26 de jun de 2010

Casa de Areia e Névoa

House of Sand and Fog. EUA, 2003, 122 minutos. Drama.
Indicado a 3 Academy Awards, nas categorias Melhor Ator (Ben Kingsley), Melhor Atriz Coadjuvante (Shohreh Aghdashloo) e Melhor Trilha Sonora.
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O Klaus, dono do blog Bit of Everything, elaborou uma lista contendo as melhores atrizes da década na opinião dele e o que me levou a assistir a esse filme foi a presença de Jennifer Connelly; senti a necessidade de vê-lo para saber se era assim tão bom.

Kathy é uma faxineira que fica meio atordoado após o marido tê-la abandonado; sem ler suas correspondências por muito tempo, é pega de surpresa quando o município decide tomar a casa e leiloá-la devido ao atraso dos pagamentos de impostos dos quais Kathy era isenta. Ela tenta reaver sua casa o mais rápido possível, mas logo no dia seguinte um coronel iraniano compra a casa por 1/4 do valor que ela vale e se muda com a sua família. Entre os personagens - não somente Kathy e Behrani - ocorrem situações imprevistas que provocam a instabilidade e os levam a pontos inimagináveis.

Primeiro, quero elogiar o roteiro. A história toda está envolva num erro que dificilmente seria resolvido rapidamente, afinal, todos conhecemos o quão lenta é a burocracia. Um ponto interessante é nos apresentar pessoas desesperadas, mas que, em contradição com os seus atos, estão cobertas de razão. Há cabimento em querer defender com unhas e dentes uma propriedade que é sua e que por erro alheio lhe foi tomada; ao mesmo tempo, é compreensível que, uma vez que se pagou a casa, independentemente de como a casa foi tomada, é um direito do comprador de permanecer nela ou revendê-la por quanto achar necessário. As situações que ilustrei representam basicamente o resumo das situações pelas quais passamn, respectivamente, Kathy e Behrami. A somar a essa já desesperadora situação, surgem ainda os personagens secundários, como o policial Lester, que rapidamente simpatiza com Kathy e troca sua família para ficar ao lado dela e há a família do coronel, que torce para conseguirem enriquecer nos Estados Unidos, a chamada "terra dos sonhos", e fugir do Irã, onde o coronel tem problemas. As complicações envolvem cerca de seis personagens. A casa do título provoca a desarmonia de todas as maneiras possíveis, tornando os seus atuais e ex-moradores completamente miseráveis e fazendo-os revolver o passado, buscando nele forças para continuar. Ouso dizer que o personagem mais importante da trama é a Casa, feita com a fragilidade da areia e com a inconsistência da névoa. Por ela, os personagens tornam-se fracos e instáveis.

Começarei por quem mais me impressinou: Shohreh Aghdashloo. Sua participação é pequena e em muitos momentos a ouvimos falando em outra língua. No entanto, ela marca presença de maneira firme, numa atuação memorável e bela. Penso que ela seja a principal representante do desespero, afinal, não há somente o desespero da casa, como também a pressão familiar e o medo de ser deportada. Shohreh, cuja carreira é meio questionável, está encantadora nesse filme e sua cena final é extremamente comovente. Ben Kingsley, em muitos momentos do filme, se infla do jeito-Sean-Penn-de-ser e se mantém inexpressivo. Do meio para o final, porém, ele decide nos mostrar que é capaz de atuar e fica bem à vontade em seu personagem; o destaque cabe às cenas finais, que são um banho de emoção nos espectadores e de desespero - tantos nos personagens como em nós. Ainda assim, não acho que ele merecia uma indicação. Jennifer Conelly está correta e sua interpretação é bonita, como é usualmente. Sem exageros e sem humildades, sua atuação é regular e sua história cativa o público. Vê-la em cena é um presente e, assim como acontece com Aghdashloo, em cena ela está bela. A respeito de merecer uma indicação, não sei dizer, porque ainda não vi todas as atrizes que concorreram ao prêmio, mas, como comumente a Academia faz escolhas estranhas, é possível que Connelly tenha sido pretendia em função de uma atriz em desempenho menor. Ron Eldard está à sombra de sua parceira, sempre meio oculto pela eficiência dela, mas ainda assim, sua interpretação é significativa e vale a pena.

Casa de Areia e Névoa é um filme que merece ser visto. Há algumas pequenas incoerências na história, como o fato de Kathy ser uma faxineira pobre que contraditoriamente - parece que faz por prazer - nunca trabalha! Não é uma das obras que mais me entreteram, mas eu certamente a vejo como muito produtiva e bonita, pois está cercada de elementos positivos, desde atuação até a fotografia e a trilha sonora, eficaz nos momentos mais densos. Confiram-no.

Luís

4 opiniões:

Thiago Paulo disse...

Gosto bastante desse, elenco muito bom. Não sou tão fã do Ben Kissley, mas adoro a Jennifer Connelly. Pra mim ela está melhor ainda no filme Reservation Road, onde atua ao lado de Mark Ruffalo e Joaquin Phoneix.

E que final, hein?! Vale a pena ver só para conferí-lo.

Abraço!

Matheus Pannebecker disse...

Esse filme é arrebatador! E isso se deve aos poderosos desempenhos do elenco, todos maravilhosos! E aquele Oscar era da Shoreh Aghdashloo!

Marcelo A. disse...

Toda vez que vejo esse filme, me lembro de você, por causa daquela confusão com Casa de Areia. Eu também recomendo entusiasmaticamente o filme e aprecio a interpretação da Connelly. Não sei se concordo com o Klaus, mas a interpretação dela é correta, como sempre, aliás.

Marcelo A. disse...

Nossa... nem revisei o que escrevi. Se saiu alguma besteira, não leve em consideração... uahahahha!!!!