9 de abr de 2010

Amarelo Manga

Brasil, 2002, 100 minutos.
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O filme narra a história de vários personagens que se relacionam por causa das situações e do ambiente em que vivem. São pessoas pobres do subúrbio do Recife e se diferem bastante, apresentando a variedade de personagens: há a dona do bar gostosa, o homossexual apaixonado, uma senhora hipocondríaca, um padre duvidoso, uma religiosa traída, o dono do hotel, um sujeito que se diverte com cadáveres, etc.

Não sei exatamente qual era o propósito de Cláudio Assis ao compor essa obra, pois ela realmente nada nos mostra e ainda consegue nos presentear com uma das mais feias fotografias que já vi no cinema. Por fotografia, compreendam tudo aquilo que seja possível: cenários, iluminação, ângulos de câmera, áudio, etc. Tudo no filme é bem feio, com uma qualidade tenebrosa, que beira o mau gosto. Destaque especial também para os atores, porque, até mesmo os mais bonitos, estão feios! A única exceção fica por conta que Dira Paes, mas ela sozinha não consegue alavancar o filme, que mostra muito e pouco diz.

As várias histórias acontecem ao longo de um dia e conhecemos todos os personagens de acordo com aquilo que eles fazem. Em palavras menos bonitas, diria que ninguém faz nada naquele filme, uma vez que não se pode viver de rezar tampouco se pode viver sassaricando como o homossexual vivido por Matheus Nachtergaele. Fiquei me perguntando como atores tão talentosos como Matheus e Dira foram tão mal aproveitados, porque fica óbvio que suas funções nada mais são do que prolongar a chatice do filme. Muitas cenas não servem pra nada e a maioria delas possui extrema vulgaridade, como as cenas em que a mulher gorda esfrega o aparelho inalador na vagina para se masturbar e a cena em que a dor do bar vivida por Leona Cavalli mostra que não somente o seu cabelo é amarelo.

Amarelo Manga é um filme feio e sujo, que incomoda o espectador pelo baixo nível daquilo que é mostrado. O título pdoe fazer referência a qualquer uma das várias coisas que remetem ao amarelo e à manga, mas é fato que o "amarelo" é pálido e a "manga" é murcha e o filme se limita a isso: apenas mais um para aumentar o desapreço que alguns têm pelo cinema nacional. E isso é realmente uma pena!

Luís
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Amarelo Manga é um filma nacional, e disso já se pode tirar várias conclusões dos temas que podem ser tratados no longa como sexo, pobreza e violência, e é (mais uma vez) isso que acontece.

Mesmo que aconteça isso, eu achei uns pontos interessantes no filme. O próprio título já traz quase uma sinestesia para o telespectador. Quando a manga está bem amarela, bem madura, ela está próxima a podridão se não for apreciada antes. Esse tom de sujeira, podridão e promiscuidade está presente em todo o filme, e foi por isso que achei que essas características, diferentes de muitos outros títulos nacionais, estão contextualizadas com o que o roteiro nos passa. Os personagens pobres, os cenários e a situação de vida de cada são as mangas do filme. Uma fotografia presente e as locações corretas fazem com esse tom fique ainda mais presente.

Os atores realmente foram mal aproveitados e há cenas do roteiro que ficaram de extremo mal gosto. Não que tenha me chocado nem nada, mas ficaram feias mesmo. A parte em que a dona do bar vivida pela constante coadjuvante da Globo Leona Cavalli levanta a saia (e primeiro, está sem calcinha) e mostra sua vagina a todos do bar é muito escrota. E eu me pergunto, você comeria uma coxinha nesse bar depois?! Outra, também citada pelo Luís é a que a mulher gorda coloca o inalador nas partes íntimas e suspira de prazer é feia. Não só a cena, mas a atriz também.

Ao contrário das atrizes citadas, há dois personagens (e por sua vez os atores) dos quais eu gostei bastante: Matheus Nachtergaele e Dira Paes; não é a toa que eles são nomes importantes do cinema nacional. Seus personagens são bem diferentes entre si. Enquanto um é um homossexual cheio de trejeitos e com extrema feminilidade, uma é uma religiosa fervorosa e mesmo com essa distância na personalidade deles, há um fator que os ligam: o marido dela que é objeto de desejo deles. É desse relacionamento e desse desejo que surge a parte mais interessante do enredo e a única que vale a pena ser vista. Do resto, é tudo um vai e vem de atores meia-bocas com personagens mais meias-bocas ainda.

Fazendo um balanço, acho que Amarelo Manga não é um filme que deve entrar para sua lista de filmes, pois mesmo tendo analisado o filme e citados suas melhores partes, estas não são o bastante para esconder o resto do longa que, com certeza, é bem ruim.

Renan

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