26 de jun de 2012

Lembranças de Hollywood


Postcards from the Edge. EUA, 1990, 101 min, comédia. Diretor: Mike Nichols.
Uma comédia simpática cujas estrelas – Streep e MacLaine – realmente mostram humor e diversão ao espectador.

Confesso que minhas expectativas eram outras quando vi esse filme. Antes de vê-lo, eu imaginava uma comédia menos debochada, algo mais sutil e supostamente estiloso, como é o caso das comédias de Jason Reitman. Não que o resultado visto em “Lembranças de Hollywood” (1990) seja inferior às obras do diretor que citei, mas realmente nem sequer tangeu aquilo que eu esperava, passou longe. A comédia apresentada por Nichols é descontraída e sem pretensões, o que a torna ainda mais simpática ao espectador.

Suzanne Vale é uma atriz cuja carreira não vai bem e, para piorar, ela deixa que sua vida pessoal destrua totalmente suas últimas chances de filmar, já que agora ela se entregou aos narcóticos e simplesmente não consegue memorizar suas falas. O resultado: uma overdose que a tira temporariamente da indústria cinematográfica e que ainda a obriga a morar com sua mãe, cujo temperamento realmente não é similar ao de Suzanne e, por conseguinte, sempre gera problemas de entendimento entre as duas.

 Suzana, no momento em que descobre que terá que ficar sob a tutela da mãe.

A filha drogada é Meryl Streep, a mãe teatral e melodramática é Shirley MacLaine e pode-se dizer que ambas fazem trabalho interessante aqui, principalmente porque a harmonia entre as duas é perfeita! Realmente parece que elas se divertem o tempo todo em cena, mesmo quando a cena é dramática e tensa. Talvez seja esse o mérito dessa produção de Mike Nichols: um filme humorado que sabe manter seu humor. E o enredo todo percorre uma trilha que não o deixa sair do único tom predominante, o que ajuda bastante e o que corrobora a despretensão – apesar de alguns momentos dramáticos, é notável que é a vertente cômica que alicerça a obra.

Há algo no roteiro que soa meio preguiçoso, como se, por ser uma comédia, não houvesse necessidade de maior aprimoramento na condução da narrativa. Parece, às vezes, que a história de Suzana é bastante enfadonha, o que prejudica um pouco o desempenho de Meryl Streep, pois temos a nítida impressão de que ela está se repetindo. Mas rapidamente o enredo volta a melhorar, transitando entre os problemas da atriz com seu trabalho (que é a parte ais chatinha) e seus problemas com a mãe, que é mesmo o ápice do filme. De certo modo, isso me entristece um pouco, porque justamente a parte metalingüística – um filme em cujo enredo há amostras da produção de um filme – não se mostra tão interessante assim. Mas pelo menos compensa com os desentendimentos familiares que sempre ocorrem entre as personagens.

 
Se Nichols faz mais uma parceria com Meryl e tira dela bons resultados, creio que certamente seu maior mérito seja Shirley MacLaine, que honestamente me soa muito mais interessante em sua interpretação do que Meryl, já muito hypada para concorrer ao Oscar – não é à toa que seu nome completa lista na ausência de uma potência interpretativa. MacLaine compõe uma personagem indubitavelmente teatral em sua personalidade, que está sempre agindo como se estivesse num palco, mesmo estando somente ela e sua filha, Dóris se porta de modo histriônico, seja para o cômico ou para o dramático. Gosto especialmente da cena em que ela está esperando a filha voltar de um rendez-vous e, com a chegada de Suzana, começa a reclamar sobre a falta de atenção da filha, que não lhe dedica qualquer respeito e que sempre a deixa preocupa; decerto uma cena maravilhosa.

Fico pensando que o filme parece não demandar um roteiro elaborado, talvez sua grande força seja nas atrizes, assim o filme sucede êxito. Não se trata de uma grande obra e acho que ela nunca quis sê-lo, queria apenas entreter o espectador, que se diverte com os diálogos entre Suzana e sua mãe. Em tempo, o filme é baseado na perturbadora relação entre Debbie Reynolds e sua filha Carrie Fisher, respectivamente a atriz de “Cantando na Chuva” (1952) e a Princesa Leia, dos episódios quarto, quinto e sexto da saga “Star Wars” (1977-1983). Reynolds inclusive queria para si, justamente por tratar-se de si, a personagem Dóris, que acabou nas mãos de MacLaine, para o descontentamento daquela. Outra descontente foi Lana Turner, já que há uma fala no roteiro em que Dóris sugere que ela nunca foi uma mãe ruim, era só a filha compará-la como outras, como Turner. Um filme, enfim, singelo, divertido, que causou sua parcela de polêmica, que rendeu a Meryl Streep mais uma indicação e que, possivelmente, será esquecido depois de algum tempo.

4 opiniões:

Rodrigo Mendes disse...

Nunca li o livro da Carrie Fisher, já que sua conturbada vida pessoal como filha da realeza de Hollywood, etc, é um tédio, rs! Mas lembro do filme vagamente. Provavelmente não é o melhor do Mike Nichols, ele é bom adaptando para o cinema peças teatrais! Só sei que Meryl Streep e Shirley MacLaine fazem milagre com uma premissa duvidosa.

Tenho é mesmo poucas lembranças desta fita...

Abs.

Hugo disse...

É um filme que beira o melodrama em algumas passagens e tem como curiosidade mostrar um pouco dos bastidores de Holywood na chamada "Era de Ouro".

Vale também pelas duas ótimas atrizes principais.

Abraço

Celo Silva disse...

Não assisti esse filme, mas tem a Streep, nê? Deve valer uma olhada, ainda por ter um diretor talentoso e tal. Vai para a lista de preciso ver. Abração.

O Narrador Subjectivo disse...

Nem sequer sabia da existência deste filme, mas duas grandes actrizes. Gostei de ler :)