13 de abr de 2010

O Sacrifício do Mal

Soul's Midnight. EUA, 2006, 85 minutos. Terror.
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Esse filme estava em casa há algum tempo, então eu decidi conferi-lo. O pôster não é muito animador, pois já revela que a produção é, no máximo, mediana. Ainda assim, eu pensei comigo mesmo: "Talvez essa capa seja enganadora; talvez o filme seja melhor do que parece ser". Desagradável engano: esse filme é uma catástrofe, daquelas que, de tão mergulhadas nos clichês e nas bizarrices, tornam-se previsíveis o tempo todo e, depois de um tempo, chega a ser ofensivo à nossa inteligência.

Histórias de vampiros costumam agradar às pessoas. Elas normalmente possuem um clima interessante, bastante sombrio e sedutor, que, de alguma forma, faz com que o espectador se intimide e ao mesmo tempo se retraia enquanto assiste ao filme. O Sacrifício do Mal é um filme de vampiro que tenta misturar muito horror e, contraditoriamente, finaizinhos felizes, e fracassa nas duas tentativas. Fracassa também no roteiro, já que as explicações e as caracterizações são deveras patéticas: vampiros com medo de água benta, alho, etc., são de histórias infantis!

O desenrolar do filme não é bom. A cena inicial já nos mostra com antecedência que o filme está fadado à repetição. Já sabemos que alguém - provavelmente um parente próximo da moça grávida da primeira cena - voltará à cidade da qual ela fugiu e terá sérios problemas, possivelmente passando por tudo o que ela passou. E é exatamente isso que acontece! Há um hotel imenso numa cidadezinha extremamente pacata, com poucos habitantes (deduzi isso porque nunca tem ninguém na rua) e com poucos atrativos turísticos, e os personagens principais se hospedam nesse hotel sem nem ao menos estranhar a presença de um lugar como aquele faz numa cidade como aquela. A aproximação entre Charles e Simon é muito mal feita, assim como igualmente mal conduzida a aproximação entre Charles e Íris. O envolvimento da esposa de Charles com os outros dois personagens é a coisa mais estúpida do mundo e o filme se desenvolve ("desenvolver", aliás, não é o verbo aconselhável) de maneira muito ruim, fazendo com que o espectador fique com cara de tacho enquanto assiste.

Os efeitos especiais são terríveis! As cenas têm uma montagem horrível e o uso do cenário e da iluminação é péssimo. Muitos efeitos fazem uso de fumaça e tive a impressão de que a fumaça seria muito mais proveitosa se conseguisse esconder a precariedade da maquiagem. Além de vermos tudo acinzentado, ainda temos que ver umas porcarias que surgem. A trilha sonora, que costuma ser eficiente em filmes assim, funciona exclusivamente para tentar acrescentar o suspense que o filme por si só não possui. O filme é cheio de cenas desnecessárias e exageradas, como Charles e uma velha vampira despencando do telhado, o padre vampirizado da Igreja tentando matar os "mocinhos", o envolvimento escroto entre Íris e Charles. Nem comentarei a atuação, porque isso é praticamente inexistente no filme. A melhorzinha é a esposa de Charles, que é bonitinha - apenas - ; do resto, nada salva.

Se o vampiro-mestre for morto, os que foram mordidos por ele voltam ao normal. Mas que porra é essa?! Que babaquice é essa que foi inserida na história?! É por essas e outras que o filme é ruim. Minha recomendação é que dêem esse filme de presente a dois tipos de pessoas: os inimigos e os amigos bobocas que gostam de filmes pseudo-trashes - nem de trash pode ser chamado, porque, embora muito precário e cheio de clichê, o filme tenta se levar a sério o tempo todo, o que é péssimo! Enfim, é isso. Mais um lixo cinematográfico.

Luís
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3 opiniões:

Ewerton disse...

Só uma pergunta: por que os estúdios liberam grana para porcarias e repelem-se todos quando encontram roteiros alternativos e bons de verdade?

Marcelo Augusto Cetreus disse...

Colegas! Sinto que faz tempo que nao nos comunicamos e entendo que tenham desistido de me visitar! Gostaria de esclarecer que visito ardualmente o blog de voces, tenho lido suas criticas desde o começo do ano, apesar de nao ter comentado. Acontece que, este ano, iniciei duas faculdades ao mesmo tempo, Sociologia e Direito, e tive, fui obrigado, melhor dizendo, a dar uma freada no meu blog. Mas quero dizer que ele ainda esta vivo e a visita de voces me dara o prazer de saber que ainda tem gente lendo meus textos, que produzo com muito carinho em busca do puro habito de falar e comentar sobre o Cinema.

Abraços
Marcelo, do Cinemotica.

Antonnio Lima disse...

Eu gosto dele, Rs' Lucila Solá perfeita ;) Xoxo galera :)