7 de abr de 2010

Orgulho e Preconceito

Pride and Prejudice. EUA, 2005, 118 minutos. Drama / Romance.
Indicado a 4 Oscar, incluindo Melhor Atriz (Keira Knightely).
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Acredito que seja sempre uma série de fatores que nos faz querer assistir a um filme. O único motivo que me levou a querer conferi-lo foi a indicação de Keira ao Oscar. Nunca a achei uma atriz talentosa e suas personagens usualmente me irritam; a única exceção fica por conta de Elizabeth Swann, de Piratas do Caribe. A Jéssica, uma colega do cursinho, me incentivou a não vê-lo, pois, segundo ela, o livro que originou o filme é ruim, logo, a obra deveria se assimilar, uma vez que é adaptação. Mas é sempre melhor vermos para crermos...

Sr. e Sra. Bennett estão ansiosos para casar a filha mais velha. Constituem uma família humilde e têm a oportunidade de casá-la por um dote razoável. Lizzie é mais nova e melhor amiga de Jane, a irmã mais velha. Pouco a pouco, Lizzie percebe que o potencial noivo da irmã está influenciado pelas opiniões firmes de Sr. Darcy, um jovem extremamente preconceituoso. Surge entre os dois um conflito de proporções imensas, uma vez que ela não submete seu orgulho às afrontas que o outro lhe propõe.

Creio que eu não entendi bem o filme. Vi-o durante duas horas inteiras e simplesmente não consegui entrar no clima. Achei-o deveras monótono, com um roteiro bastante fraco e distante do espectador. Como é uma adaptação, penso que o livro tenha mais ou menos o mesmo ritmo e a mesma sequência de eventos, o que me faz pensar que, assim como o filme, também é chato! Não sei exatamente qual a intenção de Joe Wright ao conduzir o filme de maneira tão lenta, mas o fato é que encontrei muitas dificuldades em entrar em sintonia com os personagens e com as razões dele. Embora a história flua com lentidão - o que deveria nos permitir conhecer ainda mais os personagens -, não vemos um real desenvolver das emoções; o que vemos é uma repetição do que vimos nas cenas anteriores. O relacionamento entre os personagens principais, aqueles cujas personalidades (orgulhosa e preconceituosa) dão título ao filme, é um incrível, pois não há absolutamente nada que justifique a interação entre Sr. Darcy e Lizzie a não ser a antipatia. Soa meio confuso crer que os dois possam se amar, como é mostrado ao final. Comumente, nos deparamos com elementos complicadores, cuja finalidade é alavancar o romance, acrescentado emoção a ele. Em Orgulho e Preconceito, porém, não há nada, absolutamente nada. A única complicação se refere a nos identificarmos com o filme e nos entretermos, uma vez que a história, em suma, se situa ao redor de personagens instáveis e esquecíveis.

Falar sobre as atuações é um pouco difícil. Acho que a maioria dos atores estão corretos, logo não tenho críticas grandes a fazer. Talvez um empenho maior do diretor pudesse arrancar do elenco um fluxo emocional maior, mas, como esse é um filme mediano, acabamos nos contentando com o que vemos. Tive duas grandes surpresas: a primeira é a presença de Judi Dench, que mais uma vez interpreta uma personagem antipática e talvez por isso se saia tão bem; a segunda foi a indicação de Knightely ao Oscar. Como puderam indicá-la é a pergunta que me faço, uma vez que sua atuação é simples, sem nenhum atrativo, tão comum como seria se qualquer outra atriz mediana a substituísse. Comparar sua atuação com a de Felicity Huffmann, de Transamérica, é blasfemar. Mas, afinal, o que esperar de uma cerimônia na qual Reese Whisterpoon, de Johnny e June, sobressaiu à Huffman? Mais lamentável ainda! Mathew Macfadyen é o intérprete de Sr. Darcy e o ator se sai bem em seu personagem, principalmente porque seu papel exige pouquíssimo, já que Sr. Darcy é pequeno e limitado, assim como quase todos os outros personagens do filme. Donald Sutherland se mostra eficiente e é dele uma das melhores cenas do filme, quando diz a Lizzie, contraditoriamente ao que a mãe da moça deseja, que nunca mais falará com ela caso se case contra a própria vontade. Já Brenda Blethym poderia facilmente ser substituída por uma atriz que não fizesse grunhidos caricatos e fosse tão boba em cena.

Orgulho e Preconceito não é um filme bom, porém é assistível. Vê-lo não garante grande entretenimento, porque a história não evolui e há falta de tato na condução do ínfimo desenvolvimento. Ainda assim, há aspectos interessantes que merecem ser observados, como a bela fotografia, que mostra o campo de maneira bem charmosa; a trilha sonora, também eficiente, acrescenta alguma emoção às cenas nas quais a presença dela é indispensável (isso, porém, não dá o acabamento necessário). Como disse anteriormente, é um filme mediano, com defeitos e qualidade quase em equilíbrio. Teria me contentado mais se a atriz principal não fosse Keira Knightely, que parece gostar de se tornar "Elizabeth". Não creio, contudo, que outra atriz modificaria a monotonia do filme... É isso, pessoal. Resenha meio confusa, talvez repetitiva - para fazer jus à essa obra!

Luís
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Talvez essa seja um dos filmes em que o eu o Luís mais discordamos e frequetemente nos vemos discutindo os prós e contras do longa. Como devem ter percebido, ele não gostou muito do filme e eu, ao contrário, gostei. Gostei bastante. Não li a obra escrita pela Jane Austen, mas esse é uma daquelas adaptações que te fazem querer ir a biblioteca ou livraria para conferir o original.

Começando pelos aspectos técnico que nem o Luís pode deixar passar em branco. Primeiro citaria os cenários. As locações são explendidas e reproduz com muito charme a vida campestre, mostrando a beleza nos lugares mais simplórios como é o caso da casa da família Bennett. Se opondo a simplicidade, há o luxo dos mais ricos, representado por Sr. Darcy e pela sua família que é mostrado com a mesma beleza. Fora isso, há filmagens externas que mostram grandes campos ao por-do-sol e é aí que entra outro aspecto positivo que é a fotografia muitíssimo bem dirigida. A trilha sonora também faz a diferença pricipalmente nos grandes bailes que as irmãs vão.

Quanto as atuações, gostei bastante delas, e realmente acho que Keira está muito bem a ponto de ganhar uma indicação ao Oscar, embora ria em demasia em algumas cenas e o seu parceiro de cena Mathew Macfadyen  também. Os dois formam um dos mais belos casais que já vi. As personalidades dos dois (orgulhosa pra ela e preconceituoso pra ele) compõe todo o enredo que se desenrola não lentamente, mas sim no tempo certo, afinal estamos falando do século XVIII. O amor dos dois fica escondido pela cratera social que os separa no início, e durante todo o tempo (que passa rapidamente) o telespectador torce para que ambos fiquem juntos. Nesse momento, têm-se que entender o contexto psicológico no qual o livro foi escrito. Jane Austen nunca teve sorte no amor, e dizem que morreu virgem; devido a isso, sonhava com amores arrebatores e desses sonhos nasceram suas obras que mostram mulheres apaixonadas e ao mesmo tempo fortes e determinadas.

Acho que todos deveria dar uma chance pra esse filme, pois já no começo se vê uma obra sensível e apaixonate que tem muito mais a mostrar do que apenas uma história de amor bobinha que poderia ser vista em comédias românnticas.

Renan

7 opiniões:

thicarvalho disse...

Das duas opiniões, concordo bem mais com a segunda. Acho Orgulho e Preconceito um dos melhores romances já feitos na história. Claro que não é um filme fácil de se ver, afinal a linguagem pomposa e a trama no passado não combinam mto com o atual momento. Mas as atuações são ótimas, a fotografia é brilhante e o filme tem ótimas cenas. Realmente a cena da dança chama mto atenção. Independente de concordar, ou não, gostei das opiniões opostas. Parabéns pelo texto.

Se estiverem afim visitem www.cinemaniac2008.blogspot.com

Luciana Paraiso disse...

Amo o livro de Jane Austen, até o tenho como um dos meus favoritos.
Quanto ao filme, gostei das atuações, embora concorde que uma indicação ao Oscar tenha sido um pouco demais para Keira... A fotografia e a trilha sonora, entretanto, são simplesmente deslumbrantes.
Sabemos que não podemos ter tudo em uma adaptação, e creio que o maior problema do filme foi não ter tido tempo suficiente para q aqueles q não leram o livro pudessem conhecer os personagens e seus motivos mais a fundo. Contudo, se Wright conduzisse o expectador a tal coisa o filme, definitivamente, ficaria maçante, pois como Renan bem disse, estamos falando da Inglaterra do século XVIII, onde os relacionamentos amorosos não acontecem da noite para o dia.
No final achei o resultado muito bom e muito perto da obra literária! Talvez não tenha sido tão bom quanto a versão cinematográfica de Razão e Sensibilidade, mas isso não o torna ruim!
Vale a pena ler e dps assistir!

Roberto F. A. Simões disse...

Desta vez estou de acordo com o Renan. O filme é bastante subtil e exige uma sensibilidade apurada. A cada vez que o vemos, mais nos apaixonamos por ele...

5/5

Cumps.
Roberto Simões
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Ewerton Mera disse...

Gostei do filme quando o assisti no cinema. Vou ser sincero: não lembro muito bem de sua composição; não sei se isso foi sinal de que o filme não marcou tanto, ou eu que não observei muito bem esse aspecto, na época.
As duas opiniões, contrastantes, foram a cereja do bolo para alguém que está curioso em assistir o filme. Afinal, terá argumentos pró e contra o longa.

(:

Matheus Pannebecker disse...

O filme é meia-boca... Só não entendi porque a atuação da Keira Knightley teve repercussão. Ela estava tão normal...

Thiago Paulo disse...

Por esses textos da pra ver o quanto vocês dois tem gostos diferentes. Isso é oque mais gosto no blog.

Bom, eu adoro Orgulho e Preconceito, e o filme me fez ver esse romaances clássicos de uma outra maneira, porque não gostava do gênero. Já li o livro, e achei que o filme foi muito fiel, porém, já li comentários que dizem o contrário.

Sobre a Keira Knightel, também nunca gostei dela, mas nesse filme ela me conquistou.

Abraço!

Jean disse...

Bom... dando a minha opinião um pouco tarde, mas é melhor do que nunca dá-la... rsrsr.

Faz muito tempo que eu queria conferir “Orgulho & Preconceito”, e sempre me questionava a respeito do título, na verdade ele chamou muito minha atenção. Nas primeiras cenas, pude sentir o potencial do filme. Realmente há belas paisagens, trilha sonora impecável.

Achei os diálogos muito fortes e interessantes e acredito fielmente que Keira conseguiu conduzi-los bem. A forma tranqüila que ela transparece, foi o tom adequado para uma personagem de caráter simples, mas ao mesmo tempo cheio de opiniões fortes.

Também senti uma demora desnecessária, para um desfecho que foi muito simples e sem o [talvez] tão aguardado beijo. Porém é um filme que conseguiu me entreter. Gostei e recomendo!