9 de ago de 2012

A Saga Crepúsculo: Eclipse


The Twilight Saga: Eclipse. EUA, 2010, 124 min, fantasia. Diretor: David Slade.
Apesar de reclamarem – com razão – do livro, lê-lo é consideravelmente mais interessante do que assistir a essa produção, que falha em todos os seus aspectos.

Quando li o primeiro volume da saga Crepúsculo – justamente o livro “Crepúsculo” (2005), lançado no Brasil em 2008 –, eu o achei razoável. Não um lixo como os haters dizem, não uma maravilha como os lovers propõem – apenas um livro que consegue cumprir seu objetivo primeiro, que é manter o leitor acompanhando a narrativa. Os livros subseqüentes são ruins. Não apenas ruins, mas verdadeiramente ruins. E não bastasse a saga como um todo – há ainda um livro para ser lançado, Midnight Sun –, surgiu um spin-off da trama em 2010, na qual os eventos narrados acontecem em concomitância com o que é apresentado no terceiro volume, “Eclipse” (2007), cuja adaptação para o cinema aconteceu em 2010, trazendo os mesmos atores que haviam personificado os populares personagens do romance literário.

 Kristen Stewart - grande interpretação! - e Taylor Lautner.

No primeiro filme, Bella conheceu Edward e descobriu sobre vampiros e lobisomens, além de ter sido caçada por James, um vampiro que desejava o sangue da garota. No segundo filme, houve a separação: Edward decidiu se afastar de Bella a fim de não a colocá-la em riscos constantes, o que fez com que ela se aproximasse de Jacob, amigo da família que era lobisomem. Nesse terceiro episódio, a cidade de Seattle é tomada por vampiros recém-criados, cuja dona, Victoria, deseja construir um exército com eles a fim de se vingar de Bella, que ela julga principal responsável pelo extermínio de seu namorado James (no primeiro volume).

O que me deixou assombrado nesse filme – aliás, reformulando: o que me deixou mais assombrado nesse filme – é o fato de a maquiagem ser extremamente pouco realista! É impossível olhar pro Edward e achar, mesmo que rapidamente, que a tez de sua pele é sua de verdade. Não apenas a pele de um branco incomum – mesmo no meu imaginário, que pensava em algo como mármore branco, não como trigo distribuído heterogeneamente pela pele –, mas também os olhos! Aquele amarelado dos olhos torna tudo ainda mai risível, sendo impossível levar a sério qualquer momento em que qualquer Cullen apareça. Lembrando que eles convivem com humanos o tempo todo – me surpreende que ninguém nunca tenha chegado à conclusão que eles são posers de vampiro, porque é evidente que eles definitivamente não se parecem com pessoas comuns – não com aquele branco que se restringe ao rosto, deixando o pescoço normal; não com aqueles olhos que muitas vezes não se parecem com nada.

 Riley, Edward e Victoria - fosse um ménage, seria mais interessante, ainda que, ainda assim, feio.

Reclamam de Kristen Stewart, chamando-a de inexpressiva. Mas, realmente, acho que ela é o menor dos problemas do filme. Talvez o maior problema seja o roteiro, que é ridículo, misturando os eventos de “Eclipse” com os eventos de “A Breve Segunda Vida de Bree Tanner” (2010), provavelmente porque eventualmente esse livro também acabará levado às telas. Honestamente, não há porque a associação das tramas num sentido tão físico – fazendo-as confluir uma na outra –, bastava que se mantivesse como é o no livro, em que alguns acontecimentos do terceiro volume são posteriormente explicados no spin-off. Assim, haveria menos confusão, sobretudo porque o tempo todo somos apresentados à situação de uma vampira cujos nomes não conhecemos sendo que ela é simplesmente morta no final do combate entre os Cullen e os recém-criados. A sensação que fica é que a personagem, em vez da relevância que tem (ela é, afinal, a protagonista de outro romance), é apenas um enfeito sem fundamento. Seria melhor conceder a ela apenas a cena final e depois, havendo mesmo a adaptação do outro livro, fazê-la aparecer mais, como se deve.

 Bree Tanner, que aparece aqui só pra justificar um potencial próximo filme da série "Crepúsculo".

Mas, de qualquer forma, o problema também está nos diálogos. São péssimos! Todos! Do começo ao fim! Tudo é dito de modo incômodo, as frases parecem não se conectar entre si, havendo ali apenas intenção de usá-las como elemento de impacto, que, no final, apenas obtêm impacto negativo. Isso, acrescido à incapacidade de qualquer ator de realmente ser realista, faz com que essa produção seja verdadeiramente um equívoco. David Slade, o diretor, havia dito que jamais se envolveria com a série – mordeu a língua, disse que havia dito brincando, faturou uma boa grana e nos apresentou essa coisa terrível, que é ruim até mesmo nos seus efeitos especiais, consideravelmente piores que os filmes anteriores.

Não há muito que apreciar aqui. A obra é toda antifuncional: efeitos visuais ruins, trilha sonora medonha, roteiro tenebroso, direção primária – eu, sem curso de cinema, sem experiência, produziria o mesmo resultado que Slade, que já havia dirigido alguns títulos antes, inclusive “30 Dias de Noite” (2007), um relativo sucesso comercial. Quanto às interpretações, apenas demérito: chega a ser triste ver os vampiros, sobretudo a família Cullen – Jasper é, de longe, o mais risível. Trata-se de uma obra para fãs obcecados apreciarem: eles assistirão ao filme e enxergarão qualidade onde notoriamente não há. E insistirão que se trata de uma obra linda, suspirando por Edward e querendo viver um romance como o de Bella. Dessa vez, tomo o partido dos haters – trata-se meso de um filme para ser odiado.

4 opiniões:

Rafael W. disse...

Curioso, achei o melhor da série até agora, superior até a 1° parte de Amanhecer. Os diálogos são realmente podres, mais estão mais amenizados; a parte técnica é precária, mas os efeitos estão melhores, assim como as cenas de ação; Pattinson e Lautner são uma tristeza como atores, Stewart é a única que se salva, assim como Billy Burke, que interpreta Charlie. Enfim, um filme médio, longe de ser a bomba que muitos afirmam ser.

http://avozdocinefilo.blogspot.com.br/

Júlio Pereira disse...

De todos da saga que foram lançados até agora (só pra constar, fui na estreia de todos... por mera curiosidade!), o único que acho razoável é o segundo. Eclipse, se não me engano, é o dos vampiros de diamante, não? É hilário. hahaha

Renan disse...

Acho esse, de longe, o pior filme. A direção é porca e o roteiro nem se fale.

Como exemplo de outros filmes melhores da série, podemos citar a primeira parte de Amanhecer, que parece ter sido mais cuidadosa em aspectos tanto técnicos quanto artisticos.

E pelo amor de Deus, o que são os vampiros sendo mortos em Eclipse? Eles são feitos de porcelana? Me lembraram vasos sanitátios sendo quebrados.

Hugo disse...

Ainda não tive vontade nem de conferir o primeiro filme.

Abraço