4 de jun de 2011

Três Formas de Amar

Threesome. EUA, 1994, 93 minutos, comédia romântica. Diretor: Andrew Fleming.
Ainda que os personagens sejam imaturos e tenham atitudes que me incomodem, acredito que esse seja um filme que conseguem agradar o espectador e deverti-lo com a sua proposta - é o tipo de filme que se vê facilmente duas vezes.

Estava buscando ultimamente filmes que retratem relacionamentos a três e, quando bati os olhos num filme cujo título original é Threesome, eu rapidamente baixei para conferi-lo. Em nem um momento eu esperei uma grande surpresa desse filme e talvez seja exatamente por isso que eu tenha me surpreendido tanto com essa obra.

Eddie e Stuart dividem o quarto do dormitório da moradia do campus da universidade onde estudam. A terceira pessoa a dividir o espaço, que chega algum tempo depois os surpreende: é uma garota. Como os quartos não são mistos, um erro burocrático acabou colocando Alex junto com dois rapazes. Aos poucos, surge entre eles uma ligação e eles se envolvem numa relação a três.

Três Formas de Amar tem um roteiro leve e sua intenção não é promover um debate sobre o quão correto é manter uma relação sentimental ou sexual com mais de uma pessoa ao mesmo tempo. É apenas uma comédia de ares sutis que mostra como a vida dos personagens se desenvolve a partir do momento em que eles se vêem apaixonados uns pelos outros. E o que torna o filme bem interessante é exatamente isso: eles são amigos, são amantes, são pessoas comuns. Os três jovens são bem naturais e esse é o ponto-chave para fazer com que o espectador se identifique com a situação deles e até mesmo com eles. Admito: não é muito fácil se identificar com Stuart – o personagem é birrento, estereotipado, meio irritante, mas acabei gostando dele também. O ar de cumplicidade existente entre eles faz com que haja uma transferência: um personagem legal demais, como Eddie, transfere um pouco da nossa simpatia por ele para Stuart.

De tudo o que mais vi no filme, o que mais me agradou foi a amizade dos personagens. Surge entre eles uma afinidade muito interessante, que os coloca bem próximos e os permite compartilhar de alegrias e tristezas. Foi essa a sensação que tive: eles sabem como compartilhar. E não têm vergonha disso! Eddie, por exemplo, primeiro aprender a amar para depois se sentir atraído por eles; Alex se sente atraída primeiro, mas depois passa a amar mais; Stuart, por sua vez, permanece atraído e amando. Então vem o sexo e, em princípio, intensifica essa proximidade deles. Destaque para a bonita cena no lago, em que os três personagens começam a se beijar delicadamente, todos nus, e Eddie comenta que os três representam uma Eva pós-moderna com dois Adões, banidos do paraíso e condenados a vagar pelo deserto. A afinidade mais a cumplicidade que há entre eles tornam-nos melhores, elevados quase espiritualmente e eu me senti bem observando essa relação a três.

O filme ainda conta com momentos engraçados. Não se limita ao suave, busca às vezes o exagerado e rende boas cenas. Morri de rir – o que é muito incomum – quando Alex deita na mesa da biblioteca e pede para Eddie ler pra ela e então começa a se esfregar na mesa, em posições absurdas, enquanto Eddie lê e, ao mesmo tempo, a olha com uma expressão de espanto. Para finalizar, depois de se contorcer inteira, Alex diz: “Nossa, adoro palavras difíceis”. Mais tarde, quando Stuart está fazendo sexo oral em Alex, que fala ao telefone com Eddie, ela pede que ele lhe diga algumas palavras bem grandes e, enquanto Stuart continua a fazer sexo oral nela, ela começa a entrar em êxtase com as palavras de Eddie. Morri de rir de novo com essa cena, principalmente pela tara dela por palavras grandes e de uso pouco comum. Os sonhos que ela narra pra Eddie também são maravilhosas fontes de riso: ela sonhou que estava no deserto, vestindo biquíni de pele, enquanto Eddie era um açougueiro que estava com lingüiças. Fantástico, ri de novo! Talvez eu estivesse num bom humor ou talvez o filme seja mesmo engraçadinho, mas o fato é que eu gostei dessas cenas de humor.

As personalidades dos personagens não exigem muito dos atores, então a interpretação deles é bem mediana, sem nenhum atrativo em específico. De qualquer modo, Três Formas de Amar não requer nenhuma interpretação digna de indicação ao Oscar, então creio que o trabalho desses atores seja válido dentro de suas proporções. Dos três, o destaque maior é de Josh Charles, intérprete de Eddie, não apenas porque ele parece ser o mais racional dos personagens como ele também me pareceu ser o menos cheio de estereótipos – ele é também o personagem mais redondo e, em função disso, a atuação do ator é a mais complexa.

Trata-se de uma obra interessante, bastante suave, que mostra o relacionamento deles sem impor caráter crítico. A história é contada de forma leve, conquistando o nosso carisma e esse é a qualidade máxima do filme: fazer com que nos identifiquemos com os personagens e suas situações. Decerto vale a pena ser visto, principalmente quando o que se procura é apenas se divertir, sem a pretensão de ver uma grande obra cinematográfica. Válido para se ver sozinho ou acompanhado...

4 opiniões:

Jefferson Reis disse...

Assisti a este filme faz um tempão. Gosto muito, gostoso ele. A Alex me ensinou a sentir tesão pela voz no telefone.

Nathália disse...

Achei o filme muito sutil na forma de abordar o "threesome", tanto que o que mais me chamou atenção não foi o relacionamento amoroso dos três, e sim a amizade que surgiu entre as personagens ao longo dos aproximados 90 minutos. Apesar de não ter tido a intenção de promover grandes discussões acerca de qualquer assunto, é muito agradável de assistir, possibilitando que seja visto outras vezes. Também ri com a cena em que Alex está sobre a mesa da biblioteca se insinuando para Eddie (não vejo a hora de poder reproduzi-la), além de ter desenvolvido grande simpatia pelo personagem Stuart - que não agradou a princípio, mas que foi fundamental para o equilíbrio no relacionamento apresentado. Entreteve-me do começo ao fim.

Luís disse...

Nathália, podemos fazer a cena em que o Eddie liga pra Alex enquanto o Stuart faz sexo oral nela - sendo você a Alex, evidentemente, e eu o Stuart.

Nathália disse...

Claro que sim, Luís. Essa ideia é fantástica! Depois podemos fazer a cena da Alex - eu - sobre a mesa da biblioteca, entrando em êxtase enquanto Eddie - você - lê um trecho do livro!