20 de jan de 2011

Oito Contos de Amor

Brasil, 1997, 87 páginas - Editora Ática (2ª Edição). Autora: Lygia Fagundes Telles.
Como leitura de transição, essa antologia funciona muito bem, tendo três dos melhores contos escritos pela autora.

Essa obra se trata de uma antologia de oito contos da autora Lygia Fagundes Telles, uma das mais famosas autoras nacionais, responsáveis por inúmeros romances famosos, como Ciranda de Pedra – que inclusive foi adaptado para a teledramaturgia –, e livros de contos, destacando-se os títulos Antes do Baile Verde e A Estrutura da Bolha de Sabão. Os oito contos desse livro foram recolhidos de cinco livros da autora e o responsável pela seleção é Pedro Paulo de Sena Madureira, que selecionou os seguintes títulos (listados aqui na ordem do livro):

1. As cerejas
2. Pomba enamorada ou uma história de amor
3. As pérolas
4. Herbarium
5. A chave
6. Apenas um saxofone
7. O encontro
8. A estrutura da bolha de sabão

Acredito que a seleção tenha sido boa, principalmente porque ela abrange muitos tipos de contos. Alguns são definitivamente mais sensíveis enquanto outros são mais pungentes, criados sob uma estrutura bem diferente dos contos feitos para que o leitor se apaixone pelo enredo. Não vou comentar sobre os oito contos, porque o post ficaria excessivamente grande, então eu vou me focar naqueles que mais atraíram a minha atenção. Os contos Pomba enamorada ou uma história de amor, As Pérolas e Apenas um saxofone, que são os contos sobre os quais falarei, encontram-se em dois livros: o primeiro foi publicado originalmente em Seminário dos Ratos enquanto os outros dois foram publicados em Antes do Baile Verde.

Pomba enamorada ou uma história de amor: conhecemos a história de uma mulher, eleita a princesa da Primavera num baile, que conhece Antenor, por quem se apaixona perdidamente. O grande problema é a reciprocidade – ou melhor, a falta dela! O homem não lhe dá qualquer valor porque não a ama nem nunca pretendeu amá-la, haja vista que o encontro deles foi apenas ocasional. O amor dela por ele é tão grande que ela se torna obsessiva – procura-o em todos os lugares, sob sol, sob chuva, deseja-o incessantemente. O mais interessante é o modo como a autora trabalha o passar do tempo. Em poucas passagens, o conto se desenvolve muito, os anos vão passando e a obsessão da personagem permanece, o espectador acompanha a história muito entretido. São oito páginas de puro entretenimento.

As Pérolas: um homem doente vê a esposa de arrumar, preparando-se para ir a um encontro no qual ela encontrará um amigo do casal, que a ama. O homem pouco a pouco projeta imagens de como será o encontro e de como gradativamente o amigo e a esposa vão se enamorar, esquecendo-se ambos dele, que, à época do casamento deles, já estará morto há algum tempo. A narrativa se fortalece pela dose correta de sentimento presente nela; o espectador acompanha os pensamentos do moribundo e se compadece de sua situação, ao mesmo tempo em que consegue fazer projeções além daquelas propostas pela autora.

Apenas um saxofone: conhecemos a história de Luisiana, uma mulher muito rica – tão rica que se dá o dinheiro de autononimar-se “Luisiana” – e que vive das lembranças do passado e da vida que teve com um tocador de saxofone. Dentre os três, esse é o único conto narrado em primeira pessoa e podemos perceber com muita força a personalidade da narradora. O modo como ela nos conta a sua vida é mesmo apaixonante, mas curiosamente esse efeito é conquistado paradoxalmente: a personagem nos conta mais coisas ruins do que coisas boas, mas o nosso encanto se deve à sua sinceridade muito espontânea.

Acredito que esse livro valha por esses três contos. É uma leitura de transição, livro que lemos quando não temos outro para ler e queremos alguma distração. Não nego a qualidade da autora, mas “contos de amor” realmente não são os meus preferidos. Mas esses contos que eu comentei realmente valem a pena.

3 opiniões:

Umas Palavras disse...

Ela tem uma escrita muito envolvente mesmo...

Jefferson Reis disse...

Apenas um saxofone. Este conto é muito bonito. Louisiana, sua louca.

Jefferson Reis disse...

Passei uma semana chorando por causa de O Terceiro Travesseiro. Ainda não li este romance do Caio.