26 de dez de 2009

O Menino do Pijama Listrado


The Boy in the Stripped Pyjamas, 2008, 94 minutos. Drama.
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Particularmente considero a II Guerra Mundial um pouco desgastada. Já tivemos exemplos onde se tenta humanizar Hitler como A Queda, tem – se a guerra retratada pela visão dos americanos contra os japoneses em Pearl Harbor ou ainda mais recentemente O Leitor, mas uma visão infantil e inocente desse episódio historicamente conhecido eu nunca tinha visto, fato que me fez exaltar demais o filme e esse foi um dos principais motivos para não ter achado O Menino do Pijama Listrado tão bom assim. Outra consideração que quero fazer antes de analisar o filme é que não li o livro no qual o filme é baseado, portanto se eu criticar ou elogiar algum ponto estarei fazendo isso baseado apenas na obra cinematográfica.

O primeiro ponto que achei falho no filme é o total desprezo em usar a língua alemã, pois mesmo entendendo perfeitamente que o filme tem todas as bases no inglês acho que seria muito mais realista usarem duas ou três frases em alemão já que o filme se passa lá (eu realmente não considero Heil Hitler uma frase decente). Outro ponto que pode enfraquecer um pouco o filme é o fato de ser parecido com outro romance no qual dois garotos também são protagonistas, aqui estou citando O Caçador de Pipas. Mesmo sendo totalmente diferentes, o objetivo dos dois muitas vezes se parece, como na cena em que Bruno trai Shmuel, ou a inocência sendo perdida, mas reforço que isso é apenas uma teoria particular. O filme se torna recomendável por ter, certamente, mais pontos positivos do que negativos. O cenário é belíssimo e a fotografia entra ajudando ainda mais, nessa perspectiva temos o contraste da casa onde a família de Bruno vive (escura, grande e praticamente sombria) com a floresta e o campo onde ele se encontra com Shmuel (espaçosa e clara). Outro ponto a favor são as atuações. Diria que nesse ponto quem se destaca é a mãe de Bruno que diferente do marido e até da filha sofre ao saber as verdadeiras atrocidades que acontecem tão perto de sua casa, desestabilizando seu casamento e dando ao filme bons momentos dramáticos. O pai (David Thewlis de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban) fica apagado no filme e parece não se decidir entre ficar ao lado da mulher ou do seu país e nem as brigas que eles têm parecem capazes de suprir a falta de dinamismo de sua atuação. O resto (os 80 % restantes do filme) é dominado pelas duas crianças que fazem seu papel bem, principalmente Bruno com sua inocência extrema mostrada em diálogos como o que ele diz que os adultos nunca sabem o que querem.

Gostei bastante do final inesperado, pois jurava que eles terminariam todos felizes com uma bela lição de moral a lá Crônicas de Nárnia. Ainda na última seqüência de cenas tenho que destacar a cena em que os dois dão as mãos pois naquele momento eles se mostram junto de verdade e haja o que houver eles estarão juntos. Outra cena marcante é quando se mostra de cima todas aquelas pessoas espremidas dando a noção da brutalidade que ocorria ali.

Renan
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Na minha opinião, esse é apenas mais um filme sobre a guerra, no qual os eventos históricos tornam-se meros planos de fundo. Tendo como ponto de destaque o relacionamento espontâneo entre os dois garotos - um judeu e um filho de general nazista -, o filme se mostra com pouca densidade e muito irritante, uma vez que usa as crianças para condiciar o espectador a pensar em coisas bonitas para no final tentar surpreendê-lo com cenas pseudodramáticas.

Tal como o Renan, eu não li o livro, mas penso que se ele for como o filme é, então é perda de tempo conferi-lo. Se tem uma coisa que me incomoda muito em filmes é quando crianças são usadas como fontes de drama. A maioria dos espectadores dispersam ao verem uma criança em cena: vêem-na tão bonita que se esquecem da função do personagem para a história; consideram-na tão charmosas e simpáticas que não percebem a lavagem cerebral que está acontecendo. E o filme faz ótimo uso desse recurso: o relacionamento singelo entre as crianças faz parecer que tudo esteja indo às mil maravilhas com o aspecto técnico do filme. No final, surpreendem-se, choram, dizem ter adorado o filme.

Não há nada de grandioso no filme. Há dois aspectos positivos: a fotografia, que é bonita e em equilíbrio, e a tentativa de mostrar o conflito interno pelo qual passa a mãe do garoto alemão. Ela pensa que o marido faz um ótimo trabalho, mas fica perturbada ao descobrir o que é. Considero esse o ponto interessante do filme. As crianças são enfeites e algumas situações têm a mesma função: robotizadas, trabalhando para fazer o espectador verter lágrimas. E há uma série de contradições ao longo do filme que me fizeram perguntar se realmente supunham que fôssemos acreditar naquilo. Para exemplificar, pode-se citar a visível ausência de segurança que havia no lugar. Ninguém percebia que a criança alemã saía da casa; ninguém percebia que um garoto judeu conversava com alguém de fora do campo de concentração. O judeu simplesmente passeia tranquilamente, rouba pijamas sem ser notado e o outro - numa cidade muito incoerente - cava um buraco e entra no cercado onde o garoto judeu está. Num campo de concentração onde não há guardas atentos, como se pode esperar que não haja fugas? E, para melhorar ainda mais, em vez de fugirem dali, os dois caminham para o grand-finale. Daí vocês me dirão: mas ele só fizeram o que fizeram porque queriam encontrar o pai do garoto judeu. E eu direi: desde o momento em que essa afirmação é dada, o final se torna totalmente previsível, porque já sabemos como tudo vai se desenrolar.

Eu acho que esse é um filme dispensável e que não mudará a vida de ninguém. Recomendo somente se você for um fã da II Guerra Mundial - que é um tema bastante explorado -, porque se você não for, pode não gostar. Se gosta de atores atuando no automático, esse filme é uma boa pedida também. E, acima de tudo, se curte histórias pseudo-comoventes e previsíveis, esse filme é um prato cheio!

Luís

7 opiniões:

Thiago Paulo disse...

Eu não vi esse filme, mas gosto do gênero Guerra. Já odiei, mas hoje gosto! Tenho curiosidade em ver O Menino do Pijama Listrado, ainda mais sendo sobre uma história de amizade, tema que chama muito minha atenção.

Abraço!

Ricardo Martins disse...

O gênero está saturado já! Mas acho que é um fato que dá muito cenário e abertura para novas histórias. Quero ver O Pijama do Menino Listrado, envolvendo amizade em tempos difíceis, na certa é algo que emociona!

E mesmo vendo aspectos negativos levantados pelo Renan e o Luís, acho que vale uma conferida!

Abraço

E boas festas! :D

Erikalicious disse...

Olá, agradeço ao Liís pelo comentário em meu blog ..

Sobre o filme, creio que iria gostar, pois adoro histórias "pseudo-comoventes" como o Luís citou rsrs
Mas ainda não tinha visto pelo angulo de usarem as crianças como enfeites dos filmes dramáticos, acho que é justamente pela beleza e pela simpatia destas. Vou passar a observar mais isso.

Ótimo 2010 a v6 ;)

Jean disse...

Eu tinha visto "O menino do pijama listrado" há algum tempo e semana passada eu o assisti novamente. E como gosto é algo totalmente pessoal, venho dar a minha opinião discordando da crítica.

Quero começar dizendo o motivo que a princípio me levou a assistir ao filme. E foi simplesmente pela presença magnífica de Vera Farmiga no elenco. Apesar de não ter aparecido muito, ela conseguiu ainda assim nos presentear com sua belíssima atuação.

A atuação de Asa Butterfield, que deu vida ao personagem Bruno, não podia ser melhor! Ele conseguiu entrar no clima do filme, e mostrou toda a inocência que o personagem exigia com diálogos muito bem construídos. Destaque para o momento em que ele diz que não era justo Shmuel ficar brincando, enquanto ele ficava lá ... sozinho.

As demais atuações foram razoáveis, cenário realmente belíssimo e um final que pelo menos em mim não arrancou lágrimas, mas que foi bem interessante ... e destaco mais uma vez Vera Farmiga, por ter sido incrível nesta parte final do filme. E essa cena sim, pra mim foi a que mais se destacou.

Um forte abraço e muitas felicidades neste ano que está por vir!!

Roberto F. A. Simões disse...

Ainda não vi esse filme. O trailer cativou-me bastante, sobretudo pelo arrojo estético e pela banda sonora de James Horner, mas espero um filme 4*. Espero vê-lo quando tiver oportunidade.

Cumps.
Roberto Simões
CINEROAD - A Estrada do Cinema

Cristiano Contreiras disse...

Preciso, antes do filme, ler o livro. Mas, como o Roberto - pelo trailer, a trilha sonora do James Horner me parece muito linda mesmo.

Assim que ver, comento com vocês!

Luís / Renan disse...

THIAGO, eu gostava bastante desse tema. Mas acho que já fizeram filmes suficientes a respeito disso. Recomendo que veja mesmo o filme. É sempre bom ter uma opinião própria sobre uma determinada obra.

RICARDO, eu honestamente acho que a amizade não é bem explorada nesse filme. O único objetivo é te fazer chorar, mas é um filme raso. Recomendo que confira e que volte para nos dizer o que achou.

ÉRIKA, gosto de histórias verdadeiramente comoventes, não de histórias como a mostrada nesse filme.

JEAN, permita-me discordar, mas eu realmente não enxerguei tanta beleza no filme quanto você. Achei-o bem raso, para ser sincero. Certamente poderia ter explorado imensamente mais, mas se limitou às previsibilidades. Vera Farmiga realmente era a melhor do elenco. Se melhor utilizada, sua personagem poderia render à atriz até uma indicação, pois talentosa ela é!

ROBERTO, para ser sincero, não me lembro muito da trilha sonora do filme. Veja-o e venha aqui nos dizer o que achou.

CRISTIANO, eu definitivamente não lerei o livro depois de ver esse filme.

Luís