31 de out de 2010

Filhos da Esperança

Children of Men. EUA, 2006, 109 minutos. Drama/Ficção Científica.

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Ouvi sobre esse filme quando um colega comentou o quão bom ele [o filme] era. Esboçou um resumo rápido a respeito do assunto abordado; eu achei um pouco vago demais, mas, depois de um ano, decidi assisti-lo. E, diferentemente do que eu pensava, o filme me surpreendeu com a sua trama, que fala a respeito do ano de 2027, no qual a pessoa mais jovem tem 18 anos, isto é: o último parto ocorreu em 2009! Então, um ex-ativista é chamado por Julian, líder de um grupo de protestantes radicais, para que a ajude num transporte que é extremamente importante. Primeiro ele nega ajuda, mas depois se depara a situação que tem de lidar: há uma garota grávida, que precisa ser movida a fim de que não seja raptada ou morta.

O primeiro comentário que quero fazer quanto às características do filme é a maneira de destruição que é mostrada. Já assistimos a muitos eventos que tratam do fim de humanidade; vimos as sociedade submergir, em O Dia Depois de Amanhã; presenciamos ao quase choque entre um meteoro e a Terra, em Armageddon; soubemos da marginalização dos humanos pelo macacos, em O Planeta dos Macacos. Pela primeira vez, no entanto, os humanos não foram atacados ou mortos: simplesmente deixaram de nascer, embora continuem morrendo das mesmas causas que morriam, seja morte natural, guerras ou acidentes. De tal forma, a expectativa pelo fim parece bem mais cruel do que nos outros filmes e o tom pessimista que Alfonso Cuarón deu ao fim faz parecer com que quaisquer atitudes dos personagens seja irremediavelmente inútil, o que sustenta ainda mais a expectativa dos espectadores. Dentre as cenas que mostram de maneira mais efusiva essa sensação de fracasso, presente no contexto do filme, está aquela em que várias pessoas observam tristemente à notícia de que o "Bebê Diego", a pessoa mais jovem do mundo, morreu aos 18 anos após recusar a dar um autógrafo e ser esfaqueado, o que o levou à morte.

Dentro da rígida estrutura política estadunidense, na qual ou todos os imigrantes são retiradas à força do país ou são mortos, Theo, personagem de Clive Owen, atira-se obstinadamente à tentativa hercúlea de levar Kee, a jovem grávida, até o local onde ela será tratada com todos os cuidados necessários e ainda poderá dar chance para as esperanças de que o mundo simplesmente não acabe. Eu tenho a impressão de que Clive Owen vem interpretando o mesmo personagem - apenas o nome que muda - há um longo tempo, salvo em Closer, em que enão precisa correr para salvar alguém. O ator é bastante convincente nesse papel, mas certamente lhe falta alguma versatilidade; acho que seria interessante vê-lo de outra maneira, talvez mais submisso à situação, menos herói. Mas enquanto continuar convencendo assim, melhor para nós. Julianne Morre poderia ter sido bem mais aproveitada. Sua participação resume-se a poucas falas e um tiro que logo nos primeiro trintas minutos de filme a mata. Se Clive Owen combinou bem com Natalie Portman e Julia Roberts, por que não haveria de combinar também com Julianne Morre a fim de desenvolver melhor o reatar da relação entre os personagens? Mas, mesmo que tenham optado por fazer de outro jeito, a atriz marca presença e garante boas, porém pequenas, cenas.

O ápice do filme está numa das cenas finais, quando há aquele momento fotográfico no qual todos param. Quem assistiu ou quem for assistir sabe (ou saberá) a qual cena me refiro. É nesse momento que percebemos que valeu a pena ter-lhe visto. Então, eu recomendo que assistam a esse filme. Não o façam, porém, se quiserem bastante diversão, pois este é um filme para ser observado com atenção, registrando alguns momentos (que certamente virão a ser copiados daqui a alguns anos).

3 opiniões:

Matheus Pannebecker disse...

Eu amo esse filme! E fico impressionado como ele foi subestimado na época de seu lançamento. O Alfonso Cuarón poderia ter sido facilmente indicado ao Oscar do diretor por seu excepcional trabalho nesse filme!

Carlos Augusto Matos disse...

Gostei deste filme... Faz tempo que vi, mas gostei muito...

Abração...

Cristiano Contreiras disse...

Preciso rever, lembro que o filme mexeu bastante comigo. Parabéns pelo texto analítico!