7 de ago de 2010

Mar Adentro

Mar Adentro. Espanha, 2004, 125 minutos. Drama.
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Ramón Sampedro (Javier Bardem) é um homem que luta para ter o direito de pôr fim à sua própria vida. Na juventude ele sofreu um acidente, que o deixou tetraplégico e preso a uma cama por 28 anos. Lúcido e extremamente inteligente, Ramón decide lutar na justiça pelo direito de decidir sobre sua própria vida, o que lhe gera problemas com a igreja, a sociedade e até mesmo seus familiares. (fonte - adorocinema.com)

O filme aborda um tema bastante polêmico: é direito da pessoa não querer mais viver e, por incapacidade de pôr em prática o suicídio, requerer que outra pessoa, desde que em consenso, facilite o ato de morrer? O assunto é extremamente delicado, pois envolve uma série de conceitos que soam estranhos aos ouvidos de muitas pessoas. Perguntam-se como pode uma pessoa querer morrer quando tudo o que todos querem é viver tanto quanto possível. Como se isso não bastasse, há ainda o preceito religioso que fomos feitos para cumprir nossa missão na Terra e somente Deus pode tirar de nós as nossas próprias vidas. Espera-se que haja incentivo para seguir em frente mesmo quando alguém já sabe que seguir em frente é remoer as dores com as quais convive há algum tempo e que isso não trará felicidade alguma.

Definitivamente, é um filme com um tema complicadíssimo, que, ao mostrar seus argumentos, pode tanto encontrar apoio ou críticas nas opiniões de quem o vê. Eu achei que o desenrolar desse filme faz com que nos posicionemos ao lado de Ramón, uma vez que podemos compreender completamente os porquês de ele ter desistido de viver. Ele sabe que se tornou um fardo, um peso para seus familiares e que nenhuma situação vai mudar isso e nada além de sua morte fará com que eles se sintam aliviados. Mas, sobretudo, ele faz isso porque ele mesmo não quer mais subsistir daquela maneira. Com bastante delicadeza, o filme nos mostra Ramón e o seu cotidiano. Nos mostra também as pessoas que ele encontra e o quanto essas pessoas modificam sua vida, tornando-a mais esperançosa - não exatamente no sentido que muitos podem pensar. O que quero dizer é: elas fazem-no crer que estará mais perto de seu desejo, ou seja, morrer. Achei interessante como foi exibido o comportamento da família dele. Quase todos estão convencidos que de a morte é o melhor caminho para ele, embora escondam isso. Mas é fato que todos ali, até mesmo o irmão que é contra a ação de "matar" Ramón, tem conhecido da infelidade permanente na qual vive o outro.

Misturando esse conteúdo denso a suavidade da poesia, o filme nos mostra o escapismo de Ramón. Sua imaginação o transporte para os locais que quer ver, como o mar, o campo, a mulher que ama. Em uma cena bastante poética, Ramón se levanta da cama, se afasta o suficiente e pula pela janela, de onde alça voo e passeia por todas as paisagens com as quais sonha. Há também a sutileza do amor presente numa narrativa de assuno pesado. O amor é visto de maneira bastante humana e, embora haja envolvimento de um homem e uma mulher, eu a vi de maneira bastante fraternal, uma vez que, como Ramón mesmo diz, ele não sente nada do pescoço para baixo. Esses eventos ao longo do filme são fundamentais para que a obra se finaliza conforme o desejo do diretor: ele quer que percebamos que matar alguém pode ser um ato de amor.

Depois de tudo, vocês estão pensando que esse filme é excelente, certo? Pois aviso que não. Embora sua temática seja fantástica, eu simplesmente não me entretive com o filme e cheguei à triste situação de apertar flash-forward umas três vezes. A narrativa flui de maneira tão lenta é não há como não se sentir cansado e nem sequer as boas atuações me tiraram do marasmo que esse filme provocou. As duas horas de filme tornaram-se quatro, pois eu não via qualquer avanço no desenvolvimento e tudo parecia revolver o mesmo assunto batido a respeito da decisão de Ramón e o relacionamento dele com a advogada que sofre de uma grave doença degenerativa e Rosa, uma moça que o conheceu por ter sabido de sua decisão.

Eu posso recomendá-lo, certamente; isso, no entanto, não significa que eu tenha gostado dele. Na verdade, penso que pelos próximos dez anos não vou revê-lo, temendo que me cause novamente aquele tédio absurdo. Talvez vocês possam gostar, talvez o vejam com um olhar mais amistoso. Eu realmente me senti triste pelo fato de um filme potencialmente excelente ter se transformado em algo tão chato. Entretive-me tanto quanto me entreteria se tivesse passado uma hora e meia vendo o "mar" do título como paisagem...

Luís

1 opiniões:

Leca disse...

Luis...
esse...
filme...
fala exatamente disso...
o quanto podemos durar...
o quanto já foi suficiente...
o quanto queremos...
esse filme...
trata de um tema...
difícil...
o egoísmo com as vidas....
Beijos
bela escolha a sua...
Beijos
Leca
estou escrevendo sobre
Nat King Cole...
Passa lá no meu blog...