16 de dez de 2010

Inferno na Torre

The Towering Inferno. EUA, 1974, 165 minutos. Drama.
Ganhador de 3 Oscar (Melhor Montagem, Fotografia e Canção Original). Indicado a outros 5 Oscar, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator Coadjuvante (Fred Astaire).
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Não sei exatamente o que me motivou a ver esse filme. Devo ter lido a respeito dele em algum site e acabei interessado. Depois de não encontrá-lo em nenhuma locadora em que procurei, acabei descobrindo-o perdido numa das prateleiras da locadora em que jamais pensei que poderia encontrá-lo. Comecei a vê-lo, mas desisti após ver vinte minutos - talvez o sono e o lento desenvolvimento inicial me fizeram perder o interesse. Ao decidir que definitivamente o veria, me preparei para o que seria mais de duas horas de entretenimento.

O roteiro do filme foi trabalhado sobre duas outras obras. No ano de 1974, a Fox e a Warner compraram direitos de adaptação de dois livros, que tinham uma temática bastante parecida: problemas num edifício. Como ambos os estúdios pretendiam fazer filmes grandiosos, em vez de cada um adaptar o seu livro e criar o seu próprio roteiro, decidiram unir forças e produzir um único filme. Desse modo, os personagens principais de The Glass Inferno e de The Tower foram reunidos numa única história, que deu origem a The Towering Inferno. Vale ainda constatar que o nome do edifício - The Glass Tower - é uma junção dos títulos do livros em que a história foi embasada. De um modo bastante, a Torre de Vidro é o prédio mais alto do mundo e ele será inaugurado com uma grande festa. Durante a tarde, um curto-circuito dá início a um incêndio em um dos depósitos, mas por causa do sistema de alarme e vigilância, o fogo não é percebido. À noite, inúmeros convidados chegam para a festa, que ocorrerá na cobertura. Doug, o arquiteto responsável pelo prédio e o bombeiro O'Hallorhan começam uma incrível jornada para salvar as pessoas quando o fogo toma proporções bem maiores e se aproxima cada vez mais do topo do edifício.

Acho que o mais interessante do filme é não criar dramas fúteis. Ainda que longo, o filme é bastante objetivo ao mostrar as complicadas situações pelas quais passam os personagens, com direito a focos em vários deles, mostrando um pouco de cada um, desde os principais, vividos por Paul Newman e Steve McQueen, até os coadjuvantes, interpretados por Jennifer Jones, Fred Astaire, Fay Dunaway. Outro grande acerto é captar bem os momentos de desespero. Isso é mostrado não por expressões exageradas por parte dos atores, mas sim pelos ótimos enfoques nos desastres acontecidos no prédio. Por exemplo, numa das cenas, 4 personagens estão descendo uma escada, quando uma explosão destrói o chão, criando um imenso buraco, de modo que os personagens têm que descer pelos ferros tortos que restaram das escadas até um andar abaixo. Não há muito o que ser mostrado no filme, já que a partir da primeira hora, tudo o que vemos é uma luta pela sobrevivência. De um modo interessante, o filme capta bem a sensação de claustrofobia - mesmo que estejam num lugar bem amplo, eles estão literalmente presos, já que não podem ir a qualquer lugar sem que o fogo os mate.

A fotografia do filme não é das mais bonitas, mas defintivamente há qualidade naquilo que é mostrado. Não sei foi incapacidade minha, mas creio que na maior parte do filme, não seja tão precisa a altura do prédio. Muitas vezes, eu tive a impressão de que o edifício parecia pequeno demais. Apenas nas tomadas aéreas e externas é que se podia ter uma noção mais apropriada do tamanho real do prédio. Dentre as atuações, não vi nenhum grande destaque. Os personagens são carismáticos e, dada a situação em que eles se encontram, nossa simpatia por eles aumenta. Paul Newman e Steve McQueen têm bastantes cenas de ação - o primeiro nem precisa fazer muito para compor uma boa atuação. McQueen está igualmente bom, sem defeitos visíveis, muito bem nas cenas de ação e também nas cenas mais dramáticas. O casal Jennifer Jones e Fred Astaire estão bem simpáticos, mas atuam juntos por pouco tempo, já que têm maior destaque em cenas individuais - curiosamente, ela tem mais espaço em cena do que ele, no entanto, é ele quem levou a indicação como melhor em atuação em papel secundário. Vale ressaltar ainda que a primeira e única indicação de Astaire veio por um filme bem diferente daqueles em que estamos acostumados a vê-lo.

Inferno na Torre é um filme sincero na sua proposta: quer mostrar o desespero causado pelo confinamento numa situação trágica. À sua maneira, considero-o um filme interessante, com boas cenas de drama, ótimos momentos de ação e, sobretudo, muito eficiente naquilo que propõe. Desse modo, vê-lo não é nenhum sacrifício, embora realmente não seja superdivertido ficar quase três horas vendo o desenrolar de uma história que basicamente mostra uma galera tentando sair de um prédio. Acredito que seja um filme recomendável e decerto interessante.

4 opiniões:

Kahlil Affonso disse...

quase peguei esse filme pq achei mto interessante a história, mas não ouvi falar mto bem... acho q vou pegar ele sim!


http://filme-do-dia.blogspot.com/

Cristiano Contreiras disse...

Um filme amplamente chato, ridiculo e hoje com efeitos especiais bizarros. Sempre achei que o filme envelheceu muito, muito mal. O roteiro é frágil, os personagens não cativam e eu confesso que assistir ele até o fim é um teste de nervos.

Diferente de outro filme antigo, catástrofe, "O Destino do Poseidon".

Seu texto é infinitamente superior ao filme!

abraço

Anônimo disse...

Acabei de adicionar seu feed para meus favoritos. Eu realmente gosto de ler seus posts.

Anônimo disse...

Il semble que vous soyez un expert dans ce domaine, vos remarques sont tres interessantes, merci.

- Daniel