece nesse filme, que fala sobre a relação de vários personagens com o sexo, romances e drogas – não necessariamente nessa ordem e não na mesma intensidade, haja vista que os personagens transam e se drogam em 90% do filme e raramente somos apresentados à parte que diz respeito aos seus envolvimentos amorosos.


Acho que o que me motivou a não detestar o filme foi o excelente humor que eu estava quando eu o conferi. Não poderia mesmo estar mal humorado, afinal, no mesmo dia, eu havia anteriormente assistido aos maravilhosos Rear Window e Belle de Jour, de Hitchcock e Buñuel, respectivamente. E o que me leva a escrever sobre esse filme sem massacrá-lo é também o bom humor do dia, porque se eu realmente o tivesse analisado friamente, como usualmente faço quando vejo filmes, eu decerto o classificaria como uma obra totalmente insatisfatória, haja vista que todo o foco do filme está em cena repetidas de sexo, que, de um modo geral, servem como alicerce dessa obra espanhola, provavelmente foi dirigida por alguém com forte tendência à ninfomania. Penso que a idéia de usar o sexo em demasia possa até sem interessante quando há um motivo que embase isso. Nesse filme, parece haver apenas a vontade de filmar diversas cenas de sexo. Curiosamente, todos os personagens aparecem nus em algum momento e todos têm o seu ato sexual – alguns deles, duas vezes!

O roteiro basicamente se divide nesses episódios: 1) Carola, que tenta ajudar a amiga Paz a emagrecer, pois ela foi abandonada pelo namorado e despedida do emprego por estar gorda. 2) Toni e Nico, que são melhores amigos, sendo que Toni o ama sem que ele saiba. 3) Marina, que se sente em dúvida em relação à sua sexualidade após se relacionar com Leo, outra garota. 4) Sonia que vende drogas para pagar a fiança de Chente, amigo seu que foi preso. Paralelamente a essas histórias, temos ainda uma subtrama envolvendo Carola, que se relaciona com o ex-namorado de Paz. Acredito que em 100 minutos, essas quatro histórias poderiam ser abordadas, mas para isso era necessário que a elas não fosse dado a mesma ênfase – se todas histórias são episódios centrais do filme, torna-se difícil abordar qualquer uma dela com maior cuidado. Assim, tudo que é mostrado é meio superficial e, no caso de Sonia e de Marina, por exemplo, não somente é superficial como ainda é repetitivo, pois acontece três vezes a mesma coisa. Já as histórias mais interessantes, que na minha opinião é a de Carola e de Toni, são meio que deixadas de lado por causa das repetições que já comentei.

Não sei bem como definir os personagens. De um modo geral, acredito que na teoria todos eles tivessem algum nível de emoção. No entanto, ao passar para a prática, os personagens parecem meio bobos, vivendo situações torpes e sendo insistentemente infantis. Só para constar: ao terminar de ver o filme, eu estava provavelmente tão drogado quanto eles, de tantas vezes que eu os vi ingerindo alguma coisa ou puxando uma carreira. Penso que haja indícios ao longo da trama de que os personagens sejam melhores do que parece. Por exemplo, Nico pode recorrer às drogas para esquecer os problemas familiares, pois o pai desempregado lhe causa transtornos ao ficar no bar o tempo todo. A situação delicada de Carola me faz pensar que ela é uma boa personagem, afinal ela quer ao mesmo tempo ajudar a melhor amiga e também ser feliz. Mas a direção complicada de Alfonso Albacete e David Menkes impede que tudo isso se desenvolva muito positivamente. Aliás, a respeito da direção, é difícil dizer o que eles pretendiam com algumas cenas, porque elas são bastante curiosas – isso para não dizer “ruins”. O orgasmo de Marina, por exemplo, é uma das coisas mais ridículas que eu já presenciei no cinema – tentativa de humor ou pura incapacidade dos diretores? Não entendi aquilo. E o que dizer do choro de Paz por não sentir a penetração do rapaz com quem está? Deprimente, no mínimo. Mas cômico ao mesmo tempo – eu ri demais, ri sem parar por uns dois minutos.

Acho que o único momento que esse filme encontra o seu tom adequado é no final, quando registra o coincidente encontro de Carola e Toni, numa cena dramática de intensidade certa, que mostra dois personagens de estilos bem diferentes – um que recorre a atitudes inconseqüentes para suprir o afeto de que precisa e outro que chora e assume a dor sem querer afastar-se dela com drogas; respectivamente, Toni e Carola. E o mais interessante é que fizeram uma cena boa, em que o espectador não julga nenhum dos personagens e até acha bonito o encontro deles. [Spoiler] Acredito que o carisma de Carola atraia a atenção de quem assiste ao filme para si, de modo que reparamos na boa intenção de sua personagem de ajudar Toni, quando percebe que o rapaz está passando muito mal. Digo isso porque momentos depois, quando os dois saem para que ele pudessem tomar ar fresco e ele, por infortúnio do destino, acaba morrendo nos braços da menina, que chora desesperada e grita por ajuda, a direção deu ares mais melodramáticos, criando então uma situação clichê – todos os amigos chegando naquele momento, Nico se jogando no chão, tomando o amigo nos braços. Enfim, se não tivessem saído do tom, a cena seria realmente a única cena excelente do filme. Com erro, a qualidade caiu, mas ainda assim é o melhor momento de toda essa obra. [Spoiler]

Devo dizer que não fiquei totalmente insatisfeito com o filme, mas isso porque eu o conferi num dia em que estava de boníssimo humor, por influência dos filmes que havia visto antes. Não sei se vocês o acharão uma obra válida. A direção é ruim, isso é inegável; o roteiro é meio problemático, com muitos excessos; o elenco provavelmente teria algo destaque se a direção fosse melhor. Então, acho que no fundo não vai mudar muito na vida de vocês se assistirem ou não à essa obra.

6 de jun. de 2011

Inverso do Cinema: Legião

Para trazer a vocês uma amostra de filme ruim, convidei a minha amiga Ciça, que já colaborou aqui algumas vezes. Agradeço a ela por ter aceitado falar um pouco sobre um filme que tenha visto e o qual tenha detestado - a fim de partilhar um pouco de sua experiência cinematográfica desprazerosa conosco.
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Quando recebi o e-mail que me convidava para colaborar mais uma vez com o blog Literatura e Cinema, na sessão Inverso do Cinema, já logo comecei a vasculhar minha mente tentando me lembrar de algum filme ruim que havia assistido recentemente. Em pouco tempo consegui me lembrar de vários, porque, por sinal, não ando dando sorte nas minhas escolhas na locadora...mas nenhum era tão trágico a ponto de ser completamente o oposto do que buscamos em um filme. Mas, como eu ainda tinha algum tempo para escrever minha crítica, não me preocupei tanto.
 
 Então, alguns dias depois, resolvo assistir ao filme Legião, que já estava gravado na minha TV há um certo tempo, e que eu já ensaiara locar várias vezes, mas ainda não o tinha feito. A vantagem de ter escolhido assistir a esse filme: encontrei o objeto para minha crítica! E só.
 

 A proposta da produção não é de todo ruim, apesar de nem um pouco inédita. Basicamente, Deus se cansa da humanidade, que só faz destruir o que ele construiu, e envia um exército de anjos para nos exterminar. Ou seja, o filme retrata o Apocalipse, com uma ideia mais agressiva e revoltada.
  
Através da sinopse, o filme atrai o espectador, pois, apesar de batido, o tema sempre acaba rendendo um bom entretenimento. Mas o problema começa junto com o filme. A história se inicia com o arcanjo Miguel “caindo” na Terra e cortando suas asas para se tornar (ou parecer) um humano comum. Porém, devo admitir, demorei algumas cenas para entender o que estava acontecendo. Não apenas por causa do meu raciocínio lento, mas a péssima iluminação da cena inicial dificultou um pouco a compreensão dessa passagem. Logo após, o filme já nos leva para uma lanchonete de beira de estrada, literalmente no meio do nada, como manda o figurino de um suspense bem clichê. Na lanchonete trabalham um homem já não tão jovem, uma garçonete grávida, outro rapaz que a defende de todos com unhas e dentes, e seu pai, dono do estabelecimento e de uma personalidade extremamente rude. O pobre rapaz cuida da garçonete como se fosse pai de seu filho (detalhe importante: ele não é), sendo criticado e zombado por todos, inclusive pela própria moça, e sendo duramente repreendido por seu pai.
  
Em uma tarde de pouco movimento na lanchonete, com apenas uma família aguardando o carro ser consertado pelo filho do dono do local e um homem usando o telefone, algumas coisas estranhas começam a ocorrer. A televisão perde o sinal, e nenhum telefone ou rádio funcionam. Surge então, uma frágil e sorridente senhora, que é atendida pela garçonete grávida. Porém, ao se dirigir à gestante, a idosa altera grosseiramente seu comportamento, dizendo coisas assustadoras sobre o bebê que iria nascer, e começa a agredir verbalmente também a mãe da família presente no local. Quando o marido desta levanta para defendê-la, a velhinha cria dentes afiados, ataca o pescoço do homem, e sai escalando as paredes, até levar um tiro do dono do estabelecimento. Esta cena logo nos faz pensar que algum tipo de demônio quer a criança prestes a nascer, e que outras criaturas do mal surgirão para buscá-la.
  
Mas, eis que surge o arcanjo Miguel para esclarecer as dúvidas dos espectadores. Ele aparece na lanchonete munido de diversos tipos de armamentos, e explica que Deus enviou seus soldados-anjos para exterminarem a raça humana. Ou seja, a idosa estava possuída por um anjo, e não por um espírito do mal, como nos parece a princípio. Miguel explica também que o bebê que aquela humilde jovem carrega no ventre é a salvação da humanidade. Ok... mas por quê? Seria a criança um novo messias? Mas, para salvar os homens, ele teria que confrontar a vontade de Deus, fazendo uma imagem não muito boa de um messias. Enfim, este ponto não é esclarecido pelo filme. Fico com a conclusão de que ele foi escolhido no “uni-duni-tê” para dar continuidade ao mundo como conhecemos e ponto.
 
Miguel também confessa que foi escalado para comandar nosso extermínio, mas que ele aprendeu a amar os homens e que não seria capaz de fazê-lo, indo dessa forma contra as ordens de Deus, que é exposto no filme como um general cruel e impiedoso. No decorrer do filme a batalha acontece, sem qualquer mudança de cenário. Tudo se passa dentro ou nos arredores da lanchonete. Começam a surgir outras pessoas tomadas por anjos exterminadores, de todos os lugares, e dirigindo-se unicamente àquele estabelecimento. Há um ponto no filme em que os personagens fazem somente mirar nas pessoas e atirar, no melhor estilo Resident Evil. Por fim, após uma ilustre aparição do próprio anjo Gabriel, e uma batalha (um tanto quanto mortal demais) com o arcanjo Miguel, os anjos maus, por se encontrarem em clara vantagem, acabam aniquilando todos os presentes na lanchonete. Exceto, é claro, a garçonete e seu bebê, que nasce em meio à confusão, e seu fiel protetor.
  
Uma proposta cinematográfica que tinha tudo para ser bem desenvolvida, trabalhando com temas polêmicos e provocativos, acaba indo por água abaixo por, ao que me parece, pura preguiça do diretor. Uma produção que conta com Dennis Quaid (O Dia depois de Amanhã) e Paul Bettany (O Código da Vinci) no elenco deveria ser louvável apenas pelas figuras escaladas, mas estes atores, que costumam comover em suas interpretações, ficaram patéticos tendo que desenvolver os papéis que lhes foram dados. Os efeitos de transformação das pessoas em monstros-anjinhos chegam a ser hilários, apesar de bens feitos. Como todos os outros elementos do filme, este é mais um aspecto batido que mostra a falta de criatividade dos criadores. Os seres criam uns dentes afiados e os olhos ficam pretos, e nada mais. Há uma lista imensa de filmes de zumbis, ou vampiros, ou possuídos, em que os vilões da história se encaixam perfeitamente na descrição acima.


 Legião acaba por ser aquele tipo de filme que você não vê a hora que acabe, pra desligar logo a TV e ir fazer outra coisa. O que nos mantém assistindo até o final é a curiosidade de saber o que vai acontecer afinal com o tal bebê salvador da humanidade. Infelizmente, para a decepção de quem bravamente aguarda até o final, a resposta é: nada. Para quem procura um entretenimento despretensioso, sem maiores expectativas, recomendo. Já para aqueles que procuram, através de um filme, fugir por algumas horas da realidade do nosso dia-a-dia (assim como eu), recomendo que passem longe, ou leiam um livro.

por Cecília

14 de nov. de 2010

Sexta-Feira 13 (2009)

Friday the 13th. EUA, 2009, 103 minutos. Terror.
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Advertência: a resenha a seguir apresenta muitos spoilers.
Todos sabemos que o cinema tem entrado numa grande incursão pelo universo dos remakes. Não quero dizer com isso que regravações não existissem antes, mas atualmente esse tópico se intensificou. Vários filmes que fizeram sucesso anos atrás estão retornando numa versão mais moderna e provavelmente mais ridícula e várias são as obras que já passaram por isso e são várias também aquelas que passarão pelo mesmo processo: Halloween, Violência Gratuita, [•REC], A Névoa, A Hora do Pesadelo, Brinquedo Assassino, etc. Estava óbvio que a série Sexta-Feira 13, já em desgaste com as suas nove continuações e um spin-off (a tosquice nomeada Freddy x Jason), seria transformada em um novo filme, nos mesmos moldes das recentes modernizações.

Para ser sincero, não considero que esse filme seja um remake do original de 1980. Se fôssemos tratá-lo como um remake, deveríamos assumir que Batman Begins, filme de 2005 que marca a nova cronologia da história do Homem-Morcego, seja remake do filme de Tim Burton, de 1989. E todos sabemos que isso não é verdadeiro. Com isso, quero dizer que o novo Sexta-Feira 13 não se trata daquele filme embasado nos eventos de outros. Para se ter uma ideia, ocorre aquele final-surpresa no filme original, quando descobrimos que a pessoa por trás das mortes na verdade é Brenda Vorhees e não Jason, como todos pensávamos. Nesse remake, logo nas primeiras cenas somos apresentadas àquela que correponde a uma das últimas cenas do original: a mocinha desesperada decapta a insana mãe de Jason. Assim, o final do filme original é o início do filme recente, deixando claro que esse não está vinculado aos eventos gerais daquele. Sabemos, então, que o remake mostrará cenas novas e também sabemos que não haverá elementos-surpresa em relação ao assassino, uma vez que logo no começa Brenda foi morta.

Assim, para mim, esse filme marca uma nova cronologia da série. E, logo no primeiro episódio, se mostra bastante ruim. Os que assistiram ao filme original sabem que os jovens perseguidos pela mãe de Jason tinham um motivo real para estar ali: eles eram monitores e, portanto, o lugar mais adequado para o qual deveriam estar. Nessa versão, que conta com uma bizarra introdução de 25 minutos, os jovens são estereotipados e chatos, birrentos e desagradáveis e cabe a nós detestá-los. Eles não vão exatamente ao Crystal Lake, mas numa região próxima a ele. Num filme da cronologia antiga, uma personagem diz que ninguém é morto se não invadir a área do Jason (e pouco depois essa informação se mostra errada). Supondo que a casa não tenha sido construída ali do dia para a noite e, pelo que parece, os pais de um dos jovens tinha aquela casa há um bom tempo, não fica muito claro por que o Jason insiste em persegui-los numa região fora de sua área. Questionamento desse gênero são desnecessários, afinal o personagem matador desse filme já chegou a ir a Nova Iorque atacar as pessoas de lá!

A princípio, os personagens não invadem lugar nenhum. O máximo que fazem é se divertirem no lago Crystal e esse parece ser o mote para que Jason comece a persegui-los sem parar. Dentre os personagens, destacam-se Clay, interpretado por Jared Padalecki, e Jenna, vivida por Danielle Panabaker. Ele é o mocinho que está à procura da irmã desaparecida (que estava presente naquela introdução imensa) e ela é a outra mocinha, que, embora estivesse com os jovens babacas detestáveis, é bem dócil e simpática à causa de Clay. Logo de cara sabemos que são esses os personagens que não irão morrer, afinal eles são os perfeitinhos - não transam, não bebem, são simpáticos, são bonitos e, de certam maneira, estão engajados em uma causa maior. Os outros personagens - os que se masturbam, os que ficam bêbados e os que trepam como coelhinhos - tornam-se os alvos prioritários do matador. Sem nenhum real envolvimento do espectador com a história, os jovens começam a ser mortos de maneiras bastante toscas, desde cozidos até empalados, e nós ficamos observando uma série ridículo de corre-pra-cá e corre-pra-lá. A ânsia por matar é tão compulsiva que o xerife é morto depois de bater na porta da casa, sem nenhum diálogo decente.

Vale ainda ressaltar que não há motivos para que Jason mantenha capturada a irmã de Clay. Não fica claro em momento nenhum o que ele pretende fazer com ela e eu até acredito que não há razões para aquilo. A função básica é fazer com que gostemos da ação salvadora de Clay, que realmente consegue tirar a irmã de lá. Como troca, porém - e para minha surpresa -, a outra mocinha perfeitinha acabou morrendo, numa cena bem porca. O roteiro tenta fazer com que haja uma correlação entre a introdução medíocre e o final e isso obviamente se mostra frustrado.

Considerando todos os prós - que são poucos - e os contras, eu realmente recomendo que, se quiserem ver, fiquem com o filme original, de 1980, que pelo consta com bons efeitos de maquiagem, uma fotografia sombrio mais interessante e um clima bem melhor do que esse, que só mostra gente correndo e morrendo. Na minha opinião, uma obra totalmente descartável, que não se aproxima da produção que a originou.

2 de nov. de 2010

O Mensageiro


The Messenger. EUA, 2009, 105 minutos. Drama.
Indicado a 2 Oscar: Melhor Ator Coadjuvante (Woody Harrelson) e Melhor Roteiro Original.
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Como habitualmente acontece nas cerimônias do Oscar, um ou outro filme sobre guerra é agraciado com uma indicação ou até mesmo com a estatueta dourada. The Messenger, indicado em duas categorias, mostra a guerra sob uma perspectiva diferente daquela mostrada em Guerra ao Terror, grande vencedor do Oscar 2010 e é exatamente por esse motivo que o filme conquistou mais facilmente a minha simpatia.

Usualmente os filmes de guerra me incomodam porque sempre mostram as mesmas coisas. Dor, conflitos, problemas, tragédia – mas sempre fazem questão de defender uma ideologia política e humanizar os autores dela. O roteiro de O Mensageiro mostra outro ângulo das situações da guerra: o que acontece depois dela. O título faz alusão ao cargo exercido por um soldado que voltou da guerra e que, para cumprir os meses de alistamento, passa a ser responsável pela notificação dos mortos; cabe a ele ir até a residência do parente mais próximo do soldado morto e comunicá-lo de que o soldado morreu. Para acompanhá-lo, segue o Capitão Stone, já experiente nesse campo.

Indiscutivelmente, o filme retrata algo tão doloroso e complicado quanto o campo de batalha. Embora não haja tiroteios ou a guerra como concebemo-la em nossas cabeças, decerto há um envolvimento intrínseco que obrigatoriamente nos relacione às imagens de fuzis, canhões e granadas fazendo seus barulhos ensurdecedores. O mote do filme tem como intenção mostrar uma base psicológica, uma vez que, efetivamente, quem esteve numa guerra – e que tenha saído dela ferido ou até mesmo intacto – jamais conseguirá se esquecer das imagens que foram vistas e, consequentemente, vai carregá-las consigo por toda a vida. Talvez seja ainda pior aquilo que acontece a Will, pois ele não apenas viu pessoas morrendo como também foi encarregado de presenciar a dor daqueles que tinham algum sentimento pelas vítimas. E penso que a sua situação seja realmente mais intensa do que a de muitos outros, colocados em cargos em que não precisam lidar diretamente com os entes dos mortos.

Numa história tão dramática, seria fácil escorregar para os clichês melodramáticos e inserir pessoas chorando em todos os momentos. Nesse aspecto, o roteiro se mostra muito capaz ao saber intercalar muito bem os assuntos abordados. Eu poderia dizer que a história se divide em três: a vida de Will e do Capitão Stone enquanto servidores do exército; a vida dos dois enquanto amigos, já que eles indubitavelmente se aproximam bastante; e, por fim, o relacionamento de Will com a viúva de um soldado. Intercalados, esses planos se entrecruzam, proporcionando bons focos de emoção e também de drama. Sem superficializar nenhum personagem, o roteiro permite uma análise ampla de todos eles – desde os principais, que são o Soldado Will e o Capitão Stone, até os coadjuvantes, que são Olivia e Kelly, que aparece bem pouco. Gosto principalmente das relações de compensatórias que são mostradas ao longo do enredo. Will, por exemplo, aproxima-se de Olivia por partilhar da tristeza dela ao saber que o marido morreu; apaixona-se por ela, mas é difícil para nós saber o quanto sua paixão decorre do sentimento de afinidade ou do sentimento de pesar. Relação semelhante se aplica à relação entre Will e Stone. O capitão, ex-alcoólatra, tem problemas para dormir e descobriu que o soldado também tem e logo passou a telefonar para ele durante a madrugada. Aos poucos, aproximaram-se. Não sabemos definir ao certo se isso aconteceu devido ao sentimento de compatibilidade que eles dividem ou se aconteceu porque, de certa forma, eles são as únicas coisas que eles têm e logicamente resta a um a companhia do outro. Não me restam dúvidas de que seja muito difícil analisar as relações mostradas nesse filme, porque elas carregam consigo uma carga semântica muito dúbia e simultaneamente forte e sincera.

Para mim, todo o elenco do filme está muito bem. Não vejo como questionar ou desmerecer nenhuma atuação, pois creio que todos estejam muito bem em seus personagens. Woody Harrelson, como o Capitão Tony Stone, me pareceu ser aquele que mais se destaca, mas não sei se isso se deve exclusivamente ao ator ou também à personalidade de seu personagem, que é bem impactante. Sua indicação, penso que seja válida e eu não veria muitos problemas se o Oscar tivesse parado em suas mãos, pois eu definitivamente não tinha favoritos nessa categoria. Samantha Morton me impressionou muito com sua atuação contida e, ao mesmo tempo, muito segura e brilhosa. Olivia, a sua personagem, é a forma condensada de tudo o que se espera de uma viúva cujo casamento anteriormente havia fracassado. E Samantha soube defendê-la muito bem, tornando-a tão grande quanto os personagens centrais. Bem Foster, assim como os outros, também está admirável e a forma como concebeu o personagem também é muito válida. Não hesito ao dizer que todos os atores souberam bem como se entrosar em cena e aparentemente todos deram o melhor de si.

Com uma narrativa muito interessante, direção eficiente, boas interpretações e foco afinadíssimo, O Mensageiro tornou-se um filme muito prazeroso de se ver. Nele há poucas falhas e muito mais qualidades, o que o faz uma boa obra. Conferi-lo é algo que recomendo bastante, principalmente por ele conseguir fugir dos clichês em que filmes desse gênero sempre caem. Vejam-no.

28 de out. de 2010

A Última Estação


The Last Station. Alemanha / Reino Unido / Rússia, 2009, 112 minutos. Drama.
Indicado a 2 Oscar: Melhor Atriz (Helen Mirren) e Melhor Ator Coadjuvante (Christopher Plummer)
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Cinebiografias são muito comuns e anualmente muitas delas são lançadas; algumas passam despercebidas enquanto outras chamam muito atenção. The Last Station nos conta sobre o último ano de vida de Lev Tolstoi e a forma como a sua doutrina influenciava sua própria vida e a vida de seus familiares, inclusive sua esposa, Sofia. Paralelamente, a história de Valentin contada: a forma como se torna um tolstoiano e como isso interferiu em sua construção psicológica.

A Última Estação parece ser um daqueles filmes em que uma incursão sócio-política acontece em meio às características fílmicas principais de uma produção cinematográfica. E isso de certo modo acontece, mas numa intensidade bem menor do que eu imaginei. Até porque, como filme, A Última Estação não me surpreendeu muito, haja vista que só me atraíram as atuações – as de Hellen Mirren e de James McAvoy –, porque o roteiro, a direção, a fotografia e todo o resto não me agradaram totalmente. Muito do filme está embasado nos pensamentos de Tolstoi e na sua corrente filosófica e isso é discutido do começo ao fim, uma vez que é esse o mote do filme, é esse aspecto do roteiro que interliga todos os eventos. Creio que seja necessário compreender um pouco dessa filosofia para que as coisas façam mais sentido ao longo da obra.

Como cinema, acho difícil dizer que esse filme me agradou. Consegui ver neles alguns bons aspectos, mas não houve nada que me fizesse querer vê-lo de novo ou mesmo querer recomendá-lo a alguém. A história abordada pelo roteiro é muito maçante, poucas coisas parecem acontecer e os acontecimentos sempre são circunstantes às crises de histeria de Sofia. Assim, parece mesmo que as quase duas horas de filme servem apenas para mostrar os dramas (às vezes, aparentemente superficiais) da personagem feminina principal. O filme se torna bastante monótono por causa disso, parece que não há o que mostrar além do que descrevi acima. Se por um lado o roteiro é falho, por outro, as atuações são muito boas. Hellen Mirren, indicada ao Oscar como Lead Actress, realmente concebe uma interpretação elogiável. Como a esposa de Tolstoi, Mirren se mostra exemplar, mesmo que, em alguns momentos, sua atuação pareça um pouco exagerada – isso, no entanto, se deve à direção estranha de Michael Hoffman, que peca um pouco ao dirigir. James McAvoy, que co-protagoniza a obra, também se mostra igualmente eficiente em sua atuação. Quanto a esse ator, devo mesmo dizer que gosto dele e penso que ele seja um potencial grande nome, porque se envolve em boas obras e se revelou um bom ator. Creio que ele apenas não foi tão reconhecido pelo seu desempenho porque dos nomes consideravelmente mais fortes de Mirren e de Plummer. Caso isso não tive acontecido, ele decerto teria conquistado um espaço entre os indicados. Christopher Plummer, como Tolstoi, não me convenceu muito e penso honestamente que sua indicação seja por motivos políticos – a Academia simplesmente queria se sentir bem por nunca tê-lo indicado anteriormente.

De um modo geral, penso que haja pouco que tenha me feito querer assistir a esse filme. Pouco mesmo, confesso. Fora as atuações de Mirren e de McAvoy, o resto é muito mediano. Como eu disse no começo, não tenho vontade de recomendá-lo mesmo, então deixo que vocês decidam se querem ou não vê-lo.

26 de out. de 2010

Heróis

Push. EUA, 2009, 111 minutos. Ficção Científica.
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Não sei exatamente o que me motivou a ver esse filme, mas com muita boa vontade eu o peguei na locadora e, com certo entusiamo, me sentei para conferi-lo. Não demorou muito para que eu percebesse que o filme não é exatamente aquilo que ele promete ser e que, se visto com olhar crítico, torna-se aquilo que se pode chamar de abominação cinematográfica. Eu, no entanto, não fui tão crítico ao vê-lo; dessa forma, penso que seja apenas mais um filme que é dispersivo e que engana o espectador com efeitos especiais exagerados.
Nick e Cassie Holmes se unem por acaso para encontrar uma terceira pessoa que é igual a eles: possui poderes especiais. Porém, há uma organização secreta estadunidense que os persegue, a fim de fazer experiências neles e estão justamente atrás daquela que os dois jovens desejam ajudar, pois ela é a única a ter sobrevividos às doses de injeções que lhe foram aplicadas.

Se leram esse resumo que fiz, certamente se lembraram de uma série de TV que estreou há algum tempo atrás cuja abordagem é semelhante à desse filme. Os nomes em português, inclusive, são os mesmos. Heroes mostra praticamente as mesmas coisas que esse filme mostra - a única diferena é que os eventos são um pouco mais coerentes e mais divertidos. O roteiro de Heróis se ocupa em mostra bastantes coisas que nós não queremos ver, como relacionamento românticos chatos, guerra entre gangues rivais, etc. Mas acho que o pior problema é a incapacidade de definir com exatidão aquilo que quer mostrar. Ora os personagens estão juntos, ora estão discutindo; ora o gênero se assemelha à ação, ora se torna romance. E acaba não sendo nem um nem outro. Para um filme que ficção científica que envolve perseguições, esperamos no mínimo um roteiro ágil e fácil. Queremos ver bastante ação, não explicações compridas e complexas. Com isso, não quero dizer que basta jogar uma ou duas informações toscas; quero apenas dizer que quanto maior a simplicidade e a agilidade mostradas, maior é o entretenimento do espectador que procura por filmes desse gênero.

Para mim, os destaques do filme são Dakota Fanning e Chris Evans. Não penso isso porque eles estejam talentosos nesse filme; definitivamente não estão.Mas ela é charmosa e ele é bonito. Isso fez com que eu tivesse um pouco de interesse pelas cenas em que aparecem.  Os outros atores, bem medíocres, limitam-se a expressões faciais estranhas - alguns nem apresentação variação de expressão - e uns movimentos comporais que são modificados graças aos muitos efeitos desalojados. Sobre os efeitos, atenção especial para os sujeitos berradores. Ao gritarem, eles conseguem destruir quaisquer coisas às suas frentes - inclusive os ouvidos de uma pessoa. As cenas com eles são extremamente irritantes, primeiro por causa do volume do áudio, que é horrível de tão alto e quem quase fica surdo é o espectador, e segundo por causa da infâmia provinda da inserção desses seres patéticos à história. Não sei se alguém já viu o filme, mas se já viram, por favor, me expliquem o que foi aquele ideia que o personagem Nick teve. Ele escreveu vários envelope indicando o que cada um deveria fazer, mas a explicação para a cena é tão confusa que eu me perdi no meio de tanto vai-e-volta. Aliás, expliquem-me também o significado do título original...

De um modo geral, o filme tem uma variação bem grande no entretenimento. Às vezes, tudo está legal, de repente fica ruim. Depois, o inverso acontece. Não é um filme totalmente ruim, porque é óbvio que poderia ser bem pior. Não é, no entanto, nenhum filme interessante de pessoas com super-poderes. Parece que esse filme é uma coletânea mal sucedida de narrativas com esse tópico: tive a impressão de ver um pouco de Heroes, um pouco de Carrie e A Incendiária (livros de Stephen King), um pouco de Matrix, etc. Enfim, não sei o que dizer... recomendo que, se realmente acharem que vale a pena, arrisquem-se a vê-lo.

24 de out. de 2010

Coração Louco

Crazy Heart. EUA, 2009, 111 minutos. Drama. Dirigido por Scott Cooper.
Vencedor do Oscar de Melhor Ator. Indicado em Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Canção Original.
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Crazy Heart é a obra que concedeu, em 2010, a estatueta dourada de Melhor Ator a Jeff Bridges, cujo histórico de indicações incluía quatro indicações anteriores, tanto como Lead Actor quanto como Supporting Actor. Sendo indicado também em outras categorias, como Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Canção Original, o filme parecia aqueles “pequenos grandes filmes” que, embora não caiam imediatamente no gosto popular, têm uma vertente artística muito apurada.

Eu penso que seja exatamente esse o caso de Coração Louco. Há nele uma simplicidade dramática que não o torna pesado, mas também não atenua as dificuldades e o desequilíbrio apresentados. Não posso deixar de dizer que o roteiro, de certa forma, me remete ao igualmente “pequeno grande filme” O Lutador. Bad Blake é um cantor de música country frustrado porque sua carreira está em declínio e tudo o que ele faz é ser comparado a Tommy Sweet, que fora seu “aprendiz” e que hoje faz muito sucesso. Ao conceder uma entrevista a uma repórter, acaba se envolvendo com ela emocionalmente e fica dividido entre as várias opções que têm em relação a como lidar com a sua vida.

Antes de começar a falar efetivamente sobre o filme, gostaria apenas de sustentar um pouco mais a minha opinião de que esses dois filmes se parecem. Ao analisarmos as obras, perceberemos inúmeras semelhanças, a começar pelo perfil psicológico dos personagens. Tanto Bad Blake, de Coração Louco, quanto Randy, de O Lutador, são pessoas fracassadas na vida e acometidas por algum tipo de vício e problemas familiares. Os dois não se relacionam bem com os seus filhos e tentam compensar isso de outro modo – os dois, por exemplo, adquirem extrema simpatia pelos filhos das mulheres de quem gostam, a fim de compensar a ausência de afeto que seus filhos próprios lhes deram. Os dois envolvem-se com mulheres que ficam em dúvida em relação ao quanto é adequado se envolverem numa relação mais séria. E, entre idas e vindas, os dois acabam por perdê-las. E talvez os momentos finais dos filmes dos quais são protagonistas confirmem ainda mais a semelhança entre eles: ambos escolhem viver intensamente. De modos diferentes, isso fica evidente, já que Bad Blake decide se desintoxicar e ficar sóbrio e Randy opta por desrespeitar as recomendações do seu médico, o que poderia levá-lo à morte – ainda assim, os dois optam pela mesma coisa: fazer o que querem, independentemente das conseqüências disso. Não há realmente nenhum motivo que intensifique o que Coração Louco é por causa da comparação que fiz; apenas quis fazê-la, porque para mim há muito em comum entre essas obras.

A linearidade do roteiro me agrada e me desagrada. Ao mesmo tempo em que ela favorece, tornando a obra mais fácil de ser vista, já que tudo acontece numa cadeia crescente de eventos, ela também o torna um pouco previsível, nos permitindo saber antecipadamente algumas coisas que acontecerão. Cito, por exemplo, a cena em que Jean confia a Blake o seu filho e ele se perde da criança – o roteiro, pela sua cadência, dá a entender que aquele seria o momento dramático e que o dano seria evidenciado em breve. A história de Bad Blake não é muito nova, aposto que todos já vimos personagens como ele no cinema e situações semelhantes acontecendo – para provar isso, até usei um parágrafo para compará-lo a outro personagem de um filme do ano anterior. O que torna Bad Blake um bom personagem é o carisma que ele nos causa – sua personalidade forte o impulsiona a agir conforme quer e isso também é causado pela bebida, haja vista que seu café da manhã é uma dose de uísque McClures. O contraponto de sua vida aparentemente arruinada é Jean Craddock, a repórter por quem Blade se apaixona e por quem decide mudar sua vida.

Talvez o melhor do filme sejam as atuações, eu realmente gostei de todas, inclusive Colin Farrell, que nem sequer foi creditado pelo seu personagem, Tommy Sweet. É claro que o destaque é o casal: Jeff Bridges e Maggie Gyllhenhaal estão muito bem em cena e mostram que são verdadeiramente bons atores. A princípio, não achei que os dois combinassem em cena, mas não demorou muito para que eu constatasse que eu estava errado e que eles têm química juntos. Não me surpreende que ambos tenham conseguido indicações ao Oscar, afinal, ambos estão mesmo bem. Maggie Gyllenhaal, por quem eu tinha simpatia, se mostrou talentosa e provou que sua capacidade dramática é notável. Dentre as indicadas à categoria, excluindo-se a vencedora, Maggie é a minha preferida. Quanto aos atores, creio que o prêmio concedido a Bridges tenha sido mesmo válido, pois o ator realmente concebe uma interpretação elogiável. Penso que apenas Colin Firth competia verdadeiramente com Jeff Bridges, porque Morgan Freeman atua apenas corretamente e George Clooney se mostra correto também. E o histórico de indicações de Bridges auxiliou-o a ficar na frente. Não posso também deixar de elogiar Scott Cooper pelo filme que dirigiu. Poucos diretores debutantes conseguem criar algo tão condensado em sua primeira vez.

Coração Louco é ainda ilustrado pela canção Weary Kind – a qual mostra um pouco mais do quão bom o filme é. Não posso me esquecer de comentar sobre a trilha sonora, afinal ela embasa o filme e o intensifica. Decerto, Coração Louco pode parecer um filme chato para algumas pessoas, mas eu o recomendo e afirmo com bastante segurança: é um filme denso, com as doses certas de drama, de alegria, de tudo. Bastante equilibrado, e totalmente válido.

22 de out. de 2010

Invictus

Invictus. EUA, 2009, 121 minutos. Drama. Dirigido por Clint Eastwood.
Indicado a dois Oscar: Melhor Ator (Morgan Freeman) e Melhor Ator Coadjuvante (Matt Damon)
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Quem acompanha o blog sabe que eu sou fã de Clint Eastwood. O simples fato de haver o nome dele como diretor do filme faz com que eu me interesse por vê-lo e, muitas vezes – em quase todas, na verdade –, me surpreendi com as suas produções. A junção Eastwood-Freeman, que já havia acontecido no emocional Menina de Ouro, me motivou ainda mais a ver essa produção, que aborda a vida pós-prisão de Nelson Mandela e as suas tentativas, como presidente eleito na África do Sul, de unir o país usando como instrumento o rúgbi.

Não tardou para que eu descobrisse algo realmente triste: eu não estava me identificando com aquela obra. Eu realmente não consegui entrar no clima daquilo que fora proposto; todo o filme pareceu simplesmente passar, sem que eu visse nele algo por que me apegar. Assim, rapidamente concluí tratar-se de uma obra mediano, cujo único destaque é o nome forte do ator principal e do diretor. Não sei bem o que falta em Invictus, mas definitivamente há nele alguma coisa que não se encaixa nas minhas expectativas.

As atuações dos atores são corretas, o que potencialmente os elimina como motivo do meu desapego pelo filme. Vi tanto em Damon quanto em Freeman uma linearidade de interpretação – não os vi brilhantes, tampouco os enxerguei com menos destaque do que mereciam. Não compreendi muito bem o que levou a Academia a nomear ambos – Damon, como coadjuvante, Freeman, como ator principal – nas categorias de atuação masculina, porque realmente não há muito que lhes permita expor todo o seu potencial artístico e, caso haja, eu não percebi essa totalidade quando eles estão em cena. Como disse: corretos, mas não brilhantes. Os poucos atores secundários não têm grande espaço na tela, e a eles é limitada a participação; logo, não me aterei a eles. A direção de Clint Eastwood parece distante, não sei bem se o diretor pretendia mesmo causar esse efeito com o intuito de mostrar-se imparcial em relação à figura de Mandela. Talvez não quisesse expor-se, colocando-se do lado dos personagens que retrata, causando então um efeito diferente de outros filmes, como As Pontes de Madison e Menina de Ouro. O grande problema é que, com isso, o diretor provocou um afastamento do espectador com os personagens. Os ângulos de câmera, a edição de cenas, a trilha sonora – nada parece criar uma dinâmica ou uma aproximação.

Tudo é tão sóbrio e etéreo, sem qualquer drama, sem qualquer mudança, tão rigorosamente linear, que a história acaba parecendo sem graça. Definitivamente, uma das coisas que eu já aprendi é: vida equilibrada não dá história. E é exatamente assim que tudo se desenvolve no filme: nenhum anseio por parte do espectador, nenhum conflito no plano fictício dos personagens. Nem mesmo o plano da realidade – não podemos nos esquecer de que os personagens são reais – consegue inferir na continuidade do filme e lhe dar um ar mais renovado e menos pesado. Penso que possamos defini-lo como um filme pesado, porque seu desenvolvimento lento e sem inovações deixam-no um pouco cansativo. Ainda assim, é possível assisti-lo e vê-lo pode ser válido, até porque não se pode simplesmente ignorar uma obra de Clint Eastwood, mesmo que ela não seja exatamente uma das suas melhores.

20 de out. de 2010

Férias Frustradas de Verão

Adventureland. EUA, 2009, 107 minutos. Drama / Comédia / Romance.
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Imaginem-se indo à locadora e deparando-se com um filme chamado "Férias Frustradas de Verão". A somar, vocês olham na caixa do DVD e vêem Kristen Stewart - sim, ela mesma, da série Crepúsculo. Sentiram vontade de pegar esse filme para vê-lo? O que motivou a conferi-lo foi uma resenha que o Nespoli, do blog O Cara da Locadora, fez. Se quiserem ver a opinião dele sobre o filme, basta clicar aqui. Então, considerando o quão bem ele falou do filme, precisava saber se minha opinião era semelhante à dele ou não.

James acaba de se formar na faculdade e, em vez de ir para a Europa, como havia planejado, ele é obrigado a encontrar um emprego de verão, já que seus pais estão em problemas financeiros. Assim, ele consegue emprego no parque de diversões Adventureland, onde também trabalham o seu amigo Frigo e Emily, uma garota com problemas familiares que dá em cima de James. Há ainda o mito Connel, o responsável pela manutenção dos brinquedos que tem fama de já ter tocado com Lou Reed.

Diferentemente do que o idiota título nacional sugere, Férias Frustradas de Verão não é um filme típico de sessão-da-tarde. É um drama suave, com boas medidas de comédia e romance, tudo em equilíbrio, sem parecer piegas nem pervertido. Para minha surpresa, eu o considerei uma obra bastante interessante, pois mostra com eficiência os problemas relacionados às relações humanas - sejam entre família, entre amigos ou mesmo num caso amoroso. Os personagens são jovens e vivem conforme vivem os jovens: tentam ser racionais, mas às vezes são impulsivos e imprudentes, cedem com facilidade e questionam-se a respeito de tudo pelo que passam. Assim, um se pergunta o porquê de ser um loser; outro se pergunta o porquê de não conseguir ser objetivo e dizer o que pensa. A temporada que passam no parque serve para que eles possam se firmar, moldar seus pensamentos. O grande acerto do filme é mostrar o amadurecimento gradual dos personagens. Tão logo que o verão acaba, os personagens já não são mais tão suscetíveis como eram antes.

Os atores estão todos bem à vontade, bastante naturais. A minha grande surpresa foi Kristen Stewart, que é tosquíssima apenas em Crepúsculo. Quero dizer, aqui ela está simpática, com algum charme, interpretação interessante - parece ter saído da atuação automática da série mais comentada ultimamente. Como Emily, ela está num papel compelxo: vive um caso com um homem casado, por quem tem afeição, e está prestes a se entregar para o rapaz por quem se sentiu atraído. Em ambos os casos, porém, nos vem a impressão de que seja a carência provocada pela família destruturada... Jesse Eisemberg, tal como Stewart, está bem, sem ser caricato, sem sumir em cena. E o ar tímido do ator confere um ar mais inocente ao seu personagem, que, na minha opinião, é mais superficial que o de sua parceira de cena. Ryan Reynolds interpreta um personagem de pouca grandeza. Acredito que a presença do ator se deve ao fato de que ele é bonito e chama atenção de quem o vê na capa do filme. Dessa maneira, ele foi chamado para um personagem de pequeno porte, que pouco se destaca e que dá suporte principalmente a Emily.

Devem ter percebido que eu gostei mesmo do filme. Assim, me resta recomendá-lo e enfatizar que é uma obra interessante, que entretém o espectador e o mostra um período na vida de alguns jovens no mínimo interessantes. O título ridículo nacional não faz jus à qualidade da obra e vai a ele a minha única crítica. O problema, porém, não é do filme em si, mas dos tradutores infelizes que puseram tão infame nome numa obra bem acima do nível mediano.

16 de out. de 2010

Busca Implacável

Taken. EUA / França, 2009, 91 minutos. Ação / Suspense.
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Devo admitir que filmes de ação não são o smeus preferidos, mas isso não me impede de encontrar entretenimento enquanto os vejo. Às vezes, eu simplesmente nãoe stou a fim de ver algo muito complexo e nesses dias, filmes como Busca Implacável são boas pedidas. Aproveitando, devo agradecer à Natália, que fez cursinho comigo e que me emprestou o filme.

Talvez uma das melhores características do filme seja a agilidade. Não precisamos de mais do que quinze minutos para entrar no clima de ação que o filme propõe. Liam Neeson interpreta Bryan, um ex-agente da CIA cuja filha é raptada numa viagem que faz à Paris. Com poucas pistas para seguir, Bryan conta com a ajuda de algumas pessoas para encontrar os responsáveis pelo sequestros, mas fica evidente que isso não seja fácil, pois nenhum fator está totalmente ao lado dele: o tempo é curto, os amigos não são tão confiáveis e a única coisa com quem ele pode realmente contar é com o seu instinto. Depois de lerem isso, o que vocês pensaram? "Só mais um filme, como tantos outros". E eu digo desde já: vocês estão certos! Mas só porque é mais um filme de ação não significa que você não deva vê-lo, porque, como disse, ele entretém.

Diferentemente das bostas estreladas por atores (??) como Steven Seagal, Busca Implacável tem um pouco mais de estilo. Há alguns atores potencialmente bons, como Fanke Janssen e Maggie Grace - respectivamente a Fean Grey de X-Men e a Shannon, de Lost -, mas o principal é Liam Neeson, que nunca me agradou totalmente enquanto atua, mas que, nesse filme, devido ao pouco que se espera dos atores, ele funciona bem e nos convence ao viver um ex-agente da Cia. Talvez seja um pouco desanimador vê-lo como um pai, ainda mais de uma personagem de 16 anos vivida por uma atriz com dez anos a mais, mas mesmo assim sua participação é interessante. Assim, não nos sentimentos decepcionados com as atuações - até porque não é necessariamente obras-primas interpretativas que buscamos ao ver um filme como esse.

Ao verem a minha nota do fechamento do mês de novembro, podem se perguntar o porquê de minha nota relativamente alta, já que os atores são pouco explorados e o roteiro é muito forçado. Respondo já que ela se deve ao entretenimento que o filme proporciona. Muitos reclama dos roteiros exagerados e das cenas muito fantasiosas, mas eu até gosto delas e por isso me entretive bastante. Fica bastante claro que o roteiro transforma Bryan num personagem fora do comum, afinal ele é bom o suficiente para estar em todos os lugares em tempo recorde e sempre consegue tudo o que quer de maneira exemplar e invejável. Se por um lado há aquele quê de exagero, por outro há um clichê que eles evitaram: em filmes do gênero, é comum o mocinho bater em todo mundo e no quarto final do filme ser capturado e espancado, conseguindo, no entanto, dar a volta por cima. Aqui não rola isso. Bryan é pego, mas rapidamente lida com quem o prendeu (com aquele mesmo tempor ecorde que citei acima) e sai praticamente ileso da aventura perigosa.

Divaguei bastante, mas vamos finalizar isso. Concluí que esse é um filme que faz o espectador se divertir, desde que ele assista sem grandes expectativas. Possivelmente, numa noite de tédio, vê-lo pode trazer ânimo a quem o vê; esse filme combina com pipoca, refrigerante, pizza e comida... Vejam-no, mas não o coloquem como prioridade na lista de filmes para ver.

19 de ago. de 2010

Preciosa - Uma História de Esperança

Precious: Based on the Novel Push by Shappire. EUA, 2009, 111 minutos. Drama.
Indicado a 6 Academy Awards. Venceu por Melhor Atriz Coadjuvante (Mo'Nique) e Melhor Roteiro Adaptado.
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"O amor nunca fez nada de bom para mim. O amor me bate, me estupra, me chama de animal, faz com que eu me sinta inútil, me deixa doente" - Clareece Precious.

Todos os anos, alguns filmes independentes ganham destaque na mídia. O filme de 2010 foi Preciosa, baseado num livro escrito por Shappire, que narra a vida difícil de uma garota negra e obesa de 16 anos que constantemente é estuprada pelo pai, de que já tem um filho e de quem espera o segundo. A mãe lhe trata muito mal, tornando-a escrava de sua própria situação dramática. Recém-expulsa do colégio onde estudava - e mesmo assim semianalfabeta -, Preciosa busca uma segunda chance em uma nova escola, indo contra a onda de desgraça que parece ser sua vida.

Não me restam dúvidas de que o primeiro fator que chamou a atenção da crítica e do público para esse filme foi a roteirização dramática. O livro de Shappire era dramático o suficiente para render um filme, que decerto intensificaria o drama vivido pela personagem central. Desse modo, todos ficariam impressionados - e de fato ficaram - com a história de Clareece Precious Jones. Se tem algo que eu já aprendi é isso: a Academia adora histórias intensamente dramáticas. Parece que quanto maior a desgraça, mais fácil tocar o coração daqueles que selecionam os filmes que serão indicados numa determinada cerimônia. E outra coisa que também já aprendi é que as pessoas - cinéfilos ou não-cinéfilos - adoram são filmes do gênero dramático. Isso talvez signifique que buscamos em certas obras uma reflexão que nos leve à autoajuda: se Preciosa - que é obesa, negra, analfabeta, foi estuprada e está doente - consegue lidar com uma situação complicada, nós então provavelmente não teremos do que reclamar diante de um problema qualquer, como o rompimento de um namoro. E também sei que observar a vida de uma pessoa que parece estar imutavelmente em complicações faz com que nós nos sintamos emocionados, principalmente quando as personagens conseguem dar a volta por cima, como é o caso dos feel-good movies.

Antes de ver o filme, muitas pessoas recomendam-no para mim, adjetivaram-no tanto que o tomei por uma obra-prima da tragédia. E também reafirmei todos os meus pensamentos que comentei acima. A única exceção fica por conta de Preciosa ser um filme feel-good; definitivamente, não é. Preciosa é bem pesado e tão assustadoramente realista que o espectador fica tenso ao assistir certas cenas. Não creio que o roteiro seja realmente muito bom. Creio apenas que tem um desenvolvimento correto e, às vezes, meio lento e isso me fez pensar que o filme tivesse mais de uma hora e cinquenta minutos. É difícil pensar que tanta coisa ruim possa acontecer a uma única pessoa, eu chego até a pensar que isso é ficcional demais. No entanto, qualquer pessoa que acesse o seu conhecimento geral de mundo saberá que a vida de Preciosa é perfeitamente verossímil e é exatamente por isso que ficamos mais chocados: as cenas que vemos somadas àquilo que sabemos ser verdadeiro nos coloca diante de um mundo desumano e injusto - o que a garota fez para merecer tudo que acontece com ela?

Sinceramente, acho que, embora tenha cenas cruéis, o roteiro não é muito desenvolvido. Ele me parece meio breve e implícito e, para que eu me emocionasse, tive que recorrer à minha noção de realidade. Gostei, no entanto, de como Preciosa é trabalhada. Sua personagem é bastante rica: uma garota na situação dela tem comportamentos tendenciosamente autodestrutivos. Isso, no entanto, não diz respeito às atitudes da garota, que, bastante sonhadora, enxerga sempre uma oportunidade de melhora. Quando somos apresentados aos seus sonhos, nós percebemos que ela se reconhece como pessoa e, simultaneamente, busca afastar-se de si mesma. Numa cena, vemo-la, tal como é, dançando com alegria para um rapaz com quem usualmente sonha; noutra cena, enquanto se arruma para ir à escola, Preciosa se olha no espelho e lá vê uma garota magra e loira, o tipo popular e elogiável, evidentemente o oposto do que Preciosa é. Mary Jones, mãe de Preciosa, é decerto uma das criaturas mais terríveis já mostrada nas telas. Ela é um carrasco obstinado a fazer sofrer; em vez de matar, porém, ela prolonga a vida, de modo que a agonia também seja prolongada. Ela sente ódio pela filha, odeia-a tanto quanto pode e lhe culpa por tudo: pelas pessoas que tocam insistentemente a campainha, pelas visitas inesperadas, pela resistência da assistente social em liberar o cheque da pensão mensal. Ela, contudo, amou a filha um dia. Quando Preciosa abre o seu álbum de fotografias, vemos a figura de Mary segurando Preciosa ainda bebê nos braços e a mãe observa a filha com notável felicidade. O mais interessante é que essa cena é mostrada depois de já termos visto o comportamento monstruoso da mãe e isso parece acentuar a nossa ânsia por respostas - o que levou aquela mãe a odiar a própria filha?

Não pude deixar de relacionar a personagem de Mo'Nique à personagem de Mary Tyler Moore em Gente como a Gente - ambas são mães frias e distantes, que não nutrem qualquer amor pelos respectivos filhos. Não pude, também, deixar de correlacioná-las quanto aos seus comportamentos e às suas concepções de realidade: elas crêem que, à sua maneira, amam suas crianças. A única diferença entre elas é o fato de que Beth é uma versão educada e elegante (e também mais bonita) de Mary Jones. "Que mãe odeia o próprio filho?", é a pergunta que Beth faz a seu marido, quando este lhe pergunta o porquê de ela odiar Conrad, seu filho caçula. Ordinary People, de 1980, não nos dá resposta para essa pergunta; Precious, porém, nos responde bem: o ser humano - mesmo uma mãe em relação ao próprio filho - é egoísta. Mary Jones é tão exageradamente egoísta que responsabiliza sua filha por tudo o que deu errado em sua vida. Como o seu ideal de vida não foi atendido, ela se ocupa em destruir o ideal da filha. Ainda que esteja na função de coadjuvante, Mary Jones é uma personagem tão rica quanto Preciosa e ambas são decerto o destaque do filme.

A respeito da direção, realmente penso que Lee Daniels fez um grande trabalho. Como diretor, ele conseguiu agrupar uma série de bons elementos numa película que, apenas pelo seu tema, já é extremamente forte. Outro grande acerto do diretor foi não deixar o filme ainda mais pesado. As cenas de choro e emoção são feitas de modo a sensibilizar e não destruir o psicológico de quem assiste. Concordo, portanto, com a sua indicação como Melhor Diretor. Acho que Gabourey Sidibe e Mo'Nique enfrentam um pequeno problema: suas personagens são muito maiores do que as interpretações das atrizes. Ambas defendem bem as suas personagens, mas eu realmente fiquei com a sensação de que o grande mérito é de Preciosa e de Mary Jones, não de Sidibe e Mo'Nique. Dentre as indicadas em Melhor Atriz, creio que Sidibe não tinha muitas chances - acredito que a disputa estava entre Sandra Bullock, que acabou levando o prêmio, e Meryl Streep, a quem a Academia deve um Oscar há muito tempo. Em relação às indicadas em Melhor Atriz Coadjuvante, Mo'Nique me parece ter um grande destaque. Faço a ressalva, no entanto: se Julianne Moore tivesse sido indicada por Direito de Amar, eu concederia o prêmio a ela e não a Mo'Nique.

Preciosa é um filme que incomoda o espectador em alguns momentos; é como se fôssemos corrompidos por testemunhar as constantes agressões à garota sem poder protegê-la. No seu intento de chocar, o filme obtém sucesso. Provavelmente é um filme que será lembrado por algum tempo, principalmente quando nos referirmos às atrizes centrais: Preciosa será, potencialmente, a grande obra das carreiras de Sidibe e Mo'Nique. Que chances, afinal, elas têm de conseguir outra oportunidade de uma boa interpretação? Infelizmente, o preconceito ainda existe e, só para exemplificar o meu comentário, a própria Academia, ao longo de oito decênios de entrega de prêmios, só reconheceu uma atriz negra (magra e bonita, coincidentemente) como melhor atriz.

13 de ago. de 2010

Distrito 9

District 9, de Neil Blomkamp. EUA / Nova Zelândia, 2009, 112 minutos. Ficção Científica. 
Indicado ao Academy Award na categoria Melhor Filme.
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Produzida por Peter Jackson, essa obra de Neil Bloomkamp foi bastante comentada na época do seu lançamento, principalmente pela sua amostra selvagem de como seria a imposição da convivência entre seres extraterrestres e seres humanos. Eu me lembro de que ouvi muitos comentários a respeito, ouvi adjetivos como “nojento”, “exagerado” e até mesmo expressões como “sem pé nem cabeça”. Tantos comentários me fizeram ficar curioso a respeito do filme.

A abordagem parte do princípio que uma nave especial, num determinado momento, ao visitar o Planeta Terra, estacionou sobre uma região na África e não conseguiu mais sair de lá, provavelmente por problemas técnicos. Os humanos, curiosos a respeito daquilo, invadiram a nave e descobriram a existências de alienígenas, os quais foram transferidos para uma região onde seriam alojados. A partir dessa introdução, somos apresentados a Wikus Van De Merwe, que é genro de um poderoso industriário e que é encarregado de, conforme a lei, avisar os seres extraterrestres de que eles serão despejados em 24 horas e reabrigados em outro lugar. Sua missão primeira é conseguir a assinatura das criaturas, mas isso se torna uma tarefa epopéica.

Creio que o maior concentrador de elementos interessantes no filme seja o roteiro. Honestamente, é o que mais me chamou a atenção. Embora eu tenha gostado da direção de Neil Bloomkamp e acredite que o diretor soube como elaborar bem os seus planos de ação com boas tomadas que envolvem cenas interessantes de ação – e aqui estão inclusas as perseguições e explosões – e algumas cenas de caráter emocional – como as ligações que Wikus faz para a esposa na tentativa de que ela o aceite depois que ele foi contaminado. Quanto às atuações, devo dizer que eu não as achei fantásticas; nem sequer sei se as achei corretas, porque elas ficam sobpostas ao plano do roteiro, já que a história parece se impor aos outros elementos do filme.

Talvez o que mais incomode as pessoas em relação ao filme seja a banalização da situação vivida: os seres humanos a princípio reagem contra a estadia dos alienígenas, mas depois eles se acostumam de tal modo que chegam a residir em torno da favela que o Distrito 9 se tornou. A situação é tão real que humanos e aliens falam a mesma língua, todos se entendem e interagem, numa constante transação – mercadorias são vendidas, assim como as armas; estas criam uma elevação do índice de marginalidade, já que o tráfico se intensifica e cria problemas para os dois lados, dentro e fora do distrito onde estão os alienígenas cercados. Os acontecimentos são de tão intensos que há uma humanização daqueles seres do outro planeta: eles têm nomes comuns aos nossos (Christopher, por exemplo), eles passam por processos burocráticos, podem ser autuados, são molestados pela milícia – enfim, apenas provêm de outro lugar, mas se tornaram tão humanos quanto os próprios humanos. Em minha opinião, esse é o grande acerto do filme. Em vez de mostrar os anos iniciais, aqueles que vieram imediatamente depois da “invasão”, a opção foi mostrar a situação já estabilizada, depois de muitos anos que a neva havia chegado. Desse modo, é totalmente crível que a situação esteja daquele jeito, principalmente no que diz respeito à estadia e à marginalização daqueles indivíduos.

A estruturação da obra é bem construída. Primeiro temos a impressão de que se trata de um filme documentado e mais tarde essa aparência de documentário é substituída por uma estrutura narrativa comum a filmes cuja intenção não é exatamente retratar uma realidade objetiva. No primeiro momento, vemos a alternância da história e de relatos, que vão construindo a nossa visão da situação que é vivida em Johanesburgo, na África. Depois, vemos apenas a situação de Wikus, que, depois de contaminado e tornar-se o primeiro ser humano a portar ambos os genes (tanto humano quanto alienígena), se transforma em alvo de poderosos industriários cuja intenção é aproveitar suas recentes habilidades, como a de controlar as armas extraterrestres, para dominar o comércio armamentício e lucrar com isso.

Distrito 9 soube abordar vários temas muito recorrentes na nossa sociedade de um modo compacto e, ainda assim, intenso. A junção de vários elementos no roteiro criou uma obra interessante, cuja proposição de questionamento é crítica e muito objetiva. Gostei de como a obra foi composta. A indicação ao Oscar na categoria Melhor Filme foi um pouco exagerada, mas, mesmo assim, não desmereço o filme, porque vejo nele qualidades em maior quantidade do que defeitos. Recomendo que vejam.

11 de ago. de 2010

Avatar

Avatar, de James Cameron. EUA, 2009, 161 minutos. Ficção Científica.
Ganhador de 3 Oscar e indicado a outros 6 prêmios, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor.
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James Cameron se tornou responsável pelas duas maiores bilheterias do cinema. Em 1997, ele trouxe às telas a história de Titanic, famoso filme que obteve o recorde de indicações ao Oscar e que tornou memoráveis certas cenas. Doze anos depois, em 2009, ele dirigiu e escreveu Avatar – que conquistou várias indicações no Oscar 2010 e que se tornou febre entre os que gostam de filmes.

Honestamente, acho que o principal fator do filme que manifestou toda essa aglomeração em relação à obra é o conjunto de efeitos especiais. Cameron sempre teve uma tendência a filmes de proporções grandiosas – tal como O Exterminador do Futuro (ele foi o responsável pelos dois primeiros filmes) e Titanic – e seus filmes normalmente são recebidos com certo entusiasmo, já que o primor técnico, principalmente no que diz respeito à perfeição fotográfica e ao figurino é de fato elogiável. Eis que surge Avatar e os efeitos visuais são utilizados em larga escala, o que provoca um intenso frenesi nos rapazezinhos e mocinhas que amam filmes cheio de explosões, naves, mundos paralelos, etc. Isso me faz perguntar: o que é realmente importante num filme?

A minha pergunta provém do fato de que Avatar pode ser um filme que impressiona pelos efeitos, mas, como um todo, não chega a ser elogiável. Os efeitos gráficos constroem um bom cenário e as edições de som transformam o filme numa sucessão coerente de barulhos épicos (como as explosões, nas cenas finais), mas é só isso. Não há espaço para atuações, já que os atores ficam sobpostos aos seres azuis, os Na’vi, criados por computador. Cameron utilizou atores reais – como Zoe Saldana – para viver os Na’vi, mas mesmo assim fiquei com a sensação de que o trabalho desses atores foi desperdiçado. Nem mesmo aqueles que são predominantemente humanos foram bem aproveitados. Muitos podem dizer que Michelle Rodriguez não é boa atriz e que sempre se repete, mas, mesmo se eu considerasse tais afirmações verdadeiras, ainda teria que dizer que ela foi totalmente mal aproveitada como Trudy. Sua participação se resume a quatro cenas, de quinze segundos cada e com pouquíssimas falas. Sigourney Weaver, que anteriormente trabalhara com Cameron em Aliens, o Resgate (pelo qual ela foi indicada como Melhor Atriz), aqui interpreta Dra. Grace; sua participação, devo dizer, acontece apenas para uma explicaçãozinha meia-boca no meio do filme sobre como os humanóides azuis se conectam à vegetação de Pandora. O que dizer de Sam Worthington? Sua capacidade interpretativa me deixou em dúvida: ele passa mais tempo como avatar, de modo que não pude avaliá-lo bem.

A respeito do roteiro, realmente fiquei impressionado: não me contou nada novo. Tudo o que eu vi me pareceu muito conhecido, como se eu já tivesse assistido a dez filmes cujos clímaces tenham sido recortados e inseridos no roteiro de Avatar. Ainda que haja uma sensação de originalidade, creio que isso se deva ao modo como Cameron dirigiu a sua obra e não no modo como concebeu a história dela. E Avatar ainda tem uma onda crescente de clichês, a começar pelo mote que desencadeia os acontecimentos mais importantes: o rapaz rejeitado (lembram-se de que não o queiram por ele ser paraplégico e não ser o seu irmão gêmeo?) envolve-se com uma garota “fora do seu mundo” (nesse caso, a expressão é no sentido literal) e, embora esteja com ela, provoca-lhe, de certo modo, algum mal; descobre-se, no entanto, apaixonado e volta-se contra aqueles para quem trabalhava. Me digam, com sinceridade: quantas vezes já viram isso? Eu já vi várias vezes e devo dizer que consigo apontar semelhanças entre o roteiro de Avatar e o roteiro de Um Amor Para Recordar. Curioso ser estruturado em duas horas e meia e não ter tanto o que dizer.

Confesso, no entanto, que o filme não é apenas sobrevalorização. Não sei se posso chamar de fotografia aquela criação computadorizada do planeta Pandora, mas devo admitir que se tratam de excelentes imagens, que impressionam pelo bom gosto estético. E o desempenho de Cameron como diretor desse filme também é elogiável, já que seu trabalho consiste em reunir uma série intensa de elemento de grande impacto visual. Honestamente, não o culpo por achar o filme chato – eu sempre soube que ele é um diretor que privilegia o choque provocado por algo totalmente novo e que coloca como segundo plano as atuações e até mesmo o roteiro. Como exemplo, cito Titanic: a história de um navio que afunda poderia facilmente ser abordada em uma hora e meia, no entanto, a abordagem panfletária de efeitos especiais o prolongou no dobro do tempo. Não quero, com isso, criticar Titanic – este é um filme do qual gosto muito, saibam!

Eu realmente não me senti tocado por nada que foi exibido em Avatar. Acho que esse é um dos filmes que impressionam pouco, porque parecem novos, principalmente no que diz respeito às técnicas audiovisuais que foram empregadas na construção dessa obra. De resto, é só mais um filme, que não modifica nada na vida de quem o vê. Mesmo tendo conquistado mais lucro do que Titanic, ainda creio que o seu filme de 1997 seja a verdadeira obra-prima de Cameron!