1 de ago de 2010

Na Natureza Selvagem

A Cecília já esteve aqui no Blog Literatura e Cinema várias vezes. Cmentou comigo um livro, fez um artigo comigo a respeito de um dos nossos escritor preferidos - Stephen King -, e desta vez ela vem mais uma vez para falar sobre um filme, ao qual assistimos em janeiro desse ano, quando ela me ajudou a analisar cerca de 30 títulos. Segue abaixo as nossas resenhas e ela, embora já seja parte da história dessa blog, é a convidada especial de hoje.


Into the Wild. EUA, 2007, 140 minutos. Drama.
Indicado a 2 Academy Awards, incluindo Melhor Ator Coadjuvante.
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Atire a primeira pedra quem nunca pensou, num momento mínimo de raiva adolescente que fosse, em fugir de casa, em deixar tudo para trás: as regras, as ordens dos pais, os costumes, as reuniões familiares de domingo...

Chris McCandless faz exatamente isso. Abre mão de seu conforto, de sua família rica e estruturada, de seu próprio dinheiro, de uma carreira promissora, e parte em uma aventura "na natureza nelvagem". Porém, seus motivos são muito mais fortes do que mera rebeldia adolescente. Chris se cansa da mentira que é sua vida; se cansa de viver de aparências, de status, de o motivo de tudo ser o dinheiro e a imagem.

Parte então em busca de sua essência, da essência de todo ser humano, que é o instinto de sobreviver por seus meios próprios, ter que caçar para se alimentar, dormir ao relento e se proteger dos animais que habitam a natureza.

Seu objetivo é chegar até o Alaska. Em seu caminho ele conhece locais, pessoas, situações, faz amizades valiosas, deixa-as para trás... tudo em prol de sua "grande aventura".

Com o codinome de Alexander Supertramp (Superandarilho, na tradução), Chris passa por diversos lugares deixando sua marca. Não apenas sua assinatura em portas de banheiro, mas principalmente no coração das pessoas.

Tudo é registrado por ele em seu diário. Seus procedimentos de caça, de subsistência, seus meios de se manter "confortável", ou o que isso signifique no meio da selva. E Chris, por mais adversidades que encontrasse, jamais pensava em abandonar sua meta.

O filme possui uma atmosfera envolvente de rebeldia, de primitivismo, que acaba por nos provocar, nos faz querer conhecer pessoalmente a situação. Como seria largar tudo e partir em uma jornada onde a única maneira de sobreviver é fazer uso dos nossos instintos mais primários?

Supertramp consegue sobreviver por dois anos viajando pelos EUA, adaptando-se ao clima e às condições de cada local em que se alojava. Usava de sua própria experiência para aperfeiçoar suas técnicas.

Analisando a história sob esse olhar, nos parece algo surreal, totalmente fictício, um sonho do roteirista. O que mais nos surpreende na história é o fato dela ser baseada em fatos reais. Não apenas uma história inspirada em alguém real, mas verdadeiramente baseada na realidade. O diário realmente foi escrito, as inscrições em banheiros, portas, as pessoas...

A obra mexe com nossos mais profundos questionamentos. Rebelar-se contra a sociedade e criar um meio próprio de vida. Sem consumo, sem escolas, sem regras, sem política, sem mentiras... Chris McCandless conseguiu tal feito, com certo sucesso. Mas até que ponto conseguiríamos fazer o mesmo? O que aconteceria se nos aproximássemos da natureza para dela e com ela convivermos? Talvez seja um instinto que todos possuímos, mas nos falta a coragem para fazê-lo aflorar.

Cecília
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Depois que todos me falaram o quão bom esse filme era, eu me sentia obrigado a conferi-lo. Baseado em uma história real e tendo, aparentemente, conquistado a todas as pessoas, Na Natureza Selvagem conta a história de Christopher McCandles, um rapaz aventureiro que desistiu de tudo o que tinha para seguir numa jornada de libertação até o Alasca. Com aspectos técnicos muito bons e boa qualidade astística, esse filme faz jus a todos os elogios que recebe.

A princípio, dois fatos me agradaram: não ver Sean Penn atuando e ver Marcia Gay Harden como coadjuvante. Nunca vi um filme no qual ela seja coadjuvante que não tenha sido bom. No caso desse, ela mal aparece, mas ainda assim marca presença. Aproveito para dizer: Sean Penn deveria parar de atuar e dedicar-se unicamente à direção, já que seu punho firme e sua excelente escolha de foco fez com que esse se torna não somente um culto à atitude de Chris - ou Alexander Superandarilho -, mas também uma homenagem à paisagem ao seu redor. Sean Penn captou com toda a eficiência que ele não tem como ator a vida de Chris desde a sua vida reprimida perto dos pais até a sua ruptura libertária

O grande efeito que o filme causa no espectador é uma sensação de admiração e, sobretudo, aproximação. Ver tudo o que se desenvolve em cena é praticamente participar do filme e estar ao lado do personagem principal. Dentre todos as pessoas que Chris conhece ao longo de sua jornada, podemos sentir que nós poderíamos tê-lo conhecido, poderíamos ter cruzado com ele. Essa inclusão muito bem programada inquestionavelmente conquista o espectador rapidamente. Eu apenas não entendi o porquê de a Academia ter ignorado um filme tão bom como esse. Indicou-o a apenas duas categorias quando poderia tê-lo indicado a pelo menos mais três: Melhor Fotografia, Melhor Ator (Emile Hirsh) e Melhor Diretor (Sean Penn). Considerando que Juno concorreu a Melhor Filme e que Na Natureza Selvagem é superior, então acredito que poderia ter recebido ainda uma outra indicação, desta vez para o prêmio máximo, Melhor Filme!

Ainda que eu tenha tido a impressão de que há mais ficção do realidade nessa obra, não posso deixar de considerá-la uma trama muito boa, com doses equilibradas de emoção, aventura, romance e drama. Apesar de ter mais de duas horas, quase nem percebemos, tamanho o entretenimento. A grande surpresa do filme fica por conta daquele final, já que não exatamente aquilo que esperávamos... a realidade parece tornar-se fatídica ali.

Luís
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2 opiniões:

Thiago Paulo disse...

Ah, sem comentário pra esse filme, espetacular! Já vi e revi várias vezes, é me surpreendi em cada uma delas.

Aquele final, a trilha sonora, os personagens coadjuvantes... Tudo perfeito Pra mim, uma das cenas mais bonitas é quando o pai do Chris entra em desespero... E várias outras é claro!

Seu comentário focou mais na parte Técnica e o da Cecília na parte da história.... Ficou interessante dessa maneira.

Abraço!

Marcelo A. disse...

Desde o primeiro momento em que soube que Sean Penn levaria às telas a história de Chris McCandless, fiquei ansioso para conferir o filme. Já havia lido o livro há alguns anos atrás e ficado bastante impressionado com a história - verídica - do rapaz que larga tudo para trás e que parte nessa viagem de - por que não? - autoconhecimento. Definitivamente, é um belo filme e, para mim, por mais que Penn dirija outros, Into The Wild é sua obra-prima definitiva.

O Thiago bem lembrou alguma cenas maravilhosas. A cena em que o pai cai e não consegue andar é dez. E o final então... Sensacional!

Grande post! Parabéns, Cecília, parabéns, Luís!

=)