30 de abr de 2010

Shakespeare Apaixonado

Shakespeare in Love. EUA, 1998, 124 minutos. Drama.
Indicado a 13 Academy Awards, dos quais venceu em 7 categorias, incluindo Melhor Filme e Melhor Atriz.
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Já havia visto esse filme umas três vezes, mas decidi vê-lo de novo quando a equipe do blog Um Oscar por Mês, da qual faço parte, optou por analisar a polêmica cerimônia de 1999 da premiação da Academia. Assim, com boa vontade, sentei-me para conferir durante duas horas um filme que certamente não faz jus às indicãções e aos prêmios que recebeu, mas que ainda assim pode ser visto tranquilamente.

Eu particularmente acho legal quando personalidades históricas são retratadas de maneira amena em filmes. Sempre pensamos em Shakespeare como um homem sério e centrado, cujo foco profissional consiste em escrever histórias e mais histórias. Essa produção mostra exatamente um período no qual o autor não consegue produzir nenhuma grande peça, pois acredita que sem uma musa inspiradora seu trabalho não fluirá. Paralelamente a esses eventos, Lady Viola De Lesseps encontra-se indignada com o fato de as mulheres não poderem integrar elencos de teatro e, como resultados, a plateia tem que assistir a interpretações de homens que realmente não conseguem compreender os sentimentos sobre os quais falam. Assim, ela se veste de homem e se submete a um ensaio para a nova peça de Shakespeare, que coincidentemente se apaixona por Viola, sem saber, no entanto, que a moça é o Thomas Kent, ator que interpreta Romeu.

Eu realmente não vou criticar o filme como muitos podem pensar que eu farei, porque eu admito que não há características criticáveis nessa obra. Certamente eu a considero uma produção regular em relação à qualidade técnica e às atuações. Primeiro devo dizer que a direção de arte desse filme é realmente muito boa e os elementos em cena realmente trazem todo o requinte que o filme precisava para torná-lo um pouco maior. Os figurinos são muito bonitos e combinam perfeitamente com cada situação, sem exagerar nem omitir informações. Principalmente destaque para a maneira perfeita como o figurino classifica as pessoas conforme suas classes sociais. Dos mais pobres até a rainha, percebemos a nuance crescente das vestimentas. Muitos filmes pecam ao retratar esse aspecto, fazendo com que todos soem bonitos demais - aqui são bonitos e se vestem bem aqueles aqueles que têm possibilidade para tal condição.

Expor costrastes sociais que são renunciados em nome do amor não é novidade. Provavelmente deixou de sê-lo há pelo menos 3 décadas, mas ainda assim Shakespeare Apaixonado capta bem o envolvimento espontâneo dos dois jovens, Viola e Willian, que ignoram as regras da sociedade e vivem uma aventura amorosa, mesmo que isso implique em ir contra o casamento já programado de Viola e o consentimento da Rainha Elizabeth. O roteiro realmente não é grandioso e, na minha opinião, é bastante enxuto, uma vez que sua área de abrangência limita-se ao romance dos dois e falas poéticas de obras shakesperianas.O que quero dizer é que muito do que é mostrada são cenas envolvendo o ensaio da peça que será apresentada por Shakespeare, de modo que não há nada inovador naquilo. O desenvolvimento do romance entre Viola e Shakespeare é deveras estranho, uma vez que não há nada que justifique o rápido encantamento dos dois, mas isso certamente é válido para evitar momentos maçantes e ir direto ao ponto que interessa.

A respeito do elenco, acredito que todos defenderam bem seus personagens. Joseph Fiennes e Gwyneth Paltrow, intérpretes dos personagens principais, parecem não ter muita química a princípio, mas acabam se entrosando fácil. Nem ele nem ela são grandes atores, mas aqui eles tiveram os seus momentos de fama ao criarem de maneira interessante Viola e Willian. Honestamente, não entendo porque indicaram-na e não fizeram o mesmo com ele, uma vez que ambos estão no mesmo nível de atuação. Não quero com isso dizer que achei válida a indicação que a moça recebeu, muito menos que foi justo o prêmio que lhe foi dado. Quero apenas ressaltar que tanto ela quanto Fiennes estão bem no filme, mas estão apenas corretos, num padrão bastante diferente dos usuais vencedores do Oscar que nem foi tão valorizado assim, já que até mesmo a Gwyneth Paltrow já recebeu um. Acredito que seja extremamente demonstrar minha posição sobre o elenco: embora estejam bem, ninguém está em posição de ser indicado e muito menos premiável! Geoffrey Rush e Judi Dench - ela, principalmente - estão bem também, mas não há muito que torne possível uma indicação e ainda assim foram indicados.

Shakespeare Apaixonado é definitivamente um filme sobrevalorizado. Ainda que todos os seus aspectos sejam positivos de um modo geral, a obra se apresenta num nível um pouco acima da média, o que não justifica as 13 indicações e muito menos os sete prêmios que recebeu. A história é divertida e tem um tom simpático para se ver com uma namoradinha, mas nada que faça com que um cinéfilo se impressione. Confesso que fiquei mesmo surpreso pelo fato de a Academia ter sido conquistada por esse filme a ponto de prestigiá-lo tanto. Talvez valha a pena ser visto porque esse filme mostra as boas atuações que Fiennes e Paltrow jamais repetiram.

Luís
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2 opiniões:

Thiago Paulo disse...

Não gosto desse filme. Não é só por causa do Oscar não, sempre odiei o Joseph Fiennes.

Me lembro que a primeira vez que assisti foi na escola, todo mundo adorou.

Abraço!

Roberto F. A. Simões disse...

Um filme de muito bom gosto. A nível de cenários e guarda-roupa, mas também de humor. Excelentes desempenhos de Gwyneth Paltrow e de Joseph Fiennes, mas também de Judi Dench. Um filme, no mínimo, original. E delicioso.

4/5

Cumps.
Roberto Simões
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