18 de dez de 2011

Professora sem Classe


 Bad Teacher. EUA, 2011, 92 minutos, comédia. Diretor: Jake Kasdam.

Confesso que o filme é mesmo um lixo, mas não nego minha simpatia por Cameron Diaz nem deixo de confessar que me diverti enquanto o via – enfim, para mim, foi um passatempo.

Que Cameron Diaz é uma atriz duvidosa ninguém duvida e poucos contestam com bons argumentos essa suposição. Seu histórico tem alguns filmes interessantes, alguns engraçadinhos, mas muitos deles são verdadeiras bombas de má qualidade e pedância, como é o caso de “Tudo para Ficar com Ele” (2002) e as duas adaptações cinematográficas de “As Panteras”. Mas, mesmo assim, ela conquistou minha simpatia e ela consegue me fazer rir, mesmo que seja em situações descabidamente ofensivas à inteligência – assim, não recuso ver um filme com ela. E foi justamente por isso que resolvi encarar Bad Teacher, lançado esse ano e que conta, além da Diaz e Jason Segel (de Ligeiramente Grávidos”), também com Justin Timberlake, que tem definitivamente estendido sua carreira às telas, não apenas aos palcos e álbuns musicais.

Cameron Diaz é Elizabeth Halsey, uma professora sem nenhum talento que realmente não tem interesse em estar na sala de aula. Lecionar, para ela, é uma ocupação secundária, já que sua prioridade é casar-se com um homem que banque seus gastos. Com o fim do noivado, ela é obrigada a retomar as aulas e seguir como professora – até conhecer Scott Delacorte, um professor substituto que possui uma grande herança pela qual Elizabeth se interessa. Aí tudo desanda quando ela se dedica exclusivamente a persegui-lo enquanto perturba as vidas de Russel, professor de Ed. Física, e Amy, professora que segue a linha-dura de ensino.

 Justin e Cameron, o suposto casal engraçado da trama.

Honestamente, o roteiro é bem ruim e todas as cenas tendem a um humor vulgar. Ao longo do enredo, vemos cenas bastante escrotas e situações que realmente não significam muito. Destaque para os diálogos forçados, muito palavrão que nem mesmo dentro das situações é engraçado e, ainda, uma péssima participação de Justin Timberlake. Mas, ainda assim, acho que o filme consegue se segurar e entreter aqueles que estão abertos para o entretenimento vil que essa produção oferece. A personagem de Cameron Diaz é verdadeiramente mal construída, não sabemos nada de sua vida além de algumas coisas básicas: ela quer se casar com um cara de dinheiro, quer peitos novos e está disposta a tudo para conseguir a quantia necessária para implantar sua próteses de silicone. Desde o começo percebemos que ela realmente não nasceu para o magistério – estar em sala de aula é um verdadeiro erro, mas mesmo assim, sendo isso que ela tem pra fazer, é isso que ela faz. Logo nas primeiras cenas já vemos a sua reação diante dos alunos: ela definitivamente se mantém alheia a eles e quando se direciona a eles é para maltratá-los de alguma forma.

Percebemos dois momentos bem distintos dela: primeiro, quando simplesmente os trata como lixo, e depois, quando descobre existir um bônus para o professor cuja classe atingir a maior média nos exames estaduais. Vemos que há ali alguma capacidade de lecionar, mas, evidentemente, está obstruída por sua vontade egoísta de aumentar os peitos. Adoro especialmente dois momentos: aquele em que seu companheiro de apartamento pergunta se ela não saíra para comemorar com as outras enfermeiras (evidenciando que ele nem sequer sabe qual a profissão da pessoa com quem divide a casa – aliás, a reação de Elizabeth à pergunta dele é ótima!) e quando ela decide entregar as provas aos alunos que, contrariamente às expectativas dela, não apresentaram resultado alto nas avaliações. Isso, evidentemente, para não comentar sobre as cenas do lava-rápido organizado pelos alunos para arrecadar dinheiro – é tão absurda a cena que honestamente chega a ser engraçada. Adoro quando usam da sensualidade para criticá-la, como acontece aqui e também em “A Mulher Invisível”, filme nacional com Selton Melo e Luana Piovani.

 ELizabeth Halsey aplicando um de seus métodos pouco ortodoxos com seus alunos - se errar, leva bolada!

Esqueçam qualquer tipo de qualidade, porque o que tem aqui é mesmo o deboche. Sim, é o filme debochado e ele não pretende ser nada além disso. Cameron Diaz também sabe que ela e o cinema não são verdadeiros amigos e que ele lhe proporcionou os momentos mais ridículos em cena e é justamente por isso que ela já não se ocupa em faz “grandes produções” – ela está aí, debochando também com personagens que não querem dizer nada e que são superficiais e, justamente assim, passíveis de serem interpretas por ela. Não é nenhum grande filme, não esperem isso – muitos de vocês nem sequer vão rir, outros, como eu, que são fãs do guilty-pleasure que a Cameron Diaz é, vão dar algumas risadas, principalmente com as reações absurdas dela às coisas. Tudo bem que Justin ferra o filme e ele participa de uma das cenas mais ridículas que eu já vi no cinema – que é aquele sexo com roupas –, mas ele também já mostrou que tem um talentinho (como foi visto em “A Rede Social” e “O Preço do Amanhã”), então eu desconto isso dessa péssima interpretação e maneiro nas minhas críticas, já que sua atuação que não quer dizer nada está num filme que não quer dizer nada. Dá pra rir. Às vezes.

2 opiniões:

Jack, The Ripper disse...

Definitivamente parece um filme lixoso, a capa inclusive lembra um daqueles posteres de soft porn americanos.

alan raspante disse...

Cameron Diaz está muito bem aqui. Se por acaso o filme não tivesse ela, seria insuportável demais. O filme é muito ruim, eu pelo menos, não ri em absolutamente nenhuma cena. Nennhuma mesmo.

Só vale pela Cameron.