4 de dez de 2009

Formaturas Infernais

Prom Nights from Hell. EUA, 2009, 320 páginas (Editora Galera Record). Contos.
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Dois motivos me levaram a comprar esse livro: o primeiro deles foi o fato de eu ter pensado que veria algo semelhante a Carrie, de Stephen King, e o segundo foi a presença de Stephenie Meyer. Realmente pensei que o principal tema abordado fosse o terror e o suspense e ao somar isso com o tópico "formaturas", não pude deixar de me lembrar de Carrie, um livro do qual gostei muito. Sobre Stephenie Meyer, gostaria de saber como ela se sairia escrevendo algo que não tivesse a ver com o romance mela-cueca da série Crepúsculo. Eu tenho me decepcionado com os últimos livros de contos que li e este não foi uma exceção. Dentre os cinco contos, um é péssimo, um é regular, um é legal e os outros dois são consideravelmente bons. É um pouco complicado falar do livro como um todo, pois são cinco estilos bem diferentes e cada autora volta o seu conto para um determinado acontecimento, o que me impede de falar sobre sobre o livro com um topo. Optarei, portanto, por analisar cada um breve e separadamente. Vou seguir a ordem de posição do livro que - curiosamente - é uma escadinha crescente de qualidade e entretenimento.

1) A Filha da Exterminadora, por Meg Cabot.
A autora escreveu o conto direcionando-se para o público feminino com menos de 13 anos, isto é, a narrativa é extremamente simples, cheia de clichês e retrata acontecimentos muito infantis. Os personagens não têm nenhum carisma e suas atitudes se tornam ainda mais ridículas quando surge um tom de romance. A história fica ainda pior pelo fato de haver vampiros e - pasmem! - o nome da família é Drake, uma versão moderna de Drácula. O conto é dividido em capítulos, alternando os narradores: ora é Mary, a garota que dá título à estória, ora é Adam, o rapaz que gosta de Mary e está ali pra ajudar. Não sei qual era a intenção de Cabot ao escrever essa porcaria, mas se eu fosse o editor, eu teria simplesmente retirado o conto do livro e substituído por outra autora que realmente tentasse criar algo com qualidade. Armas de água carregada com katchup para matar vampiro? Ridículo. Estaca no coração? Clichê. O único ponto bom do conto é uma citação interessante a ninguém menos do Stephen King.

2) O Buquê, por Lauren Myracle.
Três jovens vão a uma cigana e um garota acaba vendo um buquê velho que, segundo a quiromante, realiza três desejos da pessoa que o possui, mas que, em contrapartida, traz muito azar. Lauren Myracle não soube muito bem como usar essa idéia e, assim como Cabot, caiu no clichê e nós já sabemos desde o princípio como o conto terminará. A narrativa me remeteu aos episódios clássicos do Clube do Terror e por isso conquistou um pouco da minha simpatia. Em um momento, é criado uma sutil tensão, porém essa não se desenvolve e o conto fica na mesmice, no mais absoluto lugar-comum.Em qualidade, está um pouco acima do que o conto que o precede.

3) Madison Avery e a Morte, por Kim Harrison.
Durante o baile, Madison deixa para trás Josh, o seu par, e se envolve com Seth, um garoto desconhecido, que imediatamente a conquistou. Recusa a carona de Josh e, ao sair com Seth, que promete levá-la para casa, se descobre no carro de uma pessoa totalmente fora de si, que fica falando sobre matá-la para completar sua missão. Um acidente ocorre e Madison descobre que está morta e que é uma questão de tempo até Seth, um Anjo da Morte, vir buscá-la. Esse é o conto legal. Tem um clima interessante e entretém o leitor. Harrison soube como usar os elementos do conto a seu favor e o acréscimo de metáforas auxiliam o enredo, tornando-o bem melhor que os contos anteriores. Seus personagens não são infantilóides, nem são construídos somente para sentir medo; existe algum conteúdo neles, como o amor que Madison sente pelo pai. Dentre os finais, foi o desse aquele de que mais gostei.

4) Salada Mista, por Michele Jaffe.
Miranda trabalha se encontrando com pessoas nos aeroportos e levando-as ao local onde se hospedarão. Na noite de sua formatura, está trabalhando e conhece Sibby, uma garota-problema, que só pensa em beijar e acha que tudo é muito fácil e sem preocupações. Ao entregar a garota, percebe que há algo muito estranho acontecendo, pois seus sentidos são muito apurados e ao resgatar Sibby da estranha casa, começa uma noite de perseguições. O conto de Jaffe é interessante porque reúne elementos sobrenaturais muito bons, como as capacidades de Miranda, e um clima de suspense que garante um bom entretenimento. A narrativa quanto à qualidade é bastante linear, não existindo quedas bruscas. Uma vez ou outra fica meio estranho e inverossímil, mas ainda assim, é superior a todos os outros anteriores. A conclusão de Jaffe foi muito inteligente e contraditoriamente simples e por isso elogio mais uma vez.

5) Inferno na Terra, por Stephenie Meyer.
Gostaria de não dizer isso, mas o conto dela é o que mais se destaca - em todos os aspectos. Seu enfoque é uma bomba de desentendimentos e tristeza que cai sobre as pessoas durante a festa de formatura. São brigas, traições, choros, etc. A responsável por isso: Sheba, um menina-demônio, que se fortalece com o desespero alheio. Acredito que o maior acerto é primeiro apresentar uma situação convencional para depois acrescentar o elemento surreal. A princípio, pensamos tratar-se apenas uma série de desentendimentos e não de uma espécie de maldição assolando todo mundo. Peço que os fãs do autor desculpem a comparação, mas este foi o único momento em que senti a presença do efeito fantástico usado por Stephen King em Carrie: as pessoas estão realmente desesperadas e nem sequer sabem por quê. Sheba, diferentemente de Carrie, age conscientemente e faz tudo por um prazer proposital; a outra faz por necessidade. Meyer não podia deixar de incluir um tom amoroso e, ao fazer isso, ela fez seu conto regredir e ficar um pouco distoante da ideia inicial, mas mesmo assim a qualidade dele supera os outros em larga escala.

Não é um livro que valha a pena estar na sua estante, então, se se sentir curioso, pegue-o na biblioteca em vez de comprá-lo. Os dois últimos contos fazem com que gostemos da leitura, mas não salvam os dois contos iniciais e isso faz com que seja apenas um livro mediano, o qual recomendo a leitura somente para passar o tempo. Se houver outros livros para ler, não os coloquem em sua lista como uma prioridade.

Luís

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rFormaturas Infernais a primeira vista é um livro interessante. A capa já é bem bonita e o leitor fica curioso do que pode sair de um livro com cinco contos escritos por cinco autoras diferentes sendo que uma delas é Stephenie Meyer, a autora da maior sensação literária ultimamente e outra é Meg Cabot autora da conhecida série, que até virou filme, O Diário da Princesa.

O livro parece ter sido escrito em uma ordem crescente, sendo que o pior conto (que é do Meg Cabot) é o pior e o último (escrito pela Stephenie Meyer é o melhor). No modo geral, não acho válido alguém comprar o livro ou colocar em sua “lista de livros que tem que ler urgentemente”, mas que sabe, naqueles dias que não se acha muita coisa pra ler e esse livro aparecer na sua mão...Irei analisar os cinco contos separadamente, pois como disse acima, há textos legais e outros que são tão bestas que quando acabei de ler, voltei algumas páginas pra me certificar que não havia perdido algo de mais interessante.

“A filha da Exterminadora”, escrito por Meg Cabot inicia Formaturas Infernais de uma forma não tão agradável. A escrita é extremamente infantil, e as atitudes dos personagens também são. O livro pode parecer bem escrito para minha irmã de nove anos. Falta na narrativa de Meg Cabot originalidade, pois dar o nome de Drácula para um vampiro hoje em dia é extremamente tosco. O conto todo é bobo e é uma perda de tempo.

“O Buquê”, escrito por Lauren Myracle me deixou satisfeito. Não há nada de mais ali, mas só de ser extremamente melhor que o primeiro já é um ponto positivo. O conto tem algumas passagens interessantes, como a cartomante dizendo que uma parte de se corpo está exposto em um pote. Há também um leve lado voltado para o terror que torna o conto, no geral, bom.

“Madison Avery e a Morte” escrito por Kim Harrison também é legal também e se equipara ao segundo conto. Esse é um pouco mais surrealista pois em alguns momentos não sabemos se a personagem principal está bem, tendo em vista que ela sofreu um acidente. É nesse conto que parece se iniciar o “Infernal” que está no título, pois é nele que começa um tom sobrenatural mais forte. O final é interessante.

“Salada Mista” escrito por Michele Jaffe me deixou bastante satisfeito. A narrativa tem um tom de ação que é dado pela perseguição que Miranda e Sibby sofrem e ainda há o tom sobrenatural que é bem interessante. O prólogo é uma parte final do livro e o modo como a autora regride a estória para chegar naquele momento foi bem satisfatório.

“Inferno na Terra” é o último conto do livro e de longe o melhor. Escrito por Stephenie Meyer, nesse conto temos a narrativa da festa de formatura de uma galera, mas essa festa é atrapalhada por uma garota nova que causa a inveja nas garotas e a luxúria nos rapazes. O melhor ponto do conto é a descrição que temos da garota na cabine do banheiro e das conversas que Shebba tem com a sua companheira.

Renan

5 opiniões:

Jean disse...

É... apesar da crítica não ter sido tão favorável ao livro, ainda assim me arrisco em lê-lo. Porém, sigo o conselho de pegá-lo em uma biblioteca. Como diz o ditado ... "É melhor prevenir do que remediar".

Abraço!

Bárbara disse...

Eu li esse livro e partilho de opiniões parecidas com a de vocês.
Muitas coisas me surpreenderam como o fato do conto da Meg Cabot, que é uma ótima escritora, ser o pior do livro. E o conto da Stephenie ser o melhor, Crepúsculo não é tão bom assim.
Os meus preferidos são os três ultimos, o segundo não entendi direito e a Meg me desapontou!
E o terceiro conto tem uma continuação, o livro se chama 'Once Dead, Twice Shy'...

Parabéns garotos, o texto tá muito bom.

http://tijoloscommanga.blogspot.com/

Marcelo A. disse...

Rapazes, nunca havia ouvido falar desse livro, tampouco conheço alguma das autoras - será ignorância minha? Ah, claro, a tal da Stephenie Meyer ouvi falar sim - e muito - mas só. Nunca li uma linha. Em todo caso, valeu a resenha. Se bem que, sequer me ocorreu a ideia de ler o livro. Acho o mote até legal. Mas não arriscaria comprá-lo.


Vocês compraram?!

Abraços!

Marcelo Augusto Cetreus disse...

Quase comprei este livro, acredita?
Eu acho que o grupo de escritoras não me incentiva de forma alguma rs!
Fiquei curioso a ler os dois ultimos contos, por causa das suas
críticas!

Hm, postei sobre um filme que acho que vocês viram, dessa vez!

Abraços!

Luís / Renan disse...

JEAN, a melhor coisa que você faz é pegá-lo na biblioteca. Não vale a pena gastar o seu dinheiro com isso.

BÁRBARA, não sei se Meg Cabot é boa escritora; sei apenas que seu conto é péssimo. Realmente não sabia sobre essa continuação, será que vale a pena lê-la?

MARCELO A., Stephenie Meyer é famosíssima! E você não tem cara mesmo de quem lê Crepúsculo! (risos) Eu tive a brilhante a ideia de comprá-lo... gastei dinheiro à toa.

MARCELO C., que sorte que não o comprou! Eu comprei por curiosidade, queria ver Meyer fora da saga famosa dos vampiros... e nós ainda não vimos Up - Altas Aventuras. E eu espero não vê-lo em breve.

Luís