30 de abr de 2010

Shakespeare Apaixonado

Shakespeare in Love. EUA, 1998, 124 minutos. Drama.
Indicado a 13 Academy Awards, dos quais venceu em 7 categorias, incluindo Melhor Filme e Melhor Atriz.
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Já havia visto esse filme umas três vezes, mas decidi vê-lo de novo quando a equipe do blog Um Oscar por Mês, da qual faço parte, optou por analisar a polêmica cerimônia de 1999 da premiação da Academia. Assim, com boa vontade, sentei-me para conferir durante duas horas um filme que certamente não faz jus às indicãções e aos prêmios que recebeu, mas que ainda assim pode ser visto tranquilamente.

Eu particularmente acho legal quando personalidades históricas são retratadas de maneira amena em filmes. Sempre pensamos em Shakespeare como um homem sério e centrado, cujo foco profissional consiste em escrever histórias e mais histórias. Essa produção mostra exatamente um período no qual o autor não consegue produzir nenhuma grande peça, pois acredita que sem uma musa inspiradora seu trabalho não fluirá. Paralelamente a esses eventos, Lady Viola De Lesseps encontra-se indignada com o fato de as mulheres não poderem integrar elencos de teatro e, como resultados, a plateia tem que assistir a interpretações de homens que realmente não conseguem compreender os sentimentos sobre os quais falam. Assim, ela se veste de homem e se submete a um ensaio para a nova peça de Shakespeare, que coincidentemente se apaixona por Viola, sem saber, no entanto, que a moça é o Thomas Kent, ator que interpreta Romeu.

Eu realmente não vou criticar o filme como muitos podem pensar que eu farei, porque eu admito que não há características criticáveis nessa obra. Certamente eu a considero uma produção regular em relação à qualidade técnica e às atuações. Primeiro devo dizer que a direção de arte desse filme é realmente muito boa e os elementos em cena realmente trazem todo o requinte que o filme precisava para torná-lo um pouco maior. Os figurinos são muito bonitos e combinam perfeitamente com cada situação, sem exagerar nem omitir informações. Principalmente destaque para a maneira perfeita como o figurino classifica as pessoas conforme suas classes sociais. Dos mais pobres até a rainha, percebemos a nuance crescente das vestimentas. Muitos filmes pecam ao retratar esse aspecto, fazendo com que todos soem bonitos demais - aqui são bonitos e se vestem bem aqueles aqueles que têm possibilidade para tal condição.

Expor costrastes sociais que são renunciados em nome do amor não é novidade. Provavelmente deixou de sê-lo há pelo menos 3 décadas, mas ainda assim Shakespeare Apaixonado capta bem o envolvimento espontâneo dos dois jovens, Viola e Willian, que ignoram as regras da sociedade e vivem uma aventura amorosa, mesmo que isso implique em ir contra o casamento já programado de Viola e o consentimento da Rainha Elizabeth. O roteiro realmente não é grandioso e, na minha opinião, é bastante enxuto, uma vez que sua área de abrangência limita-se ao romance dos dois e falas poéticas de obras shakesperianas.O que quero dizer é que muito do que é mostrada são cenas envolvendo o ensaio da peça que será apresentada por Shakespeare, de modo que não há nada inovador naquilo. O desenvolvimento do romance entre Viola e Shakespeare é deveras estranho, uma vez que não há nada que justifique o rápido encantamento dos dois, mas isso certamente é válido para evitar momentos maçantes e ir direto ao ponto que interessa.

A respeito do elenco, acredito que todos defenderam bem seus personagens. Joseph Fiennes e Gwyneth Paltrow, intérpretes dos personagens principais, parecem não ter muita química a princípio, mas acabam se entrosando fácil. Nem ele nem ela são grandes atores, mas aqui eles tiveram os seus momentos de fama ao criarem de maneira interessante Viola e Willian. Honestamente, não entendo porque indicaram-na e não fizeram o mesmo com ele, uma vez que ambos estão no mesmo nível de atuação. Não quero com isso dizer que achei válida a indicação que a moça recebeu, muito menos que foi justo o prêmio que lhe foi dado. Quero apenas ressaltar que tanto ela quanto Fiennes estão bem no filme, mas estão apenas corretos, num padrão bastante diferente dos usuais vencedores do Oscar que nem foi tão valorizado assim, já que até mesmo a Gwyneth Paltrow já recebeu um. Acredito que seja extremamente demonstrar minha posição sobre o elenco: embora estejam bem, ninguém está em posição de ser indicado e muito menos premiável! Geoffrey Rush e Judi Dench - ela, principalmente - estão bem também, mas não há muito que torne possível uma indicação e ainda assim foram indicados.

Shakespeare Apaixonado é definitivamente um filme sobrevalorizado. Ainda que todos os seus aspectos sejam positivos de um modo geral, a obra se apresenta num nível um pouco acima da média, o que não justifica as 13 indicações e muito menos os sete prêmios que recebeu. A história é divertida e tem um tom simpático para se ver com uma namoradinha, mas nada que faça com que um cinéfilo se impressione. Confesso que fiquei mesmo surpreso pelo fato de a Academia ter sido conquistada por esse filme a ponto de prestigiá-lo tanto. Talvez valha a pena ser visto porque esse filme mostra as boas atuações que Fiennes e Paltrow jamais repetiram.

Luís
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28 de abr de 2010

Sexta-Feira 13

Friday the 13th. EUA, 1980, 95 minutos. Terror.
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Há 30 anos surgiu um dos assassinos mais perigosos de todos os tempos. Digo "perigoso" porque conforme a série evolui - se bem que termo não seja o mais correto -, Jason se tornou uma célebre máquina de matar, sendo capaz de atentar contra qualquer coisa que esteja à sua frente, independentemente de ser um humano, um cachorro ou uma árvore. É sabido que hoje o personagem é totalmente caricato e que já não tem mais o seu charme original, que muitos nem sequer consideram original, uma vez que dizem tratar-se de uma cópia daquilo que Mike Myers é.

Em 1980, com direção de Sean Cunnigham e roteiro de Victor  Miller e Ron Kurz, chegava aos cinemas a história do acampamento em torno do Lago Crystal. Não posso dizer que conheceríamos a história de Jason, pois, como muitos bem sabem, não é isso que acontece. Naquele acampamento, em 1957, um garotinho se afogou no lago, porque os monitores estavam transando em vez de cuidar das crianças. Um ano mais tarde, os monitores são mortos brutalmente; algum tempo depois, um incêncio destrói boa parte do acampamento. Na data atual - que obviamente se refere à data em que o filme foi lançado - , ou seja, vinte e três anos depois da morte do garoto, o acampamento passa por um processo de modernização er eestruturação, para que sirva novamente de hospedagem a jovens. Vários monitores a serviço do dono do local chegam antes da temporada, a fim de fazer os últimos reparos e deixar tudo pronto para a temporada de férias. Subitamente, algo começa a acontecer e eles descobrem não estarem sozinhos.

Muitos são fãs incondicionais da série, mas devo dizer que, embora eu curta o clima desse filme, eu não o acho grandioso. E os outros subsequentes tem um nível bem menor. Logo, o melhor filme da série é mediano. Mas isso não significa, de maneira alguma, que devemos desprezá-lo. Parece que 30 anos atrás é pouco tempo, mas muita coisa evoluiu, principalmente os efeitos especiais e as maquiagens, que estão cada vez mais aprimoradas. Como principal aspecto, a maquiagem é exatamente o que esse filme tem de melhor! E eu ouso dizer que as cenas em que vemos pessoas mortas de maneiras brutais, como a cena do machado, são muito mais realistas do que muitos filmes lançados ultimamente que contam com o auxílio de efeitos de computador. Eis o momento em que tenho que apresentar o responsável por esse feito: Tom Savini, maquiador respeitado pela sua significativa participação no gênero terror. Talvez vocês não saibam, mas a composição dos zumbis dos filmes de Romero foi criada por Savini, que criou ainda a maquiagem de muitos outros filmes, como Creepshow, O Despertar dos Mortos, etc. Os que já assistiram a esses filme, me respondam: o filme teria ou não teria menos charme se não houvesse a interessante maquiagem de Savini?

Cunnigham, o diretor, foi bastante feliz no ritmo que deu ao filme e na tentativa de tornar os personagens simpáticos. Felizmente, eles não são completamente estúpidos, nem são totalmente infantis, e, em nenhum momento, sentimos aquela vontade que surge em alguns filmes de que todos os personagens - mocinhos ou vilões - devem morrer. É claro que existem alguns momentos de imbecilidade, mas isso não é nada comparado às diversas produções que viriam a seguir. Por exemplo, num determinado momento, bem antes de as mortes começarem, um rapaz corre sozinho pela floresta e, ao ver alguém entrando numa cabana, ele segue a pessoa. Certamente muitos não fariam isso, mas há também aqueles que fariam. Assim, não é nenhum grande erro a atitude do rapaz, até porque ninguém havia morrido ainda e ele não podia imaginar que ele seria a primeira vítima! Conhecem aquela velha regra do sexo? Pois bem, ela é aplicada nesse filme. O casal que quis se divertir um pouquinho acabou indo pro saco - em duas mortes bastante interessantes. Vale ressaltar que também não podemos dizer que o assassino tenha tido uma vida sexual pouco ativa e que, por isso, tem raiva das pessoas que curtem dar uma trepadinha... O motivo do assassino, que embora seja basicamente promover uma matança, encontra embasamento também naquele acontecimento de 1957...

É importante dizer que os personagems têm que estar ali. Eles, afinal, são monitores e estão trabalhando para a reabertura do acampamento. Diferentemente do que aconteceria nos outros filmes, em que os personagens são puramente idiotas e que o Jason se tornou um mochileiro, indo matar em qualquer lugar, desde Nova Iorque até no espaço, o roteiro dá credibilidade à localização dos personagens. Eles cumprem suas obrigações, que é reparar o local e dessa maneira não é culpa deles estarem na mira do assassino. Como ponto positivo, há também o tom sombrio e suposições de mortes, ou seja, na escuridão, não conseguimos saber exatamente se a pessoa está morta ou não. Destaque para as cenas de assassinatos acontecidos on-screen e também para o clima daquelas acontecidas em off. A única coisa que me desagradou um pouco é a supercapacidade do assassino. Como ele pode ter tempo para montar posições estratégicas para os corpos aparecerem e, tendo em vista quem é o assassino, como pode fazer tantas coisas, como colocar um cara morto em cima da cara, pendurar um outro na árvore e ainda se mostrar tão babaca e fácil de controlar como nas cenas finais?! Os que já assistiram ao filme sabem do que eu estou falando... Mas, enfim, este é um pequeno detalhe do filme, que não interfere tanto na qualidade final. Dentre os atores, vale dar atenção e fazer um pequeno elogio à interpretação de Besty Palmer, intérprete da mãe de Jason, que atuou no filme contra a vontade, mas que estava a fim de ganhar um dinheiro para comprar um carro novo. De longe, sua atuação é a mais significativa e dentre as atrizes que já interpretaram a mãe do personagem, a melhor intérprete certamente é Besty.

Acredito que tenha comentado tudo o que eu queria dizer. Assim, concluo que esse seja um filme interessante, com um clima legal, mas apenas mediano. Não podemos, no entanto, ignorar o seu significado cinematográfico, já que ele gravou nas nossas memórias um personagem bastante conhecido. Ao ver a máscara de hóquei, é mais provável que uma pessoa se lembre de Jason do que se lembre de um desenho que todos assistiam quando pré-adolescentes, Os Super Patos. Não se esqueçam também de que em 2009, essa primeiro filme foi modernizado, ferrado, cagado, etc., ao ser lançado um remake que é tosquíssimo e conta com o galã de filmecos de terror Jared Padaleck. Entre a versão antiga e a moderna, opte pela que é boa, ou seja, veja esse filme!

Luís
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26 de abr de 2010

Psicopata Americano

American Psycho. EUA, 2000, 100 minutos. Suspense.
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Esse é um daqueles filmes que causam impacto quando você tem 10 anos e o confere pela TV aberta (dublado e com severas edições). Lembro-me de quando o vi, realmente o achei interessante e tive uma boa impressão a respeito. Esses dias, ao ver uma resenha sobre esse filme num blog parceiro, decidi revê-lo - desta vez mais maduro e sem me impressionar facilmente - e constatei que para chamá-lo de bom ou descrevê-lo ao menos como interessante é necessário uma memória bem vaga daquilo que o filme mostra.

Patrick Bateman é um yuppie que trabalha numa empresa na Wall Street. Totalmente vaidoso, ele cuida da pele, do corpo, faz exercícios - é o que hoje chamamos de metrossexual. Ele, porém, não se sente nem um pouco confortável com concorrências, quaisquer que sejam e, no fundo, é frio o suficiente para sentir vontade de matar sem remoer qualquer sentimento por causa desse pensamento. Vivendo um relacionamento distante com sua noiva e pensando que as pessoas não o cultuam o suficiente, Patrick começa a matar para satisfazer o seu desejo compulsivo.

Certamente essa história poderia render um filme bem interessante, afinal assassinos quase sempre tornam-se personagens interessantíssimos em obras cinematográficas. Quando matam por prazer e sem remorso, tornam-se ainda mais legais, pois trazem consigo uma ótima série de debates. Contudo, não é isso que acontece quando vemos Psicopata Americano, porque essa obra apresenta uma história bastante rasa e sem possibilidade para análises psicológicas interessantes. Tudo o que Patrick faz é matar por prazer, cultuar o seu corpo e surtar. E isso é basicamente o que esse filme mostra, sem ser muito específico e deixando uma série de dúvidas para trás. Dentre todas as características do personagem, a que fica mais óbvia é a adoração de si mesmo. De maneira muito narcisista, Bateman chega ao cúmulo de transar olhando a si mesmo no espelho enquanto faz poses. O seu egocentrismo está bem visível também, mas de maneira muito explícita, de forma que não há o que procurarmos além do que já é mostrado. Sua compulsão por matar é, no mínimo, estranha, porque parece totalmente mal embasada, sem quaisquer precedentes e sem evoluções, afinal, acumular corpos não significa evoluir como psicopata.

Alguns consideram-no bastante violento, mas acredito que esse filme mostre sangue e agressão na medida certa. Talvez o grande acerto - e isso provavelmente se deve ao autor do livro em que esse filme foi baseado - seja mostrar Bateman como um homem extremamente culto, dando-lhe um aspecto de sensatez, principalmente nas cenas em que ele chama as protitutas e antes de cultuar-se e/ou matá-las, ele discorre sobre discos e músicas famosos, criando um clima de ensinamento e, ao mesmo tempo, de sedução culta. Logo em seguida, há o contraste e esse é o acerto do filme. Talvez seja o único acerto, vale ressaltar. Há alguns elementos no filme cuja finalidade é posta em dúvida, mas acredito que seja apenas causar a dúvida. Não sabemos ao certo se Bateman é mesmo Bateman, já que há personagens que o chamam por outro nome e em uma cenas, ao ser chamado por Mark Halberstam, ele atende por esse nome e sua noiva, interpretada por Reese Whiterspoon, pergunta por que o outro o chamou assim. Logo, podemos concluir que há quem o conheça por um nome que não seja Patrick, que ele atende por esse outro nome e que pessoas próximas dele desconheçam o porquê disso. A somar, há cenas estranhas, como rastros de sangue imensos, porém imperceptíveis para quaisquer personagens; lençois com manchas de sangue que não chamam a atenção de ninguém e um final bastante estranho. Isso tudo me fez perguntar se tudo aquilo que aconteceu com Patrick Bateman foi verdadeiro ou se ele apenas imaginou tudo aquilo.

Como disse acima, penso que Psicopata Americano se trata de um filme raso, sem possibilidade de análise profunda, cheio de cenas dúbias. Acredito que só há dois motivos para que certas pessoas possam gostar dessa obra: ou enxergaram muito, muito, muito além do que esse filme mostra ou gostaram de ver tantas cenas com Christian Bale pelado. Honestamente, não acho que o corpo musculoso e reluzente de Bale faça o filme valer a pena. Recomendo que o vejam quando não houver realmente mais nada para ver. Como o revi num dia em qualquer coisa poderia me interessar, minha opinião classificou-o como "entre uma obra ruim e mediana".

Luís
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24 de abr de 2010

High School Band

Bandslam. EUA, 2009, 111 minutos. Comédia.
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Will Burton se mudou recentemente para Nova Jersey. Logo em seus primeiros dias na nova escola ele conhece Sa5m, tímida e introvertida, e Charlotte Banks, descolada e popular. Ao revelar seu conhecimento sobre música, Will é convidado para gerenciar a nova banda de rock formada por Charlotte. O objetivo é fazer com que o grupo vença a batalha de bandas da cidade, o Bandslam. A partir de então a vida de Will muda drasticamente, já que deixa de ser visto como um perdedor pelos colegas de escola.

Vocês têm a impressão de que já leram algo semelhante em algum outro filme? Pois é, não é muito original a ideia que esse filme aborda, mas ainda assim ele consegue ser engraçadinho, se mostrando um entretenimento legal para uma noite sem grandes expectativas. Não resta dúvida de que o filme tenta remeter ao sucesso comercial High School Musical, não somente pelo tema mostrado como também pela presença de Vanessa Hudgens, que fez sucesso como Gabriela. O título nacional apenas prova o que eu acabei de dizer: em vez de escolher um outro nome para o termo bandslam, sem correspondente específico em português, eles optaram por pegar um trecho de título já famoso.

Tal como qualquer comédia a qual é acrescido o romance, High School Band se desenvolve pouco e cai em vários clichês: o entrosamento rápido do personagem principal com todos aqueles de relativa importância para o filme, o elemento complicador - nesse caso, o passado de Will (ou Dewey) -, a confusão romântica, a separação e, por fim, - o que era previsibilíssimo - a união em perfeita harmonia e sincronia. Dessa maneira, esse filme não é nenhuma obra original, nem mostra algo que outros filmes já não tenham mostrado. Vanessa Hudgens queria o papel principal, o de Alyson Michalka, mas acabou sendo convencida a ficar com a personagem coadjuvante, que, embora seja um simples acessório, é bem mais interessante e coerente que Charlotte, a personagem principal. Lika Kudrow, a eterna Phoebes do seriado Friends, também participa do filme e remete um pouquinho à sua personagem mais famosa. Talvez essa tenha sido uma tática para atrair atenção de vários grupos grupos de espectadores, mas confesso que é realmente difícil acreditar que ela seja mãe daquele menino. O roteiro se ocupa em desenvolver de um modo estranho a maioria dos personagens, que às vezes agem sem qualquer embasamento.

Como eu disse, é um filme mediano, que chama atenção apenas pela boa trilha sonora. Não me refiro às canções cantadas pelos personagens no maior estilo High School Musical. Falo sobre as canções de outros artistas famosos, colocadas no filme para causar um charme que por si só ele não consegue mostrar. A cultura musical de Will reflete em cenas nas quais podemos ouvir músicas interessantes ao fundo. O filme conta com um ou outra cena engraçada, algumas que propõem - apenas propõem - reflexão e algumas bem bobinhas. Destaque especial para a incapacidade de Alyson Michalka nas cenas dramáticas, que ficariam bem melhor fora do filme. Antes de terminar a resenha, não posso me esquecer de agradecer ao Bruno - que participou do blog avaliando os filmes de janeiro - por ter escolhido esse filme para que nós todos o víssemos!

Luís
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21 de abr de 2010

Um Amor Verdadeiro

One True Thing. EUA, 1998, 127 minutos. Drama.
Indicado ao Academy Award na categoria Melhor Atriz (Meryl Streep).
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Eu vi esse filme para apresentá-lo no blog Um Oscar por Mês, já que ele havia concorrido no ano sobre o qual escolhemos falar. Honestamente, nem sabia que existia, porque não é um filme de grande destaque no cirucuito cinematográfico - como pode, aliás, um filme com um título bobo como esse ter qualquer tipo de destaque? Enfim, eu o conferi e agora falarei sobre essa obra.

Percebe-se que o seu objetivo de fato é colocar o espectador a par dos acontecimentos que giram em torno da família Gulden. Kate é uma mãe dedicada, mas aos poucos começa a sofrer por causa do câncer. Por causa disso, Ellen - a filha de Kate -, jornalista cuja vida se foca apenas no trabalho, é chamada pelo pai para ajudar a mãe enquanto ela se recupera. Tendo pouco em comum com a mãe, Ellen e Kate passam por um período intenso de aproximação, descobrindo segredos e revelando suas personalidades uma para a outra.

Só pelo resumo já dá pra perceber que esse pode ser o típico filme dramático que a Academia gosta: uma atriz veterana interpretando uma coitada. Ou seja, muitas lágrimas! E isso que esse filme tenta fazer mesmo - o espectador parece ser conduzido o tempo todo para um ataque de choro, mas, no meu caso, isso ficou bem longe de acontecer. O roteiro não se ocupa realmente em explorar os personagens, tornando-os meio rasos e repetitivos. A aproximação entre Ellen e Kate deveria ser o ápice do filme, mas isso chega a um nível mediano, sem ser tão intenso quanto deveria ser. E como se isso não bastasse, há ainda o fato de que há elementos alheios à história das duas, como o fato de Ellen descobrir que o pai mantém um relacionamento extra-conjugal. Num roteiro bem escrito, esse fator complicador seria motivo para intensificar o drama; aqui não serve pra nada.

As atuações não são realmente significantes. Mesmo que Meryl Streep tenha sido indicada ao Oscar, isso decerto nada tem a ver com o seu desempenho em cena, uma vez que a sua atuação é bastante mediana, sem nenhum grande destaque. Ela foi indicada provavelmente pelo apreço que os membros da Academia têm por ela e eu realmente não acho que ela seja lead actress nessa obra. Não sei se é o personagem de William Hurt ou se é a atuação do ator - algo não me agradou a respeito dele. Apareceu pouco e mostra pouco, sendo provavelmente o menos intenso dos três atores de destaque. Reneé Zellwegger conseguiu me impressionar: acho que eu nunca tinha visto um filme no qual ela aparenta estar tão sóbria. Outras de suas personagens eram tão cheias de frescuras e todas com trejeitos notáveis que ao vê-la como Ellen percebi que ela também pode interpretar personagens normais. E que fica bem assim! Assim como os outros, ela está mediana.

Não sei se esse é um bom filme para se recomendar a quem goste de drama, porque é uma obra um pouco rasa, que não exploira tudo o que poderia explorar. Como se não bastasse a imesna sensação de superficiliade que o filme deixa transparecer, ele ainda é comprido demais - mais de duas horas de filme para não mostrar nada novo, nada realmente atrativo. Não quero dizer com isso que o filme seja ruim, afinal ele não é. Porém, está bem longe de ser aquilo que esperei que fosse.

Luís
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19 de abr de 2010

O Retrato de Dorian Gray

The Picture of Dorian Gray. Inglaterra, 1890, 296 páginas (Clássicos Coleção Abril).
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Há muito gostaria de ler esse livro. Com o lançamento em breve da nova versão da história de Oscar Wilde - e também com os lançamentos semanais de vários clássicos por preços bastantes acessíveis -, me senti obrigado a ler essa obra, que, decerto faz parte dos chamados "Clássicos da Literatura" e que merecidamente vem sendo lida há mais de cem anos!

Basicamente, basta falar  nome Dorian Gray para que qualquer pessoa com o mínimo de cultura seja remetida ao personagem famosíssimo. E todos sabem o esboço simples da narrativa: uma imagem num retrato que se deteriora na aparência, permitindo que o homem retratado permaneça com a juventude inalterável. O que falta acrescentar é mesmo pouco,  uma vez que o essencial para atrair a curiosidade do leitor é aquilo que eu já citei: o porquê da transfiguração do quadro e não do homem.

É importante, antes de mais nada, ressaltar que na obra não há vilões ou mocinhos. Todos de certo modo são heroicos e vis, todos têm características positivas e negativas. É comum pensar que Dorian Gray seja o vilão da história; o simples pensamento de que ele optou por permanecer jovem por fora enquanto o seu interior murchava causa nas pessoas o julgamento de que ele seja o personagem ruim. Vale lembrar que ele talvez seja tão ingênuo quanto Sybil Vane, garota por quem ele se apaixona. Não me restam dúvidas de que Dorian é de fato o melhor personagem do livro. O autor não apenas colocou o seu nome no título do romance como também se ocupou em criar um personagem denso, dúbio, profundo à sua maneira. Para dar-lhe suporte, surgem outras duas grandes figuras: Lorde Henry e Basil Hallward. Talvez devamos culpar o primeiro pelo corrompimento da alma de Dorian; devido a sua filosofia e aos seus argumentos, convenceu o personagem-título de que a vida só valia a pena enquanto somos jovens. Ainda que Dorian fosse a pessoa que encatava a todos com seu charme, era Henry que induzia as pessoas. Ele sabia como dominá-las, como introduzir nelas um pensamento tão amplo - destrutivo, às vezes - e, por fim, aos poucos, elas caíam nas palavras ardilosas dele. Basil, por sua vez, representa o que há de suave. Seu sentimento por Dorian é gentil e sua condescendência é notável, mesmo diante de notáveis maus tratos.

Oscar Wilde não poupou o seu único romance do brilhantismo: nele inseriu uma profunda análise do ser humano, não apenas no quesito psicológico, como também amoroso e sexual. A princípio, constrói uma cena na qual nós conhecemos Dorian por intermédio de ideologias provindas de Basil Hallward, o pintor que pouco depois pintará o famoso quadro. A maneira como o artista cita o seu modelo-vivo é encatadora e, então, começamos a suspeitar de que há mais do que simples admiração artística. Depois, surge Dorian, com sua mente fragilizada e influenciável, e Lorde Henry, bastante astuto, eterno questionador e filósofo. Usando esses personagens, Wilde mostra o desejo secreto do homem: permanecer sempre no topo, independentemente do que isso signifique. Segundo a teoria de Lorde Henry, em suas próprias palavras, "o senhor dispõe só de alguns anos para viver deveras, perfeitamente, plenamente. Quando a mocidade passar, a sua beleza ir-se-á com ela; então o senhor descobrirá que já não o aguardam triunfos, ou que só lhe restam as vitórias medíocres que a recordação do passado tornará mais amargas que destroçadas". Fica claro no livro que a juventude não apenas é instável - é difícil ater-se ao que é moralmente correto e o que é prazeroso - como circunstâncias ocorridas nessa época tornam-se grandes problemas no futuro. Dorian, antes consumido pela vontade de permanecer jovem, dedicara-se também a práticas imorais, destrutivas, sujas. Com isso, já tendo destruído sua vida, destruiu também a de outras pessoas - inclusive a do amigo Basil. Mais tarde, depois de abordar a corrupção da mente e do corpo, Wilde fecha a sua narrativa com um dos finais mais breves - não menos intensos, porém - da literatura: a redenção, por fim.

Acredito que lê-lo seja uma ótima fonte de estudo psicológico. Há muito o que se dizer dos personagens, há muito o que analisar na narrativa. Oscar Wilde ousou ao compor uma obra na qual critica o comportamento inglês da época, relata (de maneira sutil, evidente) o envolvimento amoroso que Basil sente por Dorian, fala sobre prostituição. Decerto, é uma obra clássica, que deve ser lida e, algum tempo depois, relida. Os personagens, assim como toda a narrativa, são bastante marcantes e ouso dizer que Dorian não é o único protagonista, uma vez que boa parte de sua construção se deve à participação de Lorde Henry. Oscar Wilde pode ter escrito apenas um romance, mas não tenho dúvidas de que o fez num momento certo e que o compôs da melhor maneira como poderia ser composto. Agora, resta-nos saber se a nova versão dessa história estará à altura do livro que a originou...

Luís

17 de abr de 2010

Um Olhar do Paraíso

The Lovely Bones. EUA, 2010, 130 minutos. Drama.
Indicado ao Academy Award na categoria Melhor Ator Coadjuvante (Stalney Tucci).
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O que impressiona a princípio nesse filme é o elenco. Curiosamente, dentre os cinco atores importantes da trama, quatro já haviam sido indicados e/ou ganhado um Oscar por interpretações bastante densas. Wahlberg, Weisz, Sarandon e Ronan já foram indicados e, esse ano, Stanley Tucci, o quinto "ator importante" recebeu sua indicação justamente por esse filme. A somar, há a direção do premiado Peter Jackson, que nos trouxe obras aclamadíssimas, como O Senhor dos Anéis. Considerando todo esse peso, não me restavam dúvidas de que esse seria um grande filme.

Depois de vê-lo, porém, concluí que não é tão grande quanto eu supunha que fosse. Ainda que tenha um potencial artístico expansivo, o filme peca em alguns pontos - principalmente no roteiro - e isso faz com que o seu brilho seja bem mais fraco. Mesmo assim, creio que seja uma boa obra. Aproveitando que comecei a falar sobre o roteiro, vou comentá-lo agora. O roteiro proveio do enredo de Uma Vida Interrompida: Memórias de um Anjo Assassinado, livro de Alice Sebolda, que chegou ao Brasil numa publicação da editora Ediouro em 2003. A história aborda a narrativa de uma garota de 14 anos que está em território intermediário, entre o Paraíso e a Terra. Morta por um vizinho, Susie Salmon começa a vigiar a sua família e acompanhar os acontecimentos que não pôde presenciar enquanto viva, podendo interferir em alguns eventos, aproximando-se dos seus familiares, fazendo-os quase perceber sua presença.

Narrado em flashback até um trecho e depois normalmente, o roteiro capta bem os dois horizontes: é mostrada com eficiência a estadia de Susie no plano intermediário e também as transformações pelas quais passaram a família da jovem. Não tenho certeza de como foi estruturado o livro, porque ainda não o li, mas o enredo não se foca unicamente no drama, abrindo espaço também para cenas mais cômicas, permitindo que assim haja certo equilíbrio entre o que é mostrado e como o público reage a isso. A esses dois quesitos, meus sinceros parabéns. Porém, há grandes problemas quanto ao que é exibido. Se a família da jovem a princípio provoca afeição no espectador, depois ela causa profunda confusão. Isso se deve principalmente à má construção da personagem de Rachel Weisz, que primeiro se mostra uma mãe prestatitva para depois mostrar-se completamente alheia e esvoaçante. Diante dos problemas que seu esposo e seus filhos menores enfrentam, ela simplesmente foge de casa e vai colher laranjas em algum pomar isolado. A simples presença disso no roteiro já assusta e, para piorar, Peter Jackson compôs essas cenas de maneira muito estranha, fazendo parecer que nenhum assassinato realmente aconteceu, como se a mulher simplesmente estivesse apaixonada por alguém ao ver a fotografia que carrega consigo. A somar aos defeitos, há o problema com o quesito "desconfiança". Nenhum personagem tem qualquer motivo para desconfiar de George Harvey: o sujeito é estranho e introspectivo, mas pessoas como ele estão em todos os lugares e nem por isso ficamos suspeitando que sejam assassinos. Talvez para encurtar a história, o argumento usado para que os personagens desconfiassem do vizinho é o "instinto". O erro talvez tenha sido criar tantas pessoas puramente instintivas, já que o pai passa a desconfiar, a filha mais nova, o cachorro também, talvez até o arbusto em frente à casa dos Salmon desconfie do vizinho...

O roteiro também não explicita o porquê de Susie ser meio egoísta: ela se comunica parcialmente com o pai, com o irmão mais nova e decerto tem possibilidades para fazer mais do que faz. No entanto, abstém-se de mostrar algo mais produtivo, fica brincando no Plano Intermediário com Holly (numa excelente referência à personagem de Audrey Hepburn em Bonequinha de Luxo) e quando esta mostra a Susie que ela pode ir ao Paraíso, a garota fica abobalhada e decide voltar para pertubrar a vida da família. Honestamente, eu esperava mesmo que o corpo de Susie fosse encontrado, para que o filme se finalizasse "plenamente", mas percebo que esse não seria o final ideal, já que é bastante hollywoodiano e pouco verdadeiro, já que é mais usual não encontrarem restos de pessoas desaparecidas. Assim, considerei o roteiro mediano.

A respeito das atuações, creio que a maioria dos atores estejam bem em seus papéis. Rachel Weisz, por exemplo, não tem qualquer destaque, mas isso é culpa de sua personagem - que é ridícula. A única coisa a seu favor é a sua beleza, mas mesmo assim isso não chega a ser uma qualidade, já que ela foi enfeiada boa parte do filme. Mark Wahlberg definitivamente não convence como pai desesperado. Convence como pai carinhoso, então está bem em 50% das cenas em que aparece. Fora disso, sua atuação é semelhante à de Sean Penn em Sobre Meninos e Lobos - ou seja, estranha. Susan Sarandon não tem qualquer função em cena, mas é engraçado vê-la, principalmente porque ela é o contraponto do tom dramático do filme. Parece bobagem a inserção de sua personagem, que é meio caricata às vezes, mas definitivamente ela traz uma beleza a mais para o filme, talvez por sua experiência como atriz. Muitos consideram as suas cenas um exagero, mas eu discordo. Stanley Tucci está bem como o vizinho perigoso, mas honestamente achei sua interpretação apenas correta. Porém, afirmo: achei válida a indicação. Parece contraditório, mas não é. Achei que o seu personagem requer pouco do ator, já que ele é bastante linear, sem grandes nuances ao longo do filme. De quem é o destaque do filme? A resposta é simples: Saoirse Ronan. Ela tem apenas quinze e já foi indicada ao Oscar e não me resta dúvida de que conquistará inúmeras outras indicações, já que seu talento é visível em poucos momentos em cena. Tanto como a menina amarga de Atonement como a dócil Susie de The Lovely Bones, Ronan atiça o espectador com sua adorável interpretação. Dona de um dos pares de olhos azuis mais expressivos do cinema, a garota dá um verdadeiro show em cena, seja em momentos dramático ou em momentos cômicos. Ainda não vi as outras indicadas a Melhor Atriz, mas realmente acho que ela poderia ter sido facilmente indicada.

Todos que já viram algum filme de Peter Jackson sabem que o seu cinema é embasado em elementos humanos interagindo com elementos computadorizados. Assim, sem ver o filme, já imaginamos que veremos alguns efeitos especiais cuja finalidade é ressaltar o conteúdo não obtido sem eles. Um Olhar do Paraíso não é exceção: momentos importantes do filme se passam no universo atormentado de Susie, onde ela sente as crises ocorridas no mundo terreno. Destaque especial para a cena em que o pai de Susie destrói as garrafas com barcos dentro, que ele costumava criar por hobby, e isso se reflete num acidente grandioso na praia onde Susie está.

Com muitos prós e muitos contras, Um Olhar do Paraíso é um filme mediano. Concordo que não seja imenso, mas não acho que mereça tamanhas críticas como tenho lido por aí. Existem erros nessa obra - alguns furos no roteiro bastante graves -, mas os elementos positivos quase compensam e no final, mesmo que não tenha visto uma obra-prima, o que vi me agradou. Desse modo, eu recomendo que vocês assistam a esse filme, porque garante entretenimento satisfatório.

Luís
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15 de abr de 2010

Cidade de Deus

Brasil, 2002, 135 minutos. Drama.
Indicado a 4 Academy Awards nas categorias de Melhor Diretor (Fernando Meirelles), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Montagem e Melhor Filme Estrangeiro.
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Primeiro, devo confessar que, antes mesmo de ver esse filme, eu nutria certa distância dele. Isso deve ao fato de eu não entender por que o cinema nacional gosta de cultuar a violência, banalizando, tornando-a cultural e, por causa disso,a ceitável. Logicamente que eu não poderia dar as costas a vida toda para um filme nacional que recebeu grande destaque internacional, chegando inclusive aonde os outros jamais chegaram: quatro indicações ao principal prêmio do cinema.

Resolvi me deitar para vê-lo e esperei pelo pior. Demorei pouco mais de dez minutos para me adaptar àquela lenta amarela-alaranjada usada para possivelmente captar com mais precisão a ideia de calor e iluminação do Rio de Janeiro. Logo nas cenas iniciais, percebemos o caráter épico do filme, que se comprova conforme vamos acompanhando o desenrolar a história, que aborda a trajetória da Cidade de Deus, uma comunidade bastante violenta, que, como bem dito por um personagem, "não recebe qualquer atenção, já que está bem longe dos cartões postais do Rio de Janeiro". Aproveito para explicar a palavra que usei... digo "épico" porque decididamente a linha narrativa abrange um período bastante longo e lhe dá credibilidade e sustância ao contruir vários personagens que dêem embasamento para os atos e acontecimentos mostrados.

Devo dizer que a característica que citei acima é importantíssima. Se não houvesse acréscimo dos vários personagens com breves introduções acerca de cada um deles, o filme certamente não teria o peso que tem. As situações individuais, que motivaram cada personagem a tomar um partido, são deveras importantes para o desenrolar dessa obra. Vale ainda comentar que o que disse no primeiro parágrafo aqui se aplica com sensatez: a violência na Cidade de Deus é mesmo cultural. Desde pequenos os jovens convivem com ela, logo a maioria tende a se aproximar cada vez mais, motivados peos seus heróis imaginários e pelos arruaceiros com que convivem. A somar, já os nascidos ruins, como é o caso de Dadinho, que mais tarde se tornaria Zé Pequeno e imortalizaria uma das mais famosas frases do cinema nacional - a qual nem preciso dizer, pois vocês já sabem qual é! Um dos maiores acertos do roteiro é contrapor personagens em relação às suas atitudes, mas centrá-los num mesmo ambiente. Ao não usar princípios deterministas, o filme se enriquece. Zé Pequeno é o típico vândalo-mor e ajusta as situações à sua vontade, da maneira mais violenta possível e se empenha em compor o perfil do bandido-exemplo: extremamente agressivo, sem meias palavras, totalmente autoritário e à margem da boa conduta social. Buscapé é a antítese: ainda que se situe no mesmo ambiente, ele tem uma visão voltada para o seu crescimento pessoal, sem intrometer-se na vida dos outros. No meio termo, está Bené, que é um óbvio intermediário: ele é vilão e mocinho, bandido e cidadão. Descrevo-o assim porque fica óbvio que suas atitudes positivas, que o elevam em relação ao outros, não excluem sua parte ao lado de Zé Pequeno. Suas ações são concomitantes; não excludentes.

A direção do filme é realmente muito elogiável. Fernando Meirelles ocupou-se em ambientar com perfeição aquilo que queria mostrar. O filme é, sobretudo, interativo. Tem um forte potencial de colocar o espectador ao lado dos personagens. Como disse, eu acrescentar vários personagens e breve introduções, o diretor causou uma aproximação do espectador. A opção por narrar em primeira pessoa surte efeito positivo, já que somos também induzidos pelas opiniões de Buscapé, o personagem. A edição é rápido, vemos vários ângulos da mesma cena. Isso causa um dinamismo que encurta o filme, fazendo-o parecer menor do que os cento e trinta minutos que tem. As atuações dos atores são mesmo boas - muitos deles inclusive são realmente moradores de comunidades como a Cidade de Deus. Até mesmo Matheus Natchergale - que é um ator convincente, mas que parece quase sempre igual - está bem diferente de suas outras atuações. Em minha opinião, o destaque vai para os atores Phellipe e Jonathan Haangensen, que participam de estágios diferentes da história, mas que contribuem firmemente para que sejam lembrados depois desse filme. Destaque especial para duas cenas de carga dramática e uma assustadora: Dadinho matando geral no motel; Zé Pequeno chorando por causa de Bené na festa de despedida na boate; e, por fim, a cena em que o grupo de Zé Pequeno atira em duas crianças e depois obriga uma terceira a matar um dos dois garotos.

Considerando o que esperava do filme e aquilo que vi, confesso que fiquei positivamente surpreso. Gostei mesmo do filme e me sinto obrig´pa-lo a recomendá-lo àqueles que buscam um filme nacional interessante. Aos que pensavam como eu, "deve ser um lixo porque só mostra violência", afirmo que a violência mostrada é totalmente coerente com a proposta do filme e não é gratuita. Talvez o filme seja um pouco longo demais, com um pouco de informações em excesso... mas certamente é um filme válido e uma amostra, sobretudo, de que temos bons diretores no Brasil!

Luís
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13 de abr de 2010

O Sacrifício do Mal

Soul's Midnight. EUA, 2006, 85 minutos. Terror.
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Esse filme estava em casa há algum tempo, então eu decidi conferi-lo. O pôster não é muito animador, pois já revela que a produção é, no máximo, mediana. Ainda assim, eu pensei comigo mesmo: "Talvez essa capa seja enganadora; talvez o filme seja melhor do que parece ser". Desagradável engano: esse filme é uma catástrofe, daquelas que, de tão mergulhadas nos clichês e nas bizarrices, tornam-se previsíveis o tempo todo e, depois de um tempo, chega a ser ofensivo à nossa inteligência.

Histórias de vampiros costumam agradar às pessoas. Elas normalmente possuem um clima interessante, bastante sombrio e sedutor, que, de alguma forma, faz com que o espectador se intimide e ao mesmo tempo se retraia enquanto assiste ao filme. O Sacrifício do Mal é um filme de vampiro que tenta misturar muito horror e, contraditoriamente, finaizinhos felizes, e fracassa nas duas tentativas. Fracassa também no roteiro, já que as explicações e as caracterizações são deveras patéticas: vampiros com medo de água benta, alho, etc., são de histórias infantis!

O desenrolar do filme não é bom. A cena inicial já nos mostra com antecedência que o filme está fadado à repetição. Já sabemos que alguém - provavelmente um parente próximo da moça grávida da primeira cena - voltará à cidade da qual ela fugiu e terá sérios problemas, possivelmente passando por tudo o que ela passou. E é exatamente isso que acontece! Há um hotel imenso numa cidadezinha extremamente pacata, com poucos habitantes (deduzi isso porque nunca tem ninguém na rua) e com poucos atrativos turísticos, e os personagens principais se hospedam nesse hotel sem nem ao menos estranhar a presença de um lugar como aquele faz numa cidade como aquela. A aproximação entre Charles e Simon é muito mal feita, assim como igualmente mal conduzida a aproximação entre Charles e Íris. O envolvimento da esposa de Charles com os outros dois personagens é a coisa mais estúpida do mundo e o filme se desenvolve ("desenvolver", aliás, não é o verbo aconselhável) de maneira muito ruim, fazendo com que o espectador fique com cara de tacho enquanto assiste.

Os efeitos especiais são terríveis! As cenas têm uma montagem horrível e o uso do cenário e da iluminação é péssimo. Muitos efeitos fazem uso de fumaça e tive a impressão de que a fumaça seria muito mais proveitosa se conseguisse esconder a precariedade da maquiagem. Além de vermos tudo acinzentado, ainda temos que ver umas porcarias que surgem. A trilha sonora, que costuma ser eficiente em filmes assim, funciona exclusivamente para tentar acrescentar o suspense que o filme por si só não possui. O filme é cheio de cenas desnecessárias e exageradas, como Charles e uma velha vampira despencando do telhado, o padre vampirizado da Igreja tentando matar os "mocinhos", o envolvimento escroto entre Íris e Charles. Nem comentarei a atuação, porque isso é praticamente inexistente no filme. A melhorzinha é a esposa de Charles, que é bonitinha - apenas - ; do resto, nada salva.

Se o vampiro-mestre for morto, os que foram mordidos por ele voltam ao normal. Mas que porra é essa?! Que babaquice é essa que foi inserida na história?! É por essas e outras que o filme é ruim. Minha recomendação é que dêem esse filme de presente a dois tipos de pessoas: os inimigos e os amigos bobocas que gostam de filmes pseudo-trashes - nem de trash pode ser chamado, porque, embora muito precário e cheio de clichê, o filme tenta se levar a sério o tempo todo, o que é péssimo! Enfim, é isso. Mais um lixo cinematográfico.

Luís
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11 de abr de 2010

Mulher-Gato

Catwoman. EUA, 2005, 97 minutos. Ação.
Ganhador do Framboesa de Ouro de Pior Filme e Pior Atriz (Halle Berry).
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Esse filme surgiu em 2005, mas vale lembrar que esse não é o único filme em que a personagem-título aparece no cinema. Anteriormente, ela havia sido apresentada com outro nome, num outro enredo e com outra atriz personficando essa anti-heroína. Os que têm boa memória e os que são fãs da série Batman, se lembram da personagem num dos filmes da cronologia antiga, que se iniciou em 1989 com Batman e foi toscamente encerrada em 1997, com Batman e Robin. A Mulher-Gato apareceu no segundo filme da série, entitulado Batman - O Retorno, de 1991, e foi deliciosamente vivida por Michelle Pfeiffer.

Pois bem, 14 anos depois, num filme independente, a Mulher-Gato não se chama Selina Kyle; seu nome nesse spin-off é Patience Philips e é interpretada por Halle Berry, que estava em alta desde que ganhou o Oscar em 2002 pelo filme A Última Ceia. Patience é uma designer desajustada, que tem problemas com horários e com relacionamentos. Trabalha para uma empresa de cosméticos e uma noite, sem querer, descobre que um dos produtos prestes a ser liberado para consumo provoca sérias doenças de pele. Ao ser flagrada, é perseguida por segurança e para no tubo de despejamento de resíduos da fábrica que, ao ser acionado, a joga num lago de esgoto, matando-a. Alguns gatos, no entanto, com poderes especiais, permitem-na viver de novo, desta vez assumindo as características de uma felina - e assim surge uma das personagens mais toscas dos filmes.

Comparações são inevitáveis. Assim como as interpretações de Jack Nicholson e de Heath Ledger foram comparadas, as de Michelle Pfeiffer e de Halle Berry também passaram pelo mesmo processo. Em relação aos atores, muitos espectadores se dividem e muitos gostam do Curinga antigo enquanto outros preferem o Curinga atual. A respeito da Mulher-Gato, eu realmente duvido que haja alguém que prefira a versão bestificada à maravilhosa interpretação de Pfeiffer. A começar, a personagem Patience tem um desenvolvimento estranho e toda introdução que o filme faz à personagem e ao início do relacionamento entre Patience e Tom, o detetive de polícia, é embasado em clichês. Já estamos cansados de ver romances que se iniciam quando pessoas bobocas, como Patience, resolvem fazer alguma coisa que dá errado - como subir na janela de um prédio para tentar pegar um gato - e acabam sendo confundidas com potenciais suicidas que precisam de ajuda. Quando vi isso, já percebi que o filme não ia pra frente. A personagem é tímida em relação aos relacionamentos amorosos, mas ela é bastante despojada, muito free-way, parece não ter preocupações. Para tentar mudar essa visão, o diretor resolveu colocar uma situação-problema que a obrigasse a parecer preocupada, que é a obrigação de entregar uma nova proposta de desenho de um produto. Obviamente que não funciona.

Vamos retomar a interpretação de Michelle Pfeiffer. Selina era a típica secretária funcional, trabalhando 24 horas por dia, sem tempo para si mesma. Seu estilo de vida não lhe permitia diversão e ao se tornar a Mulher-Gato podemos ver contraste acentuado. O mesmo não acontece com Patience Philips. Sabemos que para melhorá-la basta trocar uma peças de roupas. Assim, boa parte do carisma da personagem desaparece. Pois bem... vamos à parte em que Patience torna-se a personagem-título. Primeiro: o vestuário dela é muito feio, se assimilando mais a uma prostituta motoqueira do que a uma mulher sedutora e, ao mesmo tempo, perigosa. Segundo: os movimentos da personagem não se parecem com os movimentos de um gato. Jamais vi um gato que corra pelo teto! Certamente sobem muros e pulam de grandes alturas, mas é um absoluto exagero fazer parecer que aquela cena do roubo à joalheria seja aceitável. Terceiro: o propósito da personagem de encontrar quem fez àquilo a ela é muito mal aproveitado. Surge como segundo plano, encoberto pelas situações confusas e sem graças pelas quais Patience-ortônima passa e pelo relacionamento bobo dela com o policial mais bobo ainda.

Halle Berry é bonitinha, mas a sua atuação nesse filme não consegue nem usar sua beleza como atrativo. Há tantos efeitos especiais que até penso que a caminhada dela enquanto Mulher-Gato tenha sido computadorizada. Aliás, há muito brilho e curvas estranhas em seu corpo. Mais realidade e menos photoshop fariam bem à cena. Sua atuação beira o ridículo, com direito a cenas bem infames, como a luta contra a vilã interpretado por Sharon Stone. Esta, aliás, está igualmente péssima - se analisarmos com mais frieza, talvez esteja ainda pior do Halle Berry.  Mas chegam a ser engraçadas algumas cenas com sua personagem, principalmente aquela em que ela cai da escada porque fui empurrada pela Mulher-Gato. Simplesmente absurda! Eu mesmo tive que voltar a cena umas três vezes para ver e dar risada! Depois rola a interpretação da luta entre as duas. Halle Berry e Sharon Stone podiam ter sido indicadas a algum prêmio na categoria Pior Tentativa de Luta, porque a cena chega a ser risível de tão patética. Se a personagem de Sharon Stone não tivesse o fim que teve, poderia até rolar um outro spin-off entitulado Mulher-Mármore. Benjamin Bratt, aquele ator patético que não sabe fazer nada a não ser se repetir, tem função de coadjuvante aqui e ele traz chatice ao filme, já que sua interpretação é a mais comum. Nem podemos rir, o que é pena.

Eu tô aqui reclamando sem parar e vocês devem estar pensando que eu detestei o filme. Admito: como obra cinematográfica, a qualidade é péssima. Mas rola entretenimento, viu! Até porque dá pra rir em muitas cenas, seja a transformação de Patience, a baboseira do misticismo envolvendo as Mulheres-Gato, a cena de luta entre a personagem principal e vários policiais durante um espetáculo de ballet, e, por fim, a mais divertida: a luta sobre a qual comentei acima. Minha sugestão é: chame aquele amigo legal, peguem muitas coisas para comer e se entretenham comendo e conversando enquanto riem dessa bobagem do cinema. Última ressalva: Michelle Pfeiffer fica bem mais gostosa naquela roupa de couro...

Luís
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9 de abr de 2010

Amarelo Manga

Brasil, 2002, 100 minutos.
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O filme narra a história de vários personagens que se relacionam por causa das situações e do ambiente em que vivem. São pessoas pobres do subúrbio do Recife e se diferem bastante, apresentando a variedade de personagens: há a dona do bar gostosa, o homossexual apaixonado, uma senhora hipocondríaca, um padre duvidoso, uma religiosa traída, o dono do hotel, um sujeito que se diverte com cadáveres, etc.

Não sei exatamente qual era o propósito de Cláudio Assis ao compor essa obra, pois ela realmente nada nos mostra e ainda consegue nos presentear com uma das mais feias fotografias que já vi no cinema. Por fotografia, compreendam tudo aquilo que seja possível: cenários, iluminação, ângulos de câmera, áudio, etc. Tudo no filme é bem feio, com uma qualidade tenebrosa, que beira o mau gosto. Destaque especial também para os atores, porque, até mesmo os mais bonitos, estão feios! A única exceção fica por conta que Dira Paes, mas ela sozinha não consegue alavancar o filme, que mostra muito e pouco diz.

As várias histórias acontecem ao longo de um dia e conhecemos todos os personagens de acordo com aquilo que eles fazem. Em palavras menos bonitas, diria que ninguém faz nada naquele filme, uma vez que não se pode viver de rezar tampouco se pode viver sassaricando como o homossexual vivido por Matheus Nachtergaele. Fiquei me perguntando como atores tão talentosos como Matheus e Dira foram tão mal aproveitados, porque fica óbvio que suas funções nada mais são do que prolongar a chatice do filme. Muitas cenas não servem pra nada e a maioria delas possui extrema vulgaridade, como as cenas em que a mulher gorda esfrega o aparelho inalador na vagina para se masturbar e a cena em que a dor do bar vivida por Leona Cavalli mostra que não somente o seu cabelo é amarelo.

Amarelo Manga é um filme feio e sujo, que incomoda o espectador pelo baixo nível daquilo que é mostrado. O título pdoe fazer referência a qualquer uma das várias coisas que remetem ao amarelo e à manga, mas é fato que o "amarelo" é pálido e a "manga" é murcha e o filme se limita a isso: apenas mais um para aumentar o desapreço que alguns têm pelo cinema nacional. E isso é realmente uma pena!

Luís
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Amarelo Manga é um filma nacional, e disso já se pode tirar várias conclusões dos temas que podem ser tratados no longa como sexo, pobreza e violência, e é (mais uma vez) isso que acontece.

Mesmo que aconteça isso, eu achei uns pontos interessantes no filme. O próprio título já traz quase uma sinestesia para o telespectador. Quando a manga está bem amarela, bem madura, ela está próxima a podridão se não for apreciada antes. Esse tom de sujeira, podridão e promiscuidade está presente em todo o filme, e foi por isso que achei que essas características, diferentes de muitos outros títulos nacionais, estão contextualizadas com o que o roteiro nos passa. Os personagens pobres, os cenários e a situação de vida de cada são as mangas do filme. Uma fotografia presente e as locações corretas fazem com esse tom fique ainda mais presente.

Os atores realmente foram mal aproveitados e há cenas do roteiro que ficaram de extremo mal gosto. Não que tenha me chocado nem nada, mas ficaram feias mesmo. A parte em que a dona do bar vivida pela constante coadjuvante da Globo Leona Cavalli levanta a saia (e primeiro, está sem calcinha) e mostra sua vagina a todos do bar é muito escrota. E eu me pergunto, você comeria uma coxinha nesse bar depois?! Outra, também citada pelo Luís é a que a mulher gorda coloca o inalador nas partes íntimas e suspira de prazer é feia. Não só a cena, mas a atriz também.

Ao contrário das atrizes citadas, há dois personagens (e por sua vez os atores) dos quais eu gostei bastante: Matheus Nachtergaele e Dira Paes; não é a toa que eles são nomes importantes do cinema nacional. Seus personagens são bem diferentes entre si. Enquanto um é um homossexual cheio de trejeitos e com extrema feminilidade, uma é uma religiosa fervorosa e mesmo com essa distância na personalidade deles, há um fator que os ligam: o marido dela que é objeto de desejo deles. É desse relacionamento e desse desejo que surge a parte mais interessante do enredo e a única que vale a pena ser vista. Do resto, é tudo um vai e vem de atores meia-bocas com personagens mais meias-bocas ainda.

Fazendo um balanço, acho que Amarelo Manga não é um filme que deve entrar para sua lista de filmes, pois mesmo tendo analisado o filme e citados suas melhores partes, estas não são o bastante para esconder o resto do longa que, com certeza, é bem ruim.

Renan

7 de abr de 2010

Orgulho e Preconceito

Pride and Prejudice. EUA, 2005, 118 minutos. Drama / Romance.
Indicado a 4 Oscar, incluindo Melhor Atriz (Keira Knightely).
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Acredito que seja sempre uma série de fatores que nos faz querer assistir a um filme. O único motivo que me levou a querer conferi-lo foi a indicação de Keira ao Oscar. Nunca a achei uma atriz talentosa e suas personagens usualmente me irritam; a única exceção fica por conta de Elizabeth Swann, de Piratas do Caribe. A Jéssica, uma colega do cursinho, me incentivou a não vê-lo, pois, segundo ela, o livro que originou o filme é ruim, logo, a obra deveria se assimilar, uma vez que é adaptação. Mas é sempre melhor vermos para crermos...

Sr. e Sra. Bennett estão ansiosos para casar a filha mais velha. Constituem uma família humilde e têm a oportunidade de casá-la por um dote razoável. Lizzie é mais nova e melhor amiga de Jane, a irmã mais velha. Pouco a pouco, Lizzie percebe que o potencial noivo da irmã está influenciado pelas opiniões firmes de Sr. Darcy, um jovem extremamente preconceituoso. Surge entre os dois um conflito de proporções imensas, uma vez que ela não submete seu orgulho às afrontas que o outro lhe propõe.

Creio que eu não entendi bem o filme. Vi-o durante duas horas inteiras e simplesmente não consegui entrar no clima. Achei-o deveras monótono, com um roteiro bastante fraco e distante do espectador. Como é uma adaptação, penso que o livro tenha mais ou menos o mesmo ritmo e a mesma sequência de eventos, o que me faz pensar que, assim como o filme, também é chato! Não sei exatamente qual a intenção de Joe Wright ao conduzir o filme de maneira tão lenta, mas o fato é que encontrei muitas dificuldades em entrar em sintonia com os personagens e com as razões dele. Embora a história flua com lentidão - o que deveria nos permitir conhecer ainda mais os personagens -, não vemos um real desenvolver das emoções; o que vemos é uma repetição do que vimos nas cenas anteriores. O relacionamento entre os personagens principais, aqueles cujas personalidades (orgulhosa e preconceituosa) dão título ao filme, é um incrível, pois não há absolutamente nada que justifique a interação entre Sr. Darcy e Lizzie a não ser a antipatia. Soa meio confuso crer que os dois possam se amar, como é mostrado ao final. Comumente, nos deparamos com elementos complicadores, cuja finalidade é alavancar o romance, acrescentado emoção a ele. Em Orgulho e Preconceito, porém, não há nada, absolutamente nada. A única complicação se refere a nos identificarmos com o filme e nos entretermos, uma vez que a história, em suma, se situa ao redor de personagens instáveis e esquecíveis.

Falar sobre as atuações é um pouco difícil. Acho que a maioria dos atores estão corretos, logo não tenho críticas grandes a fazer. Talvez um empenho maior do diretor pudesse arrancar do elenco um fluxo emocional maior, mas, como esse é um filme mediano, acabamos nos contentando com o que vemos. Tive duas grandes surpresas: a primeira é a presença de Judi Dench, que mais uma vez interpreta uma personagem antipática e talvez por isso se saia tão bem; a segunda foi a indicação de Knightely ao Oscar. Como puderam indicá-la é a pergunta que me faço, uma vez que sua atuação é simples, sem nenhum atrativo, tão comum como seria se qualquer outra atriz mediana a substituísse. Comparar sua atuação com a de Felicity Huffmann, de Transamérica, é blasfemar. Mas, afinal, o que esperar de uma cerimônia na qual Reese Whisterpoon, de Johnny e June, sobressaiu à Huffman? Mais lamentável ainda! Mathew Macfadyen é o intérprete de Sr. Darcy e o ator se sai bem em seu personagem, principalmente porque seu papel exige pouquíssimo, já que Sr. Darcy é pequeno e limitado, assim como quase todos os outros personagens do filme. Donald Sutherland se mostra eficiente e é dele uma das melhores cenas do filme, quando diz a Lizzie, contraditoriamente ao que a mãe da moça deseja, que nunca mais falará com ela caso se case contra a própria vontade. Já Brenda Blethym poderia facilmente ser substituída por uma atriz que não fizesse grunhidos caricatos e fosse tão boba em cena.

Orgulho e Preconceito não é um filme bom, porém é assistível. Vê-lo não garante grande entretenimento, porque a história não evolui e há falta de tato na condução do ínfimo desenvolvimento. Ainda assim, há aspectos interessantes que merecem ser observados, como a bela fotografia, que mostra o campo de maneira bem charmosa; a trilha sonora, também eficiente, acrescenta alguma emoção às cenas nas quais a presença dela é indispensável (isso, porém, não dá o acabamento necessário). Como disse anteriormente, é um filme mediano, com defeitos e qualidade quase em equilíbrio. Teria me contentado mais se a atriz principal não fosse Keira Knightely, que parece gostar de se tornar "Elizabeth". Não creio, contudo, que outra atriz modificaria a monotonia do filme... É isso, pessoal. Resenha meio confusa, talvez repetitiva - para fazer jus à essa obra!

Luís
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Talvez essa seja um dos filmes em que o eu o Luís mais discordamos e frequetemente nos vemos discutindo os prós e contras do longa. Como devem ter percebido, ele não gostou muito do filme e eu, ao contrário, gostei. Gostei bastante. Não li a obra escrita pela Jane Austen, mas esse é uma daquelas adaptações que te fazem querer ir a biblioteca ou livraria para conferir o original.

Começando pelos aspectos técnico que nem o Luís pode deixar passar em branco. Primeiro citaria os cenários. As locações são explendidas e reproduz com muito charme a vida campestre, mostrando a beleza nos lugares mais simplórios como é o caso da casa da família Bennett. Se opondo a simplicidade, há o luxo dos mais ricos, representado por Sr. Darcy e pela sua família que é mostrado com a mesma beleza. Fora isso, há filmagens externas que mostram grandes campos ao por-do-sol e é aí que entra outro aspecto positivo que é a fotografia muitíssimo bem dirigida. A trilha sonora também faz a diferença pricipalmente nos grandes bailes que as irmãs vão.

Quanto as atuações, gostei bastante delas, e realmente acho que Keira está muito bem a ponto de ganhar uma indicação ao Oscar, embora ria em demasia em algumas cenas e o seu parceiro de cena Mathew Macfadyen  também. Os dois formam um dos mais belos casais que já vi. As personalidades dos dois (orgulhosa pra ela e preconceituoso pra ele) compõe todo o enredo que se desenrola não lentamente, mas sim no tempo certo, afinal estamos falando do século XVIII. O amor dos dois fica escondido pela cratera social que os separa no início, e durante todo o tempo (que passa rapidamente) o telespectador torce para que ambos fiquem juntos. Nesse momento, têm-se que entender o contexto psicológico no qual o livro foi escrito. Jane Austen nunca teve sorte no amor, e dizem que morreu virgem; devido a isso, sonhava com amores arrebatores e desses sonhos nasceram suas obras que mostram mulheres apaixonadas e ao mesmo tempo fortes e determinadas.

Acho que todos deveria dar uma chance pra esse filme, pois já no começo se vê uma obra sensível e apaixonate que tem muito mais a mostrar do que apenas uma história de amor bobinha que poderia ser vista em comédias românnticas.

Renan

5 de abr de 2010

Má Educação

La Mala Educación. Espanha, 2004, 104 minutos. Drama.
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Má Educação é um adorável presente aos cinéfilos. A união entre Almodóvar e Gael Garcia Bernal resultou num filme forte e impactante, com uma química perfeita entre ator e diretor, que conduz o espectador a um corredor de sentimentos novos. De maneira excepcional, Almodóvar transforma seu filme numa pequena pérola do cinema, com direito a romance, drama, sensualidade, crimes - e uma agressiva crítica à Igreja.

Ignácio é um jovem ator de teatro que, depois de vários anos, reencontra Enrique, um amigo com que, na infância, teve um relacionamento amoroso. Estudantes de um colégio católico, Ignácio sofreu abusos do padre Manolo, professor de literatura e diretor do colégio. O breve envolvimento entre Ignácio e Enrique fez com que Manolo expulsasse o segundo a fim de que o priemiro o esquecesse. Anos mais tarde, os três personagens se reencontram e isso trará consequências para os três.

Dentre os filmes de Almodóvar, este, por enquanto, é o melhor que já vi. Achei-o totalmente inspirado, com ótimas atuações e, de um modo geral, excepcionalmente brilhante. O roteiro soa meio confuso a princpío, pois não conseguimos identificar exatamente o que são as passagens mostradas: confundimos ficção com realidade, passado com presente. E esse é o grande acerto, pois, conforme a história é tecida, somos apresentados as vertentes do filme produzido dentro do filme e do relacionamento dos personagens, que se tornam maiores, mais profundos e, consequentemente, mais perigosos. As cenas em que Gael aparece travestido soam como flashbacks, mas, ao mesmo tempo, fazem o espectador saber que não são flashbacks. Destaque especial para o momento em que são mostrados os jovens Ignácio e Enrique, em cenas bastante delicadas, que mostram com suavidade o começo do relacionamento entre dois garotos de dez anos. O mais interessante é a contextualização: num cinema da pequena cidade, os dois assistem a um filme enquanto começam a se masturbar - um ao outro. Uma cena rápida, porém de forte impacto. A ideia de criar uma história dentro da outra faz com que o filme se fortaleça, que se torne mais interessante e, ao mesmo tempo, mais difícil de ser visto, porque o espectador precisa ir decifrando o que vê.

Como já devem ter percebido, adorei Gael no filme: como homem ou como mulher, ele exibe um charme que torna sua interpretação ainda mais lapidada. Seu parceiro de elenco, Fele Martínez, fica aquém, mas, mesmo assim, realiza um bom trabalho e, juntos, os dois provam que às vezes o sexo é um jogo de mentiras - e como eles mentem bem! Javier Cámara, visto anteriormente no interessante Fale com Ela (também de Almodóvar), tem uma pequena participação como a amiga de Zahara, a versão travestida de Ignácio. A aparição do ator é pequena e relevante somente para o trecho no qual se insere, nada mais. Luís Homar traz uma maduridade física que não há nos outros atores e, com isso, o filme se fecha com um elenco muito bom, de atores capazes e fluentes. A somar-se ao elenco, há a maravilhosa trilha sonora, com direito a tons instrumentais impactantes e totalmente coerentes ao filme e a músicas bastante conhecidas, como a belíssima Moon River, cantada pela primeira vez por Audrey Hepburn, no clássico Bonequinha de Luxo. Aqui há uma versão em espanhol, cantada pelo intérprete de Ignácio jovem, numa cena muito boa. Tal como nos outros filmes de Almodóvar, a fotografia prima pelas cores ardentes, que, diretamente ou indiretamente, nos remetem ao sexo e às vontades dos personagens.

Má Educação é um filme forte, com qualidade altíssima, que deve ser visto principalmente pelosfãs do diretor! Nele há um misto de sedução e mentira, amor e perigo; tudo isso transforma essa obra numa das melhores que vi recentemente e, provavelmente, numa das melhores que verei nos próximos anos. Se eu o recomendo? Totalmente! Os que ainda não viram, tem que correr para a locadora, pegá-lo e apreciá-lo, porque realmente vale a pena.

Luís
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Almodóvar é um gênio! Mesmo não tendo tanto calibre para avaliar o diretor, até porque não vi tantos filmes dele, essa é a minha opinião. Ele dirige com perfeição, de forma sutil todos os seus filmes e Má Educação não é diferente. Começo a achar que diretores latinos como Almodóvar e Cuaron tem aquele "algo a mais". Focando no filme, vamos lá.

O roteiro é excelente. A sexualidade, o tom religioso e  o mau caratismo, todos esses aspectos são levados de forma densa  presenteando o telespectador que vê com satisfação a 1: 40 de filme passar rapidamente. Sem usar hiperboles ou eufemismos me emocionei mesmo vendo o longa. A cena mais emocionante do filme todo sem dúvida é a do jovem Ignácio cantando Moon River, interpretado por Audrey Hepburn. É uma cena linda, chegaria a dizer perfeita em todos os sentidos que a palavra "perfeita" dá. Este trecho é de uma pureza incrível, aliada a alegria dos outros garotos brincando na água e a bela voz do jovem ator, sem citar o lado técnico que aliou uma fotografia belíssima com o por-do-sol. Acabei de abrir uma página no youtube pra procurar essa cena novamente.

Voltando ao roteiro, há de se notar que o filme não entrega tudo de mão beijada para o telespectador, ele dá algumas voltas e por algumas vezes confunde o telespectador, e no final acaba se abrindo revelando uma essência fantástica. Como dito acima e pelo Luís também, há temas provacantes no filme como a homossexualidade e a igreja, e o que poderia ser mais polêmico que isso? A resposta é simples:  os dois juntos. Almodóvar não faz questão nenhuma de, depois de um tempo, redimir seus personagens. Eles são bastante humanos nesse ponto e personagens como o Padre Manolo é um ótimo exeplo disso. Seus pecados no passado voltam a acontecer.

Quanto a atuação, mais uma vez nos surpreendemos. Gael Garcia Bernal está incrível ali. Esse é o terceiro filme que vejo com ele, e a cada obra ele se prova um ator competente, independente se ele seja um revolucionário, um enganador ou um travesti. Não acho que ele tenha beleza, mas o charme do cara é indescritível. Esse charme também está presente no seu colega de cena Fele Martínez, e concordo que ele fica um pouco escondido ao lado da atuação do Bernal, mas mesmo assim ele convence como o cara que tem remorço pelo que aconteceu no passado. Não há como não notar a atuação do elenco infantil do filme, que por vezes parece ser melhor que a dos atores mais velhos. Nacho Pérez que interpreta Ignácio quando jovem, e que também estampa a caixa do DVD faz uma atuação monstra levando em conta sua idade; suas expressões são fantásticas. Os cenários escolhidos para o filme (e para o filme dentro do filme) também são bem bonitos principalemte quando se junta com uma iluminação e um contexto certos, tornando o resultado melhor ainda.

Depois dessa exaltação nem preciso dizer que recomendo demais o filme, principalmente pra quem gosta de fugir de vez em quando do circuito norte americano e ver um filme falado em uma lingua forte como o espanhol. Aposto que quem assistir a obra de Almodóvar não irá se arrepender em nenhum momento.

Renan

3 de abr de 2010

Capitães da Areia

Jorge Amado, 1937, 269 páginas (Editora Companhia das Letras)
Pertence ao Modernismo, faz parte da lista integrada FUVEST/Unicamp - 2010
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Capitães da Areia é o penúltimo livro nacional de leitura obrigatória na FUVEST/Unicamp que traremos aqui no blog. Capitães da Areia traz como tema principal, uma crítica social: os garotos de rua.

Narrador:A história é contada em 3º pessoa por um narrador onisciente, que é aquele que sabe de tudo, pois além de narrar o presente dos garotos, o narrador conhece o passado deles. O tempo é o presente, dando a impressão que as ações estão acontecendo no mesmo momento da leitura.

Espaço: Todas as ações acontecem em Salvador – BA em sua maioria nas ruas das cidades, onde os garotos furtam pra viver, além da rua há outros espaços como as casas que eles analisam antes de roubar ou o trapiche em que eles dormem. A data em que ocorre o romance é imprecisa, mas pesquisando, vi que parece ser algo entre de 1928 e 1932, pois em 1917 eclodiram as greves operárias, na qual o pai de Pedro Bala morreu.

Personagens:
● Pedro Bala: É um jovem loiro de 15 anos que tem como característica física, um corte no rosto. Durante a 90% do livro, ele foi o chefe dos Capitães da Areia, retirando do poder Raimundo, o antigo líder. Ágil, esperto e sabendo respeitar a todos, ele se consolida no poder. Bem no final do livro, depois da morte de Dora sai do grupo para organizar e comandar os Índios Maloqueiros, outro grupo de meninos de rua em Aracaju, deixando Barandão, outro do Capitães da Areia como líder. Depois disso ficou muito conhecido por organizar várias greves inspirado no seu pai, que morreu em uma.

● Dora: Personagem mais importante, depois do Bala. Chega no meio do romance com treze para quatorze anos e era a única mulher do grupo e se adaptou bem a ele. Depois da primeira impressão onde todos queriam estuprá-la; conquistou facilmente o grupo. Seus pais haviam morrido de alastrine (varíola) e ela ficou sozinha no mundo com seu irmão pequeno. Tentou arrumar emprego, mais ninguém queria empregar filha de bexiguento. Aí ela encontrou João Grande e professor que a chamaram para morar no Trapiche, e logo ela já era considerada por todos como uma mãe, irmã e para Bala uma noiva. Ela participava dos roubos com os outros meninos. Morreu queimando de febre, não antes de se entregar para o verdadeiro amor, Pedro Bala

● Professor: O único parcialmente estudado do grupo, pois era o único que sabia ler. Era um garoto magro, inteligente e calmo. No seu tempo como um do grupo ele contava diversas histórias para os garotos divertindo-os, além de ler notícias, principalmente para o Volta Seca. Além disso, ele ajudava a arquitetar os planos de roubo. O professor era quem planejava os roubos dos Capitães da Areia. Depois de muito tempo aceitou um convite e foi pintar no Rio de Janeiro.

● Gato: O mais bonito e o que mais se dava bem com as mulheres mais velhas,em especial Dalva, uma prostituta, que era sua companhia permanente, dando a esse personagem a marca do “malandro”. Na última parte do livro, ele vaipara Ilheús tentar a sorte.

● Volta-Seca: Imitador de pássaros e afilhado de Lampião; era mulato e sertanejo. Na última parte vai em busca do padrinho, onde é recebido e mais tarde tratado como um dos mais impiedosos matadores do grupo.

● Sem Pernas: De longe o melhor personagem do grupo. Seu apelido advém de uma deficiência na perna que o torna coxo, além de ser agressivo e individualista. Ele penetrava nas casas abusando da boa vontade das pessoas para descobrir onde estavam os objetos de valores. Era roubando que se vingava da sociedade. O único caso que ele se sentiu mal foi o de ter roubado Dona Ester que o acolheu como o filho que tinha perdido. Seu final foi suicidar-se quando a polícia corria atrás dele, tendo assim, sua última vingança contra a sociedade.

● João Grande: Negro, mais alto e mais forte do bando, porém o menos dotado de inteligência. Desde o começo foi um dos líderes do grupo e os outros o respeitavam por ele ter a força física e também por ser bom com os outros. Além disso, gostava muito de Querido-de-Deus, com quem, juntamente com outros membros, aprendia capoeira. No final, ele embarcou como marinheiro, num navio de carga do Lloyd.

● Pirulito: Era magro e muito alto, além de ser o único do grupo que tinha vocação religiosa apesar de pertencer aos Capitães da Areia. Quando parou de roubar, para sobreviver vendia jornais, seu destino foi ajudar o padre José Pedro numa paróquia distante.

● Boa Vida: Era o mais malandro do grupo, pois não participava dos roubos e para contribuir, roubava alguns objetos repassando para o líder, Pedro Bala. Seu destino foi virar um malandro da cidade, que vivia a andar pelos morros compondo sambas.

Outros Personagens:
● João-de-Adão: Estivador, negro fortíssimo e antigo grevista, era temido e amado em toda a estiva. Através dele, Pedro Bala soube de seu pai, pois este também era um estivador grevista. Segundo ele, a mãe de Pedro falecera quando ele tinha seis meses.
● Don’Aninha: Mãe de santo, sempre os ajudava em caso de doença ou necessidade.
● Padre José Pedro: Introduzido no grupo pelo Boa-Vida, conhecia o esconderijo dos capitães, além de ajudar Pirulito com a sua vocação.
● Querido-de-Deus: Pescador, juntamente com João- de- Adão tinham a confiança dos meninos, que, por sua vez, não mediam esforços para recompensar esse apoio.

Enredo:
O livro é dividido em quatro partes: “Cartas à redação” constituída de supostas cartas a redação em respostas a uma matéria sobre os capitães da areia. Nas respostas há pessoas que defendem e outras que acusam o grupo. “Sob a lua num velho trapiche abandonado” e “Noite da grande paz, da grande paz dos teus olhos” são os trechos intermediários. “E por final há Canção da Bahia, canção da liberdade”, parte que define o futuro dos personagens.

São aproximadamente quarenta meninos de todas as cores, entre nove e dezesseis anos, maltrapilhos e sujos que dormiam nas ruínas do velho trapiche, e liderados por Pedro Bala eles roubam para sobrevive, e desde muito joves já bebiam e fumavam Além desses pequenos expedientes, os Capitães da Areia praticavam roubos maiores, o que os tornou conhecidos, temidos e procurados pela polícia, que estava em busca do esconderijo e do chefe dos capitães. Esses meninos se pegos, seriam enviados para o Reformatório de Menores, visto pela sociedade como um estabelecimento modelar para a criança em processo de regeneração, com trabalho, comida ótima e direito a lazer. No entanto, esta não era a opinião dos menores infratores. Sabendo que lá estariam sujeitos a todos os tipos de castigo, preferiam as agruras das ruas e da areia à essa falsa instituição.

Um dia, Salvador foi assolada pela epidemia de varíola. Como os pobres não tinham acesso à vacina, muitos morriam, isolados no lazareto. Almiro, o primeiro do grupo a ser infectado, ali morreu. Já Boa-Vida teve outra sorte; saiu de lá, andando. A confusão, causada pela presença de Dora no armazém, foi contornada por Pedro. Os meninos aceitaram-na no grupo e, depois de algum tempo, vestida como um deles, participava de todas as atividades e roubos do bando. Pedro Bala considerava Dora mais que uma irmã; era sua noiva. Ele que não sabia o que era amor, viu-se apaixonado; o que sentia era diferente dos encontros amorosos com as negrinhas ou prostitutas no areal.

Quando roubavam um palacete de um ricaço na ladeira de São Bento, foram presos. Parte do grupo conseguiu fugir da delegacia, graças à intervenção de Bala que acabou sendo levado para o Reformatório. Ali sofreu muito, mas conseguiu fugir. Em liberdade, preparou-se para libertar Dora. Um mês no Reformatório feminino foi o suficiente para acabar com a alegria e saúde da menina que, ardendo em febre, se encontrava na enfermaria. Após invadirem o reformatório, Pedro, Professor e Volta-Seca fugiram, levando Dora consigo. Infelizmente, não resistindo, ela morreu na manhã seguinte. Don’aninha embrulhou-a em uma toalha de renda branca e Querido-de-Deus levou-a em seu saveiro, jogando-a em alto mar. Dali pra frente, cada um seguiu seu rumo na vida.

Tive uma agradável surpresa lendo Capitães da Areia, pois diferente dos outros livros, esse é extremamente agradável de ler, por isso recomendaria para qualquer pessoa, vestibulando ou não, esse livro. Em algumas partes, as comparações com outros livros como Robin Hood e Peter Pan são inevitáveis, mas claro, isso são opiniões pessoais. Gostaria de agradecer também um site que eu pesquisei muitas informações e alguns trechos foram pegos de lá, mas infelizmente não guardei o link para postar aqui.

Renan