19 de ago de 2012

Amor Pervertido

Trage Liefde. Holanda, 2007, 50 minutos, drama. Diretor: Boudewijn Koole.
Um tema delicada e potecialmente muito produtivo torna-se uma pequena bobagem nessa produção alemã que não visa nenhuma crítica social tampouco um bom efeito artístico.

Estava em busca de algum filme com alguma temática que fosse diferente do convencional – não queria nenhuma história de amor melosa, nenhuma família sendo destruída por alguma razão, nenhuma comédia romântica. Baixei esse filme por acaso, esperando que ele me satisfizesse no meu intento de buscar algo novo. Então, ao conferi-lo (sem muitas informações prévias), deparei-me com um tema delicado: incesto.

Esse filme média-metragem produzido pela Alemanha, que é também é conhecido pelo título Com os Olhos Fechados, tradução literal de Mit geschlossenen Augen, aborda a vida de um rapaz que cresceu sem nenhum contato com o pai e que num determinado momento, ao conhecê-lo, tenta uma aproximação, sem que o pai saiba que o rapaz é seu filho. Então, a vida de Felix basicamente se baseia em trabalhar num restaurante, interagir com a avó, com quem mora, conversar com a namorada, com quem não tem segredos e tentar fazer com que o pai lhe tenha alguma afeição.

Começo já dizendo que esse não é um bom filme, ainda que sua premissa seja bastante interessante e o roteiro seja composto de elementos bastante ousados – elementos esses que não são aproveitados de modo produtivo, fazendo com que sua função praticamente se perca dentro dos cinqüenta minutos de exibição. Mas esse não é o único problema dessa produção alemã, já que as atuações também não merecem nenhum grande mérito e a direção parece ter acontecido no modo automático. Com um conjunto de situações como a que vemos nesse filme, o mínimo que se esperava de Boudewijn Koole, o diretor, era que ele mesmo pudesse concretizar o roteiro que ele mesmo escreveu.

Vou me ater à única razão pela qual o filme merece algum crédito: o incesto. Como disse na sinopse, essa é basicamente a história de um filho que busca a afeição do pai, que não lhe reconhece como sendo seu filho. O mais interessante é a inserção da obscura atitude de Felix de não revelar a Johan que ele é seu filho. Por não lhe contar logo – e em momento algum, aliás –, o homem pensa que as suas constantes idas ao bar de que ele é dono tem o intuito do flerte. Então, Johan começa a se deixar seduzir por Felix, que parece indeciso quanto àquilo que ele realmente quer: deseja o carinho do pai, mesmo que isso se consuma sexualmente? Eis o único fator positivo do filme, mas que é mal aproveitado, sem dar ao espectador a possibilidade de conhecer mais sobre o desenvolvimentos das emoções de Felix e também de Johan.

Honestamente, acho que essa se trata de uma obra esquecível. Não afirmo com segurança que vê-la é desnecessário, mas digo sem nenhuma dúvida que esse filme realmente fica aquém do esperado, pois sua abordagem refere-se a algo extremamente delicado e o diretor-roteirista insiste em mantê-la no lugar-comum e na monotonia. Enfim, penso que seja uma obra que sumirá da sua memória em pouco tempo. E só pra constar: o título nacional é extremamente ridículo, por já induzir o espectador a condenar a situação dos personagens!

1 opiniões:

J. BRUNO disse...

Às vezes eu também sinto esta necessidade de sair do lugar comum e apreciar obras que explorem temáticas diferentes ou temáticas convencionais, porém sob uma ótica diferente. Isso me levou a fazer diversas incursões por obras das quais eu pouco conhecia, com algumas eu me surpreendi da melhor maneiro possível, com outras me senti tal como você descreveu em seu texto...

http://sublimeirrealidade.blogspot.com.br/2012/08/bonequinha-de-luxo.html