4 de mar de 2010

A Lista - Você está livre hoje?

Deception. EUA, 2008, 108 minutos. Suspense.
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Pelo que tenho reparado, eu devo ter sido o único a achar que esse filme está entre o regular e o bom. Sinceramente, achei-o bastante interessante, muito eficiente em seu objetivo de entreter o espectador. Definitivamente não o considero nenhuma obra-prima do suspense, mas realmente acho incabível considerá-lo um filme tão inferior, como tenho visto com frequência em sites sobre cinema.

A junção desses três atores me parecia improvável. Jamais os imaginei juntos, porque realmente não pensei que funcionassem bem em parceria. Hugh Jackman consegue se estabelecer quando seus personagens exigem mais dos efeitos especiais (ou do corpo do ator) do que quando a capacidade artística é exigida. Michelle Willians é uma atriz jovem, com um currículo cheio de filmes que vão do patético ao excelente - por um deles, recebeu uma indicação ao Oscar. Ewan McGregor é um do qual gosto, embora tenha a sutil impressão de que o vejo se repetindo com constância. Dadas as breves apresentações, caso se juntassem unm filme, pensava que seria sofrível, pois talvez um interferisse na capacidade do outro. Consigo separá-los em pares: Hugh Jackman e Michelle Willians; Ewan McGregor e Hugh Jackman. Sobre o casal, é um pouco difícil acreditar naquilo que o roteiro nos mostra ao final. Incrivelmente, soa muito falso quando descobrimos as causas - às quais o casal está diretamente conectado - de tudo o que acontece na vida de Jonathan, personagem de McGregor. Sobre os dois atores, logo no começo já simpatizamos com ambos, pois eles realmente conseguem nos mostrar afinidade imensa. Se não há química entre o casal, entre Jackman e McGregor há total sincronismo do começo ao fim. Do jeito que expus, pode parecer que o problema é a atriz, mas afirmo que não é. Uma vez atuando ao lado de McGregor, sua interpretação é satisfatória e também simpatizamos com "S", sua personagem. Apenas acho que a ausência de afinidade entre os atores fez com que isso transparecesse em suas atuações.

O roteiro, que ainda não resumi, não é totalmente criativo. Jonathan conhece Wyatt na empresa em trabalham e rapidamente tornam-se colegas; se um é tímido, calmo e apagado, o outro é o extremo oposto. Uma tarde, por engano, Jonathan fica com o celular de Wyatt e após receber uma ligação de uma mulher misteriosa, ele decide se encontrar com ela para poder informar de que ficou com o celular do amigo, que está viajando. Antes que qualquer explicação seja dita, ele se descobre adentrando um universo totalmente novo - um clube do sexo. Disponíveis em lista, os contatos precisam apenas responder a uma pergunta para ter uma noite extremamente prazerosa: você está livre hoje?. Se leram o que eu escrevi, que é basicamente o que lemos atrás do box do DVD. Podemos relacionar a alguns outros filmes, mas, ainda assim, esperamos que não seja uma cópia de nenhum deles. E realmente acho que não seja. No entanto, alguns elementos são bem fortes: ideia semelhante já foi vista no excelente De Olhos Bem Fechados, com Tom Cruise e Nicole Kidman. Num determinado momento, tudo aquilo que era real começa a se confundir e chega o ponto que deveria culminar o suspense no filme: Jonathan se vê agredido, "S" é raptada e não há nenhum indício de que qualquer uma dessas coisas tenha de fato acontecido. Vários outros filmes abordam esse mesmo acontecimento e não é nenhuma novidade para nós quando vemos o mesmo tópico abordado num outro filme. Se concebido com inovação, podemos gostar. Não diria que A Lista é inovador, mas não foi tão clichê quanto poderia ter sido.
Jonathan entrega-se rapidamente tanto à amizade com Wyatt como ao clube misterioso do qual o amigo participa. Percebemos que tudo que ele quer é que sua vida mude rapidamente, trazendo-lhe certos prazeres, mas a maneira como ele simplesmente deixa acontecer é meio fantasiosa e, sobretudo, irresponsável. [SPOILER] O mais fantasioso, porém, é quererem que acreditemos que Wyatt planejou que Jonathan se apaixonasse por "S"! É perfeitamente possível que os vilões tenham planejado sabotar o rapaz, mas como haveriam de saber que ele iria se apaixonar justamente por "S"? E mais uma vez, Jonathan lança-se irresponsavelmente na tentativa de reaver a quase-namoradinha... pensa que é herói, pobrezinho... [FIM DO SPOILER] Um problema do roteiro - provavelmente o maior deles - é criar o típico bandido-clichê: a pessoa age calculista e friamente até o final, quando começa a se fragilizar e acaba apaixonada pelo mocinho, a quem tentou sabotar. É a Síndrome de Estocolmo ao contrário! Num determinado momento, o romance se torna completamente incabível e isso infelizmente atrapalha a conclusão, que fica absurdamente apurpurinada e destoante.

Vão aqui mais dois elogios e uma crítica antes que eu por fim termine. A fotografia do filme é muito eficiente. Os tons escuros servem tanto para acentuar o clima de suspense como o de sensualidade. Algumas luzes fortes focam apenas os personagens, deixando o resto do ambiente nas sombras. Achei o efeito extremamente válido. Quanto ao suspense, penso que seja um filme que consegue mantê-lo de maneira regular do começo ao fim, sem variações notáveis. Confesso que fiquei instigado para saber o que viria a seguir. Não posso dizer se minha ânsia era por saber como concluiriam o filme ou se pelo roteiro, mas o fato é que me entretive. Não entendo por que os filmes insistem em nos mostrar um final sempre positivo, sempre bonito; depois de tudo o que vemos aqui, não queremos nada romântico nem poético! Gostaria que o filme acabasse 15 minutos antes. Daí eu teria certeza de que valeu a pena vê-lo totalmente.

Se leram tudo o que escrevi, saberão que encontrei acertos e erros ao longo do filme. Achei-o totalmente assistível e não vi tantos problemas como muitos viram. Começo a pensar que eu o tenha visto num dia em que meu humor estava absurdamente grande, pois gostei e recomendo a vocês. Digam-me: fui realmente o único a gostar?

Luís

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A lista - Você está livre hoje? foi a tradução que deram pra o original "Deception"; apesar de parecer tosco, o nome é bem auto-explicativo quando se entende o filme como um todo. O longa possui pontos positivos como o bom elenco começando com Ewan McGregor (de Moulin Rouge) no papel de Jonathan McQuarry, um analista de uma grande corporação de Nova York que consequentemente se "relaciona" com os mais poderosos homens da cidade. Por acaso, Jonathan esbarra com Wyatt Bose (Hugh Jackman que segurou nas costas Austrália), um advogado que se torna, de repente, seu amigo. Depois de um mal entendido, Jonathan fica com o celular de Wyatt que foi viajar. De forma geral, Jonathan é apresentado, via celular, a um clube de sexo anonimo onde conhece mulheres maravilhosas e entre elas está S (Michelle Williams), mas o relacionamento deles fica mais e mais complicado.


Pode parecer meio complicado, mas isso ainda é pouco. O roteiro dá várias reviravoltas, nas quais Jonathan é arremessado em mentiras que ele acreditava ser verdade e por aí vai. Isso poderia parecer negatico, mas em A Lista isto não ocorre. Logicamente que o filme não é uma obra prima, mas entretém bastante. Achei o trio bem conectado, ou seja, há química entre eles, principalmente Hugh Jackman que passa o carisma necessário que o personagem requer em certos momentos do filme. Depois desse filme, vi que Jackman sabe atuar e o seu jeito viril não precisa ser usado apenas em filmes que seja necesário tirar a blusa e ter garras de ferro. Sobre McGregor, acho que ele já esteve melhor (bem melhor, como em Moulin Rouge) mas também já ficou meio estranho nas telas como no recente Anjos e Demônios. Michelle Williams fica meio escondida pelos dois, mas também faz seu papel de forma correta.
Como um quase suspense, o filme não conta com efeitos que se deva notar, mas a trilha sonora leva bem o ritmo do filme fazendo que o telespectador anseie por ver mais do longa. Como o Luís citou, a fotografia também é bem eficiente, embora o final seja muito piegas para o que eu vi durante 90% do longa. De forma geral, gostei bastante do que vi, ou seja, considero o longa recomendável.

Renan

3 opiniões:

Marcelo A. disse...

Olá, rapazes!

Não tem muito tempo que vi esse filme. Sinceramente? Gostei até a metade. Achei o inicio muito bom; com a apresentação da trama e dos personagens. Depois, não me surpreendeu muito. A fotografia, como o Luís bem citou, em tons escuros, transmite o climão da história. Pena que o filme não me ganhou, da metade pra lá. O que podia ser um filmaço, ficou pra mim, apenas no mediano...

Abração!

Hugo disse...

Acredito que o filme vale ser visto pelo elenco e pela história.

Não gosto de deixar ver um filme porque as críticas foram ruins. A opinião é individual.

Boa dica.

Abraço

Dewonny disse...

Muita gente detestou esse filme, eu achei razoável, enterte enquanto dura!
Abs! Diego!