4 de nov de 2011

Inverno da Alma

Winter's Bone. EUA, 2011, 100 minutos, drama. Diretora: Debra Granik.
Esse filme já conquista uma vitória se fizer o espectador permanecer acordado até o final de sua exibição!

A jovem atriz Jennifer Lawrence tem sido bastante comentada, principalmente pelo seu feito no filme Winter’s Bone, que lhe rendeu uma indicação ao Oscar na categoria Melhor Atriz. Esse é um filme independente, desses que chamam a atenção por algum motivo especial e acabam reconhecidos pela sua qualidade artística.

Devo dizer que a temática do filme não é tão forte, mas decididamente Debra Granik soube como torná-la cruel para quem assisti ao filme. A história de uma jovem de 17 anos é contada: ela cuida da mãe, que está fora de si, e dos dois irmãos menores. Mas precisa sair em busca de seu pai quando descobre que ele, depois de ter sido preso e solto sob fiança, colocou a casa da família como forma de assegurar que compareceria à justiça e não fugiria – o que evidentemente não acontece. Então, Ree Dolly começa uma busca pela região à procura dele.

Eu queria realmente dizer que essa se trata de uma produção notável, de qualidades singulares e capaz de provocar extremo entretenimento no espectador. No entanto, não acho que nada disso seja aplicável aqui, porque o filme é tão esquecível quanto todos os outros dessa temporada de premiação e não há nada nele que seja absurdamente chamativo. Nem mesmo as atuações indicadas ao Oscar atraíram plenamente a minha atenção. O roteiro parece disperso e um pouco específico demais. Ele aborda uma realidade que não é compartilhada por todos e isso dificulta a aproximação do espectador com o filme. Eu admito ter ficado perdido em algumas passagens do filme, não entendi alguns acontecimentos. Ou as coisas estavam subentendidas demais ou eu simplesmente não fui capaz de acompanhar toda a trama de conspiração, a qual parece ser a razão principal por toda a existência do drama na vida de Ree.

Sinceramente, a jornada da garota não é interessante. Vê-la à procura de seu pai é honestamente desgastante, porque não há nada surpreendente ou motivador para o espectador. O ritmo é bem lento, o que me incomodou bastante, principalmente porque isso parece ser causado pela falta de um roteiro com um argumento mais intenso e mais seguro de si. A lentidão para que a história se desenvolva não faz com que gostemos mais da personagem principal, que é muito bem defendida por Jennifer Lawrence – esta, infelizmente, prejudicada pelo quanto o filme é chato. Todos os personagens envolvidos nesse filme são espontaneamente vazios. Nenhum parece acrescentar algo denso à narrativa, todos vêm e vão, depois reaparecem – mas nada realmente justifica a participação deles na trama. E eu fiquei tentado a pensar que a própria Ree Dolly parece desnecessária na sua própria história.

Acho difícil apontar os defeitos nesse filme, porque ele me pareceu tão harmonioso. Se eu não tivesse assistido a ele do começo ao fim, eu decerto diria, segundo uma primeira impressão, que se trata de uma produção com qualidade artística irrepreensível. Para mim, a única coisa realmente válida é a fotografia, muito bem captada em algumas cenas, com destaque para o contraste das cores, os tons escuros se opondo aos claros, alguns bons ângulos e uma cenário muito realista. Aliás, assustadoramente realista, eu fiquei bastante incomodado com o que vi em cena, me deu agonia ver a pobreza na qual aquela família se encontra. O mais cruel é que não é só pobreza financeira – parecer faltar carinho, afeto, ajuda, parece faltar uma palavra bonita que seja dita àquelas crianças, tanto a Ree quanto a seus irmãos menores.

Honestamente, essa obra não me cativou. Falta vida nela, parece que todo o cinza do inverno retratado no filme acabou por dominá-lo, tornando-o igualmente cinzento. Isso é verdadeiramente uma pena, porque me parecia que esse seria um filme memorável. No fundo, tudo o que fica é, por poucos momentos, as atuações dos atores nomeados, Jennifer Lawrence e John Hawkes, mas nenhum deles consegue o feito de manter as suas interpretações em nossas memórias.

4 opiniões:

alan raspante disse...

O filme é comum e não possui atuações dignas do Oscar. Com certeza, foi um dos mais fracos da temporada.

Rodrigo Ferreira disse...

Tem filme que não adianta, não consegue nos cativar, e no caso deste em especial nem sequer despertou meu interesse para conferi-lo, mesmo com sua indicação ao Oscar.

Com a sua já foram 3 críticas que li do filme, e nenhuma delas me convenceu de que vale a pena assisti-lo.

Seja como for, ótima crítica. Diz tudo que precisamos saber sobre o filme sem revelar detalhes da trama que possam estragar surpresas (um "pecadilho" que vivo cometendo nas minhas).

Acompanharei seu blog. =)

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Finalmente alguém que não gostou desse filme. Eu tive a maior dificuldade de vê-lo todo. Muito chato.

Cumprimentos cinéfilos

O Falcão Maltês

Celo Silva disse...

É um filme pretensioso, mas ainda assim tem seus momentos, Lawrence aparece bem, mas não comprova td o estardalhaço feito encima dele.