30 de mar de 2010

Desventuras em Série: Mau Começo

A Series of Ununfortunate Events - Bad Beginning, 2000, 148 páginas.

—————————

O 1º livro de uma das séries que mais gosto. Nele começamos a acompanhar a vida dos orfãos Baudelaire (desastrosa, nesse e nos 12 outros volumes).

Bom…quando Sunny, Klaus e Violet passeavam na praia do sol, uma figura não estranha se aproxima, o Sr. Poe (personagem que você se irrita logo no primeiro volume) , com uma noticia desastrosa a eles, seus pais morreram num incêndio que destruiu a casa onde moravam e "coincidentemente", os três saem ilesos, por passearem na hora certa.

Sozinhos, eles são levados a guarda do parente mais próximo: o Conde Olaf. Conde esse que faz de tudo para conseguir a fortuna dos Baudelaire, até obrigar Violet a assinar seu nome a "próprio punho", em uma das passagens do livro. Outro ponto legal do livro é o narrador, Lemony Snicket (ele é o narrador e o autor, como se os livros fossem partes de um diário). A todo momento da história ele para pra dizer coisas do tipo: "Sinto muito dizer que o livro que você tem nas mãos é bastante desagradavel". Ás vezes isso irrita um pouco.

Bom, o livro é muito bom.São 13 volumes e a história começa a ter um clima de aventura no 5º para o 6º livro. Leiam!

Renan

P.s: no final de cada livro vem uma "carta" de como foi escrever o livro seguinte, tudo em clima de suspense e aventura.
________________________________________
Sabe aquele livro que você começa a ler, acha um pouco infantil, mas mesmo assim se diverte? É esse! Quando o Renan me sugeriu o livro, achei o título interesante e assim que vi o livro, rapidamente me lembrei da série Vaga-lume. Embora tenha me parecido infantil - muito infantil -, decidi lê-lo. E não surpreendi ao descobrir que tinha gostado muito da história.

É literatura bem simples: linguagem fácil, às vezes muito bem explicado, os personagens não são esterotipados, embora tenham aquelas costumeiras atitudes heróicas de todos os livros em que as crianças são as personagens principais. Vou à história, então: Violet, Klaus e Sunny Baudelaire (lê-se Bodler, como em "mulher") perdem seus pais num incêncio que destrói a casa em que vivem. Sr. Poe, representante legal da família, comunica as crianças do acontecimento e as encaminha para o tutor que cuidará delas até Violet completar a maioridade. No entanto, o homem responsável pela crianças é ninguém mais do que Conde Olaf, que está disposto a fazer qualquer coisa pela fortuna das crianças. Para a realização de seus planos, Olaf conta com sua trupe perigosa de atores de teatro. Na casa do conde, as crianças Baudelaire passam por maus bocados.

A leitura é rápida e divertida. Assim que terminei esse livro, logo corri para a biblioteca para pegar o segundo. Àqueles que não gostam muito de literatura, sugiro que tentem ler Desventuras em Série. É recomendável, tanto para os leitores que buscam diversão quanto para as pessoas que esperam se tornarem leitoras. Adultos ou crianças, o livro é bom! Advirto, porém, que é literatura infanto-juvenil e está bem longe de ser algo como Harry Potter, que é bem mais complexo e tem um envolvimento psicológico bem mais intenso.

Luís

28 de mar de 2010

Assassinato em Gosford Park

Gosford Park. EUA, 2001, 137 minutos. Drama.
Indicado a 7 Oscar. Venceu por Melhor Roteiro Original.
_______________________________________

Já havia lido algumas boas resenhas sobre esse filme e, toda vez que ia à locadora, tinha uma imensa vontade de vê-lo. A capa é bonita e a frase-marketing me remeteu às deliciosas estórias de Agatha Christie, repletas de densidade, charme e perigo. Havia no elenco nomes interessantes, como a intensa Maggie Smith - que hoje é conhecida por interpretar MacGonagall, em Harry Potter -, Clive Owen e Ryan Philippe. As tantas indicações que o filme recebeu ao Oscar me incentivaram a pagar a absurda quantia de quatro reais para locá-lo.

É novembro de 1932. Gosford Park é a magnífica casa de campo onde Sir William McCordle e sua esposa juntam amigos e parentes para uma festa no fim de semana. Eles convidaram um grupo eclético, que inclui uma condessa, um herói da 1ª Guerra Mundial, o ídolo britânico Ivor Novello e um produtor americano de filmes, que faz os longas de Charlie Chan. Enquanto os convidados ocupam os luxuosos aposentos de cima, seus empregados juntam-se aos criados da casa na cozinha e nos corredores nos andares de baixo. Nesse cenário luxuoso, uma série de eventos que misturam gerações, classes, sexo e estórias pessoais trágicas culminam em um misterioso assassinato. (fonte - cineplayers)

O filme prima pela estética, afinal, desde o princípio nós vemos uma fotografia muito bonita, com cores que favorecem o clima de cada cena. Em nenhum momento há simplicidade quanto ao estilo. Mesmo nos cenários mais humildes, há a beleza e o luxo do casarão onde os personagens estão. Logo, no quesito fotografia, avaliei o filme com uma nota muito boa e merecida. O roteiro é meio lento e ocupa-se primeiramente em nos apresentar os personagens (que são muitos) e a maneira como todos se portam uns diante dos outros. Assim, nesse clima introdutório, vemos quase uma hora de filme. Depois começam as intrigas, as suposições, os comentários que nos fazem pensar e antever o momento em que o anfitrião será assassinado. Se o roteiro acerta em cheio ao nos proporcionar uma hora inteira para conhecer todos que estão na casa, ele erra ao se desenvolver a partir do momento em que descobrem o morto. A partir daí, todos parecem agir como antes, como se nada houvesse mudado e como se o crime acontecido nada significasse. Desse momento até a conclusão do filme - que infelizmente é fraca - não há todo o clima esperado, mas acredito que isso não seja um problema do roteiro, mas sim de direção.

Dentre os atores, não creio que todos mereçam destaque. A única que realmente chama atenção é Maggie Smith, num momento brilhante de sua carreira. Ao atuar, nos presenteia com comentários pra lá de ácidos e raivosos e atitudes muito inconveninentes, que arrancam alguns risos. Os outros atores são meros coadjuvantes, com um destaque um pouco mais para Ryan Philipe, mas, ainda assim, bastante aquém da significância de Threntam, personagem de Maggie Smith. Sua indicação foi bem justa, diferentemente do que aconteceu com sua parceira de elenco Helen Mirren, que, em nenhum momento, possui uma cena que possa justificar a indicação que também recebeu como atriz coadjuvante.

Assassinato em Gosford Park tem uma aparência bem bonita e entretém, mesmo que haja alguns poucos erros espalhados pelo filme e outros tantos concentrados no final da obra. Ainda assim, vale a pena conferi-lo, pois é divertido, tem atuações interessantes e também ele nos oferece a oportunidade de ver que às vezes a Academia faz escolhas estúpidas, como nomear atrizes e atores que nada acrescentam a um filme. Vejam-no.

Luís
________________________________

26 de mar de 2010

Cubo

Cube. Canadá, 1997, 90 minutos. Suspense / Terror.
_____________________________________

Cubo é um filme que causou arrepios na época em que foi lançado. Acredito que ele tenha sido o responsável pelos vários títulos recentes que tem como principal ponto a reunião de vários tipos diferentes que estão, de algum modo, à espera da morte. Muitos podem discordar de mim, mas realmente penso que esse filme seja o precursor de produções como Aprisionados e até mesmo Jogos Mortais.

Tal como nos outros filmes que citei, várias pessoas estão sujeitas às brincadeiras de uma pessoa a princípio desconhecida. A situação não somente parece estranha, como também se revela extremamente sádica e brutal. Ao acordarem em salas em forma de cubo, cinco pessoas acabam reunidas e descobrem que em cada nova sala que entrarem podem viver ou morrer. O jogo se revela ainda mais sádico quando eles se dão conta de que a sobrevivência depende de enigmas matemáticos que estão dispostos à entrada de cada nova sala. Juntos, eles tentam caminhar pelo cubo labiríntico e, sem água e sem comida, estão dispostos a tudo para chegar à saída.

Primeiro, farei a comparação entre esse e outros filmes. Lançado há 12 anos, fica óbvio que foi Cubo o filme que trouxe originalidade a esse tipo de suspense. A reunião dos personagens se tornou típíca anos mais tarde. Tanto em Aprisionados quanto na primeira sequência de Jogos Mortais, o grupo reunido é composto por bandidos, policiais, um rico, um bem pobre, a mulher bondosa, o cara que a princípio é legal, mas que aos poucos se descontrola, etc. Como fui vê-lo bem depois de assistir a esses outros títulos, fiquei pouquíssimos impressionado, afinal já havia visto tudo exatamente dessa maneira várias outras vezes. Mas o elogio quanto à originalidade, logicamente, cabe a Cubo. Se o roteiro acerta ao trazer inovação, falha ao apresentação a explicação para a existência daquele lugar pra lá de estranho, que deve ocupar uma área imensa! Da maneira como a explicação é concebida, temos a impressão de que aquela estrutura toda foi construída para nada e, para que não fosse de fato inútil, começaram a colocar pessoas lá dentro, a fim de vê-las resolvendo charadas. A presença de uma estudante de matemática me deixou em dúvida quanto à intenção do roteiro: ela foi escolhida ao acaso ou estava ali para fazê-los chegar ao final do jogo? Se foi o primeiro caso, então o roteiro decai ainda mais, porque realmente não gosto de situações que se embasem em coincidências e não na capacidade dos próprios personagens. Caso seja o segundo caso, fica um pouco mais aceitável, mas mesmo assim não é tão legal. Acredito que seria bem mais interessante se as charadas matemáticas não fossem tão objetivas; seria bem mais legal se em vez de resoluções objetivas. Achei realmente meio bobinha o fato de os números primos determinarem se há ou não armadilhas.

Os atores, todos desconhecidos, não me surpreenderam em suas atuações. Eles não são ruins, mas não nos convencem totalmente de que estão desesperados para sair dali. Embora tenham alguns bons momentos, na maior parte do filme eles estão apenas medianos, o que não nos impressiona, afinal o elemento de maior expressão deveria ser a história deles e consequentemente o que acontece com eles. Os acontecimentos, há dois bem interessantes: logo no início, ao entrar num novo cubo, um homem é dilacerado por uma cerca de arame (semelhante à cena dos raios laseres de Resident Evil) e posteriormente quando um rapaz é atingido por ácidos no rosto, que se decompõe, deixando um rombo imenso na cara dele. Quanto à primeira que citei, ela é dispensável e não acrescenta absolutamente nada à estória, porém, ainda assim, é interessante para vermos o quão destrutivo o cubo pode ser.

Eu recomendo o filme, porque, mesmo não se tratando de nenhuma obra-prima, consegue entreter a quem o confere. Vê-lo pode ser interessante se você estiver sozinho, no escuro, em completo silêncio e totalmente focado na tela. Se estiver com alguém, talvez seja bacana também... entrar no clima, às vezes, é mais fácil quando a pessoa ao seu lado parece estar com medo. Não posso me esquecer de dar os devidos créditos à pessoa que me instigou a assistir ao filme: Monique, lá do cursinho. Obrigado!

Luís

24 de mar de 2010

Monty Phyton em Busca do Cálice Sagrado

Monty Phyton and the Holy Grail. Inglaterra, 1975, 90 minutos. Comédia.

_________________________________________________


O que me levou a assistir a esse filme foi o comentário bem-humorado de um professor de química do cursinho a respeito do níquel, cujo símbolo Ni, o remeteu ao Cavaleiros que Dizem Ni, de Monty Phyton em Busca do Cálice Sagrado. Instintivamente, quis vê-lo e, quando o Renan disse que tinha o filme em casa, logicamente me apressei em conferi-lo.


A sinopse pode ser feita em uma linha: o rei Arthur, Rei dos Bretões, reúne os Cavaleiros da Távola Redonda e todos saem em busca do Santo Graal. Tal como a sinopse, essa resenha também vai ser curta, proque não há muito o que avaliar. O filme tem um tom cômico bastante objetivo e exagerado; o humor - ele existe? - tem enfoque nas cenas mais óbvias, como os diálogos nos quais os personagens divagam sobre coisas que nada tem a ver com a situação em cena. Acredito que essa seja apenas uma versão antiga dos filmes cômicos adolescentes atuais: não há nada grandioso, nada espectular, nada que faça com que o filme mereça ser visto. Ainda assim, há inúmeros fãs e essa obra consta em listas importantes, como "As 250 melhores obras cinematográfico de todos os tempos". Eu definitivamente não partilho do mesmo olhar que as pessoas que elegem esse filme como um dos melhores.


O roteiro nos mostra como ReI Arthur encontrou os súditos e comos eles começam sua viagem em busca do cálice sagrado. Dividido em capítulos que narram as aventuras de cada cavaleiro sozinho, os momento mais engraçados são aqueles que mostram o Sir Lancelot de Camelot. É o trecho em que mostra o príncipe aprisionado pelo pai no castelo e mostra o empenho de Sir Lancelot em salvá-lo, pensando tratar-se uma princesa. Ri durante essas cenas, principalmente quando é mostrado o príncipe escrevendo - ou melhor, rabiscando sem nem olhar - um pedaço de papel e a aproximação brusca do cavaleiro. Ri bastante, confesso. Dentro das exigências do filme, os atores atuam bem - afinal, não há praticamente exigência nenhuma, logo, qualquer careta é atuação.


Pois bem, admito que ri em alguns momentos. Pouquíssimas vezes, mas ri. Eu particularmente acho que esse seja um filme dispensável, então, vê-lo ou não vê-lo não fará diferença. Se você acha que essa é uma obra-prima do humor, esqueça!, pois está bem longe de ser. Como eu disse, não entendo por que cultuam tanto um filme como esse. Ou talvez seja apenas eu o problema: não consigo entrar no clima dessas comédias que de engraçadas não têm nada...

Luís

________________________

22 de mar de 2010

Anticristo

Antichrist. Alemanha/Dinamarca, 2009, 100 minutos. Drama/Terror.

________________________________________________


Lars von Trier começou 2009 de maneira polêmica: confessou ser o melhor diretor da atualidade e ainda trouxe um filme que posicionou os espectadores de dois lados distintos. Ou gostam ou detestam. Tal como em outras obras, Trier optou por uma série de metáforas e alusões, acrescentou cenas consideradas fortes (por quem?, eu me pergunto) e nos apresentou o filme baseado numa obra de Nietzsche.


O filme possui uma das mais belas introduções que eu já ví: um casal transa enquanto o filho, sozinho no quarto, abre a janela e cai. A cena é totalmente inspirada, com direito a uma fotografia linda e inclusive uma cena explícita de penetração. Nada, porém, é chocante e a composição é belíssima, nos mostrando alta sensibilidade por parte do diretor. A lente em preto e branco e a música de fundo acrescentam ainda mais primor àquilo que Trier queria nos mostrar: a poesia de um momento dramático. Temos uma excelente visão daquilo que o filme pretende nos mostrar a partir desse momento; já no início vemos que o sexo e a morte - por vezes tão brutais - tornaram-se leves e puros, compeltamente epifânicos. A essa abertura, dei nota 10! Mas falemos mais sobre o filme, afinal há mais uma hora e trinta e cinco minutos depois disso.


Após a morte acidental do filho enquanto transavam, a mulher fica totalmente desestabilizada, culpando a si mesma pelo acontecimento. O marido, terapeuta, tenta ajudá-la, pedindo a ela que coloque no topo de uma pirâmide o seu maior medo. Ela confessa temer a natureza e o marido propõe que eles vão ao Éden, onde fica uma cabana do casal. O processo de ajuda evolui à medida que o relacionamento se desgasta e num determinado momento tudo foge ao controle.


Uma característica interessante do filme é a opção por não nomear os personagens. São apenas "ele" e "ela", numa demonstração óbvia de que o importante não é quem eles são, mas sim a que eles estão sujeitos. Não posso avaliar o filme como adaptação, porque não conhece a obra que o originou, mas a ideia de não nos revelar sobre os personagens em si é muito interessante. Conhecemos principalmente alguns pensamentos e medos deles, temos consciência do quanto um necessita do outro, mas não os enxergamos em sua essência; vemos o casal como casal, não os vemos como duas pessoas. Decorrido um tempo, o filme começa a ficar estranho e o roteiro nos apresenta diálogos completamente assustadores - não no sentido literal da palavra. Começamos a achar certas passagens deveras tendenciosas e até mesmo preconceituosas, como no momento em que ele diz à esposa que ela não pode se esquecer de que as mulheres são más, por isso eram condenadas à morte. Talvez isso venha de Nietzsche, como uma colega comentou. Mas o fato é que no meio do filme, as coisas parecem fugir ao controle e a história, antes interessante, fica meio abobalhada.


A partir do meio do filme surgem as tais cenas polêmicas, que envolvem uma masturbação próxima a uma árvore, na qual a atriz Charlotte Gainsbourg aparece totalmente nua, com a mão na vagina numa simulação muito realista.; há também uma cena de sexo na qual, ao final, acontece um imprevisto, com a mulher masturbando o marido e com o pênis dele jorrando sangue. Não sei se os atores se submeteram realmente a todas aquelas cenas, mas não é nada tão monstruoso que não possa ser visto; logo, os comentários exagerados provavelmente provêm dos conservadores extremistas que não podem ver um pênis e uma vagina - vulgo "pau" e "xana", respectivamente - para acharem que a obra se trata de um filme pornô. Não quero parecer meio bobo ao dizer isso, mas não sei avaliar a atuação dos atores. Achei-as deveras convencionais, mesmo num filme que pede algo mais. Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg estão em sintonia, mas, ainda assim, estão aquém do que o filme representa. A direção de Trier é eficiente e podemos perceber o mesmo punho firme de seus filmes anteriores, como Dogville.


Entre tantos boatos, é apenas mais um filme que te faz pensar a respeito daquilo a que o título possa se remeter. Eu compreendi da seguinte maneira: a história narra o curso natural das coisas se a natureza, tipicamente feminina, fosse o anticristo e, por causa disso, agisse de maneira cruel. Isso ficou evidente para mim principalmente por causa das cenas que mostram os animais e as árvores; os primeiros, em estado crítico, se mostram sofredores, como se a natureza os impusesse a uma situação desconfortável (para isso, basta ver aquele veado pendurado no corpo da mãe) e as árvores são uma ênfase na duração da dor, uma vez que elas persistem fazendo barulhos, impedindo que os personagens durman bem. Anticristo é um filme que faz o espectador pensar bastante e faz ficar dividido entre as características boas e as ruins. Uma vez que ele opte pelas quais acha mais fortes, basta concluir que gostou ou que não gostou do filme. Honestamente, achei um filme dispensável e se você não o vir, não perderá uma grande obra.


Luís

_________________________

16 de mar de 2010

Casa Vazia

Bin-Jip. Coréia do Sul, 2004, 95 minutos. Romance / Drama.
_______________________________________________________

Por recomendação de um professor de Geografia do cursinho, assisti a esse filme. Segundo ele, talvez eu estranharia, pois, diferentemente dos filmes usuais, havia pouquíssimas falas nesse. Constatei que, embora tivesse razão, eu havia imaginado um filme praticamente mudo, o que não é o caso. Casa Vazia é, sobretudo, um filme visual, que prima pela simbologia do que vemos, tornando-se muito denso em alguns momentos e trazendo questionamentos ao final de sua exibição.

Um rapaz sinaliza várias casas e, naquelas que descobre estar vazias, arromba-as, residindo lá por um brevê período de tempo. Enquanto está na casa, faz pequenos reparos, consertando objetos quebrados, limpando a casa, lavando a roupa. Um dia, invade uma casa e acaba descobrindo uma mulher lá; dada as condições de vida dela - repetidamente agredida pelo marido -, ela decide acompanhá-lo na vida imprevisível que ele leva.

Tal como a maioria dos filmes orientais (ou que são dirigidos por orientais), a primeira e maior característica desse filme é a fotografia. Conheço poucas palavras que qualificam bem o enquadramento e as cores utilizados por Ki-duk Kim. A maneira como conduz certos takes nos faz apreciar ainda mais o filme. Como já comecei falando sobre a fotografia, gostaria de expor o quanto achei bela uma das últimas cenas, aquela que vem logo depois que a atriz principal diz a primeira frase: não acredito ser ousadia dizer que é uma das mais belas cenas do cinema. A cena consegue representar tudo aquilo que o filme tem nos mostrado; em apenas três segundos, compreendemos quase todos os sentimentos que envolvem os personagens.

O roteiro se soma à fotografia linda, pois, embora pareça bastante simples, é bastante complexo. Todo elemento em cena tem uma função, fazendo com que qualquer imagem não seja apenas uma imagem: temos que lê-las entre as linhas, decifrá-las, depreender significados que parecem obscuros a alguns e claros a outros. O título do filme não se refere unicamente ao fato de o rapaz entrar em casas vazias. A intenção do filme não é nos mostrar a ausência física. Acredito que isso fique mais claro em algumas cenas, como naquelas que finalizam a obra. Em sua casa, Sun-hwa encontra-se completamente isolada e, dentro de sua mansão, se sente oca e sozinha, mesmo na presença do marido. Quando o rapaz que ama está por perto, adepto à invisibilidade (está aí a alusão ao vazio), ela se preenche novamente. Há, então, o paradoxo entre o cheio e vivo e o vazio e morto; o "vazio" representa o amor, pois não se precisa vê-lo para saber que ele está ali, em todo o ambiente. O "cheio", representado pelo que há de excessivo, como a presença do marido, torna-se angustiante. O final me deixou em dúvida, não pude saber exatamente que linha de pensamento seguir. Penso que há outra metáfora a ser somada àquela que já citei: o título refere-se ao final do filme, no qual podemos depreender que não há nada senão ilusões (que são vazias). Isso me ficou na cabeça até agora, principalmente por causa da cena em que o casal principal está sobre uma balança, que marca 0kg. Tive a nítida sensação de que eles não estavam ali, que talvez fosse tudo invenção da mente de alguém, que ambos estivessem mortos, ou, ainda, que nada daquilo tivesse acontecido. Outro símbolo que vi foi o fato do rapaz trazer estabilidade para as casas. Parece que eles traz harmonia quando está presente e faz com que tudo fique bem; afastado delas, nada resta senão desesperança e dor. Podemos depreender esse pensamento em dois momentos: 1) quando ele conserta uma arma de brinquedo e que posteriormente (quando ele foi embora) uma criança a usa para dar um tiro na mãe e 2) vemos a luta de Sun-hwa para permanecer na casa (longe dele) e quando ele chega, tudo parece se encher de paz.

O roteiro aborda de maneira excelente os elementos figurados e nos põe a pensar do começo ao fim. Em nenhum momento eu acreditei que o que eu via era a única informaçãor ealmente mostrada. O desenrolar da trama, porém, parece perder um pouco o foco no meio. A princípio, perceber um inquestionável tom de romance, o que me agradou bastante. Nada de romances exagerados e carnais; era sobretudo uma união espiritual, de duas almas cansadas da solidão. Mais ou menos no meio, temos um argumento interessante para desestruturar tudo o que estávamos vendo, mas a partir daí, algo ficou um pouco errado. O romance foi deixado de lado para nos mostrar as tranformações físicas e principalmente psicológicas do personagem central; de um "salvador", ele se torna "vingador" e dessa parte do argumento eu discordei, o que fez o filme receber pontos a menos na minha avaliação. Logo após a transformação - que é bastante subjetiva -, o tom de romance retoma e o filme se encaminha para aquela que eu disse se tratar de um dos momentos mais bonitos do cinema. Sobre o significado da "transformação", gostaria de que me dissessem o que acham que ela representa e, de maneira objetiva, qual a sua função no filme.

Os atores nada deixam a desejar e as suas atuações caladas tornam-se quase gritantes, tamanha a eficiência de ver apenas suas expressões sem ouvir suas vozes. Toda e qualquer entonação se dá pelo que nos mostram, não pelo que nos dizem - o filme, no entanto, conversa o tempo todo com o espectador. A atriz principal me lembrou bastante a Sun, de Lost; a princípio, até pensei que fosse a mesma atriz. Casa Vazia é um filme simbólico, muito sensível e extremamente recomendável. Peço que antentem para os detalhes, para a beleza de cada tomada, para o enquadramento de cada cena. Vão acabar se deparando com uma das mais bonitas obras cinematográficas, bem diferente dos costumeiros filmes ocidentais que conhecemos. Se vale a pena? Totalmente!

Luís

_________________________

14 de mar de 2010

Calígula

Caligula. EUA, 1979, 150 minutos. Épico / Erótico.
__________________________________________


Me falaram tanto desse filme e fizeram descrições tão exageradas, que pensei tratar-se de uma versão muito antiga de algum filme da produtora Brasileirinhas. Pelo que ouvia, realmente parecia ser um filme pornô: tudo explícito, sexo incontextualizado, algumas sujeiras e outras nojentices. Depois de vê-lo, constatei que - embora haja realmente algumas cenas que possam ser consideradas fortes - a linha que separa Calígula de uma produção pornô não é tênue e qualquer pessoa que tenha noção do que seja um filme pornô não ousaria tomar Calígula por esse gênero.

O filme narra a história do Imperador Calígula; sua ascensão e o seu declínio são mostrados assim como o seu excêntrico comportamento, que inclui extrema violência, deboche, muita humilhação e a organização de orgias absurdamente exageradas. Alguns pensam não haver roteiro no filme, mas eu garanto que há e ele é eficiente na sua proposta de apresentar o Imperador como uma pessoa voltada para suas próprias escolhas e decisões. Acredito ser bastante válido assistir a esse filme por causa do eficaz retrato de Roma. Em livros, temos conhecimentos das orgias e sessões constantes de sexo, seja hetero ou homossexual, assim como sabemos das disputas pessoais entre membros da mesma família para obter o poder. O filme nos permite ver - de maneira muito objetiva e nada didática - como a coisa funciona na prática. Devido a isso, vemos várias cenas bastante explícitas, incluindo masturbação, penetrações, sexo oral (que, em duas cenas, chocam os espectadores mais pudicos e mais conservadores).

Os nomes mais famosos presentes no filme são de Malcolm McDowell, mas conhecido por seu personagem em Laranja Mecânica; Peter O'Toole, que esteve em Lawrence da Árabia; e Helen Mirren, que recentemente ganhou o Oscar por sua participação em A Rainha. Eles são os intérpretes, recpetivamente, de Calígula, Tiberiues e Caesonia. Os mais curiosos podem assistir ao filme para querer ver os atores nas cenas mais ousadas, mas afirmo desde já que isso não acontece: são os figurantes que fazem todo o trabalho mais indecente. As atuações dos atores são bem expressivas, embora nem de longe possam ser consideradas um marco no cinema. Malcolm McDowell tem olhos bastante expressivos e a dancinha que faz pelado na chuva é assustadora, assim como é assustador o seu romance com Drusila, sua irmã. Helen Mirren pouco aparece, embora baste um rápido olhar para sabermos que é ela em cena; o personagem Tiberius, assim como Caesonia, é coadjuvante e o enfoque do filme definitivamente é o personagem que dá título à obra.

Acredito, sobretudo, que seja válido assistir a esse filme. Não duvido de que haverá críticas, algumas bastante agressivas, contra ele, no entanto, há de se reconhecer que não é um filme pornô e que as cenas - ainda que algumas exageradas - são contextualizadas e não distoam da produção. Aqueles que têm mente aberta, que não se incomodam com cenas de sexo, e que gostam dessa temática, deve ver Calígula. Aqueles que têm mente fechada devem vê-lo também, pelo menos para se chocar, falar muito mal do filme e fazer com que pessoas curiosas - como eu - queiram vê-lo e acabem gostando dele.

Luís
________________________________

12 de mar de 2010

Fechamento do Mês - Dezembro

O mês de dezembro definitivamente foi o mês que apresentou as menores notas do último quadrimestre. Se vocês observarem os quadros-sínteses dos meses de setembro, outubro e novembro, vocês perceberão que as notas são bem variadas, de modo que a variação entre a maior e a menor média é bem alta. No mês de dezembro, o mesmo ocorreu, porém a maioria dos filmes que vimos tiveram notas bem próximas, de modo que vários filmes ficaram entre as notas 6,0 e 8,0.

Dezembro foi um mês relativamente de pouca intensidade. Foram vistos 20 filmes, alguns bastante conhecidos - como os dois primeiros filmes da série Jogos Mortais e o vencedor do Oscar de Melhor Filme de 2009 Quem Quer Ser um Milionário? - e outros menos conhecidos do grande público. Se vocês observarem com atenção a tabela que será postada logo abaixo do TOP, perceberão que o Renan foi muito mais condescendente com alguns títulos do que eu. Cito, por exemplo, Busca Implacável, que é um filme feito para o único fim do entretenimento, já que não requer qualquer pensamento lógico do espectador. Mesmo que o seu roteiro seja um pouco exagerado, o filme foi muito bem aceito pelo Renan, que lhe deu uma nota muito boa.

Vamos a alguns comentários de destaque. Não vimos muitos filmes de um mesmo diretor, nem com um mesmo ator esse mês. Desse modo, o enfoque fica por conta da série Jogos Mortais, já que os dois primeiros filmes da até agora hexalogia foram analisados. Também nos ativemos aos primeiros episódios - respectivamente de 1980 e 2009 - da série Sexta-Feira 13. Logo pretendemos num único post organizar um apanhado geral do que achamos da série Jogos Mortais, então nesses meses seguintes vamos nos empenhar em terminar de ver toda a série. Conferimos também alguns filmes arduamente criticados, como Mulher-Gato (que é mesmo ruim) e Heróis, ficção científica de 2009 sem pé nem cabeça, com bastante efeitos especiais e muita confusão no roteiro. Três filmes do Oscar 2009 foram analisados: Quem Quer Ser um Milionário, O Casamento de Rachel e Na Mira do Chefe. Sem mais delongas, vamos ao que interessa: os seis melhores filmes de dezembro!
_______________________________________________________________________

6ª posição: Identidade. Nota - 7,8
Sempre que eu ia à locadora e via esse filme na prateleira, sentia que ele podia ser legal. Imaginava-o divertido, fonte de entretenimento. Ainda que não seja nenhuma obra-prima do suspense e o roteiro não prime pelo lado intelectual e psicológico dos personagens e da história, o filme agrada o espectador. É realmente um guilty-pleasure, ideal para as noitas chuvosas numa companhia agradável.

5ª posição: Férias Frustradas de Verão. Nota - 7,85
O que esperar de um filme com esse título e em cuja sinopse podemos ler frases como "adolescente virgem", "viagem para Europa" e "trabalhar num parque de diversões"? Imaginamos que virá uma grande bosta. E para a nossa surpresa, Adventureland - título original - é um filme agradável e interessante, cujo enfoque vai além dos problemas sexuais dos personagens. Kristen Stewart prova que somente atua mal ao lado de Robert Pattison! Acho que a terceira posição seria mais justa com esse filme...

4ª posição: A Identidade Bourne. Nota - 7,9
Matt Damon lidera o elenco desse filme de ação. A trilogia recebeu bastantes elogios e já cansados de sermos provavelmente os últimos a não conhecê-la, eu e o Renan decidimos encarar os filmes. Para a nossa surpresa, deparamo-nos com bom entretenimento e boas cenas de ação e agradando a nós dois, A Identidade Bourne conquistou seu espaço entre os seis melhores filmes de dezembro.

3ª posição: A Vila. Nota - 8,0
Há os que o amam e há os que o odeiem. Eu, particularmente, gosto dessa obra e considero-a muito interessante, de modo que eu a aceito realmente como um dos melhores filmes vistos no mês de dezembro. Com certeza, o filme surpreende, mas está longe de ser uma obra de terror. O medo fica por conta do que é mostrado explicitamente e por conta da situações estranhas exibidas. Cheguei até a me perguntar: "será que coisas assim não acontecem de verdade?".

2ª posição:  Quem Quer Ser um Milionário? Nota - 8,5
A obra de Danny Boyle foi supervalorizada no Oscar de 2009, mas devemos dar-lhe os créditos: o filme é competente no que mostra e tem capacidade artístico, apesar das precárias atuações. O segundo lugar nesse ranking ocorreu devido a alguns aspectos técnicos bons desse filme - montagem, trilha sonora, fotografia - e a menor intensidade dos outros filmes vistos em dezembro.

1ª posição: Como Era Verde Meu Vale. Nota - 8,75
Curioso notar que o filme em cujo título há um elemento de apelo visual - a cor - não a mostre em momento nenhum. Ainda assim, o verde está visível: é a prosperidade e a harmonia, é um resumitivo para o filme. Tal obra desbancou o potente Cidade Kane no Oscar de 1942 e chocou o público, mas é fato que esse filme merece os nossos elogios, porque é mesmo uma grande obra. Não se deixei enganar pela idade do filme: a quantidade de anos não é inversalmente proporcional ao entretenimento que a obra porporciona. Para saber um pouco mais sobre ela, confiram o levantamente feito pelo blog Um Oscar por Mês.

Abaixo vocês podem conferir todos os filmes vistos ao longo do mês de dezembro, desde o filme com a maior nota - Como Era Verde o Meu Vale - até o filme com a nota mias baixa. Queremos que vocês opinem, digam que concordam conosco ou se discordam das nossas notas. Não deixem de comentar!

10 de mar de 2010

Retratos de Família

Junebug. EUA, 2005, 104 minutos. Drama.
Indicado a um Academy Award na categoria Melhor Atriz Coadjuvante (Amy Adams)
___________________________________

Há muito que queria assistir a esse filme e esse meu desejo foi principalmente incentivado pelos elogios a Amy Adams, atriz que descobri recentemente, embora, há muito tempo, tenha conhecido o patético Segundas Intenções 2, seu filme de estreia. A lista de melhores atrizes coadjuvantes da década que o Kau, dono do Bit of Everything, organizou me fez ainda mais querer conhecer esse filme e saber o que acharia da performance de Adams. Uma explicado os motivos, vamos à resenha...
Madeleine se casou com George recentemente. Como é produtora de artes, vive buscando novos talentos para expor em amostras e um dia acaba indo à cidade em que moram os familiares de seu marido. Os dois decidem ficar lá por alguns dias, mas logo Madeleine percebe que há um grande problema que cerca a família, impedindo-os de confraternizar como deveriam. Seus sogros se mostram alheios a ela e seu cunhado a trata com desprezo; a única que é totalmente receptiva à sua chegada é sua cunhada Ashley.

Os atores não são tão conhecidos assim. Eu apenas conhecia Amy Adams e um outro, de cujo rosto me lembrei, mas não sei dizer exatamente em que filme o vi. As interpretações - com uma única exceção - não são excepcionais e eu afirmo com segurança que elas são bastante comuns, até mesmo esquecíveis. Embeth Davidtz, protagonista e intérprete de Madeleine, tem um desempenho regular, mostrando meio inconcisa quanto às suas prioridades. Achei a atriz um pouquinho exagerada quanto a que posição tomar em cena: às vezes, exagera um pouco nos seus movimentos, sendo muito lenta quando há necessidade de maior agilidade e sua expressão é praticamente mesma, tanto nos momentos bons quanto nos indesejáveis. Alessandro Nivola, intérprete de George, é tão coadjuvante que nem dele cobraram boas expressões faciais; tudo o que faz é cantar uma musiquinha evangélica - uma cena bem bonita, por sinal - e atuar ao lado de Amy Adams numa outra cena, na qual o destaque, obviamente, é ela. Benjamin McKenzie, Celia Weston e Scott Wilson, respectivamente o irmão problemático, a mãe e o pai, são extremamente coadjuvantes e bastante limitados, sendo que os dois últimos pouco aparecem e o primeiro apenas faz cara que não-estou-a-fim-de-conversar. O grande destaque do filme de fato é Amy Adams, que nos encanta com seus sorrisos e suas perguntas abobalhadas; seu jeitinho meigo, mesmo sendo expulsa de cada canto da casa a todo momento, nos faz querer abraçá-la. Confesso que tive vontade de abraçá-la, bem apertado. A cada cena ela parece estar mais à vontade em cena e na última vez em que aparece temos a certeza de que sua atuação merece, no mínimo, uma indicação! Num misto se choro e riso, ela se mostra absolutamente impecável e a ela vão todos os meus possíveis elogios.
Não sei exatamente qual é o maior problema do filme: roteiro ou direção. Quanto ao primeiro, ele poderia desenvolver bem a história nos permitindo conhecer um dos motivos pelo qual a família é tão desestabilizada. Em uma hora e meia, nada vi senão cenas duras de agressão, explícita ou implícita, na qual os membros mostram os desentendimentos que têm um com o outro. Em nenhum momento, porém, somos apresentados aos porquês. Esse é o maior erro do roteiro: não se mostrar completo. Quanto à direção, cabia a Phil Morrison guiar os atores corretamente, colocá-los no eixo, indicar a melhor maneira de se portar numa determinada cena. Praticamente todas as cenas, na minha opinião, são parciais; não nos revelam tudo o que poderiam nem se mostram eficiente naquilo que tentam. O único grande momento é o momento pós-parto, no qual George e Ashley estão conversando. Se o filme todo seguisse a complexidade daquele momento, pois é realmente excelente - em todos os sentidos -, o meu conceito em relação a ele subiria bastante.

Eu devo recomendar o filme para que vocês conheçam o excelente trabalho de Amy Adams, porque esse não é uma obra necessária, ela pode se apagar de sua mente uma semana depois de a ver. As atuações, a direção, a fotografia - e inclusive o entretenimento -, são medianos. Caso queiram conhecê-lo, fiquem à vontade; caso não queiram, é uma boa escolha também...
Luís

8 de mar de 2010

O Terceiro Travesseiro

Brasil, 2003, 210 páginas - Editora GLS.
_________________________________

Não me lembro muito bem como me interessei por ler esse livro. Sei que alguém comentou comigo a respeito dessa obra e eu pesquisei a respeito. Considerando a série de informações - mentiras, diga-se de passagem - que encontrei, achei que a obra poderia ser interessante. No perfil desse livro do site skoob, vi que a maioria dos leitores havia apreciado a leitura e o conteúdo do livro. Logo, me senti obrigado a conferi-lo e foi o que fiz.

Primeiro: não foi fácil encontrar o livro. O motivo deve ser bastante simples: de tão ridículo, nem as bibliotecas municipais aceitam doações que o contenham. Assim, tive que baixar pela net e lê-lo no computador, o que tornou a minha leitura ainda mais prazerosa (pura ironia). Então, comecei a conhecer a excepcionalmente brilhante história de Marcus e Renato. O primeiro nutria há algum tempo desejos sexuais pelo segundo, de modo que num momento apropriado os ânimos se exaltaram e eles descobriram que curtiam um ao outro. A princípio confusos e depois firmes em suas convicções, ambos começaram um relacionamento em segredo até contarem para seus pais. Desse modo, a vida dos jovens torna-se bastante complicada, principalmente quando surge a inclusão de um terceiro elemento: Beatriz.

Admito: simplesmente não entendo o que motivou tanta gente a apreciar esse livro. Tudo nele é muito precário, desde a estrutura da escrita até a concepção dos personagens e das situações-problemas que os envolvem. Nada é realmente denso e isso fica extremamente claro nas opções do autor. Ele limita a meia página um conflito familiar e dedica duas páginas inteiras para as descrições das relações sexuais dos personagens. Não é necessário chegar à décima página para descobrir que o foco do livro está bem longe de ser o afastamento do preconceito. O foco do livro é descrever o quanto os personagens gostam de transar e fazer porquices, incluindo comer hambúrguer recheado com sêmen e beber vitaminado com esperma. Com descrições como essa, o leitor não pode nem sequer levar a sério a proposta do autor. E o surpreendente é que muitos insistem em enxergar além, procuram o que não existe e usar esse elemento inexistente para dizer o quanto o livro é bom.

Não sei exatamente quantos anos o autor tinha quanto escreveu essa pérola - no sentido perojativo, que fique claro! Pela maneira como o texto foi concebido, imagino que Nélson Luiz de Carvalho tivesse 13 anos e estivesse com vontade de realizar tudo aquilo que escreveu em seu livro - incluindo dormir com o rosto encostado no pênis lambuzado de algum rapazinho. Não quero ser ofensivo, mas qualquer pessoa que tenha lido uma única vez uma revistinha de contos pornográficos e que tenha frequentado o ensino fundamental consegue elaborar um texto como o de O Terceiro Travesseiro.

Luís

------------------------------------------------------

Pra mim, O Terceiro Travesseiro deve ser dividido em duas partes, sendo que 90% do livro é pura bobagem e os outros 10% achei bons. Felizmente a parte boa fica bem no final e dá a impressão que a leitura não foi uma total perda de tempo. Assim, como dividi o livro, irei analisa-lo em duas partes.

Parte tosca: Como dito, ocupa a maior parte do livro. É nela que somos apresentados aos personagen principais que são constituídos pelo Renato e Marcus, o casal mais escatológico da história, Beatriz, a garota que parece passar fome e topa tudo pra ficar com um dos ricos, o pai de Marcus, o mais centrado da história, e a mãe de Marcus, a macumbeira. Tenho que avisar que li o livro baixado da internet e talvez por isso o livro seja tão mal editado (ou não). Em um parágrafo não tão grande, Marcus diz a palavra "pai" umas dez vezes, sendo que pelo menos a metade poderia ser substituída por "você" ou equivalentes. A incapacidade do autor de criar um clímax também é notória, além de cortes brutos de assuntos, quando o parágrafo anterior deveria ter sido melhor encerrado. Em algumas partes, a tosquice é tamanha que em vez do autor criar um clima dramático, ele gera no leitor crises de risos. Não há como não parar de ler e dar um tempo para recuperar o fôlego depois de ler numa discussão: "Meu filho é bicha. Quer ser mulher!". No final, onde as partes boas ganham espaços, ainda há espaços para a baboseira como nos diálogos que parecem ser retirados de novelas mexicanas. O livro também peca, e muito ao virar as costas para uma construção mais profunda, algo que o tema pode dar. Não digo que as relações dos personagens são superficiais, mas poderia ter sido retirado mais. Falando em tema, esse livro se trata sobre a homossexualidade de dois amigos que se apaixonam. Por vezes, o sentimento se confunde com sexo. Marcus e Renato parecem não conseguir ficar sozinhos sem fazer sexo ou um oral um no outro. A promiscuídade se sobrepõe ao sentimento amoroso. Outra coisa que citei acima e que ocorre no livro são duas passagens bem nojentas envolvendo comida. Não discutirei isso aqui pois fetiche e tesão variam de pessoa pra pessoa, mas pra mim, o vitaminado nunca mais será o mesmo.

Parte boa: Acho que o autor deve ter sido mudado nos 45 do segundo tempo. No final, o livro ganha uma cara séria. Há uma passagem que achei que ficou bem legal que é a que Marcus se diz sem chão, que está sucumbindo, e entre os seus dramas há trechos do Pai Nosso e da Ave Maria. A presença de Beatriz é bem estranha, mas com isso, o trio ganha mais força. O fato do livro não terminar tão bem também é um ponto positivo já que só assim ele ganha traços de um drama de verdade, sendo consistente e sério. É aí que há a destruição de laços que pareciam ser firmes. A volta de um elemento do trio também ficou bem escrita, como se houvesse mesmo o medo da perda em ambos os lados.

Como se pode perceber, O Terceiro Travesseiro tem, com absoluta certeza, mais erros que acertos, por isso recomendo: Não comprem esse livro. Não fiquem em uma fila de espera por ele. Não se dêem o trabalho de baixa-lo pois é um livro bem pobre. Talvez, bem talvez se ele aparecer em suas mãos, de uma folheada nele, mas se não gostar mesmo, abandone sem dó.

Renan

6 de mar de 2010

Sideways - Entre umas e Outras

 Sideways. EUA, 2004, 123 minutos. Drama.

Ganhador do Academy Award de Melhor Roteiro Adaptado. Indicado a outras 4 categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor (Alexander Payne), Melhor Ator Coadjuvante (Thomas Haden Church) e Melhor Atriz Coadjuvante (Virginia Madsen).
______________________________________________________

Numa das minhas visitas aos blogs, que estão listados ao lado, me deparei com uma lista dos melhores roteiros adaptados criada pelo Kau Oliveira, dono do Bit of Everything. Se a lista não me fez querer ler o livro, me incentivou ainda mais a ver o filme, afinal, já tinha lido muitas críticas boas a respeito de Sideways, que eu pensava ser uma comédia usual. A sinopse que eu sempre lia - e a que eu vou reproduzir logo adiante - limita bastante o significado do filme, fazendo-nos pensar que é algo banal. Não é uma obra-prima, mas está longe de ser comum quanto pensamos ser.

Miles Raymonds tem estado depressivo desde o seu divórcio, há dois anos. Ele é um professor de ginásio insatisfeito que está tentando escrever seu primeiro romance, que já foi recusado três vezes. Uma semana antes do casamento de Jack, seu melhor amigo, Miles decide presenteá-lo com uma jornada pelas melhores vinícolas, ensinando-o a gostar o vinho. Jack, muito mais esperituoso, quer aproveitar a última semana solteiro e acaba envolvendo os dois em algumas situações meio confusas. O auge da viagem é o relacionamento com duas mulheres, o que faz com que Miles seja obrigado a rever alguns conceitos que têm.

Não posso deixar de acentuar o principal objetivo de filme: fazer com que o espectador, assim como o personagem, reveja algumas concepções. Isso costuma acontecer em praticamente todos os road-movies. Alguns, como E Sua Mãe Também, mostram o desenvolver da amizade; outros retratam a condensação do afeto, como Transamérica. Sideways é um misto dos dois e sabe bem como equilibrar os argumentos que usa. Embora muitos se emocionem ao ver a constituição (ou desconstituição) do amor, o que mais me agrada é ver a composição ou dissolução da amizade. Esse filme nos mostra o quanto difícil é a convivência de dois amigos que estão em situações contrárias: um é depressivo, cheio de negativismo, enquanto o outro, bastante vívido, traz certa alegria e leveza para as coisas. Ainda que o pensamento de Jack esteja focado no sexo, o contraste entre ele e Miles fica muito evidente a diferença psicológica dos dois. Gostei bastante desse ponto do argumento do roteiro, porque, numa situação qualquer, toda a semana teria sido um completo desastre, já que os dois vão quase sempre em direções tão controversas. Ainda assim, continuam juntos, persistem na ideia de aproveitarem a semana. A maneira como vemos a jornada é interessante: conhecemos o início e o fim de cada dia, já que o filme nos indica que momento da semana estamos acompanhando.

Se por um lado eu gostei do fato de os atores não serem jovenzinhos, por outro senti que os papéis masculinos não foram bem justificados pelos atores maduros Paul Giamatti e Thomas Haden Church. Ainda que tenha ficado bastante contente com a interpretação do primeiro - pois finalmente vi uma atuação que não se assemelha às outras -, não conseguiu me convencer totalmente; o segundo parecia muito forçado em suas tentativas de seduzir e tive uma impressão não muito sutil de que ele insistia em atuar como se tivesse 20 anos. Muitos podem discordar de mim. Eu mesmo tenho plena consciência de que seu personagem pede jovialidade, mas quero deixar claro que o que eu questiono não é a essência do personagem e sim a atuação do ator. O fato de ele ter sido indicado ao Oscar é realmente um mistério para mim, uma vez que desaprovo boa parte de sua atuação. Sobre as mulheres do filme, espeficamente Sandra Oh e Virginia Madsen, estas estão definitivamente muito bem em seus personagens. Sandra Oh, presente no seriado Grey's Anatony, é constantemente má utilizada nos filmes. Para se ter noção disso, basta assistir aos títulos Menina Má.com e Ensaio Sobre a Cegueira, nos quais aparece pouquíssimo e tem falas na igual quantidade. Vê-la realmente atuando aqui foi uma surpresa, principalmente porque eu constatei que ela é - se lhe derem oportunidades - pode ser uma boa atriz. Virginia Madsen é uma atriz irregular e sua carreira tem altos e baixos - estes mais comuns do que aqueles. Já vi uns três filmes no qual ela esteve presente, e um deles, Evocando Espíritos, foi comentado já aqui. Em Sideways, sua personagem claramente coadjuvante, quase terciária, rouba a cena enquanto presente. Utilizando-se do tom certo, a atriz consegue manter o clima de romance e sedução mesmo quando fala de algo simples, como o vinho. Perto de Giamatti, nem sequer nos permite vê-lo; nossos olhos ficam nela o tempo todo. Sua indicação é totalmente justificável pela ótima participação na obra. Por esse filme pude ver que ele é uma atriz que, se bem dirigida, consegue expor boas atuações. Infelizmente, não é isso que usualmente acontece...

Dentre as características negativas, penso que a duração do filme é um pouco incoerente com aquilo que ele nos apresenta: seria melhor se fosse mais curto. Ao escrever, acredito que crio mais beleza para o filme, que, por si só, é bom, mas, como eu disse, não é uma super-obra. Gostei bastante e me entretive com o roteiro interessante, por isso eu o recomendo àqueles que querem assistir a algo interessante. Talvez um dia eu leia o texto que o originou, mas não acho que seja muito provável... Só para constar, o título nacional é realmente ruim. Não acho que havia necessidade de manter o original e acrescentar um subtítulo. Bastava traduzi-lo literalmente.

Luís
___________________________


Quando se vê esse filme na locadora, logo se pensa "Que capa bonita", e realmente é, mas quando se julga um produto pela capa,pode-se ter uma decepção,e é mais ou menos isso que acontece com Sideways - Entre umas e Outras. O enredo envolve três bases: amigos, sexo amor, e vinhos.


Há pontos positivos no filme, mas o que eu mais notei foram aspectos técnicos. Primeiramente, algumas locações que usaram são realmente bonitas com todas aquelas parreiras que dã um clima agradável e confortavel ao filme,como se o telespectador estivesse bebendo uma taça de vinho em uma noite amena. Outro aspecto que gostei foram os tons deluz que usaram. Em uma cena, os dois personagens principais estão no meio de uma plantação de uvas fazendo um piquinique,tudoregado a vinho. Nesse momento, está ocorrendo o pôr-do-sol. Vendo o resultado final, achei a cena bem bonita mesmo. Quantoas atuaçãoes não sei se posso dizer que gostei. Sobre Paul Giamatti, acho que só vi um filme dele (O Ilusionista) e por isso não posso criticas o atorseriamente, mas não notei grandes mudanças,em ambos ele está correto. Nesse, Miles (seu personagem) se mostra um homem depressivo, que sempre se lembra de sua ex-mulher e que parece não estar aberto a novos relacionamentos. Do outro lado da trama está seu amigo que está prestes a se casar e por isso quer aproveitar o máximo dos seus últimos dias de solteiro. Como se pode notar, o comportamento de ambos são extremamentes opostos, o que causa, em certas vezes, o tom cômico do longa. Entre umas das cenas mais engraçadas do filme está a que Jack esquece a carteira na casa de uma mulher casada e Miles tem que ir busca-la; os fatores que envolvem a cena e a forma como ela foi feita a torna um cena bem agradável. Quanto as duas outras atrizes, gostei bastante delas, ambas se mostram diferentes entre si, mas que combinam com seus parceiros ajudando, as vezes, os parceiros em cena, pois com elas o filme ganha mais.

No geral, Sideways - Entre umas e Outras se mostra um filme, por veze, incostante que mescla cenas boas, que entretém quem assite com partes chatas que nos fazem querer adianta-lo.

Renan

4 de mar de 2010

A Lista - Você está livre hoje?

Deception. EUA, 2008, 108 minutos. Suspense.
_______________________________________________

Pelo que tenho reparado, eu devo ter sido o único a achar que esse filme está entre o regular e o bom. Sinceramente, achei-o bastante interessante, muito eficiente em seu objetivo de entreter o espectador. Definitivamente não o considero nenhuma obra-prima do suspense, mas realmente acho incabível considerá-lo um filme tão inferior, como tenho visto com frequência em sites sobre cinema.

A junção desses três atores me parecia improvável. Jamais os imaginei juntos, porque realmente não pensei que funcionassem bem em parceria. Hugh Jackman consegue se estabelecer quando seus personagens exigem mais dos efeitos especiais (ou do corpo do ator) do que quando a capacidade artística é exigida. Michelle Willians é uma atriz jovem, com um currículo cheio de filmes que vão do patético ao excelente - por um deles, recebeu uma indicação ao Oscar. Ewan McGregor é um do qual gosto, embora tenha a sutil impressão de que o vejo se repetindo com constância. Dadas as breves apresentações, caso se juntassem unm filme, pensava que seria sofrível, pois talvez um interferisse na capacidade do outro. Consigo separá-los em pares: Hugh Jackman e Michelle Willians; Ewan McGregor e Hugh Jackman. Sobre o casal, é um pouco difícil acreditar naquilo que o roteiro nos mostra ao final. Incrivelmente, soa muito falso quando descobrimos as causas - às quais o casal está diretamente conectado - de tudo o que acontece na vida de Jonathan, personagem de McGregor. Sobre os dois atores, logo no começo já simpatizamos com ambos, pois eles realmente conseguem nos mostrar afinidade imensa. Se não há química entre o casal, entre Jackman e McGregor há total sincronismo do começo ao fim. Do jeito que expus, pode parecer que o problema é a atriz, mas afirmo que não é. Uma vez atuando ao lado de McGregor, sua interpretação é satisfatória e também simpatizamos com "S", sua personagem. Apenas acho que a ausência de afinidade entre os atores fez com que isso transparecesse em suas atuações.

O roteiro, que ainda não resumi, não é totalmente criativo. Jonathan conhece Wyatt na empresa em trabalham e rapidamente tornam-se colegas; se um é tímido, calmo e apagado, o outro é o extremo oposto. Uma tarde, por engano, Jonathan fica com o celular de Wyatt e após receber uma ligação de uma mulher misteriosa, ele decide se encontrar com ela para poder informar de que ficou com o celular do amigo, que está viajando. Antes que qualquer explicação seja dita, ele se descobre adentrando um universo totalmente novo - um clube do sexo. Disponíveis em lista, os contatos precisam apenas responder a uma pergunta para ter uma noite extremamente prazerosa: você está livre hoje?. Se leram o que eu escrevi, que é basicamente o que lemos atrás do box do DVD. Podemos relacionar a alguns outros filmes, mas, ainda assim, esperamos que não seja uma cópia de nenhum deles. E realmente acho que não seja. No entanto, alguns elementos são bem fortes: ideia semelhante já foi vista no excelente De Olhos Bem Fechados, com Tom Cruise e Nicole Kidman. Num determinado momento, tudo aquilo que era real começa a se confundir e chega o ponto que deveria culminar o suspense no filme: Jonathan se vê agredido, "S" é raptada e não há nenhum indício de que qualquer uma dessas coisas tenha de fato acontecido. Vários outros filmes abordam esse mesmo acontecimento e não é nenhuma novidade para nós quando vemos o mesmo tópico abordado num outro filme. Se concebido com inovação, podemos gostar. Não diria que A Lista é inovador, mas não foi tão clichê quanto poderia ter sido.
Jonathan entrega-se rapidamente tanto à amizade com Wyatt como ao clube misterioso do qual o amigo participa. Percebemos que tudo que ele quer é que sua vida mude rapidamente, trazendo-lhe certos prazeres, mas a maneira como ele simplesmente deixa acontecer é meio fantasiosa e, sobretudo, irresponsável. [SPOILER] O mais fantasioso, porém, é quererem que acreditemos que Wyatt planejou que Jonathan se apaixonasse por "S"! É perfeitamente possível que os vilões tenham planejado sabotar o rapaz, mas como haveriam de saber que ele iria se apaixonar justamente por "S"? E mais uma vez, Jonathan lança-se irresponsavelmente na tentativa de reaver a quase-namoradinha... pensa que é herói, pobrezinho... [FIM DO SPOILER] Um problema do roteiro - provavelmente o maior deles - é criar o típico bandido-clichê: a pessoa age calculista e friamente até o final, quando começa a se fragilizar e acaba apaixonada pelo mocinho, a quem tentou sabotar. É a Síndrome de Estocolmo ao contrário! Num determinado momento, o romance se torna completamente incabível e isso infelizmente atrapalha a conclusão, que fica absurdamente apurpurinada e destoante.

Vão aqui mais dois elogios e uma crítica antes que eu por fim termine. A fotografia do filme é muito eficiente. Os tons escuros servem tanto para acentuar o clima de suspense como o de sensualidade. Algumas luzes fortes focam apenas os personagens, deixando o resto do ambiente nas sombras. Achei o efeito extremamente válido. Quanto ao suspense, penso que seja um filme que consegue mantê-lo de maneira regular do começo ao fim, sem variações notáveis. Confesso que fiquei instigado para saber o que viria a seguir. Não posso dizer se minha ânsia era por saber como concluiriam o filme ou se pelo roteiro, mas o fato é que me entretive. Não entendo por que os filmes insistem em nos mostrar um final sempre positivo, sempre bonito; depois de tudo o que vemos aqui, não queremos nada romântico nem poético! Gostaria que o filme acabasse 15 minutos antes. Daí eu teria certeza de que valeu a pena vê-lo totalmente.

Se leram tudo o que escrevi, saberão que encontrei acertos e erros ao longo do filme. Achei-o totalmente assistível e não vi tantos problemas como muitos viram. Começo a pensar que eu o tenha visto num dia em que meu humor estava absurdamente grande, pois gostei e recomendo a vocês. Digam-me: fui realmente o único a gostar?

Luís

------------------------------------------------------------------

A lista - Você está livre hoje? foi a tradução que deram pra o original "Deception"; apesar de parecer tosco, o nome é bem auto-explicativo quando se entende o filme como um todo. O longa possui pontos positivos como o bom elenco começando com Ewan McGregor (de Moulin Rouge) no papel de Jonathan McQuarry, um analista de uma grande corporação de Nova York que consequentemente se "relaciona" com os mais poderosos homens da cidade. Por acaso, Jonathan esbarra com Wyatt Bose (Hugh Jackman que segurou nas costas Austrália), um advogado que se torna, de repente, seu amigo. Depois de um mal entendido, Jonathan fica com o celular de Wyatt que foi viajar. De forma geral, Jonathan é apresentado, via celular, a um clube de sexo anonimo onde conhece mulheres maravilhosas e entre elas está S (Michelle Williams), mas o relacionamento deles fica mais e mais complicado.


Pode parecer meio complicado, mas isso ainda é pouco. O roteiro dá várias reviravoltas, nas quais Jonathan é arremessado em mentiras que ele acreditava ser verdade e por aí vai. Isso poderia parecer negatico, mas em A Lista isto não ocorre. Logicamente que o filme não é uma obra prima, mas entretém bastante. Achei o trio bem conectado, ou seja, há química entre eles, principalmente Hugh Jackman que passa o carisma necessário que o personagem requer em certos momentos do filme. Depois desse filme, vi que Jackman sabe atuar e o seu jeito viril não precisa ser usado apenas em filmes que seja necesário tirar a blusa e ter garras de ferro. Sobre McGregor, acho que ele já esteve melhor (bem melhor, como em Moulin Rouge) mas também já ficou meio estranho nas telas como no recente Anjos e Demônios. Michelle Williams fica meio escondida pelos dois, mas também faz seu papel de forma correta.
Como um quase suspense, o filme não conta com efeitos que se deva notar, mas a trilha sonora leva bem o ritmo do filme fazendo que o telespectador anseie por ver mais do longa. Como o Luís citou, a fotografia também é bem eficiente, embora o final seja muito piegas para o que eu vi durante 90% do longa. De forma geral, gostei bastante do que vi, ou seja, considero o longa recomendável.

Renan

2 de mar de 2010

Chocolate




Chocolat. EUA, 2000, 121 minutos. Drama.


Indicado a 5 Academy Awards nas categorias Melhor Filme, Melhor Atriz, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Trilha Sonora.


_____________________________________________________


Há algum tempo desejava assistir a esse filme, mas somente há pouco pude conferi-lo. Eu realmente desconhecia boa parte do enredo; de tudo que eu ouvia, a única ideia que formava era aquela em que esse filme se encaixa na categoria comédia e que aborda o romance de maneira suave. Obviamente, meu pensamento préconcebido pouco tinha a ver com a realidade: Chocolate é um drama que fala sobre a chegada de Vianne e sua filha Anouk a uma pequena cidade onde a moral e os bons costumes são plenamente exigidos. Ao abrir sua chocolateria em plena quaresma e também por ser mãe solteira e não frequentar a missa, o prefeiro começa a incentivar a população a rejeitá-la. À sua maneira, Vianne tenta contornar a situação, muitas vezes tendo que bater de frente com o prefeito e algumas pessoas.


Desde o começo gostei do filme. A chegada de Vianne já distoa da cidade: seu casaco de um vermelho extremamente vivo contrasta com o tom cinzento dos ambientes e a sua independência afeta alguns moradores - talvez por sentirem inveja dela. A hostilidade já é mostrada logo no começo, quando Armande, a proprietária do salão que Vianne aluga para montar sua loja, a recebe com bastante indiferença e ao se deparar com o resultado final do trabalho de Vianne, de sua boca sai uma crítica muito forte. Acho que um dos acertos do filme é não transformar Vianne numa completa rejeitada, pois teríamos uma clara impressão de irrealidade. Embora não se dê bem com todos, consegue encontrar alguém que lhe dedique confiança e não faça oposição à sua chocolateria. O acerto do filme é opor a personagem principal do resto da população: vista com maus olhos pelos seus atos, que são considerados extravagantes, nós acabamos simpatizando com ela pela ar de novidade que traz e pelo seu jeito prático de enxergar as coisas. Sua relação com Josephine Muscat é a princípio estranha, mas depois vemos como elas se dão muito bem e acabamos chegando à conclusão de que somente por essa amizade já valeu a estadia de Vianne na cidade. O roteiro se vale de uma capacidade extrema na arte de nos contar uma história: vemos muitos relacionamentos implícitos, como os problemas entre Christine e sua mãe, Armande; a implicância que o prefeito tem, provavelmente resultante do abandono que sofreu, já que a esposa nunca mais voltou; etc. Gostei muito da maneira como muitos personagens têm importância para a trama, que não se foca única e exclusivamente em Vianne e sua filha.


Eu acreditava que Juliette Binoche se apresentasse de maneira mais insossa, como as típicas mocinhas dos filmes de romance. Mas a sua apresentação é bonita, bastante densa, totalmente diferente daquilo que imaginei. Vianne é uma personagem forte, de atitude. A interpretação de Binoche, que lhe rendeu uma indicação ao Oscar, é tão boa quanto a de Julia Roberts, que venceu aquela edição. Binoche provou que - se me permitem o trocadilho - não somente Erin Brokovich é uma mulher de talento. Em cena, está perfeita e inquestionável, mas insisto que a candidata que realmente merecia o prêmio da categoria era Ellen Burstyn, por Réquiem para um Sonho. Lena Olin, intérprete de Josephine, está igualmente correta e já nas cenas iniciais ela se mostra confiante e muito capaz de transmitir aquilo que sua personagem sente; uma pena que o roteiro tornou-a mais dócil, mais domada. Mas penso que tenha sido a atitude certa a tomar, pois senão não nos simpatizaríamos tão facilmente com a relação entre ela e a protagonista. Johnny Depp está muito bem. Seu personagem é bem pequeno e tem pouquíssimo destaque na obra, mas ainda assim, talentoso como é, o ator mostra seu charme e competência e faz com que gostemos do sutil envolvimento amoroso entre Roux e Vianne. Os atores, Binoche e Depp, estão muito à vontade: o romance está nos olhares, nos pequenos gestos; não há nada explícito, o que nos faz apreciar ainda mais o romance, que chega a ser poético. Agora falarei sobre aquela que mais me impressionou: Judi Dench. Eu realmente nunca achei que ela pareça ser simpática - seus personagens quase sempre frios e altivos fazem com que eu não simpatize com o atrz. No entanto, em Chocolate, gostei bastante de Armande, uma senhora que tem sérios problemas com a filha, que a impediu de ver o neto. A princípio rude e desconfiada, Armande torna-se gentil e risonha, mostrando certa beleza e alegria numa velhice desamparada. É realmente bonito ver Luc, seu neto, e Armande se entrosando. Sua indicação é totalmente justificável; logo em suas primeiras falas percebemos o porquê de a Academia considerá-la adequada para uma vaga nas indicações. Carrie-Ann Moss, que todos conhecem por ter interpretado a Trinity, se mostra eficiente em um pequeno papel, o de filha de Armande. Na minha opinião, ela é uma atriz realmente muito boa, mas que quase sempre é pouco aproveitada - e isso se aplica a esse filme. Tão espontânea em suas cenas, é uma pena não vê-la mais. Alfred Molina não se destaca tanto quanto qualquer um dos outros atores, mas realiza uma atuação boa, não deixa a desejar.




Chocolate mistura eficientemente humor, drama, romance - e com se não bastasse, ainda nos deixa com água na boca! Definitivamente é um filme que nos envolve e entretém, nos fazer gostar de cada momento e cada cena é realmente interessante. Me conforta saber que filmes aparentemente pequenos como esse possam nos trazer aquela simpatia que não encontramos em muitas obras grandes, que enchem as salas dos cinemas. Na minha opinião, Chocolate é um dos filmes mais charmosos a que já assisti e que merece ser conferido.




Luís