28 de nov de 2011

Amor e Outras Drogas

Love and Other Drugs. EUA, 2011, 112 minutos, comédia. Diretor: Edward Zwick.
Definitivamente se trata de um filme que poderia render bem mais devido a alguns temas e aos atores principais, mas que se mostra apenas mediano.

Confesso que eu simpatizo com os trabalhos dos atores Anne Hathaway e Jake Gyllenhaal e foi basicamente essa simpatia que me motivou a assistir a esse filme. Ainda que tenha assistido a bons filmes nos quais eles mostram atuações densas – Rachel Getting Married e Brokeback Mountain, por exemplo –, não foi pelo conteúdo do trabalho dos atores que eu decidi dedicar quase duas horas a essa obra.

Tendo lido a sinopse do filme e sabendo mais ou menos o que a obra abordava, eu pensei no quanto seriam bem trabalhados os temas delicados, como a relação do paciente com a sua própria doença e, principalmente, a relação do enfermo com a sociedade. Mesmo não sendo uma obra especificamente dramática, Love and Other Drugs apresenta uma vertente condicionada irremediavelmente ao drama: Maggie possui Doença de Parkinson aos 26 anos. Basta essa informação para que se depreenda muito a respeito do filme. Por mais que a narrativa esteja voltada para a expressão cômica, basta a semântica da doença de Maggie para acrescentar o tom dramático que se verificará em alguns momentos – sua doença é degenerativa e ela, bastante jovem, é uma exceção, pois a doença normalmente se manifesta em pessoas mais velhas. Jamie Randall é um representante farmacêutico que a conhece casualmente, quando ele oferecia seus produtos a um hospital. Como ele é mulherengo e ela busca aproveitar o máximo possível, eles rapidamente se envolvem, para o que supunham ser apenas sexo casual e que, mais tarde, se mostrará muito mais denso emocionalmente do que isso.

Não nego que essa não é uma obra cuja função é documentar os problemas do “mal” de Parkinson tampouco é focalizar-se nesse aspecto dramático. Apenas acho que um tema tão delicado foi submetido a um tratamento estranho, ficando em plano inferior a assuntos desmedidamente repetitivos, como as cenas de sexo. Não afirmo com resquícios de moralismo que as cenas são ousadas demais – reclamo mesmo é do excesso sem função: muitas cenas se repetindo sem que isso acrescente algo ao filme. Os personagens centrais – Maggie e Jamie – conquistam de certo modo a simpatia do espectador, mas é difícil gostar do filme como um todo por causa dos muitos personagens e situações aos quais nós ficamos simplesmente indiferentes ou que nos irritam. O médico e o ex-amante de Maggie são personagens nulos enquanto o irmão de Jamie é um verdadeiro incômodo. A relação de Maggie consigo mesma nunca é bem trabalhada e é difícil analisar mais de sua densidade psicológica, porque tudo que vemos são tremores e acessos de raiva – a personagem é composta apenas disso? Foi a pergunta que me fiz quando o filme acabou. Outro problema é a construção da figura de Jamie, que, muitas vezes, nos soa infantil e patético demais – seu personagem só sabe pensar em mulheres? Logo, eu constatei que não, embora ainda repetisse essa pergunta algumas vezes.

Não creio que seja um filme de humor duvidoso, mas, honestamente, não me fez rir e nem sequer fez com que eu achasse graça de qualquer coisa ali mostrada. O longo desenvolvimento do filme atrapalha inclusive algumas cenas, que deveriam ser engraçadas. Nem sequer sei se podemos mesmo afirmar que essa e uma comédia romântica – ora falta veia cômica, ora falta veia romântica. Nada, no entanto, impossibilita o espectador de assistir ao filme até o final; não o recomendo, porém. Acredito que se compararmos esse filme com alguns outros, poderemos notar uma qualidade superior em outros títulos do mesmo gênero. De um modo geral, acredito que esse – assim como The Tourist – filme só serve mesmo para mostra que os jurados do Golden Globe não compreendem o que é bom humor e o que é comédia – além de mostrar que filmes desse gênero estão em falta no mercado cinematográfico.

7 opiniões:

Celo Silva disse...

Luis, uma das resenhas com mais propriedade q li sobre esse filme, tb não gostei dessa obra, q não se define e em muitos momentos parece um pastiche. Acho q os atores ate são simpaticos, mas em certo momentos tb, como vc disse, soa repetitivo. E o irmão dele, meu Deus! Quase parei de ver em alguns momentos. Por isso q Zwick pesa sempre a mão qd quer se meter em dramas, não recomendo esse filme tb. Cada vez mais tenho gostado de visitar seu espaço, gosto da maneira como escreve, mesmo podendo discordar em alguns pontos, mas vc defende com qualidade seu olhar, isso é q importa. Grande Abraço e obrigado pela visitas no meu espaço.

alan raspante disse...

A junção da comédia com o drama não ficou bacana. Nenhum dos dois se tornam autossuficientes para a base do filme. No final, não é nenhum nem outro...

Hugo disse...

Estou com este filme em casa para conferir.

O direto Ed Zwick segue o estilo quadradão de Hollywood, seus filmes dificilmente ousam e acabam ficando na média.

Abraço

Kamila disse...

Enquanto não sentiu pena de seus personagens principais, eu adorei esse filme. Amei a forma como o relacionamento entre as personagens de Anne Hathaway e Jake Gyllenhaal é desenvolvido. Amei a química deles, mas acho que a obra desanda naquele ato final.

Luiz Santiago disse...

Concordo com você. Os aspectos técnicos é quem fazem o filme ter um nível acima do comum, mas não é bom porque não se fixa em um gênero ou no que quer mostrar. Uma pena. Gosto muito da dupla protagonista, principalmente dele, mas o filme não me agradou. E quanto ao irmão de Jamie, aff... incômodo é pouco.

E concordo que as cenas ousadas são despropositadas...

Cristiano Contreiras disse...

Eu concordo completamente com Kamila. Eu gosto do filme, ainda que não seja uma obra 'excepcional'. Mas, a grande química de Jake com a Anne proporciona um prazer em ver, ainda que, de fato, o tal irmão-mala seja insuportável, ele sim é desnecessário no roteiro.

Abs

Júlio Pereira disse...

Fui ver com um olhar mais emocional do que crítico - já que, de fato, não tive que fazer a crítica dele. Portanto, adorei. Me emocionei e achei divertido, nada de excepcional, ainda que almeje uma qualidade dramática altíssima, que, às vezes, infelizmente não alcança.

Obs.: Um adicional foi ver o crítico (e grande amigo) Matheus Vilela chorando do meu lado. =P

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