1 de nov de 2012

Maratona: Filmes de Terror



Precisei de um tempo sem postar para poder me reorganizar quanto àquilo que eu gostaria de apresentar. Além disso, precisava também de um tempo para mim, que se eu continuasse naquele ritmo de publicações considerando todos os meus outros deveres acadêmicos, não apenas se perceberia queda considerável na qualidade dos textos, como eu provavelmente acabaria irritado com o blog a ponto de querer abandoná-lo de vez, como já aconteceu tantas vezes em que fiquei sobrecarregado. Mais sossegado agora, retomo as postagens com um assunto em “época tardia” – depois que todos os cinéfilos já comentaram sobre o cinema de terror por causa da proximidade com o Halloween, eu começo só a partir dessa data a investir no gênero, comentando alguns filmes – uns bons, outros ruins – que se encontram sob a estética do horror e que estão já fixados no imaginário popular ou, ainda, que são de certo modo desconhecidos pelo grande público.

 Meio mocinha, meio vilã: Julie, a protagonista de "O Retorno dos Mortos-Vivos" (1993), filme que mistura terror, romance e erotismo no seu enredo meio porco e desestruturado.

As pessoas que me lêem, fora as que me conhecem, conhecem pouco de mim, justamente porque aqui enfoco minhas opiniões sobre os filmes a que assisto e sobre os livros que leio. Apesar, óbvio, de minha escrita indicar parte da minha personalidade e meus gostos, não apresenta verdadeiramente muito sobre a minha história, então aproveito agora pra comentar sobre o porquê – sobre o que eu acredito ser o porquê – de minha paixão pelos filmes de terror. Lembro-me bem de quanto era pequeno e tinha aquela idolatria pelo meu pai, sempre esperava que ele voltasse do trabalho para conversarmos, e, enquanto ele não vinha, ficávamos minha mãe e eu assistindo filmes na sala. Lembro-me do tapete do qual tinha alergia, dos sofás de cor vinho, da TV meio antiga na qual um dia eu coloquei um ímã sem querer e ficou para sempre com uma mancha arroxeada na tela. E tenho a impressão de que, mesmo que não fosse exatamente como penso que tenha sido, minha mente se responsabilizou por preencher as informações que faltava acrescentando imagens que podem ou não ter sido reais – só pra constar, a época a que me refiro data de uns 17 anos atrás, quando eu era ainda bem pequeno. E, nessa espera pelo meu pai chegar, víamos filmes de terror normalmente: vi com minha mãe inúmeros títulos, desde os mais comportados pra criança, com um ou outro fantasminha, até aqueles mais pesados, com direito a criaturas disformes de faces desfiguradas e muito sangue.

Deve ter sido aí que começou o meu gosto pelo cinema de terror – apesar de estar sempre com medo do que veria, me sentia sempre interessado no que veria a seguir. Até me lembro do quanto não entendia uma situação a que assisti no filme “A Volta dos Mortos-Vivos 3” (1993), obra a que evidentemente não assisti à época do seu lançamento (porque tinha dois anos de idade), mas que vi eventualmente mais tarde, junto com meu pai. Já no começo do filme, se eu não me engano, a namorada de um rapaz sofre um acidente de moto que resulta na morte dela, e o rapaz, sabendo do envolvimento de seu pai numa tecnologia bioquímica de caráter militar secreto que implica reanimação de corpos, leva sua namorada para o laboratório, trazendo-a de novo à vida, mas, evidentemente, sem que ela tenha o seu garbo de antes – aliás, volta às avessas, toda diferente e quase irreconhecível. No final do filme, incapaz de se separar dela e incapaz de fazê-la ser humana, os dois acabam mortos, numa cena que me chocou bastante, porque isso deve ter me mostrado que, mesmo no gênero terror, não era apenas o medo que existia, apesar de predominar – havia também espaço para outros sentimentos e outras sensações. Era essa situação que não entendia: como, afinal, era terror e tinha aquele romance ali no meio? 


Enfim, encerrando essa coisa toda, toda essa minha digressão sobre meu passado, queria dizer, ainda que não o fizesse de modo resumido, que o gênero terror é um dos que mais me agradam, ainda que, como hábito, seja um dos que menos me apresentam coisas boas. Antes de eu me aventurar em outros gêneros – sim, por muitos anos eu apenas assistia aos filmes de terror! –, conheci incontáveis filmes ruins, mesmo muito antes de eu conhecer um pouco mais de cinema. Escolhi fazer um especial sobre o gênero justamente para poder apresentar alguns títulos dos quais eu gosto, outros que não me animam e poder, talvez, sugerir algo novo a alguém que não conheça muitas obras desse gênero. Assim, selecionei alguns títulos aleatoriamente, tomando o cuidado para não me focar muito nas produções de um único país ou de uma única década. Então, ao longo de novembro, vamos discutir os seguintes filmes:

  1. Acampamento Sinistro (Sleepaway Camp, 1983)
  2. Aniversário Macabro (The Last House on the Left, 1972)
  3. O Bebê de Rosemary (Rosemary’s Baby, 1968)
  4. Christine – O Carro Assassino (Christine, 1983)
  5. A Espinha do Diabo (El Espinazo del Diablo, 2001)
  6. Os Inocentes (The Innocents, 1961)
  7. Lâmina Assassina (Lo Strano Vizio della Signora Wardh, 1971)
  8. Mangue Negro (idem, 2008)
  9. Medo (Janghwa, Hongryeon, 2003)
  10. A Morte do Demônio (Evil Dead, 1981)
  11. Prelúdio para Matar (Profondo Rosso, 1975)
  12. O Segredo da Cabana (The Cabin in the Woods, 2011)

Ao longo de novembro teremos, como disse, alguns filmes bons, outros médios, mas, de certo modo, todos guardam algo que faça com quem sejam válidos de serem vistos. Sem uma ordem definida, os filmes serão publicados aleatoriamente. Espero que vocês se divirtam tanto lendo meus textos e discutindo suas opiniões comigo quanto eu me diverti assistindo a todos esses filmes e escrevendo sobre eles.

1 opiniões:

Celo Silva disse...

Que coisa linda essa lista. Adorei o texto, quase me emocionei.

Abração e espero ansioso essas postagens.

Não vai furar não!!