4 de jul de 2010

Gran Torino

Gran Torino. EUA, 2008, 116 minutos. Drama.
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Clint Eastwood na direção de duas obras lançadas esse ano. A primeira, A Troca, rendeu à atriz principal uma indicação ao Oscar, mas, contraditoriamente, dividiu os espectadores entre os que gostaram e os que não gostaram. Gran Torino é o segundo filme. E este fez com que a maioria apreciasse a condução de Eastwood, diretor que aprendi a admirar depois de conhecer um de seus trabalhos, que, ainda hoje, é um dos meus favoritos.

Walter Kowalski é um veterano da Guerra da Coreia extremamente preconceituoso, que vive em conflito com todos, inclusive seus filhos. Numa noite, surpreende um vizinho coreano tentando roubar seu carro Gran Torino e, com uma arma, ele o expulsa dali. Dias depois, uma gangue hmong (etnia coreana) promove uma bringa em frente à casa dos vizinhos de Walt, o que faz com que ele interfira e, mesmo sem querer, acabe protegendo o jovem que tentou roubar seu carro. Pouco depois, em outra oportunidade, ele ajuda mais uma vez outro membro da família, o que faz com que se aproxime dos coreanos. A partir desse momento, Walt se vê obrigado a rever suas concepções a respeito da amizade e companheirismo, tendo sua vida transformada por causa daquilo que passou a sentir.

Gran Torino tem como plano de fundo a aprendizagem. O principal fator dramático no filme é a transformação da repulsa em simpatia e a maneira como todos os personagens agem está embasada nos princípios da aceitação do próximo. A diversidade é um elemento importante na vida e o roteiro do filme a mostra de duas formas bem diferentes: mostra-a primeira sob a perspectiva do preconceito, na qual Walt vê apenas o que o difere de seus vizinhos; e depois a mostra sob a perspectiva da união, o que permite ao personagem principal respeitar os outros, independentemente de suas antigas experiências e conceitos anteriores. A mudança que o personagem sofre é banal, todos nós a conhecemos e, por isso, podemos nos aproximar ainda mais daquilo que sente Walt. Conhecemo-la porque é hábito da maioria ter maus pensamentos sobre uma pessoa até conhecê-la melhor e concluir que estava errado. É isso que acontece nesse filme e essa situação simples transforma-o em algo bem maior, bem denso. Todos aqueles que assistiram ao filme Menina de Ouro, também dirigido por Eastwood (e no qual também atua), decerto se identificarão com Gran Torino, uma vez que as passagens comportamentais são quase as mesmas, nos proporcionando momentos positivos de reflexão.

A direção, como costuma ser, é muito eficiente e Clint consegue pegar o que há de melhor em cada ator e em cada situação, sempre com ótimos ângulos de câmera, procurando nos colocar lado a lado com os personagens, aproximando-nos daquilo que vemos. Não somente como diretor, mas também atuando, Clint se mostra eficiente. Ao interpretar o difícil Walt, cujo temperamento é complicado, o diretor-ator realiza um trabalho competente, que mistura humor, drama e amor fraterno - no casod e Walt, praticamente paternal. Ahney Her e Bee Vang, intérpretes de Sue e Thao, foram bem dirigidos e nos mostram grandes momentos em parceira com Eastwood.

De certa maneira, achei-o bem parecido com Menina de Ouro: nos dois há transformação emocional, há primeira contraste para depois surgir a semelhança, há o comportamento fraterno e a busca pela felicidade alheia. Gran Torino, apesar das semelhanças, fica aquém do outro que citei, mas definitivamente é um filme bem interessante que merece ser visto por todos, afinal, é uma obra madura, com excelente direção e uma mensagem bem realista: nem todo bem é alcançado com bondade e, principalmente, isso não é obtido sem dor.

Luís
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3 opiniões:

Marcelo A. disse...

Comparar Gran Torino e Menina de Ouro é injustiça, talvez. Mas eu gosto tanto do filme! Aliás, eu gosto de tudo vindo de Clint. O cara é uma lenda viva do cinema; é o próprio cinema vivo, de carne e osso e pleno gás aos 80 anos. É por isso que é um dos meus "dez mais"!

=)

Thiago Paulo disse...

Acredita que baioxei esses filme e quando fui ver era dublado? e pra piorar ainda mais, não era dublagem em português...rs Nem tentei ver, vou pegar de novo.

També admiro muito o trabalho do Clint Eastwood.

Dewonny disse...

Sou fanzão do cinema do Clintão velho de guerra, uma lenda viva do cinema.
Gran Torino é excelente, filmaço!
Abs! Diego!