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31 de mai. de 2011

Matrix Reloaded

Matrix Reloaded, 2003, 138 minutos, ficção científica. Diretores: Lana e Andy Wachowski.Muitos reclamam de que as sequências do filme de 1999 perdeu os questionamentos filosóficos que tornavam o filme original grandioso. Se isso aconteceu mesmo, pelo menos continua entretendo; então vale a pena.


Eis a segunda parte da trilogia e, curiosamente, muitos fãs alegam que a franquia perdeu parte do charme e que todo o debate filosófico visto antes, agora se perdeu. Quanto a isso, falo mais tarde, mas o fato é que em Matrix Reloaded continua com os mesmos atores liderando o elenco, algumas novas ótimas cenas e manteve os aspectos técnicos tão eficiente quanto no anterior, talvez até melhores!

Neo, Trinity e Morpheus têm que lutar conta Merovíngio para que este liberte O Chaveiro, homem que possui todas as chaves dentro da Matrix. Paralelamente a isso, eles tem que ajudar Zion a combater as máquinas, que estão prestes a destruir. Para isso, contam com a ajuda de Niobe, que tivera um relacionamento com Morpheus, para resolver os problemas em Matrix e na colônia.

Ainda que a história pareça curta, a continuação, tal como o filme anterior, rende mais de duas horas. Eu realmente acredito que a discussão filosófica não foi totalmente abandonada, porque a percebemos o tempo todo. Mas, tal como muitos fãs alegam, não vemos aqui todos aqueles argumentos embasamento a realidade ou a irrealidade em que vivem as penas. Se por um lado optaram pela inibição do caráter questionador que antes fora apresentado, acrescentaram mais charme a esse filme com as diversas cenas repletas de ação e luta. Como disse lá em cima, os aspectos técnicos continuam tão bom quantos, mas aparece que dessa vez as cenas e a tecnologia usada nelas estão em perfeita harmonia, proporcionando ótimos momentos que dão destaque não somente à qualidade dos efeitos exibidos, mas também às atuações, que parecem também mais à vontade em seus personagens. Os efeitos sonoros estão bem postos considerando as cenas em que aparecem, dão um tom harmoniosoa elas. Para mim, a edição desse filme supera o anterior, pois nos permtie ver cada luta em todos os ângulos possíveis, assim como inúmeras outros momentos - não apenas os de luta - permitem esse feito muito bom, que é o de pôr o espectador dentro do que ele está vendo.

Outros atores foram acrescidos ao elenco pobre - porém capaz - do primeiro filme. Harold Perrineau Jr., intérprete de Michael, de LOST, entrou como Link, novo piloto da nave Nabucodonosor; Jada Pinkett Smith deu vida à interessante Niobe; Lambert Wilson e Mônica Bellucci interpretam, respectivamente, os também interessantes Merovíngio e Persephone. Há também alguns personagens curiosos, porém de pouco destaque, como os Gêmeos e Gloria Foster atua mais uma vez como Oráculo, tendo falecido antes que começassem as filmagens do terceiro e último filme. O meu mais sincero elogio vai a Carrie-Anne Moss, que justifica com unhas e dentes a sua personagem, fazendo o espectador compreender que nenhuma outra atriz talvez fosse capaz de merecer Trinity. Todos os atores que citei acima como novos também estão bem, embora bem sejam bem pouco aproveitados ao longo de duas horas e vinte minutos. Mais uma vez os efeitos especiais cobrem a atuação superficial de Keanu Reeves e Laurence Fishburne, que, como eu já havia dito antes, são bastante limitados.

Há grandes cenas nesse filme. Prefiro não dizer que dou destaque a essa ou àquela, porque são muitas das quais eu gosto; somente para exemplificar, há o inteligente encontro entre Neo e o Arquiteto, homem que construiu Matrix e que finalmente explica a Neo o que ele realmente é: um bug no sistema. Ainda faz um breve resumo de tudo o aconteceu antes do surgimento de Neo, mostrando a ironia da situação, afinal, para uns ele é um erro de cálculo, para outros, ele é o Escolhido. As cenas de luta são as de mais destaque e certamente as que entretêm o espectador a ponto de não fazê-lo piscar.

Tal sequência demorou 4 anos para chegar aos cinemas e seis meses depois chegou a terceira parte da trilogia, encerrando - pelo menos pensamos estar encerrado - o universo Matrix e as guerras que começam aqui. Como o própiro título sugere, esse filme veio recarregado, com tudo que a tecnologia pode oferecer e também com mais charme do que o anterior; talvez seja a presença das belas Jada e Monica no elenco. Como não disse antes, aproveito para comentar agora: Sr. Anderson está cada vez mais próximo de não conseguir combater o Agente Smith, que insiste na sua desenfreada reprodução assexuada a fim de exterminar Neo. Ao final desse filme, ficamos desejosos de ver o que virá de novidades e como toda a história será concluída, esperando que seja sensata ao se finalizar. Confiram-no.

1 de dez. de 2010

Os Sonhadores

The Dreamers. França, 2003, 115 minutos. Drama.
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Muitos consideram os Sonhadores um hino dos cinéfilos. Chamam-no de obra-prima, cultuam-no, tratam-no como se fosse um filme indispensável aos adoradores da sétima arte. E talvez o filme seja mesmo tudo isso. Não somente representa bem a arte do cinema como também defende a arte do sexo sem culpa e sem preceitos limitadores. De um modo bastante original, o filme capta o prazer de ver filmes, de gostar de sexo e, sobretudo, de como uni-los num só.

O primeiro acerto do filme é o momento em que une os personagens principais. Matthew depara-se com dois jovens irmãos da mesma idade que são extremamente espontâneos e cativantes. Não demora para que eles estejam em sintonia. O mesmo acontece com o espectador, que entra no mesmo ritmo que Matthew, Isabelle e Theo - que demonstram ardente desejo pelo cinema e pelo sexo. Já situando os três ao tema do filme, fica muito mais fácil fazer com que o espectador vivencie as experiências junto com eles. Theo e Isabelle não são apenas irmãos - eles estão dentro um do outro, captam com facilidade o que sentem e assim, praticamente, tornam-se um só. Matthew é um aprendiz sexual dos dois irmãos, mas é tão experiente quanto eles no quesito cinema. Eu acredito que a razão pela qual esse filme atrai tantas pessoas é a excelente junção de temas. Os cinéfilos se impressionam quando vêem tantas alusões a outros filmes e se impressionam quando vêem o sexo mostrado de maneira aberta.

Enquanto eu via o filme, não pude me conter em relação a realmente participar junto com os personagens. Vê-los debatendo sobre qual é melhor - se Keaton ou Chaplin - foi um deleite para mim. Isso para não falar das cenas em que Isabelle imita Greta Garbo ou quando entra no quarto dançando com um espanador. Ver tantas referências ao cinema é, para um cinéfilo, uma sessão de orgasmos. O relacionamento dos personagens também é envolvente. Assustador, no começo, mas, assim como Matthew, logo nos adaptamos ao estilo de vida liberal dos irmãos Theo e Isabelle. Até mesmo a cena em que Theo se masturba na frente dos outros dois não soa pedante - ainda que surpreenda a princípio, soa natural depois. Destaque especial para a excelente cena em que os Matthew e Theo estão conversando na banheira cheia de espuma e, mais tarde, Isabelle fica ali com eles: falam sobre amor de uma maneira interessantíssima.

A minha única ressalva em relação ao filme vai para a construção dos personagens. Eles começam em perfeita sintonia, mas depois parecem se desajustar àquilo que eles mesmos programaram. Theo começa a ficar com ciúmes de Matthew e Isabelle e dessa maneira eles não podem realmente se aprofundar em seus desejos. Os três dizem que se amam, mas não chegam a consumar todo o desejo que sentem. A somar, há uma cena que soa incoerente com o resto: Matthew e Theo estão num diálogo mais acalorado, muito próximos, quase se beijando e, de repente, Isabelle os interrompe com o que parece ser uma crítica ao comportamento deles. Isso soa incoerente, porque eles mesmos - os dois irmãos - propuseram uma vida sexual mais aberta a Matthew. Acredito que faltou realmente uma cena de sexo entre os três personagens e, ainda, uma cena que mostrasse algo entre os dois rapazes, a fim de deixar claro que não há limitações ou preconceitos. Eu fiquei meio desconcertado com aquela cena e com a atitude de Theo, afinal, no lugar de qualquer um eu estaria me divertindo totalmente e não arrumando problemas que impossibilitassem o prazer total. Vale ressaltar que, como depois eu soube, há cenas de menáge à trois

Eu realmente devo dizer duas coisas. Primeiro tenho que recomenda esse filme a todos os amantes de cinema. Não sei se se trata de uma obra-prima, mas é fato que esse filme de Bertolucci é realmente inspirador - em qualquer aspecto a respeito do qual falarmos. Agora, devo agradecer ao Marcelo, que me recomendou o filme e usou argumentos muito bons para me fazer crer que valia a pena vê-lo. Enfim, essa é uma obra que merece ser vista, apreciada e compreendida com uma visão bastante ampla - depois, cabe a nós admirá-la.

3 de out. de 2010

21 Gramas

21 Grams. EUA, 2003, 118 minutos. Drama.

Foi indicado a dois Academy Awards, nas categorias Melhor Atriz (Naomi Watts) e Melhor Ator Coadjuvante (Benício Del Toro).
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Não havia ouvido falar nada sobre esse filme, quando, um dia, na locadora, eu o vi na prateleira e li a sinopse, que me atraiu bastante. Pensei que deveria tratar-se um excelente drama e estava certo: na minha opinião, 21 Gramas é uma das melhores abordagens dramática da década e deve ser visto por todos os fãs do gênero. Fazia tempo que eu me prometia comentá-lo aqui no Blog, mas vinha adiando, sempre em função dos filmes mais novos a que assistia. Ontem, no entanto, tive dois prazeres: revê-lo e estar na companhia da Luiza!

Três pessoas têm suas vidas cruzadas: uma recém-viúva, cujo marido e filhas morreram num acidente de carro; um ex-presidiário que se converteu à religião e continua não sendo bem visto; e um homem que aguarda um transplante imediato de coração. Em um determinado momento, essas três pessoas passam a ter um elo que, a princípio, elas desconhecem, mas que aos poucos, essa conexão vai definindo a atitude de cada um ao longo do filme.

A esse filme, tenho uma série de elogios e apenas uma crítica, mas essa crítica acaba sendo sutil se comparada à grandeza da produção. Vou começar pelo roteiro. Acho que esse é um roteiro muito original, que aborda muito bem três etapas das vidas dos personagens: o antes, quando suas vidas estão na rotina, cada qual acostumado às situações a que parecem "destinados"; o durante, que é o momento em que surge o elo que mais tarde permitirá que todos se conheçam; e o depois, que eu considero o ápice do filme, o encontro furioso e inconsequente dos personagens. Muitos filmes abordam o tema "personagens que se encontram por acaso", mas nenhum certamente fez com a mesma incrível capacidade com a qual esse conseguiu mostrar. Ainda que os resultados das atitudes dos personagens na história sejam imensos e extremamente negativos, o fator que os conecta, a princípio, fora pequeno e muito ordinário; sabemos que sempre acontecem situações como aquelas em todos os lugares. Devo elogiar também a edição. Já vi em alguns blogs comentários sobre a maneira como as cenas nos são mostradas. Alguns dizem tratar-se de retalho de filme, com pedaços jogados de qualquer maneira, a fim de confundir o espectador. Eu, porém, discordo totalmente e digo que é exatamente a absurda ilinearidade que acrescenta maior drama ao filme e dá a ele todo o charme que nós vemos. Não espero que todos que o vejam sejam capazes de colocar os eventos numa linha cronológica, mas definitivamente aqueles que forem atentos - e inteligentes! - poderão compreender com perfeição a ordem das situações e, ao final, saberá exatamente o que pertence ao antes, ao durante e ao depois.

O diretor Alejandro González Iñárritu soube erfeitamente como conduzir seus atores e como mostrar o melhor deles através das cenas e também dos ângulos que escolheu filmar, fazendo uso da luz e da coloração estranha para acrescentar um sentimento maior à expressão dos atores. O destaque, na minha opinião, é a atriz Naomi Watts, numa interpretação magnífica de uma mulher que fica perturbada após a eprda trágica do marido e filhas. A sua interpretação é a mais visível no filme e pertence a elas as melhores cenas do filme. Eu, particularmente, a acho uma atriz muito boa, mas, às vezes, se envolve em produções medíocres, como O Elevador da Morte, que é péssimo. Mas são em filmes como 21 Gramas que se percebe o quão capaz ela é. Benicio del Toro, muito bom também, nos mostra um personagem muito bem construído, cuja fé se mistura com a descrença e esse misto de sentimentos embasa suas atitudes. Sua indicação, assim como a de Naomi, são extremamente justificáveis. No entanto, eu tenho um problema com Sean Penn: acho-o inexpressivo. Em todos os filmes, ele está com a mesma expressão, sempre igual, sempre se repetindo. No entanto, já obteve cinco indicações ao Academy Awards, duas pelas quais venceu. Penso tratar-se de um ator superestimado e que tem toda a admiração por outras motivos que não sua capacidade artística como ator. Ele é a parte falha da produção, juntamente com a atriz que interpreta sua esposa. Ambos são chatos e cansativos, ficam se repetindo e não acrescentam drama à história. A substituição de Penn por outro ator talvez surtisse um efeito bem melhor. Ainda assim, Watts e del Toro conseguem manter o filme no topo.

Como disse, é um dos melhores dramas da década e eu certamente colocaria a interpretação de Naomi Watts por esse filme no meu TOP 10 de atuação de atrizes. A composição do filme é toda excepcional, muito bem criada e consegue chegar de maneira efetiva ao público a que se dedica: os adoradores do drama, como eu. O título original é excelente e faz menção aos diversos acontecimentos que rodeiam o filme e as vidas dos personagens. Não vou explicar o que significa aqui, mas espero que vocês o vejam a fim de conhecer a fantástica obra que esse filme é!

6 de set. de 2010

Identidade

Identity. EUA, 2003, 92 minutos. Suspense.
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Sempre li resenhas muito positivas sobre o filme Alta Fidelidade e era esse filme que eu buscava quando me deparei com esse outro, também estrelado por John Cusack. Já tinha ouvido algumas opiniões interessantes sobre esse filme e ao somar com a sinopse interessante, que me remeteu a Agatha Christie, eu decidi pegá-lo e vê-lo. Talvez eu acabasse descobrindo uma obra boa e agradável. E foi exatamente o que aconteceu.

Duas histórias paralelas nos são contadas. Uma envolve 10 personagens que, por vários motivos, acabaram presos num motel e um a um eles começam a ser brutalmente assassinados; a outra envolve um prisioneiro que foi condenado à morte e que, no meio da noite, teve uma audiência extra marcada a fim de reavaliação a sua sentença. A princípio sem relação, as histórias vão se aprofundando até que chegam cada um em seu ápice.

O filme não conta com nenhum grande ator. Talvez os nomes mais expressivos sejam John Cusack, a esquecida Rebecca DeMornay e Alfred Molina. Os outros atores, como Ray Liota, Amanda Peet e Clea Duvall são, na minha opinião, meros encaixes hollywoodianos e servem apenas para ocupar uma posição de relativo destaque em filmes. Todos, no entanto, se reúnem nesse filme que tem uma proposta bem interessante e que logo nos minutos iniciais cumpre a sua meta, que é entreter o espectador. Com um tom sombrio e conspirador, vários eventos acontecem nos minutos iniciais fazendo com que todos os personagens se encontram no motel: um acidente, uma tempestade, um pouco de sangue, linhas mudas de telefone. Qual clima melhor do que esse para uma boa história de mistério? A somar, há as características dos personagens: uma atriz famosa nos anos 80, cheia de si e completamente arrogante; uma prostituta ladra; um casal recém-casados, ambos instáveis; uma família aparentemente feliz (se não fosse o fato de que a mãe sofreu um acidente e não pára de sangrar); um policial e um prisioneiro, que cometeu múltiplos assassinatos; e, por último, o dono do motel. Em meio à chuva, ocorre o primeiro assassinato e todos ficam em estado de alerta, porque qualquer um pode ser o próximo.

O filme é inteligente. Gostei bastante do roteiro dele, principalmente por causa do motivo apresentado que interrelaciona ambas as histórias. Não é um filme muito dispersivo. Ele vai direto ao ponto e rapidamente começa a mostrar ação, que em momento nenhum decai - isto é, do começo ao fim, o espectador se divirtirá com o que vê. O julgamento noturno fica em segundo plano, se submetendo aos eventos que ocorrem no motel. Então, se vocês acharam que aquelas passagens do filme são chatas, não fiquem tristes, porque elas são realmente curtas. A atuação dos atores certamente não é o ponto forte do filme, porque todos, sem exceção, atuam no piloto-automático, ou seja, a atuação deles é definitiva pela cena e não pela capacidade individual de mostrar o medo que sente. Mas, mesmo assim, me surpreendi com Amanda Peet, pois eu a imaginava bem mais tosca no filme! John Cusack tem aquela cara de rapaz simpático e por isso eu irrelevo o fato de ele ficar com a mesma expressão o tempo todo.

Eu definitivamente recomendo Identidade, porque é um filme interessante, com bons momentos de suspense e uma linha narrativa que interage consigo mesma, permitindo que o espectador acompanhe o raciocínio de toda a história. O final é interessante, talvez seja mesmo o ponto alto do filme. Muitos discordarão e reclamação da conclusão, eu sei. Mas são essas mesmas pessoas que não entenderam o porquê de tudo aquilo. Vale a pena vê-lo. Se você tiver uma companhia legal e vê-lo num sábado à noite, certamente gostará ainda mais do filme. E se estiver chovendo enquanto você assistir... vai ser ideal.

26 de jun. de 2010

Casa de Areia e Névoa

House of Sand and Fog. EUA, 2003, 122 minutos. Drama.
Indicado a 3 Academy Awards, nas categorias Melhor Ator (Ben Kingsley), Melhor Atriz Coadjuvante (Shohreh Aghdashloo) e Melhor Trilha Sonora.
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O Klaus, dono do blog Bit of Everything, elaborou uma lista contendo as melhores atrizes da década na opinião dele e o que me levou a assistir a esse filme foi a presença de Jennifer Connelly; senti a necessidade de vê-lo para saber se era assim tão bom.

Kathy é uma faxineira que fica meio atordoado após o marido tê-la abandonado; sem ler suas correspondências por muito tempo, é pega de surpresa quando o município decide tomar a casa e leiloá-la devido ao atraso dos pagamentos de impostos dos quais Kathy era isenta. Ela tenta reaver sua casa o mais rápido possível, mas logo no dia seguinte um coronel iraniano compra a casa por 1/4 do valor que ela vale e se muda com a sua família. Entre os personagens - não somente Kathy e Behrani - ocorrem situações imprevistas que provocam a instabilidade e os levam a pontos inimagináveis.

Primeiro, quero elogiar o roteiro. A história toda está envolva num erro que dificilmente seria resolvido rapidamente, afinal, todos conhecemos o quão lenta é a burocracia. Um ponto interessante é nos apresentar pessoas desesperadas, mas que, em contradição com os seus atos, estão cobertas de razão. Há cabimento em querer defender com unhas e dentes uma propriedade que é sua e que por erro alheio lhe foi tomada; ao mesmo tempo, é compreensível que, uma vez que se pagou a casa, independentemente de como a casa foi tomada, é um direito do comprador de permanecer nela ou revendê-la por quanto achar necessário. As situações que ilustrei representam basicamente o resumo das situações pelas quais passamn, respectivamente, Kathy e Behrami. A somar a essa já desesperadora situação, surgem ainda os personagens secundários, como o policial Lester, que rapidamente simpatiza com Kathy e troca sua família para ficar ao lado dela e há a família do coronel, que torce para conseguirem enriquecer nos Estados Unidos, a chamada "terra dos sonhos", e fugir do Irã, onde o coronel tem problemas. As complicações envolvem cerca de seis personagens. A casa do título provoca a desarmonia de todas as maneiras possíveis, tornando os seus atuais e ex-moradores completamente miseráveis e fazendo-os revolver o passado, buscando nele forças para continuar. Ouso dizer que o personagem mais importante da trama é a Casa, feita com a fragilidade da areia e com a inconsistência da névoa. Por ela, os personagens tornam-se fracos e instáveis.

Começarei por quem mais me impressinou: Shohreh Aghdashloo. Sua participação é pequena e em muitos momentos a ouvimos falando em outra língua. No entanto, ela marca presença de maneira firme, numa atuação memorável e bela. Penso que ela seja a principal representante do desespero, afinal, não há somente o desespero da casa, como também a pressão familiar e o medo de ser deportada. Shohreh, cuja carreira é meio questionável, está encantadora nesse filme e sua cena final é extremamente comovente. Ben Kingsley, em muitos momentos do filme, se infla do jeito-Sean-Penn-de-ser e se mantém inexpressivo. Do meio para o final, porém, ele decide nos mostrar que é capaz de atuar e fica bem à vontade em seu personagem; o destaque cabe às cenas finais, que são um banho de emoção nos espectadores e de desespero - tantos nos personagens como em nós. Ainda assim, não acho que ele merecia uma indicação. Jennifer Conelly está correta e sua interpretação é bonita, como é usualmente. Sem exageros e sem humildades, sua atuação é regular e sua história cativa o público. Vê-la em cena é um presente e, assim como acontece com Aghdashloo, em cena ela está bela. A respeito de merecer uma indicação, não sei dizer, porque ainda não vi todas as atrizes que concorreram ao prêmio, mas, como comumente a Academia faz escolhas estranhas, é possível que Connelly tenha sido pretendia em função de uma atriz em desempenho menor. Ron Eldard está à sombra de sua parceira, sempre meio oculto pela eficiência dela, mas ainda assim, sua interpretação é significativa e vale a pena.

Casa de Areia e Névoa é um filme que merece ser visto. Há algumas pequenas incoerências na história, como o fato de Kathy ser uma faxineira pobre que contraditoriamente - parece que faz por prazer - nunca trabalha! Não é uma das obras que mais me entreteram, mas eu certamente a vejo como muito produtiva e bonita, pois está cercada de elementos positivos, desde atuação até a fotografia e a trilha sonora, eficaz nos momentos mais densos. Confiram-no.

Luís

25 de jun. de 2010

Obrigado por Fumar

Thank you for Smoking. EUA, 2006, 92 minutos. Comédia.
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Assim como Verônica, assisti a esse filme para servir como complemento para uma coletânea a respeito da mais nova lei em vigor no Brasil: aquela que proíbe as pessoas a fumarem em ambientes públicos. A princípio, pensei em vê-lo somente para tirar uma ou outra ideia do filme e usar em minha redação, mas acabei descobrindo se tratar de uma obra muito interessante, a qual merece ser vista pelas pessoas, porque sua temática, embora requeira certo padrão e rigor, é explorada de maneira muito satisfatória e suave, o que não faz do filme um alienador.

Nick Naylor é um lobista que defende de maneira excepcional a venda do cigarro, justificando-a de todas as maneiras possíveis e, na maioria das vezes, usando argumentos tão bons que acaba deixando os outros sem palavras que possam combater as suas. O Senador Firistirre está numa campanha grande a fim de colocar o símbolo de "veneno" nos maçois de cigarros, para que as pessoas parem de consumi-lo. A grande sacada de Nick é colocar nos cinemas o produto que sua empresa vende: deseja que os astros sejam vistos nas telas fumando. Então, começam os problemas...

Achei realmente difícil definir o gênero desse filme, porque ele não tem o principal objetivo de fazer humor da polêmica sobre ser certo ou errado fumar, logo, não o vejo como uma comédia; em contrapartida, sua abordagem é bem leve, o que me impede de classificá-lo como um drama. Por fim, decidi por "comédia/drama", já que ambos estão presentes, cada um à sua maneira. Já disse que ot ema é polêmico, mas o filme não mostra isso como num grande debate ideológico acerca das opções das pessoas. Seu principal objetivo - a que alcança com muito eficiência - é expor as diversas opiniões e as maneiras como elas são defendidas. Assim, sabemos que Nick não é um vilão por defender a causa do cigarro; apenas concluímos que ele dá o melhor de si a fim de que seu trabalho seja valorizado e, para continuar empregado, é necessário que ele continue convencendo as pessoas a fumarem. Acredito que um dos motivos que fazem do filme uma boa produção é o fato de ele se ater às discussões acerca da atitude do personagem Nick - que é abordada durante toda a projeção. Se fosse algo no estilo documentário, mais voltado para o poder destrutivo do cigarro em si, certamente teríamos uma hora e meia de sonolência, a não ser que o diretor conseguisse fazer algo muito criativo. Falando em criatividade, considerei esse um roteiro muito interessante, embora seja, na verdade, baseado num livro de Christopher Buckley. Então, meus parabéns ao escritor e ao roteirista, que também é o diretor.

O elenco é muito bem composto e todos executam seus papéis com muita eficácia. Com exceção de Nick, todos aparecem pouco, mas dentro da história seus personagens não poderiam tornar-se realmente grandes, ainda que, sempre que aparecem, fazem muito bem e acabam equiparando suas atuações a de Aaron Eckheart - que, para quem não se lembra, é o Duas-Caras de O Cavaleiro das Trevas. Katie Holmes traz um ar mais jovem e descontrai mais ainda o filme; sua participação é pequena, mas é interessante, afinal, seu sorriso é bem cativante. Maria Bello, cujos personagens mais conhecidos são Lil em Show em Bar e Amy Rainy em Janela Secreta - recentemente substituiu Rachel Weizs na terceira parte da trilogia A Múmia -, juntamente com David Koechner realizam as cenas com maior subjetividade: três representantes de produtos considerados perigosos - o cigarro, a bedida e as armas de fogo - reunem para debater sobre o cotidiano. Há uma boa amostra do contraste, nos permitindo ver que, mesmo defendendo um lado tido como ruim, os três ainda são tão comuns a ponto de se sentar em torno de uma mesa para comer e falar sobre o dia-a-dia com muita naturalidade enquanto, como são ditos, muitas pessoas morrem por dia consumindo os produtos que as empresas nas que trabalham vendem.

Por fim, digo que gostei bastante desse filme, que se mostrou uma agradável surpresa. Como se não fosse um ótimo filme dentro de seus padrões, ainda conta com boas cenas que demonstram os ensinamentos passados de pai para filho; Nick ensina uma das maiores verdades que uma pessoa pode saber: não importa se a outra pessoa está certa ou errada, o importante é você fazer com que ela não tenha argumentos para embasar uma resposta. Certamente vale a pena vê-lo, pois garante uma hora e meia de entretenimento culto.

Luís
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16 de jun. de 2010

Duplex

Duplex, 2003, 89 minutos. Comédia.

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Esse filme já passou na TV e muitas pessoas falaram sobre ele para mim. Disseram que era legal, engraçado, etc. Duplex traz Drew Barrymore e Ben Stiller com casal protagonista, que encontra um apartamento bastante agradável, onde decidem morar. Porém, a inquilina que mora na parte de cima do apartamento não os deixa em paz, atormentando-os de diversas maneiras. À medida que a velha os inferniza, o casal passa a sentir mais vontade de tirá-la de lá.

Eu não posso dizer que gosto de Ben Stiller, porque eu acho que ele definitivamente não é o tipo de ator do qual eu gosto. Acho que ele é muito pra baixo, não consegue incorporar o personagem direito e, por isso, desde sempre vem atuando como ele mesmo. Já Drew é talentosa e gosto dela, embora sua filmogradia tenha qualidade irregular. Em Duplex, no entanto, os dois atores, que também são produtores desse longa, parecem combinar perfeitamente, formando um casal bastante agradável. Pelo menos, eles conseguem nos convencer nos minutos iniciais. Aliás, os primeiros dez minutos são aqueles em que o espectador realmente ri; a não ser que esteja aberto a situações embaraçosas e constrangedoras completamente ausente de humor que começam a surgir ao longo do filme. Com disse, é no início que está o charme da comédia, que é quando o tom cômico acontece através da seriedade, principalmente quando a velha começa a falar sobre datas, deixando o casal perplexo com a sua possível idade.

A partir daí, o exagero começa e as cenas ficam cada vez mais absurdas, incluindo explosões, choques, tiros de arpão, etc. Acredito que se a sutileza tivesse se mantido, seria bem mais engraçado. A atuação dos atores corresponde ao que se espera numa comédia: não há grandes momentos em que podemos vê-los atuando, a maioria das cenas se compõe de cenas que tentam provocar risos e, vez ou outra, arranca um sorriso bobo de quem assiste. O único elemento a quem recomendo atenção especial é na velha, interpretada Eileen Essel, que consegue mostrar muito bem o lado maligno das velhinhas; sempre com aqueles comentários pseudo-maldosos escondidos sob outros comentários, delírios estúpidos, pedidos incabíveis e aquela delicadeza forjada de porta enferrujada. O problema é que ainda conseguimos encontrar certo humor enquanto a velhinha continua sendo uma "velhinha", mas aos poucos, conforme ela começa a agir como se tivesse planejado tudo, vai ficando mais incoerente. O que quero dizer por "planejar tudo" é que começamos a ter a impressão de que tudo é proposital e não ingenuamente como no começo, embora nós saibamos que nenhuma pessoa pode ser tão lerda quanto a velha e que, logo, tudo o que faz é porque quer fazer.

Tenho que fazer um comentário bastante positivo: num momento do filme, quando Alex e Nancy estão prester a consumar o ato do amor - transar, para ser mais claro -, eles colocam para tocar uma música brasileira! Adoro isso... Duplex, para mim, é um filme que começa bem, mas aos poucos perde o interesse do espectador. Porém, não é ruim; no entanto, não posso dizer que o filme me agradou totalmente, pois isso definitivamente não aconteceu. Acho que é um bom filme para uma noite qualquer, sem expectativas; contudo, não é uma obra para se ver duas ou três vezes. Uma basta.

Luís
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