22 de out de 2010

Invictus

Invictus. EUA, 2009, 121 minutos. Drama. Dirigido por Clint Eastwood.
Indicado a dois Oscar: Melhor Ator (Morgan Freeman) e Melhor Ator Coadjuvante (Matt Damon)
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Quem acompanha o blog sabe que eu sou fã de Clint Eastwood. O simples fato de haver o nome dele como diretor do filme faz com que eu me interesse por vê-lo e, muitas vezes – em quase todas, na verdade –, me surpreendi com as suas produções. A junção Eastwood-Freeman, que já havia acontecido no emocional Menina de Ouro, me motivou ainda mais a ver essa produção, que aborda a vida pós-prisão de Nelson Mandela e as suas tentativas, como presidente eleito na África do Sul, de unir o país usando como instrumento o rúgbi.

Não tardou para que eu descobrisse algo realmente triste: eu não estava me identificando com aquela obra. Eu realmente não consegui entrar no clima daquilo que fora proposto; todo o filme pareceu simplesmente passar, sem que eu visse nele algo por que me apegar. Assim, rapidamente concluí tratar-se de uma obra mediano, cujo único destaque é o nome forte do ator principal e do diretor. Não sei bem o que falta em Invictus, mas definitivamente há nele alguma coisa que não se encaixa nas minhas expectativas.

As atuações dos atores são corretas, o que potencialmente os elimina como motivo do meu desapego pelo filme. Vi tanto em Damon quanto em Freeman uma linearidade de interpretação – não os vi brilhantes, tampouco os enxerguei com menos destaque do que mereciam. Não compreendi muito bem o que levou a Academia a nomear ambos – Damon, como coadjuvante, Freeman, como ator principal – nas categorias de atuação masculina, porque realmente não há muito que lhes permita expor todo o seu potencial artístico e, caso haja, eu não percebi essa totalidade quando eles estão em cena. Como disse: corretos, mas não brilhantes. Os poucos atores secundários não têm grande espaço na tela, e a eles é limitada a participação; logo, não me aterei a eles. A direção de Clint Eastwood parece distante, não sei bem se o diretor pretendia mesmo causar esse efeito com o intuito de mostrar-se imparcial em relação à figura de Mandela. Talvez não quisesse expor-se, colocando-se do lado dos personagens que retrata, causando então um efeito diferente de outros filmes, como As Pontes de Madison e Menina de Ouro. O grande problema é que, com isso, o diretor provocou um afastamento do espectador com os personagens. Os ângulos de câmera, a edição de cenas, a trilha sonora – nada parece criar uma dinâmica ou uma aproximação.

Tudo é tão sóbrio e etéreo, sem qualquer drama, sem qualquer mudança, tão rigorosamente linear, que a história acaba parecendo sem graça. Definitivamente, uma das coisas que eu já aprendi é: vida equilibrada não dá história. E é exatamente assim que tudo se desenvolve no filme: nenhum anseio por parte do espectador, nenhum conflito no plano fictício dos personagens. Nem mesmo o plano da realidade – não podemos nos esquecer de que os personagens são reais – consegue inferir na continuidade do filme e lhe dar um ar mais renovado e menos pesado. Penso que possamos defini-lo como um filme pesado, porque seu desenvolvimento lento e sem inovações deixam-no um pouco cansativo. Ainda assim, é possível assisti-lo e vê-lo pode ser válido, até porque não se pode simplesmente ignorar uma obra de Clint Eastwood, mesmo que ela não seja exatamente uma das suas melhores.

1 opiniões:

Cristiano Contreiras disse...

Concordo plenamente contigo, o filme peca pela direção fria...há momentos apáticos e acho que Eastwood já desenvolveu melhores trabalhos.

Abraço!