14 de fev de 2010

A Professora de Piano

La Pianiste. Alemanha / França, 2001, 130 minutos. Drama.
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Honestamente, não sei dizer com exatidão o que penso sobre esse filme. Achei-o potencialmente bom, mas a sua concepção é bastante estranha e, ao final, parece que não havia nada para ser dito, uma vez que nada realmente foi dito.  Talvez eu não tenha sido o espectador ideal para esse filme, mas acredito que não foi exatamente isso o que aconteceu: A Professora de Piano é um filme com defeito em pequena quantidade, no entanto não apresenta nada que seja realmente atraente para o espectador.

A história de Erika parece intenressante, já que a personagem é um excelente contraponto entre atitude e aparência. De longe - e também de perto - ela é fria e distante, abstém-se de sentimentos que, segundo ela mesma, "não afetariam sua inteligência caso os tivesse". Paradoxalmente à sua postura indiferente, está seu comportamento quando está a sós: frequenta cabines de cinemas pornô enquanto cheira os lenços onde homens momentos antes limparam seus pênis; corta sua geintália com lâminas para sentir dor; caminha pelos estacionamentos a fim de ver se encontra algum casal transando, somente para observá-los. Assim, a criação psicológica da personagem é fascinante e faz com que nós nos sintamos realmente incomodados com o seu comportamento, já que ela parece não sentir qualquer emoção, mesmo quando faz aquilo de que gosta - e inegavelmente seus gostos são um pouco incomuns, principalmente se considerarmos como reage durante a prática deles. A princípio, ela convive sem interagir com as pessoas, enxerga nos outros ausência de talento e falta de força de vontade: ela é definitivamente o tipo de pessoa que se mantém exclusa do envolvimento social e isso fica muito bem justificado ao longo do filme. Parte disso talvez se deva à autoridade obsessiva da mãe, que não respeita a privacidade da filha, mesmo ela tendo 40 anos.

Honestamente, achei que o roteiro conduz do nada para o lugar nenhum. Não há uma história a ser contada. Há apenas o retrato de dois momentos, sendo que o primeiro se repete do início do filme até o final de noventa minutos e o segundo momento se inicia a partir do quarto final de filme. Basicamente é apenas uma repetição, sem muita novidade e, sobretudo, sem qualquer grande entretenimento. A densidade do filme se concentra no perturbado relacionamento entre Erika e sua mãe, que vivem em pé de guerra por causa das atitudes uma da outra. Esse enfoque psicológico é mesmo interessante bem como a condução dada por Haneke à demonstração do íntimo de Erika, que se revela perturbador e distante daquilo que se pensa a respeito de uma mulher aparentemente conservadora como ela. Infelizmente, a maioria do filme não mostra isso. Vemos o surgimento de Walter Klemer, as longas aulas de piano, imensas e monótonas cenas de música - tudo bastante chato, às vezes. Acredito que as grandes atuações  sejam as de Isabelle Huppert e Anna Girardot, que interpreta a mãe de Erika. No entanto, nem sequer penso que seja mérito das atrizes, uma vez que o roteiro prima pela perturbação entre elas e as boas atuações são consequências disso.

Decerto, não é um filme que se pode recomendar para qualquer espectador, já que ele falha num dos quesitos importantes para uma boa obra-cinematográfica: entretenimento. O filme não é chatíssimo, mas está bem longe de ser legal. Vê-lo não foi uma experiência ruim, mas não é tipo de filme que me agrada: gosto de ver dinâmica e conteúdo quanto ao que é contado. Não vi isso nesse filme. Como curiosidade, vale ressaltar que a característica de Haneke está aqui: a quebra das expectativas, principalmente no que se diz respeito ao que pensamos que vai acontecer em seguida. Do Haneke, ainda prefiro Violência Gratuita.

Luís
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5 opiniões:

Tiago Ramos disse...

Curiosamente, A Pianista é o meu filme preferido de Michael Haneke. Perturbador, metódico. Magnífica interpretação de Isabelle Hupert. Excelente filme!

Cristiano Contreiras disse...

É engraçado, acho que é a primeira crítica meio 'negativa' sobre este filme que, surpreendentemente, não conferi, ainda.

Mas, eu acho o filme tem uma premissa interessante, ainda que 'incômoda', vou baixar e ver.

Abraço

Roberto F. A. Simões disse...

Michael Haneke traz-nos A Pianista à luz de um realismo atroz, que se espelha especialmente em todos os enquadramentos simples, nos takes mais ou menos longos e na valorização da cenografia que daí resulta. É cinema sem artifícios maiores, denso e frontal, dotado de performances incríveis e que encerram em si próprias um inestimável poder.

Cumps.
Roberto Simões
CINEROAD - A Estrada do Cinema

Luiza Helena disse...

Acabei de assisti-lo e vim procurar sua resenha,Luís. Confesso que também não sei se gostei do filme. Tive a sensação que todo o potencial não foi explorado. Mas achei que as cenas de recitais, aulas e testes traziam leveza, do mesmo modo que se afastavam do dinamismo,que pessoalmente, me atrai.
Enfim!
Beijo!

Elis Bondim disse...

Vi esse filme hoje e estou procurando opiniões e, por isso, vim parar nessa página. Mas só de ler essa total ignorância: "Decerto, não é um filme que se pode recomendar para qualquer espectador, já que ele falha num dos quesitos importantes para uma boa obra-cinematográfica: entretenimento" já sei que é melhor nem ler o resto. Entretenimento??? é isso que você pensa da arte??? por favor, vá ver comédia romântica norte-americana então.
O que uma pessoa que pensa uma tolice dessas está fazendo escrevendo sobre um filme? Tenha vergonha na cara e exclua essa postagem!