18 de jul de 2010

Se Houver Amanhã

If Tomorrow Comes, 1986, 402 páginas. Drama / Aventura.
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Quando postei aqui o livro Quem Tem Medo de Escuro?, eu disse que Sidney Sheldon era um dos meus autores preferidos e que era um mestre na arte de criar heroínas fantásticas. E em Se Houver Amanhã nós somos apresentados a Tracy Whitney, uma mulher cuja mãe se matou depois que um mafioso roubou a sua empresa, levou-a ao prejuízo. Numa tentativa frustrada de arrancar um confissão do mafioso, Tracy acaba sendo acusada de assalto a mão armada e roubo de um quadro no valor de meio milhão. Enganada pelo seu próprio advogado e julgada por um juiz corrupto, a bela jovem é mandada para a prisão, onde deverá ficar por 15 anos. Na prisão, sofre os abusos das outras presas, mas ao mesmo tempo começa a planejar a sua vingança contra todos que a puseram naquele lugar e todos aqueles que se negaram a ajudá-la, incluindo o ex-noivo. Após sair da prisão, Tracy tem que lidar com duas coisas importantes: sua vingança e recomeçar a sua vida. Sem dinheiro e em dificuldades, já que ninguém queria empregar um ex-presidiária, ela se sujeita a um roubo e logo se torna a ladra mais procurada do mundo, sendo perseguida inclusive pela Interpol.

Essa é uma obra de ficção, mas não pensamos em nenhum momento que não possa ser, ou que não tenha sido, uma história real. Da mesma forma que Eva Duarte, que viria a se tornar Eva Perón, saiu do nada e em apenas sete anos tornou-se primeira-dama argentina, líder espiritual e solidária à causa dos “descamisados”, Tracy Whitney fez o mesmo: a garota bonita foi pra prisão, permanecendo no anonimato, saiu de lá disposta a se vingar e meses depois já confrontava a polícia internacional com seus disfarces e técnicas de roubo. A única diferença entre elas é que a primeira realmente existiu. Apesar da atitude estúpida com a qual Tracy inicia o livro, não podemos deixar de ficar do seu lado e apoiá-la, e torcer por ela, e querer vê-la feliz. O que é realmente interessante nesse livro é a sua estrutura em relação à narrativa e à disposição dos personagens. Quanto a esses, são na maioria coadjuvantes; até mesmo Jeff Stevens, que virá a ter grande importância a partir do meio do livro, não aparece muito, embora haja alguns capítulos dedicados somente a ele. Personagens como Perry Pope, Juiz Lawrence, Tony Orsatti e Ernestine são figuras de extrema importância para a história, embora apareçam pouco também.

Quanto a estrutura do livro em relação à narrativa, o ponto mais acertado é o autor não focar todos os acontecimentos na vingança que Tracy planeja. Tanto é que antes da metade do livro, ela já se vingou de todos que queria se vingar e está preparada para a segunda coisa mais importante: recomeçar sua vida. E é a partir desse momento que Tracy tem que recorrer aos mais variados métodos para conseguir dinheiro, sendo quase sempre expulsa dos empregos pela seu passado. A única coisa que faz e que dá certo é cometer um roubo, que depois de quase sair errado, Tracy contorna o problema duas vezes e sai ilesa, causando nela a sensação de euforia que há muito não sentia. Percebe então um talento natural e começa a viajar o mundo cometendo crimes e quase sempre se deparando com Jeff Stevens, outro ladrão tão bom quanto ela. Rapidamente, surge entre os dois uma disputa que parece infindável, pois um precisa provar ao outro que é muito mais esperto em relação aos roubos que planejam. Os itens roubados não são os mais básicos; pelo contrário. Eles vão desde pequenas jóias de grande valor, são também diamantes bem protegidos e chegam a ser inclusiva quadros famosos nos museus mais bem preparados contra roubo. Em meio a tudo isso, temos a incansável perseguição de um detetive de aparência horrenda por Tracy Whitney. Ele está obsessivo por ela e se vê em pensamentos conflitantes, entre querer-lhe para o prazer e vê-la presa, o que também lhe causaria prazer.

Enfim, o livro é interessante do começo ao fim. Tracy é mais uma das fabulosas personagens que Sheldon escreveu e aposto que será lembrada sempre pelos leitores que são fãs das obras desse autor. A forma como ele a constrói impede que qualquer um que leia o livro se sinta pressionado a querer-lhe o mal, já que Tracy Whitney possa ser identificada em cada um de nós, como uma mulher que adora o desafio, é uma vítima do acaso e ainda assim dá a volta por cima, “corrigindo” alguns pequenos erros que há no mundo, unicamente em relação àqueles que têm muito e ainda assim querem mais. E apesar de já ser rica após alguns roubos, Tracy continua suas façanhas não pelo dinheiro, mas pelo prazer que cada momento em que ela tem que usar a inteligência proporciona a ela. Então, quem começa a ler Se Houver Amanhã só para quando o livro termina e ainda sente aquele gostinho de continuação (que infelizmente nunca virá) na boca. Eu sei que é patético e que a maioria das adaptações cinematográfica de obras acabam ficando aquém do esperado, mas esse é um livro que eu gostaria de ver nas telas do cinema. Até imagino a Jolie interpretando Tracy. Quanto ao ator que interpretaria Jeff Stevens, eu realmente não sei. Clive Owen, talvez. Mas, enfim, o livro é totalmente recomendável. Os personagens são adoráveis. As situações são as melhores. E o fim não deixa a desejar. O próprio título do livro, corretamente traduzido, é extremamente racional comparado a tudo que acontece no livro e a todo o perigo que os personagens se arriscam. Não há incoerências, o livro não perde o fôlego conforme chega ao final e é decididamente uma obra que vale a pena (e deve) ser lida.

Luís

8 opiniões:

Marcelo A. disse...

Eu também adoro Sidney Sheldon e Se Houver Amanhã é um livrão - embora não seja o meu preferido do autor - que me foi apresentado pelo meu irmão.

Não vejo nada demais em você imaginar atores vivendo personagens literários. Eu faço isso sempre. Mas não sei se a Jolie é a escolha mais acertada. Na época que li o livro - e faz muito tempo -, certamente imaginei alguém como Tracy, mas não consigo me recordar.

Engraçado... lendo sua resenha, me deu até vontade de relê-lo. É isso. Um belo programa para as férias, quem sabe?

Abração, man!

Roberta disse...

oiii...eu ameii esse livro....soh nao sei qual era a i mportancia do tal maximilian no final...quem era ele??? vc pode me exclarecer...to com essa pulguinha atras da orelha...bju

bruni-lhp disse...

gostei muito da historia deste livro, ele nos faz viajar e delirar a cada golpe perfeito de tracy, e quando tudo parecia acabado em uma viajem para a terra maravilhosa eis quem surge!! maximilian!!!
muito bom, mais merecia uma continuação alias acho que todos gostarim de saber qual seria a estrategia de tracy para levar algo de maximilian.

Thetis disse...

Acho que a aparição de Maximillian no final é uma ironia, porque esse é um personagem que sempre foi citado mas nunca apareceu, e Jeff até disse que era muito difícil encontra-lo. E no final de tudo, quando eles se "aposentam", Tracy o encontra, era como se fosse a "chave de ouro". Eu acho que eles não dariam o golpe em Maximillian...
Ah, não consigo imaginar.
Se houver amanhã é um dos melhores livros que eu já li, e recomendo.


*fiquei horrorizada com Daniel Cooper no final. Deu até um pouco de pena. Ele é desequilibrado, tadinho...*

Daniel Lapa disse...

li o livro a pouco tempo, meu pai me recomendou. Adoro Sidney Sheldon (R.I.P.)entendi bem a historia. tenho so 12 anos e gostomuito de ler. por acaso, já leram ""?outro livro otimo.e outra, M.pierpont era o ricaço que gunther hartog tanto falava.

Natielly Nascimento disse...

Eu tenho esse livro e digo que, aliás, afirmo a opinião do blogueiro, que é realmente espetacular, e osoutros livros tbm, são geniais, mas não concordo em Jolie interpretar Tracy, mas é de forma nenhuma! é um descaso até, ela nao sabe atuar e só é reconhecida por sua beleza, inatingivel, tbm não sei quem poderia interpretar Tracy, mas Jolie está fora do time, queira Deus, que não seja a propria, pq nem assisto, quanto a Owen, gosto muito dele como ator. (= seria empolgante vê-lo, mas não como Jeff. '-' beijo. otimo post! *-*

Beatriz Antunes Riguete disse...

EU LI ESSE LIVRO E TENHO 11 ANOS,FOI MEU 4° LIVRO DO SIDNEY SHELDON MAS EU JA LI 10.
O Gunther Hartog não falava no Maximilian Pierpoit,quem falava era o Jeff stevens!lê de novo Daniel!!

Tracy disse...

Caramba agora fiquei chocada eu me chamo Tracy e já namorei e amei um cara cujo nome é Jeff. Minha ex cunhada me falara do livro então fiquei curiosa e vi que realmente os personagens principais do livro é nada mais nada menos que Tracy e Jeff.