20 de jan de 2012

O Gosto da Vingança

Dalkomhan insaeng. Coréia do Sul, 2005, 120 minutos, policial. Diretor: Jee-woon Kim.Com um grande exemplo de fotografia e com bons momentos, essa narrativa é um prato cheio para espectadores que adoram uma boa história de vingança.



Curiosamente, esse filme me proporcionou uma decepção a princípio e depois uma grande satisfação. Ao tentar baixar “I Spit on Your Grave”, eu acabei baixando “Bittersweet Life” por engano – e me senti muito frustrado e irritado por ter pegado o filme errado. Decidi, no entanto, que, embora tivesse baixado o filme errado, não deixaria de vê-lo só por causa disso. E ao conferi-lo eu percebi que fiz muito, já que O Gosto da Vingança é uma obra bastante interessante.

Gosto muito de como os coreanos são explícitos na violência que mostram. Gosto mais ainda porque acho que eles conseguem ser agressivos de um modo artístico; o impacto provocado é muito diferente de outros tipos de violência, como, por exemplo, aquela a que somos apresentados em Irreversível. A vingança do título se refere àquela que o personagem Kim Sun-woo opta por fazer depois de ser severamente punido por descumprir uma ordem do seu chefe direto. O mafioso desconfiava que a sua namorada tinha um amante e incumbiu Sun-woo de vigiá-la; se as suas suspeitas se confirmassem, ele deveria matar tanto a garota quanto o amante dela. Diante dessa verdade, Sun-woo opta por não matá-los e lhes propões que jamais se vejam de novo. Tal atitude, no entanto, faz com que ele se torne alvo da ira do chefe.

Estando bem longe dos filmes de coreanos que vimos na TV, onde o entretenimento predominante é uma série equivocada de chutes, socos e onomatopéias estranhas, O Gosto da Vingança é embasado numa qualidade muito mais artística e profissional. Desde o começo já fiquei impressionado com a qualidade técnica da fotografia, que é muito bem elaborada e proporciona ao espectador uma visão muito nítida e clara de tudo o que acontece. A fotografia é tão boa que até contrasta com o que vemos em cena, principalmente quando o que é mostrado são as lutas. Decerto a sonoplastia também tem uma função muito poderosa, já que, aliada à fotografia, permite que o espectador quase se sinta em cena. Gosto principalmente do momento final em que há uma mistura excelente de cores, sons e ritmo – tanto pela cena em si quanto pela trilha sonora, que embala muito bem uma impactante cena de chacina.

Ainda que eu tenha gostado do enredo – e do filme como um todo -, não penso que o ponto forte do filme seja a sua história. De certo, é bastante comum o que vemos e até mesmo convencional, já que segue a linearidade padrão dos filmes de vingança: o mocinho toma uma atitude que pensa ser a certa e acaba descobrindo o quão inconveniente pode ser quando se desrespeita uma regra. Depois, dá a volta por cima ao promover uma verdadeira vingança contra aqueles que lhe fizeram mal. Já vimos isso em muitos filmes, só para citar alguns: Kill Bill, Gladiador, A Vingança de Jennifer e todos do Chuck Norris. É claro que é a abordagem que torna esses filmes diferentes e os dois primeiros que eu citei – que foram respectivamente dirigidos por Tarantino e por Ridley Scott – são amostras de que histórias já muito mostradas podem ser muito interessantes. O Gosto da Vingança atinge mais o espectador por aquilo que ele vê e ouve, tal como comentei no parágrafo acima. A história também tem o seu lado interessante, mas definitivamente fica aquém do mérito conquistado pelos elementos técnicos já citados.

A direção de Kim Jin-Woon me pareceu boa, principalmente porque ele soube como escolher entre os melhores ângulos e quais os melhores modos de captar a essência do seu filme. A vingança de Sun-woo é compartilhada com o espectador e muito disso se deve à direção eficiente e à boa atuação de Lee Byung-hun, ator principal do filme. Considerando essa obra como um todo, não me restam dúvidas de que seja mesmo uma produção muito válida e que merece ser vista, porque nela estão inclusos elementos que fazem com que um filme possa assumidamente ser chamado de bom. Recomendo que o vejam, desde que estejam preparados para uma boa dose de violência explícita, que inclui pauladas no rosto, esmagamento de membros e balas na cabeça.

2 opiniões:

Victor Ramos (Jerome) disse...

Esse país é um grande achado do cinema. Há uns dez anos atrás era praticamente nada, mas após essa revolução aí surgiram grandes diretores que mudaram tudo da água para o vinho. Incrível.

Chan-wook Park é o que mais me impressiona.

Apareça lá no http://www.terradocult.blogspot.com/ !

Abs!

O Narrador Subjectivo disse...

Concordo com o Victor, a Coreia do Sul tem grande cinema hoje em dia. Este filme é um exemplo disso, gostei muito. Cumprimentos.