2 de dez de 2011

A Noite do Chupacabras


Brasil, 2011, 100 minutos, terror. Diretor: Rodrigo Aragão.
Uma obra que cativa pela sua originalidade que recorre a elementos folclóricos nacionais e ousa na sua dose de violência e gore.

Estamos acostumados a um cinema nacional que produz filmes “grandes”, voltados para o público mais convencionais. Assim, falamos que obras que procuram debater criticamente a postura da polícia em relação à sua função primeira, que é a de proteger; filmes que falam sobre dramas interpessoais; comédias românticas com atores globais - mas dificilmente vemos uma obra pungente no que diz sentido à sua independência fílmica em relação às grandes produtoras de telenovelas do país. A Noite dos Chupacabras, dirigido por Rodrigo Aragão e integrando o seleto grupo de bons filmes do cinema independente do Brasil, é uma obra que apresenta características bastante próprias e que se distinguem nitidamente de filmes como Tropa de Elite, Cidade de Deus, Central do Brasil, Se Eu Fosse Você e Cazuza, por exemplo.

A história do filme se resume à vinda de Douglas e sua atual noiva para a casa dos pais, onde todos os parentes estão irritados devido à morte de todos os animais da fazenda. A culpa pelo assassínio é atribuída a uma família vizinha, com que tiveram muitos problemas no passado e que parece perdurar até aquele momento. Logo que começam novamente os transtornos, vemos que há uma figura ainda não considerada nas equações de raiva das famílias: o chupacabras.


Houve uma época em que o ser mítico se tornou extremamente recorrente nas redes de comunicação que ele parecia onipresente - em qualquer lugar podia-se senti-lo, mesmo andar nas ruas parecia algo assombroso devido às diversas notícias a respeito da criatura aparentemente não-terrestre sugadora de sangue de animais, fosse eles bovinos, ovinos, galináceos etc. Inevitável não ficar tenso a princípio: como esse ser seria transportado para as telas nesse filme? Ele facilmente poderia perder seu fascínio se aparecesse muito caricaturizado, o que resultaria num efeito cômico que pareceria destoar da proposta do filme. Assim, em paralelo com a tensão que o filme cria e a qual sentimos bem, ficamos ansiosos pelo momento em que a figura do chupacabras irá aparecer.

De modo algum se pode dizer que a tensão do filme reside nas cenas em que a criatura bizarra surge em cena. A maioria das cenas traz consigo algo de tenso, mesmo que seja algo mínimo: um almoço, por exemplo, se torna desafiador tanto para a personagem quanto para o espectador, que se vêem diante de uma comida não muito agradável aos olhos. Uma tomada menos iluminada é suficiente para causar no espectador desconforto bem como o ambiente esfumaça e arbóreo de muitas cenas. Rodrigo Aragão, responsável também pelo roteiro, conseguiu eficiente unir as suas duas funções e confluí-las numa produção interessante na qual história e tensão funcionam em parceria. 


Gosto principalmente de como o gore é usado na trama. Sem medo de cenas fortes, o diretor apresenta momentos de violência gráfica muito pungentes, como os tiroteios a partir do meio do filme, as discussões que existem entre as duas famílias e, ainda, bons momentos que remetem a outros filmes, como é o caso dos vários jatos de vômito verde - que inevitavelmente remetem a The Exorcist. Na verdade, creio que esse tenha sido o quesito artístico que mais me chamou a atenção, justamente porque me remeteu a bons clássicos splatter, nos quais a violência gráfica é assombrosamente presente e, sobretudo, vemos uma grande dose de sangue. Em A Noite do Chupacabras, essa característica apenas acrescenta ao filme, sem jamais traí-lo no seu efeito estético - percebemos nessa obra de Aragão que quanto mais sangue melhor!

Não me posso furtar de comentar que, não fosse já o filme interessante, eu ainda o conferi em boa companhia, a da Verônica, de quem gosto muito e que eu acho muito sensata nos seus comentários! E, também não me furtando de comentar, tive a oportunidade de conversar com o diretor, que é muito simpático e que certamente produzirá mais filmes que valem muito a pena. Recomendo mesmo que confiram essa produção, bem como recomendo que o vejam em boa companhia, pois irão, indubitavelmente, se divertir com essa produção.

3 opiniões:

Celo Silva disse...

Luis, curto muito esse tipo de filme e já tinha ouvido falar dele, qd pintar uma oportunidade quero conferi-lo.

Anônimo disse...

Vai passar dia 04 de dezembro no Centro Cultual São Paulo, que fica na estação Vergueiro do Metrô, às 20hs!!!

Rodrigo Mendes disse...

ah! Deve ser muito divertido!
Já assisti trechos de Mangue Negro, do mesmo diretor.

Abs.