18 de mar de 2011

Los Angeles - CidadeProibida

LA Confidential. EUA, 1997, 130 minutos, policial. Diretor: Curtis Hanson.
Definitivamente, o melhor neo-noir lançado até hoje!

Existem produções que surgem sem grandes pretensões, mas acabam se tornando referências na arte do cinema. Algumas têm a sorte de serem notadas com facilidade enquanto outras acabam descobertas pouco a pouco, como é o caso de LA Confidential, que no ano de 1997 foi ofuscado pelo blockbuster Titanic, dirigido por James Cameron. Isso fez com que todas as atenções se voltassem para o épico romântico sobre o navio mais famoso do cinema, e, por conseguinte, fez com que esse filme de Curtis Hanson fosse sendo notado com o passar do tempo.

Há um velho ditado que nos diz para não julgarmos o livro pela capa, isto é, diz que não devemos fazer pressuposições até que tenhamos de fato conhecido a obra inteira. Mas eu ouso dizer que a cidade proibida do título está excelentemente representada no pôster do filme: uma linda mulher, em cuja figura se nota claramente muito glamour, em planos posteriores, três homens que parecem observá-la e, atrás de todos, um pôr-do-sol que ajuda a criar o clima de prazer, o qual está presente ao longo de todo o filme. Desse modo, penso que o pôster por si só já nos diz que estaremos diante de uma obra de qualidade bastante apreciável – e, após conferi-lo, descobriremos que isso é verdade.

Alguns filmes são feitos exclusivamente para os apreciadores do gênero no qual o filme está inserido; alguns dramas, por exemplo, são feitos para apreciadores de dramas, algumas comédias são feitas para fãs de comédia. Los Angeles – Cidade Proibida é um filme do gênero policial feito para todos que querem acompanhar a uma boa trama na qual todos os outros gêneros estejam presentes coerentemente. Então, nessa produção, enquanto acompanhamos a história de três detetives cujos métodos de investigação são bem diferentes, nós também presenciamos um pouco de romance, comédia, drama e suspense – tudo isso num maravilhoso clima noir, como há algum tempo eu não via. Para dar suporte e desenvolvimento à história do sargento Jack Vincennes, do oficial Bud White e do tenente Edmund Exley, temos uma trama de conspiração, na qual estão envolvidos nomes do mais baixo até o mais alto escalão da polícia e até mesmo algumas prostitutas de luxo, que são retratadas como estrelas do cinema.

Antes de tudo, é necessário elogiar a habilidade do diretor em nos contar essa história. Poucas vezes eu vi um diretor que conseguisse satisfatoriamente narrar uma história na qual haja mais de um protagonista. Muitas vezes, quando dois personagens dividem o desenvolvimento central da trama, o diretor acaba saindo dos trilhos e dando mais preferência a um do que a outro. Curtis Hanson não apenas ousa, como sucede notavelmente: três personagens protagonizam essa trama e nenhum é subordinado ao outro, ou seja, todos eles mantêm a sua independência cênica, aparecendo algumas vezes sozinhos e outros vezes atuando em parceria. E a história não é absurdamente longa, a fim de que os personagens tenham bastante espaço dentro do filme. Em apenas duas horas e vinte minutos, Curtis Hanson nos apresenta o suficiente a respeito de cada um e dá andamento à sua história, sem perder tempo com informações desnecessárias e sem deixar que sua narrativa se perca numa série de descrições exacerbadas. O diretor soube bem como filmar os momentos individuais dos três protagonistas para depois conectá-los e criar uma intersecção entre as histórias deles, unindo-os conforme a narrativa se encaminha para o seu desfecho.

Curtis Hanson também ajudou a transpor a história de James Ellroy, autor do romance, para as páginas do roteiro, co-escrito por Brian Helgeland. Eu infelizmente ainda não conheço a obra literária, mas, tendo com base para essa afirmações os meus conhecimentos provindo de experiências, eu imagino que a obra da literatura seja fantástica, haja vista é muito comum a perda de qualidade na adaptação – se houve “perda de qualidade” na transposição da história e ela ficou tão boa quanto vemos nesse filme, então o livro deve realmente ser um dos melhores já escritos. O roteiro brilhantemente mistura os personagens numa trama perigosa e os envolve numa conspiração que parece não ter fim – pouco a pouco, todos os elementos vão surgindo e a trama começa a ganhar um molde mais refinado. Particularmente gosto do modo como as prostitutas aparecem em cena e como elas são, ao mesmo tempo, charme e mistério, desejo e perigo e parecem ser a chave de toda aquela conspiração, mas, simultaneamente, parecem não estar diretamente envolvidas nisso.

Não haveria essa produção maravilhosa se não houvesse atores tão empenhados. A exceção fica por conta de Danny DeVitto, que não acrescenta e ainda é caricato nos poucos momentos em que aparece. Todos os outros atores estão verdadeiramente dentro de seus personagens, fazem-nos crer que eles deixaram de ser eles mesmo e tornaram-se aquelas pessoas que representam. Eu jamais olharei para Kim Basinger de novo sem ver nela a imagem de Veronica Lake, atriz de cinema que corresponde à imagem da prostituta vivida por Kim nesse filme. O mesmo se aplica aos atores que dão vida a Jack, Bud, Edmund e Capitão Dudley, interpretados respectivamente pelos talentosos Kevin Spacey, Russell Crowe, Guy Pearce e James Cromwell, todos eles, em especial Pearce e Crowe, ignorados pela Academia, que concedeu uma indicação a Kim Basinger e também concedeu-lhe o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante. Aposto que essa é uma das poucas vezes em que praticamente todo o elenco está em sintonia e é capaz de proporcionar momentos de inevitável prazer ao espectador.

Los Angeles – Cidade Proibida me pegou de surpresa: fui arrebatado pela qualidade indiscutível desse longa-metragem cujas maiores cenas são definitivamente memoráveis. Basta lembrarmo-nos do momento em que Jack Vincennes vai apresentar as suas desconfianças a Dudley – uma cena inominável de tão boa! O que dizer então da femme fatale representada por Kim Basinger? E o que podemos falar sobre as atitudes explosivas de Bud White? E o que dizer então da cena na qual um personagem pergunta a Bud e a Edmund se eles fazem o joguinho do “tira bom, tira mau” somente para descobrir que eles, na verdade, fazem o jogo “tira mau, tira mau”? Honestamente, recomendo com furor esse filme, porque ele realmente merece ser apreciado por nós cinéfilos!

3 opiniões:

Cristiano Contreiras disse...

FILMAÇO!!!

Eu lembro de ter gostado muito quando vi, pela primeira vez, em 1998. E revi, há 1 semana, fiquei em êxtase!!

Surpreende, de fato a direção de Hanson é intensa e cuidadosa; o elenco, como você diz, em plena sintonia mesmo! Kim Basinger é a pérola do filme, gosto das cenas dela e ela exprime toda a sensualidade que o roteiro evidencia.

É um filme que poderia ter tido mais Oscars, se um tal de navio naufragado não tivesse prejudicado, hein?

abraço!

Adriana disse...

Não conhecia este filme, mas já conclui que preciso velo.

Jack, The Ripper disse...

Não conhecia este filme, mas já conclui que preciso velo.