4 de dez de 2010

Thelma e Louise

Thelma and Louise. EUA, 1991, 130 minutos. Drama / Aventura.
Indicados a 6 Academy Awards, incluindo Melhor Diretor e Melhor Atriz (Susan Sarandon e Geena Davis). Vencedor do Academy Award de Melhor Roteiro Original.
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Thelma e Louise é um dos poucos filmes do cinema que realmente retratam a mulher da maneira que merecem: livres, aventureiras e, sobretudo, leais à sua própria causa. Sem sombras de dúvida, esse é um grande trabalho de Ridley Scott, que, em parceira com as duas grandes atrizes principais desse longa, compôs uma pequena pérola do cinema. Há aqueles que dizem não se tratar de uma obra essencial para os cinéfilos; eu prefiro acreditar que, mesmo não sendo uma obra-prima do cinema, seja um filme extremamente válido e, na pior das hipóteses, pode apenas entreter o espectador.

Thelma é uma dona de casa submissa aos despropósitos maritais. Louise é uma garçonete que implica com o jeito com o qual Thelma vive sua vida. Um dia, elas combinam de sair para passar dois dias fora - pescando e se divertindo. No entanto, um acontecimento inusitado faz com que elas cometam um crime e rapidamente se tornam fugitivas procuradas, com direito a inclusão do FBI na investigação e perseguições policiais.

A história do filme poderia facilmente fazer o espectador pensar que se trata de uma aventurazinha boba - e a sinopse até pode fazer parecer com que seja mesmo -, mas o filme grande proporções grandiosas e se mostra um excelente road-movie, com excelente mistura de elementos dramáticas, policiais e aventureiros. O grande acerto dessa obra é não se preocupar em criar situações que nos façam julgar as personagens, mas sim compreendê-las na totalidade de seus atos, quase sempre libertários. O tema principal do filme não é as aventuras pelas quais passam as personagens. O foco se mantém na transformação pela qual passam Thelma e Louise ao longo do filme e no quanto são capazes de conhecer-se através dos perigos que encontram. As duas levam vidas comuns e sem grandes perspectivas, até que têm a oportunidade de se tornarem realmente livres, sem receios e sem arrependimentos. E o grande charme do filme é mostrar isso com delicadeza e segurança, sem fazer com que nós nos sintamos em dúvida em relação ao comportamento dos personagens - elas são mulheres de posicionamento firme e, embora impulsivas, vêem nisso a chance de serem elas mesmas. [SPOILER] O final do filme apenas prova o quão verdadeiro é o que eu digo: dada as circunstâncias, as personagens optam pelo ato libertário, uma vez que a morte é a prova de que elas realmente estão em paz consigo mesmas e que, sobretudo, elas são livres o suficiente para fazer essa escolha e ainda ser felizes com ela. [FIM DO SPOILER]

Ridley Scott compôs uma obra impressionante, na minha opinião. A maneira como soube captar as expressões e as cenas envolvendo as duas atrizes foi fascinante, principalmente porque ele consegue fazê-las ser uma só: Louise, a princípio extrovertida, torna-se temerosa em relação a que atitude tomar; Thelma, bastante submissa, mostra-se forte incentivadora das atitudes impulsivas. Dessa maneira, elas se completam e o diretor soube como mostrar isso com eficiente. Destaque especial para as ótimas paisagens fotografadas - mesmo que boa parte da viagem dela consista em percorrer o deserto, Ridley Scott soube como tornar o deserto um cenário interessantíssimo. O cenário, aliás, serve como contraponto em relação às personagens: ainda que isoladas geograficamente, elas estão muito bem acompanhadas - por elas mesmas. Susan Sarandon e Geena Davis estão fabulosas. A primeira compôs uma personagem difícil, que passa por uma provação emocional muito forte. Mesmo que não saibamos exatamente o que aconteceu no Texas, temos certeza de que isso é peso dramático na vida de Louise. Sarandon soube como mostrar o peso e a leveza da personagem, nos presenteando com ótimos olhares, ótimas cenas. Geena Davis faz da impulsividade de Thelma um elemento favorável. A atriz a torna engraçada, traz humor às cenas, faz-nos rir com as suas atitudes inconsequentes. Não me resta dúvidas de que o filme mereceu as indicações que recebeu, porque provavelmente esse é um dos melhores road-movies já criados.

Thelma e Louise é um filme interessante, do qual gosto bastante. Vê-lo é um prazer; revê-lo é um prazer maior. A cada vez que eu o vejo, descubro novas características nas personagens e as enxergo ainda maiores, bem mais fantásticas do que da vez anterior. Ridley Scott em sua melhor obra? Talvez. E reafirmo aquilo que disse no primeiro parágrafo: esse filme é uma pequena pérola do cinema! Nenhuma mulher pode se dizer feminista se não tiver visto ao menos uma vez Thelma e Louise, porque essas duas personagens são realmente a figura simbólica da alma feminina livre.

5 opiniões:

Cristiano Contreiras disse...

Um delicioso road-movie mesmo, cativante e que jamais envelhece - seu texto está ótimo, concordo plenamente com a sua análise. Só faltou citar a belissima trilha sonora de Hans Zimmer, muito boa e que em certas cenas se torna crucial ao desenvolvimento do filme.

É mesmo um filme leve, com humor e ótimo roteiro que prioriza o ato libertário feminino, mas acho que ele fala mais de nossas escolhas; da maneira que devemos sempre procurarmos viver com prazer e com as próprias rédeas, dem depender do outro. O final é algo inesquecível, elas fizeram sim a melhor escolha, naquele momento.

Adoro esse filme!
abs

Cacau M. disse...

Considero este filme a meu ponto de vista um clássico.
Futuramente,penso em revê-lo.
Quando assisto,sinto uma sensação de liberdade e poder.
E o tipo de filme que levanta qualquer um que esteje de baixo-astral.

Parabéns,pela escolha!

Até!

Thiago Paulo disse...

Realmente, um dos melhores road-movies, fiquei encantado quando assisti. Aliás, vale a pena ver só pelo final, que é inesperado e lindo. E como o Cristiano disso, só faltou comentar sobre a trilha sonora, que pra mim é uma das melhores também, não sai do meu MP3... O tema final é maravilhoso.

Abraço!

Matheus Pannebecker disse...

"Thelma & Louise" é um dos meus road movies favoritos! A história é muito bem conduzida e tanto a Susan Sarandon quanto a Geena Davis estão impecáveis. Sem falar, claro, daquele LINDO final!

Marcelo A. disse...

É incrível, mas toda vez que escuto alguém falar sobre Thelma e Louise, me lembro de você. Sempre gostei muito do filme e perdi as contas de quantas vezes vi. Agora gosto mais ainda, porque me lembra de um amigo muito querido. E concordo com o Cris e o Thiago. A trilha sonora é um luxo!

Abração, manzito!