28 de fev de 2010

Melhor Filme - Oscar 2009

Estamos todos ansiosos para a edição do Oscar de 2010 que ocorre no próximo domingo, mas antes eu e o Luís terminaremos análise de algumas categorias do Oscar 2009 que nos propusemos a fazer. Esperamos ainda que nesse ano possamos fazer novamente essa análise, pois desse modo conhecemos filmes ótimos que não teriamos notado se eles não estivessem indicados em alguma das categorias que analisamos, como ocorreu com Rio Congelado. Na categoria de Melhor Filme de 2009 - uma das mais importantes da noite - tivemos a briga entre O Curioso Caso de Benjamin Button, uma obra que concorreu a 13 categorias e deve ser considerada um filho querido das super produções Hollywoodianas e Quem quer ser um Milionário, o vencedor, que é um filme que chegou de mansinho mas conquistou a todos com seu jeito Bollywoodiano e abocanhou duas das mais importantes indicações da noite. Os textos de "O Leitor", "O Curioso Caso de Benjamin Button", e "Frost/Nixon" são do Luís e os de "Milk - A Voz da Igualdade" e "Quem quer ser um Milionário ?" são meus (Renan). Sem mais delongas, vamos lá.


Frost/Nixon, por  Ron Howard.
Os personagens centrais dessa obra são os polêmicos Frost, apresentador e repórter, e Nixon, conturbado presidente norte-americano. Com todos os elementos em sincronia e intensidade relevante, essa obra definitivamente mereceu a sua indicação à categoria principal, uma vez que, sob o comando de Ron Howard, a mensagem é passada claramente a todos os espectadores.


Esse filme não serve apenas para que mocinhas - e mocinhos, eventualmente - contemplem a beleza de Brad Pitt. A história contada por David Fincher concebe muito mais: uma verdadeiro história de amor que não pode ser alternada pelas interferências absurdas de uma vida vivida ao inverso. Dotado de vários elementos positivos - fotografia, trilha sonora, maquiagem e atuações - o filme faz jus à sua posição nessa lista.


O Leitor, por Stephen Daldry.
O diretor: Stephen Daldry. A atriz: Kate Winslet. Esses dois nomes bastam para que saibamos que o filme vale a pena. O romance, primeiro físico e depois psicológico, de Hannah Schimtz e Michael é intenso e repercute num intenso envolvimento entre os dois personagens. Totalmente entregues um ao outro, a história deles atravessa um terrível momento histórico, que é o responsável pela modificação completa de suas vidas. Indicado também à categoria de atuação feminina, o filme também representa um marco para o diretor, que foi indicado mais uma vez. Todas as indicações foram justas.


"Quem quer ser um Milionário ?" foi uma surpresa pra mim que estava assistindo filmes mais ou menos no mesmmo padrão como o Leitor e A Troca. Este é diferente pois trata de um roteiro dramático de uma forma mais leve mas sem perder nem um pouco da densidade que tem outros filmes do gênero. A forma que o filme abordada o enredo também é interessante pois conta toda uma vida em flashbacks, contando com três gerações diferentes e todos os atores que encarnam o três personagens principais cumprem seu papel e aí vem a parte técnica vem pra fechar um ótimo filme.



Milk - A Voz da Igualdade, por Gus Van Sant.
Milk - A Voz da Igualdade é bom, mas realmente fico na dúvida se merecia os prêmios que ganhou, e fico feliz que não tenha ganho essa. O filme retrata de uma forma pura a história do grande Harvey Milk. Com uma temática não tanto homossexual o filme ganha pontos por não levantar bandeiras, mas peca em parecer em demasia um documentário. Mesmo sendo bom, dos cinco concorretes, considero Milk o que menos merecia ganhar.

Nessa última categoria, temos que concordar com a Academia (o que aconteceu somente na categoria de Melhor Ator Coadjuvante), pois Quem quer ser um Milionário junta tudo que há de bom em um filme. Mesmo que as atuações deste não possam ser comparadas com as de seus concorrentes, elas ainda são satisfatórias, e ainda assim sobram pontos positivos na fotografia, na trilha sonora, no roteiro belíssimo que ganhou na Categoria de "Melhor Roteiro Adaptado" e na direção forte de Danny Boyle  que com certeza mereceu o Oscar de Melhor Diretor. "Quem quer ser um milionário ?" é assim, cheio de acertos e por isso, tanto eu como o Luís ficamos felizes que o melhor filme dos cinco concorrentes tenha ganho a disputa com os outros quatro longas marcantes.

Renan e Luís

26 de fev de 2010

O Cheiro do Ralo

Brasil, 2006, 112 minutos. Comédia.
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Muitos falavam desse filme e eu ainda não tinha assistido a ele. O tempo passava, a curiosidade aumentava e um belo dia o emprestaram para mim. Comecei a vê-lo receoso, esperando algo de mau gosto, porque sempre tenho extpactativas de que o filme nacional vá me irritar mais do que me entreter. Do começo ao fim, gostei de O Cheiro do Ralo - o que me obrigou a admitir que minha opinião prévia era totalmente preconceituosa.

Lourenço é um homem bastante frio que trabalha comprando objetos de pessoas necessitadas. Na loja, o cheiro do ralo do banheiro começa a perturbá-lo, tornando-o ainda mais esquisito. Criando uma fixação pela bunda da moça da lanchonete em que come, Lourenço começa a criar métodos para poder tocá-la, se aproximar mais efetivamente; paralelamente, seus problemas com o mau cheiro aumentam, pois teme que pensem que o cheiro vem dele.

Logo no começo, já gostei do filme. O tom indiferente e cruel usado por Lourenço fez com que eu simpatizasse com o personagem. Tratar as pessoas com pouco caso, como se seus sentimentos não fossem válidos, é simplesmente uma das atitudes mais cretinas que eu conheço; no cinema, quando bem retratados, os personagens com essas características tornam-se extremamente cômicos e, dada a qualidade da atuação de Selton Mello, é exatamente isso que acontece. Considerando que o filme é uma comédia e que consegue realmente ser engraçado, logo podemos admitir que seu objetivo principal foi cumprido. O espectador se satisfaz com as cenas que vê, pois não há excesso de vulgaridade, nem momentos que possam parecer desnecessários.

A obsessão do personagem pelo ralo é curiosa: ele precisa do cheiro do ralo, pois num determinado momento conclui que é o cheiro que o motiva a ser racional, no entanto, tenta de tudo para esconder o cheiro, uma vez que não quer que niniguém pense que o cheiro vem dele. Já vi Selton Mello de várias maneiras: abobalhado (como Chicó), malandro (como Caramuru), romântico (em Lisbela e o Prisioneiro); nunca o vi, porém, tão frio e desagradável como nesse filme. Na minha opinião, um dos melhores e mais carismáticos atores brasileiros, muito superior a alguns nomes bastantes conhecidos do público - os quais não vou citar para não gerar uma onda de discordâncias. Sua interpretação em O Cheiro do Ralo é realmente interessante e dou a ele credibilidade por eu ter gostado tanto do filme. Suas variações de humor e seu tom de voz - muito condizentes com sua personalidade - provocam risos o tempo todo. Gosto principalmente da cena em que Lourenço desabafa com sua empregada e, já no final da conversa, ela o corrige, falando que seu nome não é como ela a chama. Muito engraçada a cena...

De um modo geral, a única coisa que não senti foi a presença do diretor. Parece que não há nada muito próprio e Heitor Dhalia deve ter sido orientado por Selton Mello, numa clara inversão de papéis. Não gostei muito da escolha de Paula Braun como a Garçonete, porque ela não tem muito talento e suas falas cheias de dengo me irritaram um pouco. Se Dhalia tivesse um punho mais firme, certamente não haveria aquela lenga-lenga boba que permaneve em torno da atriz. Embora haja esses pequenos problemas, o filme é muito válido e eu gostei bastante dele; recomendo, portanto, que vocês o vejam, pois ele realmente entretém, além de ser um dos filmes brasileiros que não se tornam apelativos ao longo de sua exibição.

Luís
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O Cheiro do Ralo é um filme incomum, isso não significa que o longa seja ruim, mas também está bem longe de ser uma obra prima. Sinceramente, eu não saberia descrever o roteiro do filme; por vezes tive a impressão de que não havia um roteiro concreto e para compensar colocaram o Selton Mello para ficar falando com um olho, mas por incrível que pareça, é esse tom que deixa o filme descontraído e o torna agradável.


O filme as vezes passa a impressão de uma obra quase teatral, que pode ser percebida na simplicidade do cenário, principalmente quando se mostra a casa onde Lourenço mora, na qual se sobressai uma mesa com as cadeiras. Esse tom cru realça ainda mais outros aspectos do filme como a atuação. Não se pode negar que Selton Mello faz um ótimo papel, parecendo as vezes psicótico falando do olho ou até mesmo arranjando desculpas para o cheiro que emana do seu banheiro, cheiro esse que vem do ralo. Outros personagens também se destacam, principalmente a bunda da garçonete, que juntamente com Lourenço forma um casal pouco convencional. Falando da garçonete, é bem legal ver como o roteiro fez parecer a paixão do Lourenço pela bunda em quase um sentimento, ou seja, não há machismo ou algo que se possa assemelhar a isso. Além dela, há uma personagem que ficou marcada que é a da viciada que tenta vender qualquer bugiganga para poder arrumar dinheiro e consequentemente comprar drogas; o barraco que ela dá impressionante.

A pouca duração do filme também é um ponto positivo, pois desse modo, o filme se foca no pouco que tem e consegue fazer algo sem muita enrolação o que poderia prejudica-lo ainda mais. Há também o ponto de vista que é bom porque é curto, uma vez que o telespectador sofreria mais vendo muito mais tempo de um filme que tem pouco pra mostrar.

No geral, balanceando os prós e os contras, O Cheiro do Ralo se torna recomendável por entreter quem assiste e se tornar uma boa pedida para quem quer conferir um filme nacional bom.

Renan

24 de fev de 2010

Assassinato no Expresso do Oriente

Murder on the Orient Express. Inglaterra, 1974, 122 minutos. Policial.
Recebeu 6 indicações ao Academy Awards. Ganhou nas categorias Melhor Atriz Coadjuvante (Ingrid Bergman) e Melhor Figurino.
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Embora a década mais recente tenha sido provavelmente aquela em que mais se adaptaram livros e se fizeram remakes, as estórias do livros vem sendo transferidas das páginas para as telas há muito tempo. Muitos autores são chamarizes para diretores, principalmente porque suas narrativas possuem um charme que atrai e conquista a praticamente todos os leitores. Uma vez no cinema, esses mesmos leitores formarão filas para ver seus astros interpretando aqueles personagens fantásticos dos livros que leram pouco antes... Considerando o pensamento, nada mais normal do que os romances de Agatha Christie - que certamente fez parte da adolescência de muitas pessoas - fossem transpostos e ganhassem uma segunda vida (a primeira é em nossa imaginação) no corpo de atores e atrizes de destaque, como Lauren Bacall e Albert Finney.

Depois de resolver um caso, Hercule Poirot pretende ir a Londres. Para isso, faz uso do Expresso do Oriente, que estranhamente estava lotado. Pela manhã, se descobre que um dos passageiros, que na tarde anterior pedira a proteção de Poirot, foi brutalmente assassinado com 12 facadas. Os passageiros alegam diversos fato que podem direcionar ao responsável pelo crime, mas, ao mesmo tempo, muitas de suas afirmações apenas confundem ainda mais. Os suspeitos são não somente os passageiros, mas também uma misteriosa mulher de kimono e um homem que invadiu um dos dormirtórios durante a noite.

Não posso simplesmente ignorar o fato de que, embora seja um filme interessante, boa parte do clima do livro se perde ao longo da projeção dessa obra. Ele, aliás, já não é tão forte como é no livro. Ao final, na conclusão, o suspense deveria estar em seu auge, mas não é exatamente assim que acontece. O roteiro, porém, soube bem como transportar a narrativa de Agatha Christie para o filme: já começamos tendo idéia do que foi o caso Armstrong e quais foram as consequências dele. Posteriormente, fica mais fácil assimilá-lo ao desenrolar da história e isso nos permite tirar boas conclusões acerca do próximo passo do detetive. Como eu já havia lido o livro, percebi que, embora tenha ocorrido algumas mudanças - omissões de momentos e mudança de posicionamento quanto a ordem cronológica -, elas foram necessárias para que fosse possível compreender melhor. A única coisa do roteiro que definitivamente não me agradou foi o encurtamento que deram a alguns argumentos interessantes, que serviram no livro para aumentar o suspense e criar ainda mais mistério.

Sobre as atuações, gostei da maioria. O destaque sem dúvida cabe a Ingrid Bergman, que está simplesmente perfeita como Greta Ohlson. Não sei se merecia o Oscar, pois não assisti a nenhum filme com suas concorrentes, mas eu particularmente a achei extremamente expressiva, mesmo que num papel extremamente curto. Envelhecida trinta anos desde sua participação em Casablanca, a sua beleza permanece ali, um pouco oculta, porém visível. Lauren Bacall está igualmente fabulosa, um pouco mais participativa do que Bergman. Suas falas sempre altivas, seu tom sempre soberbo fazem de sua personagem uma mulher de quem suspeitamos, do começo ao fim. Os outros atores não têm grande destaque, embora também estejam bem em seus personagens. Sean Connery, Vanessa Redgrave, Jaqueline Bisset, etc. Porém, há pra mim um probleminha nesse quesito: Albert Finney. Não se é culpa do ator ou se a culpa é minha, mas o fato é que não fiquei contente com sua atuação. Achei-o deveras exagerado, falando alto demais, gritando muitas vezes, se movimentando como se fosse uma marionete problemática. Não era essa a imagem que eu tinha do detetive Poirot. Imaginava-o teatral, mas não como uma gralha obesa.

O filme capta boa parte do universo perigoso de Agatha Christie, mas deixa um pouco a desejar quanto ao suspense que nos apresenta. O mistério fica mais por conta da fotografia escura do que pelo roteiro, que falha nesse aspecto - como já disse acima. Eu devo recomendá-lo, pois, como adaptação, é um bom exemplo de sucesso e ver um elenco como esse não é tão comum. Mas recomendo veemente que o livro seja lido antes.

Luís
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Me sinto um ignorante quando digo que nunca li nada de Agatha Cristie. Tentei ler Assassinato no Expresso do Orinte uma vez, mas devido a pouca idade acabei deixando o livro de lado. Sendo assim, obviamente não sei avaliar a adaptação seja ela fiel ou apenas levemente baseada.

O filme começa com um ponto positivo. Somos apresentados ao caso da família Armstorng e só mais tarde entendemos a relação desse caso com o assassinato que acontece no trem. Não pense porém que possa existir alguma dificuldade de compreenão no roteiro pois tudo é explicado claramente guiando o telespectador a compreensão dos motivos desse assassinato. Como o Luís citou, também concordo que o clima do filme se perde ao longo de sua exibição. Por vezes temos a impressão de que se passaram 1 horas de filme quando a barra de rolagem mostra só 30 minutos. Um problema que o filme pode mostrar para os menos atenciosos é a quantidade de personagens envolvidos no caso. Assim como acontece em Assassinato em Gosford Park, quem assiste pode se perder quando alguns personagens estão falando dos outros, mas quando todos estão em cena fica mais fácil pois as caraterísticas físicas, juntamente com suas atuações são marcantes, principalmente Ingrid Bergman que nem parece a mesma de Casablanca. Quanto a Albert Finney, o personagem principal, posso dizer que gostei da atuação, mesmo parecendo, em certos momentos, caricáta demais para um detetive.

Gostei bastante do desfecho final do filme, quando tudo é revelado. Fugiu um pouco do que eu esperava, mas essa, com certeza, foi uma supresa agradável. Com esse final, acho que esqueci um pouco do ritmo lento do filme e dos outros aspectos negativos terminando com uma imagem positiva do longa.

Renan

22 de fev de 2010

O Abraço Partido

El Abrazo Partido. Argentina, 2004, 92 minutos.
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O Abraço Partido é um daqueles filmes leves, que conduzem um tema relativamente denso de maneira bem suave, mostrando inúmeras sutilezas e conduzindo o espectador a uma confortável sessão de cinema, na qual verá boas atuações, um roteiro interessante, uma direção eficiente e, principalmente, terá entretenimento durante toda a projeção. A história aborda a dificuldade que Ariel encontra em compreender o porquê de o pai ter deixado a família para ir lutar na guerra do outro lado do mundo; paralelamente, tenta conseguir um documento que lhe conceda nacionalidade polonesa e se relaciona com Rita, uma mulher cuja vida ele não conhece bem.

Os fãs assumidos do drama - como eu - poderão dizer que O Abraço Partido seria uma excelente obra dramática, mas, como foi realizado numa estrutura diferente dessa, não é um bom filme. Eu, pelo contrário, discordo totalmente, pois acho que esse é uma das produções que conseguem encontrar o equilíbrio entre a dramaticidade e a suavização, acertando claramente na maneira como todos os fatos nos são mostrados. O tom dramático de cada cena fica à livre escolha do espectador: eu pude imaginar perfeitamente como seria as situações exibidas se as cenas tivessem sido prolongadas. Essa possibilidade que nos é dada, a de imaginar, é o que taz um diferencial à obra, que é muito válida. A principal característica do roteiro não é a da análise profunda, revirando os sentimentos dos personagens e expondo-nos suas vísceras; seu aspecto mais visível é a exibição da superficiliadade, da camada mais fina. Acredito que esse é o principal fator pelo qual, na minha opinião, O Abraço Partido é um bom filme: sua estrutura se mantém ao longo da trama e a qualidade se mantém linear, sem sair do padrão em que se iniciou.

As atuações são realmente simpáticas. Eu não vou usar o termo "boas", pois realmente o principal chamativo quanto a esse quesito é a simpatia, uma vez que todos os atores a demonstram e todos conseguem mantê-la, permitindo ao espectador gostar deles o tempo todo, mesmo quando o enredo dá uma guinada, nos mostrando que as coisas poderiam ter sido diferentes e que a culpa não é exclusivamente de uma pessoa. A forma como o roteiro aborda a preocupação da mãe com Ariel é bastante realista: duvido que haja mãe que não tente manter rédeas curtas com o filho quando este se engraça com uma mulher mais velha. Isso fica bem claro no filme. A mãe de Ariel, Sonia, na minha opinião, é a mais densa, pois - o roteiro analisa a superfície, lembrem-se! - ela consegue misturar em si muitos sentimentos que são muito contraditórios, principalmente se considerarmos algumas de suas atitudes e a história que ela conta ao final do filme.

Eu gostei bastante do filme e recomendo-o a todos que busquem um drama suave, sem exageros, sem grandes cenas emotivas. Não me resta dúvidas de que esse seja um filme que tenha chegado bem próximo à lista dos cinco indicados ao Oscar, pois é realmente agradável, conseguindo unir humor, drama, poesia - na cena em que a avó canta - e, como se não bastasse, nos traz uma moral ao final. É claro que isso não fica explícito, como numa fábula, mas o espectador perceberá qual é a moral existente: não julgar sem antes conhecer os motivos. Vejam-no, pois vale a pena.

Luís
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Particularmente gosto muito ver filmes não-americanos. Me agrada ouvir diálogos em outras linguas e esse já foi um ponto a favor para que eu gostasse de O Abraço Partido, fora que foi o primeiro (e único) filme argentino que tive a oportunidade de conferir.
Por vezes temos a impressão que o filme vai do nada pra lugar nenhum, ou seja, não há um roteiro concreto como os dramas que estamos acostumados a ver. E isso realmente ocorre, mas não do modo negativo como pode parecer. A simplicidade do roteiro é cativante fazendo com que os personagens fiquem marcados na nossa memória. É difícil esquecer cenas como a corrida ou cenas intermediárias como a que Ariel se encontra com Rita na loja da mãe e, mesmo estando em um jogo de sedução, continua dizendo que ela não pode experimentar roupas íntimas

Daniel Hendler faz tão bem seu papel como Ariel que nem notamos alguma falha grave, talvez pelo fato de seu personagem ser apenas humano. Não há drama, apenas o cotidiano de um jovem que quer conseguir um visto para viajar. Adriana Aizemberg também faz bem seu papel como a mãe de Ariel, uma senhora que não vê o marido faz tempo mas que ainda assim toca a vida trabalhando. Citei acima a personagem Rita, e de todo o elenco foi dela de quem eu mais gostei. A atuação da atriz é provocante, mesmo ela não sendo um sex symbol e o seu relacionamento pouco conveniente com o dona da lan house é bem interessante.
Talvez seja um pouco difícil achar esse filme, mas se acha-lo numa locadora ou se ele estiver passando na sessão das onze da noite na Cultura, segure o sono e assista-o. Garanto que não se arrependerá.

Renan

20 de fev de 2010

Vidas Secas

Graciliano Ramos, 1938, 126 páginas mais 28 páginas de análise (Editora Record).

Pertencente ao Modernismo, fez parte da lista integrada FUVEST/UNICAMP - 2010.
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Antes de mais nada, explicarei como estruturarei a minha análise: primeiro descreverei o assunto abordado nos capítulos de maneira geral, sem me aprofundar muito nem ser muito superficial; depois comentarei a minha opinião sobre o livro e a partir daí será como as críticas usuais que eu e o Renan fazemos.
Resumo: Vidas Secas narra a história de cinco personagens, que são Fabiano, Sinhá Vitória, os dois meninos filhos do casal e Baleia, a cachorra. Os cinco, que não têm uma casa própria, atravessam o sertão em busca de um lugar onde possam ficar durante a seca, para não morrer de fome.
Narrador: narrado em terceira pessoa, sendo o narrador onisciente.
Estrutura: dividido em treze capítulos que, numa linha cronológica, estão fragmentados; isso quer dizer que o um capítulo não é exatamente uma continuação imediata do anterior. Eu não sei se é uma comparação muito boa, mas é como se vários quadros fossem colocados à nossa frente; cabe a nós, portanto, dar o conectivo à história contada (isso fica bastante fácil de compreender quando passamos do terceiro para o quarto capítulo).
Importância da obra: relatar os problemas sociais principais que devastam o sertão brasileiro, impondo famílias - representadas pelos personagens do livro - a uma vida de subsistência e subserviência. Alguns consideram que o autor tenha querido representar a desolação que afeta todo o país, impedindo um melhor desenvolvimento e fazendo surgir um Brasil-pobre dentro de um Brasil maior, com qualidade de vida superior em outras regiões.

Explicados esses aspectos básicos, vou me ocupar agora de resumir de maneira satisfatórias os capítulos:

1 - Mudança: o capítulo narra a mudança que a família faz através do sertão em busca de um lugar pra se estabelecer. Sabemos que caminham há muito tempo por causa das descrições a respeito do cansaço que sentem os personagens. Nesse capítulo, já somos apresentados às muitas características dos personagens: a rudimentar maneira de Fabiano, a obediência que as crianças têm pelos pais, o companheirismo de Baleia. É revelado que, além dos cinco, havia também o papagaio, que foi morto a fim de alimentar a família, para que ela também não morresse. Depois de caminhar mais, Baleia encontra preás e os preda, levando-os à família que depois encontra uma casal aparentemente abandonada, na qual se instala. Surgem, então, os primeiros resquícios de esperança.

2 - Fabiano: somos apresentados a uma análise que Fabiano faz de si mesmo, definindo-se não como homem, mas como bicho, completamente apegado à ignorância e cujas principais habilidades estão a de domar os bichos bravos. A família já está instalada na casa e Fabiano já conheceu o homem que é proprietário daquelas terras; à família foi concedida a estadia, desde que Fabiano cuidasse dos animais e da fazenda. Somos apresentados às lembranças de seu Tomás da bolandeira, um homem a quem todos os personagens admiram por causa da habilidade de falar bem e por causa da humildade e sofisticação dele. Fabiano começa a ter esperanças de um dia não será como um bicho, mas sim um homem, assim como seu Tomás da bolandeira; decide conversar com Sinhá Vitória acerca da educação dos filhos, que estão muito curiosos.

3 - Cadeia: Fabiano vai à cidade em busca de alguns mantimentos para que a família possa se abastecer, como queronese. Receoso, ele acha que todos na cidade querem roubar-lhe o dinheiro e que sempre se aproveitam do fato de ele não saber contar para aumentar valores. Depois de tomar pinga num butequim, ele é convidado por um soldado amarelo - policial - para uma partida de trinta-e-um, a qual acaba perdendo. Indignado, se levanta para sair da mesa e já está a andar na rua, quando o soldado amarelo aparece, mandando o povo se afastar. Alegando que Fabiano não pagou sua dívida, ele é levado pra prisão, onde apanha com um facão e acaba passando a noite.

4 - Sinhá Vitória: a esposa da Fabiano enconmtra-se irritada, principalmente por causa da cama de varas que os dois tê; o que ela quer mesmo é uma cama como a de seu Tomás da bolandeira, de lastro de couro. Ocupa-se das tarefas domésticas enquanto o texto retrata suas lembranças de Tomás. Ao se lembrar de que Fabiano lhe dissera que parece um papagaio sobre saltos quando os usa, Sinhá Vitória sentira-se ofendida e ao mesmo tempo relembrara o animal que comeram a fim de sobreviver.

5 - O Menino Mais Novo: o filho mais novo do casal, influenciado pela admiração que tem pelo pai, decide reproduzir os atos dele. Primeiro conta à Baleia o ato heroico do pai; como a cachorra o ignora, ele conta ao irmão, que faz o mesmo. Por sua própria conta, obe num morro e se joga sobre um bode arisco, que sacoleja o garoto e depois o joga contra o chão. O menino mais novo se irrita com o irmão mais velho, que ri, e com Baleia, que desaprova suas ações. Conclui que um dia os dois hão de admirar por ele ser como o pai.

6 - O Menino Mais Velho: o filho mais velho ouve Sinha Terta, uma vizinha, dizendo a palavra “inferno”. Ocupa-se em descobrir o que a palavra significa e a mãe limita-se a dizer que significa “coisa ruim”. A partir de então, o garoto começa a analisar o que pode ser ruim, pois em sua opinião nada é ruim; não entende como uma palavra tão bonita seja algo tão feio, nem como assimilaram a figura do diabo as coisas do cotidiano.

7 - Inverno: a família reúne-se em torno do pequeno enquanto conversa por pequenas frases e palavras monossilábicas. Fabiano relata aventuras passadas, mas, como não conhece muitas palavras e usa muitos gestos, a escuridão não permite que todos o compreendam bem. As intromissões dos filhos deixam Fabiano bravo, porque ele acha que estão sendo audaciosos. Enquanto isso, a cheia provoca um alagamento, o que os preocupa, pois, se a cheia persistir, a água chegará até a casa, desabrigando-os.

8 - Festa: Fabiano compra tecidos para que Sinha Terta faça roupas novas pra família, porque vão a missa na cidade. Desacostumados com trajes mais justos, Fabiano e Sinhá Vitória têm dificuldades para caminhar. A cachorra Baleia segue a família e quando finalmente chegam à cidade, Fabiano se vê receoso, pois tem muita gente e ele - assim como toda a família - está acostumado à solidão. Fabiano bebe demais após a missa e começa a procurar pelo soldado amarelo e querendo brigar. Envergonhada, Sinhá Vitória e os meninos se escondem entre as pessoas; Fabiano acaba dormindo na rua, atrás de uma barraca.

9 - Baleia: a cachorra já está para morrer; a pele está coberta de feridas que acumulam mosquitos, os pêlos se distribuem escassamente pelo corpo da cachorra, que mal podiam comer por causa das chagas e inchaços que circundavam a boca. Fabiano decide matá-la, então. Entristecido, pois Baleia é com um membro da família, Fabiano pega a espingarda e seuge o animal, que, percebendo que algo ruim vai acontecer, tenta se esconder. Por engano, o primeiro tiro acerta a perna da cachorra, que se rasteja sangrando; depois, Fabiano por fim a mata.

10 - Contas: Fabiano rece a quarta parte na partilha dos bezerros, mas, ao receber a quantia, admitiu estarem erradas as contas do patrão. O capítulo dedica-se à exposição dos pensamento de Fabiano, que acredita que por ser rudimentar, as pessoas acham que ele não merecem justiça. Aspira a conseguir juntar dinheiro suficiente para que a família possa se mudar e ter um lugar próprio. Relembra da época em que criara porcos a fim de vendê-los e que, ao tentar fazê-lo, foram cobrados impostos pela venda; concluiu que o governo sempre se metia naquilo que não devia e que era por isso que não havia prosperidade na região.

11 - O Soldado Amarelo: Fabiano está na vereda, cuidando de uma égua e acaba encontrando o soldado amarelo que o levou preso um ano antes. Sente-se tentado a matar o homem; impulsivamente, levanta o facão e abaixa-o em direção à cabeça do soldado. Pára e observa a fraqueza do homem que, estando tão distante da cobertura do governo, não consegue fazer nada a não ser tremer. Se no capítulo segundo, Fabiano concluíra que era um bicho, aqui concluiu que o outro é um bicho; ele é um homem, pois decide não matar alguém que apenas serve a outra pessoa. Acaba apontando a direção na qual o soldado amarelo deve seguir e volta ao que fazia antes, sentindo-se melhor.

12 - O Mundo Coberto de Penas: Sinhá Vitória concluiu que as arribações (nome das aves) vão acabar matando o gado. A príncipio, Fabiano pensa que a mulher está louca, depois concluiu que as aves podem matar o gado porque as arribações beberiam toda a água do bebedouro e os gados, consequentemente, morreriam de sede. Fabiano vai até o morro e começa a atirar nas aves; algumas caem mortas, as penas cobrem todo o chão. Fabiano chega à conclusão de que a seca está voltando e é necessário que eles andem de novo, seguindo adiante; leva as aves, das quais a família se alimenta. A situação remete Fabiano à morte de Baleia, cujos olhos eram comidos por urubus e também à submissão em relação ao soldado amarelo no capítulo anterior.

13 - Fuga: a fazenda se despovoou, os animais morreram. Restavam à família apenas dar continuidade à viagem; assim, Sinhá Vitória salga a carne das arribações e todos seguem, afastando-se da fazendo, indo na direção da cidade mais próxima, longe da área rural. Embora esteja em silêncio, o casal espera que haja conversa. Por fim, começam a divagar sobre o futuro dos filhos; Sinhá Vitória os imagina em vidas completamente diferente das dos pais e a sua perspectiva agrada Fabiano e a família segue viagem, caminhando mais uma vez entre os juazeiros, mandacarus, à espera de água e de uma vida melhor.

Agora que já apresentei o assunto abordado nos treze capítulos, vou falar o que achei sobre o livro. Confesso que não me anima muito ler essas obras obrigatórias, pois elas normalmente são extremamente maçantes e o leitor leva horas para ler pequenos trechos, o que o cansa a ponto de adiar interminavelmente a leitura de um livro que, se não fosse pelo rebuscamento e pelo ritmo lento, seria lido em três dias. Vidas Secas, considerando o número de páginas, poderia ser lido num único dia. O que me deixou realmente feliz quanto a essa obra é o fato de que o rebuscamento que citei acima não existe: a linguagem é bastante simples, típica da região, descrevendo com eficiência o cenário, mas sem se prolongar infinitamente com assuntos que pouca relevância têm para a história. O maior problema em relação à obra de Graciliano Ramos certamente é alguns substantivos específicos que o autor usa a fim de descrever com a maior eficácia possível. Assim, muitas palavras deixam o leitor meio confusa e outras tantas obrigam-no a procurar no dicionário - que muitas vezes não possui descrição para o nome - o significado de palavras como alpercata, aió, etc.

Inquestionavelmente, o autor faz uso do livro para explicitar uma imensa crítica à situação na qual as pessoas da região vivem. Não somente aborda aspectos dos quais não se pode fugir, como o ciclo natural da seca, como também narra o abuso que muitas pessoas sofrem por serem como Fabiano e sua família. Isso se evidencia nas passagens do capítulo décimo. E ainda há uma crítica maior, que a que fica exposta nos momentos em que Fabiano se vê abusado por aquele que detém o poder e que, por causa disso, se vê no dinheiro se maltratar aqueles que perceptivelmente encontram-se numa degrau social inferior. Algumas figuras de linguagem são bastante usadas durante a obra e eu evidencio primeiramente a hipérbole, presente em muitos momentos, como quando Fabiano se considera a pessoa mais infeliz do mundo e quando diz que, de tão vazio, o estômago é um buraco. Há também metáforas e antíteses, estas muito mais frequentes. Sugere-se que o próprio título seja antitético, afinal, vida é uma alusão à plenitude enquanto a secura contrapõe o substantivo.

De todos os livros de vestibular da lista, acredito realmente que Vidas Secas seja um dos mais fáceis para ler e entender; a leitura, por exemplo, de Dom Casmurro é bem mais gostosa que a de Vidas Secas, mas, ainda assim, se todos os livros fossem como esse, os vestibulandos seríamos pessoas realmente felizes. Logicamente que digo àqueles que gostam de literatura modernista para ler esse livro; àqueles que não gostam, se não precisam prestar vestibular, sugiro que abstenham-se de lê-lo e apenas o façam quando realmente sentirem vontade. Mas eu realmente tenho que admitir que há passagens excelentes, principalmente aquelas que mostram os pensamentos de Baleia, o que dá um tom de humor a uma obra séria e faz com que o leitor relaxe um pouco, se descontraindo e retomando com mais curiosidade a leitura. Não há diálogos em quantidade muito considerável aqui; desde o começo fica claro que a família é caipira, não sabe falar como seu Tomás da bolandeira. Logo, os assuntos são descritos pelo narrador e, quando há falas, normalmente se repetem, numa clara alusão ao enxuto vocabulário que a família possui. Embora bem curta, eu acredito que essa seja uma obra bastante completa e - para quem a analisa profundamente, não com eu acabei de fazer - deve ser bastante complexa também.

Luís

18 de fev de 2010

As Pontes de Madison

The Bridges from Madison County. EUA, 1995, 138 minutos. Romance / Drama.

Indicado ao Academy Award na categoria Melhor Atriz (Meryl Streep).
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As pessoas que me conhecem sabem que romance é o gênero de filme que dificilmente recomendo às pessoas, pois acho extremamente complicado recomendar boas obras inclusas nessa categoria. Normalmente, elas são muito exageradas, idealizando o amor, tornando qualquer afeto em uma paixão épica e, na maioria das vezes, conseguem ser extremamente apelativas ao sugerir a veloz transformação dos sentimentos, que mudam como da água para o vinho. Considerando o fato, posso contar nos dedos de uma única mão os filmes românticos a que assisti e dos quais gostei. Ao enumerá-los, As Pontes de Madison seria o primeiro filme que me viria à memória, tamanha a sua grandeza dentro da simplicidade que nos é mostrada.

O filme começa com a morte de Francesca Johnson. Seus filhos, já adultos, recebem do advogado os pertences da mãe e as últimas intruções de Francesca, que desejava ser cremada e ter suas cinzas jogadas na Ponte Roseman. Os filhos então encontram os diários que a mãe escreveu a eles a fim de explicar os porquês de suas decisões e aproveitar para fazê-los saber a respeito de um romance que teve com um fotógrafo durante quatro dias enquanto os filhos e o marido estavam viajando.

Lendo a sinopse que fiz, provavelmente a primeira coisa que passará pela cabeça de vocês é que tudo é muito simples. Se pensaram isso, sou obrigado a confirmar o pensamento, pois tudo o que é vemos é de uma sutileza incrível e exatamente por isso nos envolve com tamanha capacidade. Os nomes de Meryl Streep e Clint Eastwood já nos chamam a atenção e foi principalmente por isso que resolvi assistir a esse filme, do qual gostei totalmente. Em dose dupla, Clint dirige e atua, mostrando que tanto em frente às câmeras como atrás delas, ele é muito bom. Já há algum tempo sou fã dele. Seus longos anos no cinema permitiram-no compor obras maduras, sérias e sempre charmosas - mesmo que nelas haja drama suficiente para nos fazer chorar. A direção firme de Eastwood e a presença forte de Meryl Streep fazem com que esse filme seja totalmente apaixonante. Ambos estão tão entrosados, numa sincronia tão perfeita que se torna difícil acreditar que eles realmente não sentissem tudo aquilo que vemos ao longo da projeção. Dou bastante crédito à maturidade dos atores; certamente ela foi grande responsável pelo tom certo que ambos deram aos seus personagens. Não sei deixam perder com olhares equivocados nem com trejeitos exagerados e extremamente sentimentalistas. Quando Meryl Streep ri nas cenas, não pude me conter e ri junto: seu riso é tão sincero, tão convidativo e atraente que não nos resta nenhuma opção senão rir também. As palavras de Robert Kincaid, personagem de Eastwood, não soam pedantes, mas são tão despretensiosas, mesmo quando elogia Francesca, que o espectador consegue compreender caso, a qualquer momento, ela desista de toda a sua vida para ir com ele. Aos 46 anos, Meryl tem uma beleza encantadora e vê-la morena foi igualmente encatador; nem se parece que 15 anos se passaram desde que atuou nessa obra. E Eastwood está como está hoje - como se o tempo não tivesse envelhecido.

Eu dividiria o filme em duas partes. No primeiro ato, temos o romance; no segundo, o drama. Primeiro temos a oportunidade de interagir com os personagens. O verbo mais adequado é "interagir" mesmo: o tempo todo estamos junto com eles, ouvindo-os conversando e rindo, participando das indagações; como voyeurs, estamos no canto escuro do cenário, prestes a entrar no assunto. Como disse, a direção correta de Clint Eastwood é extremamente marcante nesse filme, que consegue nos trazer para dentro dele, envolvendo-nos do começo ao fim. Francesca e Robert se entrosam de tal maneira que podemos depreender inúmeros sentimentos ali, desde profunda amizade - eles conversam como se fossem amigos há anos! - até alívio. Fica bastante claro que Francesca não tem a oportunidade de conversar e quando finalmente o faz, despe-se completamente. Suas palavras, embora curtas e tímidas, a deixam nua diante de Robert, que começa a conhecê-la profundamente. Como ela bem diz, aquele não era exatamente a vida dos sonhos dela. Findo o primeiro ato, entramos na segunda parte e o destaque cabe ao personagem Robert Kincaid; desta vez, é a nossa vez de conhecer o romantismo de um homem que terminou um relacionamento que não dava certo por causa da ausência e que viajava o mundo, sem grandes apegos - até conhecer Francesca. Aqui o enfoque é o drama da escolha: partir rumo a uma aventura pela qual esperava ou permanecer junto à família, abrindo mão dos sonhos? É esse o dilema da personagem. Robert a conduz de maneira excelente, torna-a mulher, reacende aquela chama nela e lhe propõe a consumação dos sonhos. Apenas quatro dias são necessários para que ele saiba o quanto será feliz junto com ela e deseje estar com ela.

Como disse antes, a simplicidade é o que faz desse filme uma pequena pérola. Como dificilmente se vê hoje em dia, o filme prima pelos diálogos. Não vemos muita ação nem grandes atos de amor; ouvimos as palavras, apenas. Apaixonamo-nos por isso, dedicamos duas agradáveis horas a acompanhar o relacionamento dos dois. Felizmente, não vão de um extremo ao outro - do ódio ao amor - quanto ao que sentem um pelo outro. Eles já se simpatizam desde o princípio e fica claro que há um clima sutil, nem um pouco incorreto. E ainda há um final poético, muito bonito, que é capaz de amolecer até os corações mais duros. Numa determinada cena, o espectador pede para que Francesca siga seu impulso e saia à chuva e grite tão alto quanto puder que o ama. Quem já viu o filme sabe a qual cena me refiro - aqueles que ainda não o viram, quando o virem, saberão!

Não posso deixar de dizer que vocês devem vê-lo. Apreciá-lo é o termo mais adequado. Dentre os romances, este é o número 1 da minha lista e certamente ocupa um lugar especial na minha lista de dez melhores filmes, pois realmente, como eu disse, é uma pequena pérola que merece nosso carinho. Se o virem nas pratelerias da locadora, não deixem de pegá-lo, pois realmente vale a pena assistir a esse filme.

Luís
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16 de fev de 2010

O Símbolo Perdido

The Lost Symbol - Dan Brown. EUA, 2009, 489 páginas (Editoras Sextante). Ficção.
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Depois de um tempo sem notícias de Dan Brown, o célebre autor dos aclamados e criticados "O Código da Vinci" e "Anjos e Demônios" teve-se notícias que ele lançaria mais um livro: "O Símbolo Perdido". Na primeira oportunidade que tive fui e comprei para saber se ele continuava com o mesmo dom para prender os leitores. Nesse quesito, Dan Brown não mudou nada, mas sua capacidade para criar finais bons evaporou-se.
Assim como nos livros citados acima, esse tem como protagonista o professor-simbologista-chucknorris-imortal Robert Langdon. Não há como negar que o personagem é cativante. Cansado de Paris e do Vaticano, Dan Brown leva Robert para a terra do tio Sam, mais precisamente a capital, Washington já que "revelando segredos" da terra onde há maior número de leitores, o lucro será maior. Como disse acima, o escritor tem a capacidade de fazer o leitor ficar grudado nas páginas para ver as reviravoltas que ocorre na estória. Como nos outros livros, Robert tem uma ajudante para poder deflorar ter uma ajuda já que o personagem não é um gênio (embora pareça em boa parte do livro). A vítima dessa vez é Katherine Solomon, irmã de Peter Solomon que é um grande amigo de Robert e está em perigo já que um maníaco quer desvendar os segredos maçonicos, culto esse que Peter faz parte sendo um importante representante e o vilão não mede esforços para conseguir as respostas de que tanto precisa.

Tudo ocorre bem durante boa parte do romance, a leitura é rápida e se trata de um tema que eu pelo menos tenho bastante curiosidade: os maçons. Sempre tive vontade de entrar em um templo maçon, saber o que eles fazem, se eles sacrificam animais, e a dúvida mais cruel de todas: porque eles são tão ricos ?. Pois é, fora os maçons, Dan Brown fala sobre a ciência Noética que me causou estranhamento e até agora (mesmo estando nas primeira folhas constando como 'fatos') não sei se acredito ainda, há também o CAMS que, pelo narrado, deve ser extremamente interessante e assim por diante. Os personage secundários também são cativantes embora nenhum seja denso a ponto de podermos fazer uma análise psicológica.

No primeiro parágrafo sa resenha, disse que o final não condiz com a qualidade do restante do livro, e é verdade. Acho que o final de "O Símbolo Perdido" está entre os mais brochantes do século. Não que eu ache que a "palavra perdida" não seja importante, mas depois de dizer que Jesus procriou, esperava algo bombástico que fizesse o leitor dizer: "O cara é foda!", mas isso não ocorre. Na verdade, voltei alguns parágrafos para ter certeza que não havia perdido nada, mas infelizmente não. Até agora não sei se "O Símbolo Perdido" é recomendável. Certamente não recomendaria para a compra, mas talvez na biblioteca, quando não tiver mais fila de espera nenhuma e ele esteja lá, é...quem sabe.

Renan
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Dan Brown já mostrou ser um escritor muito eficiente quanto o quesito abordado é o entretenimento do leitor e as mais profundas reflexões a respeito do que pode ou não ser verdadeiro. Os seus quatro livros anteriores já foram resenhados por nós e o seu novo traz como personagem principal Robert Langdon, aquele que liderou as duas maiores - porém não melhores, na minha opinião - aventuras escritas pelo autor.


Não me resta dúvidas de que Dan Brown faz uso de seu personagem para que não soe ainda mais repetitivo. O Código Da Vinci e Anjos e Demônios retratam dois eventos que não são comuns e, como se não bastasse, aconteceu com a mesma pessoa - Robert Langdon. Caso Dan Brown usasse um outro personagem, ficaria muito óbvio que ele não consegue criar situações novas, então, nada melhor do que fazer com o que improvável acontecesse tudo com a mesma pessoa: encontrar o Santo Graal, salvar o Vaticano e ainda conhecer sergedos que apenas os maçons do grau mais alto conhecem. Improvável talvez não seja a palavra certa. Impossível soaria melhor.

Tudo bem, Dan Brown pode não ser a melhor referência como autor criativo. Mas é inegável que suas histórias mantêm o leitor entretido do princípio ao fim, afinal ele consegue criar conectivos interessantíssimos entre um capítulo e outro. Se a sua estrutura narrativa segue sempre o mesmo caminho, chegando ao triste ponto de ser previsível para a maioria dos leitores - ou pelo menos aqueles que atentaram para a formação das obras anteriores do autor -, o contraponto vem na forma da polêmica: o debate proposto por Brown é sempre muito polêmico, fazendo com o que o leitor fique intrigado em relação ao nível de veracidade presente na obra. Eu mesmo estou curiosíssimo para saber se há mesmo tudo aquilo sob o Capitólio. Aliás, o cenário escolhido pelo autor não poderia ser mais propício: como o Renan disse, ao escrever sobre mistérios dentro dos EUA, o autor consegue criar uma aproximação bem maior entre os leitores dos Estados Unidos e o seu livro - isso inquestionavelmente deve ter feito o lucro aumentar bastante.

Falando em aumentar... decerto o autor deve ser bastante querido, uma vez que a curiosidade faz com que as pessoas queiram conhecer um pouco daquilo que elas desconheciam até o lançamento dos livros. Assim, os governos europeu e americano devem ter agradecido muito a Dan Brown, que estimula a visitação de pontos turísticos, que serão analisados sob outra perspectiva dessa vez. Voltando a falar sobre o livro e a sua estrutura pobre. Por que será que Langdon sempre consegue uma companhia feminina interessante e superinteligente, sempre disposta a se arriscar o tanto quanto for preciso a fim de ajudá-lo? Por que será que ele consegue passar por missões dificílimas e sobre-humanas sem sofrer quaisquer traumas? Por que será que, com exceção dos personagens que são claramente mocinhos ou vilões, os personagens coadjuvantes inicialmente parecem ser o oposto daquilo que realmente são? Por que será que os direitos para a adaptação desse livro já foram vendidos enquanto os direitos de Fortaleza Digital e Ponto de Impacto, que são bem mais legais, não despertam o interesse dos estúdios cinematográficos?

Dan Brown é o tipo de autor que sabe como trazer o assunto certo com a densidade correta, mas que não sabe como explorá-lo dentro de sua própria narrativa. O suspense fica a cargo do que vamos descobrir adiante; nada tem a ver com as descrições e opções do autor quanto à inovação, de modo que O Símbolo Perdido se torne igual a O Código Da Vinci e a Anjos e Demônios, que recentemente foi adaptado para o cinema. O grande problema de O Símbolo Perdido se encontra na conclusão, já que o objeto revelado no final não traz qualquer surpresa ou emoção, pois, de tão comum, não conseque deixar os leitores afoitos por causa do que acabaram de ler. Infelizmente, é o tipo de obra que perde a força por causa de pouca cena, tal como um filme que se desvaloriza por causa de uma única cena. É difícil mesmo recomendá-lo, porque você sabe que o leitor acabará frustrado no final, uma vez que a dita Palavra Perdida não é nada absurdamente inacessível. Assim, eu digo que se você curte Dan Brown, leia. Se você não curte, abstenha-se de lê-lo - não vai se frustrar, pelo menos.

Luís

14 de fev de 2010

A Professora de Piano

La Pianiste. Alemanha / França, 2001, 130 minutos. Drama.
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Honestamente, não sei dizer com exatidão o que penso sobre esse filme. Achei-o potencialmente bom, mas a sua concepção é bastante estranha e, ao final, parece que não havia nada para ser dito, uma vez que nada realmente foi dito.  Talvez eu não tenha sido o espectador ideal para esse filme, mas acredito que não foi exatamente isso o que aconteceu: A Professora de Piano é um filme com defeito em pequena quantidade, no entanto não apresenta nada que seja realmente atraente para o espectador.

A história de Erika parece intenressante, já que a personagem é um excelente contraponto entre atitude e aparência. De longe - e também de perto - ela é fria e distante, abstém-se de sentimentos que, segundo ela mesma, "não afetariam sua inteligência caso os tivesse". Paradoxalmente à sua postura indiferente, está seu comportamento quando está a sós: frequenta cabines de cinemas pornô enquanto cheira os lenços onde homens momentos antes limparam seus pênis; corta sua geintália com lâminas para sentir dor; caminha pelos estacionamentos a fim de ver se encontra algum casal transando, somente para observá-los. Assim, a criação psicológica da personagem é fascinante e faz com que nós nos sintamos realmente incomodados com o seu comportamento, já que ela parece não sentir qualquer emoção, mesmo quando faz aquilo de que gosta - e inegavelmente seus gostos são um pouco incomuns, principalmente se considerarmos como reage durante a prática deles. A princípio, ela convive sem interagir com as pessoas, enxerga nos outros ausência de talento e falta de força de vontade: ela é definitivamente o tipo de pessoa que se mantém exclusa do envolvimento social e isso fica muito bem justificado ao longo do filme. Parte disso talvez se deva à autoridade obsessiva da mãe, que não respeita a privacidade da filha, mesmo ela tendo 40 anos.

Honestamente, achei que o roteiro conduz do nada para o lugar nenhum. Não há uma história a ser contada. Há apenas o retrato de dois momentos, sendo que o primeiro se repete do início do filme até o final de noventa minutos e o segundo momento se inicia a partir do quarto final de filme. Basicamente é apenas uma repetição, sem muita novidade e, sobretudo, sem qualquer grande entretenimento. A densidade do filme se concentra no perturbado relacionamento entre Erika e sua mãe, que vivem em pé de guerra por causa das atitudes uma da outra. Esse enfoque psicológico é mesmo interessante bem como a condução dada por Haneke à demonstração do íntimo de Erika, que se revela perturbador e distante daquilo que se pensa a respeito de uma mulher aparentemente conservadora como ela. Infelizmente, a maioria do filme não mostra isso. Vemos o surgimento de Walter Klemer, as longas aulas de piano, imensas e monótonas cenas de música - tudo bastante chato, às vezes. Acredito que as grandes atuações  sejam as de Isabelle Huppert e Anna Girardot, que interpreta a mãe de Erika. No entanto, nem sequer penso que seja mérito das atrizes, uma vez que o roteiro prima pela perturbação entre elas e as boas atuações são consequências disso.

Decerto, não é um filme que se pode recomendar para qualquer espectador, já que ele falha num dos quesitos importantes para uma boa obra-cinematográfica: entretenimento. O filme não é chatíssimo, mas está bem longe de ser legal. Vê-lo não foi uma experiência ruim, mas não é tipo de filme que me agrada: gosto de ver dinâmica e conteúdo quanto ao que é contado. Não vi isso nesse filme. Como curiosidade, vale ressaltar que a característica de Haneke está aqui: a quebra das expectativas, principalmente no que se diz respeito ao que pensamos que vai acontecer em seguida. Do Haneke, ainda prefiro Violência Gratuita.

Luís
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12 de fev de 2010

Sobre Meninos e Lobos

Mystic River. EUA, 2003, 137 minutos. Drama / Policial.
Vencedor de 2 Oscars: Melhor Ator (Sean Penn) e Melhor Ator Coadjuvante (Tim Robbins).
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Havia muito que eu queria ver Sobre Meninos e Lobos. Não apenas achava o título nacional atrativo, como também havia me interessado bastante quando li a sinopse do filme pela primeira vez. No entanto, desde que eu quis vê-lo até quando o vi de fato, passaram-se longos meses.  Quando o vi, não me arrependi: Clint Eastwood nos presenteia com uma obra bastante consistente, com o clima certo, bons diálogos e atuações quase perfeitas.

Com uma eficiência absurda, o filme nos mostra a história de três amigos que passaram por um trauma quando crianças: um deles foi raptado, abusado e torturado. De que forma isso afeta os oturos dois? Qualquer um deles poderia ter impedido o acontecimento ou mesmo qualquer um deles poderia ter ido no lugar de Dave, que desde aquele momento conviveu com o pensamento "e se não não tivesse acontecido comigo?". Já adultos, a morte da filha de Jimmy Markun faz com que a dúvida a respeito do crime caia sobre Dave e para resolver a história é designado o detetive Sean - o terceiro amigo. Agora, os três terão que conviver e descobrir quem fala verdade, quem é inocente e quem é culpado - e sobretudo descobrirão quais são os efeitos que um trauma de infância pode causar.

O melhor do filme é mostrar a amizade desconstituída dos personagens centrais: Jimmy, Dave e Sean. Os três definitivamente não têm mais qualquer afinidade e fica claro o constrangimento que há entre eles quando dividem o mesmo ambienete, afinal, os três se sentem culpados de certa forma pelo que aconteceu a Dave quando eram crianças. A desconfiança persiste com base não apenas em informações realmente duvidosas, mas também em mentiras ditas propositalmente e encobertamentos de fatos, que levam todos os personagens a atitudes extremistas. Ainda que o clima ponto de destaque do filme deveria ser a desconfiança de Jimmy em relação a Dave, eu me senti mais atraído pela intensa perturbação que a morte da filha de Jimmy provoca no relacionamento conjugal de Dave. Ele conta uma história a Celeste, que a princípio acredita, mas dada a estranheza do relato do marido, ela também começa a crer que ele tenha sido o responsável pela morte de Katie. O roteiro trata com muito carinho os diálogos entre Dave e Celeste, fazendo com que ambos os atores engrandeçam em suas pequenas participações. Os monólogos de Dave diante da esposa assustada são simplesmente maravilhosos, com direito a excelentes correlações entre o seu traumático passado e aquilo que ele se tornou. Inspirados por esses diálogos, os "tradutores" optaram pelo título nacional, já que o título original faz alusão a um importante elemento - Rio Mystic -, que, mesmo de fundamental importância, poderia não ser facilmente compreendido pelos espectadores que em sua maioria são realmente burros.

Sean Penn lidera o elenco, mas o filme é inteiro de Tim Robbins. Como Dave, o ator surpreende numa atuação densa e complicada, que mostra não somente um pai cuidadoso como um homem amargurado. A atuação dele é excelente, com direito a olhares assustados extremamente reais, postura corporal verdadeiramente culpada - não havia como não premiá-lo com o Oscar!  marcia Gay Harden, por sua vez, estava igualmente intensa. Sua participação consiste em menos minutos em cena do que Tim Robbins, mas, tal como o ator, uma vez em cena, o destaque é exclusivamente dela (a não ser quando divide a atenção com Tim). Destaque especial para o momento no qual ela confessa a Jimmy acreditar que o marido havia mesmo matado Katie - é simplesmente fantástico o trabalho de Harden, que funciona maravilhosamente bem nesse filme. A respeito de Kevin Bacon... nunca foi um grande ator e aqui ele mostra isso com perfeição - está medíocre! Não me restam dúvidas de que outro ator mais capaz deveria ter sido chamado em seu lugar, uma vez que ele não transmite qualquer emoção. Falando em não expressar emoção: Sean Penn. O coitado não consegue nem chorar em cena. Não entendi porque foi indicado e muito menos por que ganhou o prêmio! Mas até que não está tão ruim assim, na minha opinião.  Laura Linney não tem função alguma em cena, mas, de qualquer modo, a história não requer sua personagem, logo ela não atrapalha quando aparece.

O que torna esse filme válido é um conjunto de elementos: ótima fotografia e clima sinistro, fantástica direção de Clint Eastwood, atuações memoráveis de Robbins e Harden. Vocês podem conferir no Fechamento de Mês de Outubro as boas notas que esse filme recebeu, chegando inclusive a estar no TOP do mês (onde, curiosamente, outro filme dirigido por Eastwood também esteve). Cabe a mim recomendá-lo, porque é mesmo um filme bastante interessante, que merece ser conferido. Além de possuir um lado psicológico inteligente, possui também um quê de filme policial que acentua o clima de mistério. Vale a pena.

Luís
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Sobre Meninos e Lobos é um filme realmente bom. Já começamos pelo título nacional que é um dos raros exemplos que títulos mudados podem sair bons (e até melhores que os originais). No geral, o filma narra a vida de três amigos que na infancia sofreram uma ruptura nessa amizade. Daí pra frente, a vida de adultos do trio nunca mais foi a mesma. Esse é um ponto legal do filme, pois mostra que mudanças nem sempre vem para o bem. O roteiro mostra bem as conversas forçadas e falta de uma interação verdadeira entre os três já na vida adulta, mas outro fato vem para mudar mais ainda a relação entre eles, e essa é uma mudança definitiva.
O roteiro equilibra bem dois gêneros: o drama e o policia. Logicamente o drama prevalece, mas a busca policial, os suspeitos que o telespectador aponta, as falhas nas atitudes dos personagens, ou seja, muita coisa colabora para que o filme vire algo um pouco mais interessante prendendo a atenção de quem assiste. Quanto as atuações, palmas para Sean Penn que cria um pai de família que faz de tudo para proteger sua família. O interessante do seu personagem é o paradoxo entre o bom pai e um quase gangter. Não há um lado que prevaleça pois as duas personalidades dele se juntam para formar um personagem rico e muito bem construído. Kevin Bacon também convence como policial. É legal ver como a sua relação com a ex-esposa foi construída, mostrando que ele ainda a ama apesar de suas conversas estarem mais para um monólogo. Completa o trio Dave Boyle que vive o personagem que realmente sofreu e que ficou abalado pelo acontecimento. Tim não culpa os colegas por terem deixado sozinho, tampouco consegue esquecer. Por fim há a direção fantástica de Clint Eastwood.

O visual do filme é completado por um ambiente urbano de uma grande cidade, embora em um bairro afastado onde a influencia pode ser muito útil. Tentando não contar um Spoiler, o filme meio que obriga quem assiste a apontar um dedo para alguem e ver se esse julgamento estava certo. O finl pode ser surpreendente pra alguns, e para mim foi pois mostra não só erros atuais, mas outros que permanecem (como um certo depósito na conta todo mês)
Balenceando, Sobre Meninos e Lobos não há pontos negativos fortes e te obriga a assistir até o final, como foi o meu caso, tendo em vista que estava adiando sair de casa para fazer uma prova de vestibular para terminar de vê-lo.

Renan

10 de fev de 2010

Literatura e Cinema - 2 anos de Blog!


Há dois anos exatamente, eu e o Luís estreávamos, ainda na plataforma do Terra, o Literatura e Cinema. Como ambos lembramos bem, nosso primeiro post foi sobre o filme A Estranha Perfeita que tínhamos visto na véspera na casa de um colega nosso. Na verdade, da proposta inicial até o primeiro post se passou um certo tempo , que foi necessário para que a idéia tomasse corpo e no dia 10 de fevereiro de 2008 o blog estreiou oficialmente. No começo (pelo meno eu) não sabia o que fazer extamente, tanto que se forem olhar o primeiro post verão o quanto despreparado para comentar filmes e livros eu era. O Luís já começou bem, mas suas resenhas certamente evoluiram também.

O blog começou devagar, bem devagar. Não tínhamos um calendário pra seguir e por isso havia semanas que tinham quatro resenhas enquanto outras passavam sem post nenhum. Foi desse modo, devagar, que aprendemos a mexer no Terra e mais tarde, bem mais tarde os comentários começaram a aparecer efetivamente. Com motivação para que mais pessoas começassem a ler o que escrevíamos, agendamos nossas resenhas de forma a seguir um calendário todo mês, agendamos os posts para que saíssem todos no mesmo horário e, por fim, mudamos para o blogger. Tudo issso muito recente levando em conta os dois anos que tivemos.

É claro que temos os habituais agradecimentos a fazer. Houve muitos leitores e parceiros que sempre estiveram conosco, nos apoiaram, nos permitiram crescer junto com eles. Assim, como de costume, temos nomes a citar. Começaremos pelos leitores que não têm blog, mas que sempre estão aqui conosco, comentando, lendo - participando de um modo geral. Queremos agradecer ao Bruno Bolaxa, ao Brean, à Ciça e à Joice. Esses quatro estiveram conosco e ainda estão, não abrimos mãos deles. Há também os blogueiros parceiros e os nomes são vários, todos que estão na lista ao lado. Obviamente, há os nomes de peso e destaque, como Nespoli e Miojo, que, como sempre digo, abriram-nos as portas para a sociabilidade na blogosfera. A eles, nossos permanentes agradecimentos. Cristiano também teve profunda importância: incentivou-nos a melhorar mudando para cá, onde pudemos nos organizar melhor. Ao Marcelo, eu devo agradecimentos profundos. Tornou-se não apenas um leitor, mas também uma companhia agradável e culta, com quem aprendo bastante durante as nossas longuíssimas conversas no msn. À equipe do Um Oscar Por Mês, um sincero cumprimento.

Esperamos logicamente podermos assoprar uma terceira velinha no ano que vem. E queremos que todos os nossos parceiros - leitores e blogueiros - continuem conosco, nos acompanhem. Decerto, será mais difícil esse ano, porque causa da faculdade, mas nós faremos o máximo possível para continuarmos frequentes nos blogues alheios e principalmente no nosso próprio blog. Mais uma vez agradecemos a experiência de estar à frente desse blog e poder contar com todos vocês. Obrigado. PARABÉNS AO BLOG!

Renan e Luís

8 de fev de 2010

Fechamento do Mês - Novembro

Eu sei que nós estamos um pouco atrasados, mas vamos continuar liberando tão logo que pudermos as notas dos filmes analisados durante os meses aqui no blog. Aproveitamos agora para expor o quadro-geral e também o TOP com os filmes de novembro, mas antes quero falar um pouco sobre como foi avaliar os filmes.


Acredito que no mês de novembro nós tivemos uma variação interessante em relação à qualidade dos filmes. Muitos deles nos agradaram, a maioria se mostrou mediano e, infelizmente, houve filmes que ficassem abaixo do que nós esperávamos. Novembro foi o mês em que mais filmes chegaram às notas mais baixas, sendo que um deles chegou a receber nota inferior a 2,0 de um de nós dois. Alguns filmes foram vistos por causa das análises do Oscar 2009 que estávamos fazendo e outros filmes foram vistos pelo fato de que chamaram a atenção e achamos que seria legal vê-los. Ao todo, nós vimos 31 filmes durante novembro e desses apenas dois filmes são nacionais, ou seja, os filmes nacionais participam com a porcentagem de 6% na nossa lista - baixíssima a frequência, como vocês percebem. Infelizmente, nem todos os filmes puderam ser vistos por nós dois: alguns apenas o Renan viu e outros apenas eu vi. Na verdade, apenas um filme foi visto pelo Renan e não por mim: Lua Nova. Pode parecer incoerente, uma vez que nós dois já resenhamos esse filme aqui no blog, mas nessa lista estão inclusos filmes e notas vistos no mês de novembro. E é por isso que minha nota não está presente na tabela.


Vamos então ao que é mais interessante: o TOP com os melhores filmes vistos em novembro. Eu gostaria que vocês atentassem também para o quadro-geral de notas, onde vocês poderão ver as notas individuais que compuseram as médias, sendo que estas organizam o ranking do mês. Não somente os filmes bons merecem destaque, mas os ruins também merecem atenção: vejam as notas de certos filmes receberão e, se puderem, fujam deles - esse é um bom conselho. Sem mais prolongações, vamos ao que interessa.


10ª posição: Entre Quatro Paredes. Nota - 8,25
O filme tem uma linha narrativa interessante e possui um roteiro bastante produtivo, principal por trabalhar uma história assustadora real: com a morte de um filho, em quem pôr a culpa? Infelizmente, não é uma obra totalmente densa porque falha ao conceber uma conclusão mais aceitável, mas decerto é um grande filme que merece ser visto. Conta com uma belíssima interpretação dos atores centrais - Tom Wilkinson e Sissy Spacek - e da coadjuvante Marisa Tomei.

9ª posição: A Passagem. Nota - 8,25
A Passagem é um filme complicado. A princípio, parece superficial. Ao vê-lo pela segunda, pode-se compreender melhor e, ao vê-lo mais analiticamente, percebemos a imensa quantidade de metáforas e alusões compõem uma obra bastante eficiente naquilo que se propõe: mostrar os acontecimentos durante uma fase de transição. Na tabela, a nota está como sendo minha e do Renan, mas na verdade fomos eu e o Jean quem avaliamos o filme, já que ele participou conosco com uma resenha especial que pode ser conferida clicando aqui.

8ª posição: Quando Duas Mulheres Pecam. Nota - 8,30
 Persona, como é conhecido mundialmente, recebeu um título nacional que não faz jus à excelente história psicológica mostrada no filme. De maneira intensa, Persona reúne o primeiro encontro entre Ingmar Bergman e Liv Ullmann, que viria a se tornar sua musa nos próximos filmes. Liv e Bibi Andersson interpretam não duas mulheres, mas uma só: são corpo e alma, físico e espírito. A relação entre esses elementos - plano corpóreo e espiritual - mostram uma relação aterradora entre alguém consigo mesmo. Uma obra fantástica.

7ª posição: Gia. Nota - 8,30
Acredito que essa tenha sido a melhor interpretação dramática de Angelina Jolie. Como a top model Gia, a atriz interpretou com absurda intensidade uma vida marcada pelo sucesso e também pela destruição. E como se isso não fosse o suficiente, ainda nos presenteou com belíssimas cenas sensuais. Destaque também para Elizabeth Mitchell, a Juliet de LOST, que participa como a namorada de Gia. Devemos agradecer à Jéssica, que de tanto falar do filme fez com que acabássemos vendo - e vimos antes que ela.

6ª posição: Casa de Areia e Névoa. Nota - 8,40
Esse filme me encantou e me deixou com uma sensação estranha. Soube que havia gostado dele; ao mesmo tempo, não tinha certeza sobre o quanto gostei. Mas é fato que os atores estavam em interpretações muito boas e todos mereciam indicações ao Oscar. Como uma mulher expulsa da própria casa, Jennifer Connely emocionou ao bater de frente com o coronel durão vivido por Ben Kingsley. Shoreh Agdashloo acrescentou o drama que faltava e o filme termina pesado - e o espectador sente-se igual. Decerto, o filme atinge o seu objetivo.


5ª posição: Frost / Nixon. Nota - 8,75
O que acontece quando um repórter audacioso resolver entrevistar o então mais polêmico presidente, suspeito de envolvimento num grandioso caso de roubo? Surge um filme extremo como esse. As interpretações dos dois atores são fabulosas: um dá suporte ao outros; ambos constróem a história e dão vida a personagens complicados. Sheen e Langella saíram-se bem ao compor suas difíceis atuações e o resultado é um filme totalmente recomendável. Veja a resenha.

4ª posição: E Sua Mãe Também. Nota - 8,75
Dois adolescentes aventureiros e uma mulher envravada num casamento arruinado. A união desses três tipos fazem com que E Sua Mãe Também torne-se um road-movie muito interessante e  livre, com ótimas cenas de humor, ótimos debates e também cenas tórridas. O que há de mais destacável é a sintonia dos atores: Bernal, Lunas e Verdú são puro charme e eficiência. Ainda que alguns aleguem que esse seja um filme sobre sexo, eu afirmo que é um filme sobre as experiências que a vida proporciona. Clique aqui para ver a resenha.

3ª Posição: Má Educação. Nota - 8,85
Bernal foi um ator frequente na lista de novembro. E está em dois filmes que estão no nosso TOP. Aqui, ele mostra que tem charme não somente como homem - mas também como mulher. Esse filme de Almodóvar é vibrante, seja nas cores, nas atuações ou mesmo na direção. Tudo nele é eficiente e o roteiro possui aquilo de que gosto: certa ausência de linearidade, o que obriga o espectador a pensar a respeito do que está vendo. Uma aprazível descoberta, uma obra que vale a pena.

2ª posição: Wall-E. Nota - 8,90
Todos sabem que eu detesto animações. Usualmente me entretenho tanto vendo esses filmes computadorizados como me entretenho olhando para um pires com água. No entanto, essa obra me agradou. O roteiro é bem interessante e traz uma proposta muito legal, que é conscientizar a todos a respeito dos problemas ambientais. No entanto, o destaque fica para a magnífica fotografia, que mostra com eficácia a desolação do planeta. Clique para ver nossa opinião.

1ª posição: Notas Sobre um Escândalo. Nota - 9,25
Na minha opinião, esse filme trouxe o melhor momento de ambas as atrizes. Tanto Dench quanto Blanchett nos presenteiam com atuações monstruosamente brilhantes, apresentando contrapontos entre si, criando dois tipos totalmente opostos. Não é à toa que ambas receberam indicações ao Oscar! Essa obra apresenta não somente uma história, mas também uma análise psicológica que foca não apenas o sexo e o desejo oculto, mas também a paixão arrebatadora, a inveja, a obsessão. Espero jamais me deparar com alguém que seja como a personagem de Judi Dench. É pela sua intensidade, o seu carisma e sua potência que esse filme merece o prêmio lugar! Confiram também as resenhas sobre ele.

Agora que apresentamos o TOP, vamos fazer breves comentários a respeito dos filmes que vimos. Verdadeiras bombas foram infelizmente vistas por nós: Pulse, O Sacríficio do Mal, Terra Rasa. São três filmes nem sequer deveriam ser chamados de "filmes", de tão medíocres que são. Outros são grandiosos, porém decepcionantes: Passageiros conta com um bom elenxo e 2012 conta com grande efeitos. Não passam disso, porém. Vimos também dois filmes com a Keira Knightely e três com Gael Garcia Bernal, sendo esses os atores mais frequentes da nossa lista. As notas esse mês, em média, ficaram abaixo do mês de outubro. Novembro registrou média de 7,27 para todos os filmes vistos; outubro registrou 7,47, ficando à frente do mês de novembro. Abaixo vocês podem conferir os filmes analisados, as notas que eu dei e as notas que o Renan deu - e obviamente a nota final do filme, que é sua média.


Dêem as suas opiniões. Queremos saber se concordam conosco ou discordam de nós!

6 de fev de 2010

Violência Gratuita

Funny Games, 2008, 106 minutos. Suspense.


Esse filme é uma regravação do filme hômonimo, de 1997. Não acho que onze anos faça um filme velho demais a ponto de merecer uma atualizada, mas o fato em questão não é a idade do filme; provavelmente é a ausência de estórias novas que possam ser apresentadas, fazendo com que remakes sejam necessários para manter a cota de filmes e manter a indústria cinematográfica lucrando. O primeiro Funny Games é uma produção austríaca falada em alemão e conquistou a crítica, embora não tenha atingido o público alvo, fazendo com que o filme fosse exibido por aí como mostra artística.

O filme fala sobre uma família - pai, mãe, um filho e o cachorro - que vai passar uma temporada durante as férias afastada da vida urbana. Logo no primeiro dia que chegam a casa e estão arrumando as coisas para o tempo que ficarão lá, eles conhecem dois rapazes (os que aparecem no pôster) e a família se vê dominada pelas brincadeiras engraçadas dos dois, que de engraçadas não tem nada! O que se segue é pouco mais de uma hora e meia de tortura psicológica, que incomoda os espectadores e mais ainda os personagens da trama. Segundo li, Violência Gratuita é uma refilmagem quadro a quadro do original, tanto é que até os mesmos ângulos e mesmos gestos podem ser vistos no remake. O que muda na recriação em relação ao original é apenas o elenco.

A respeito deles, gostei da escolha. Naomi Watts transmite com sinceridade a perturbação mental que os dois jovens provocam no casal e cabe a ela duas das melhores cenas do filme, mesmo que uma delas seja modificada logo em seguida. Tim Roth, intérprete de George, marido de Ann, personagem de Naomi, praticamente desaparece em relação à interpretação da atriz. O ponto mais certo do filme, e esse meu elogio vai para a criação original, é o contraste entre os dois assassinos, sendo que os dois matam por prazer, embora percebamos que um domina mais o outro, mas os dois se divertem da mesma maneira e, inclusive, se perdem em divagações e discussões até nos momentos em que estão realizando a tortura psicológica nos personagens. Muito bem elaborada também a falsa preocupação que eles parecem ter pela família, já que evitam que o menino olhe quando obrigam a mãe dele a tirar a roupa, só porque eles querem constatar se ela tem ou não pneuzinhos.

Outra coisa que gostei bastante foi alguns ângulos de câmera e esse é outro ponto certo do filme. Às vezes, um único personagem fica focado, porém não é ele o principal da cena, [SPOILER] como quando Peter atira em Georgie, filho do casal, e a cena seguinte se mantém por cinco minutos seguidos na tentativa de Ann para se levantar do chão, já que está amarrada [FIM DO SPOILER]. É importante notar que, embora o filme faça uma alusão à violência barata, mostrando os jovens maníacos que falam coisas absurdas, assim como agem absurdamente e matam quaisquer pessoas pelo simples prazer de matar violentamente, o filme mesmo não mostra uma única cena explícita de morte. Ouvimos tiros, vemos os corpos largados, quase se fundindo ao cenário; deduzimos o que acontece, mas não vemos o sangue que a cena sugere que tenha havido nem a violência usada pelos dois. A única morte que vemos de fato acontecer, não é nem um pouco violenta, embora também não seja agadável! Outra coisa que gostei foi o tom asséptico da fotografia: tudo muito branco, muito claro, desde as roupas dos malucos até os móveis da casa do família. Não existe contraste de cores; ou é tudo muito branco, como as cenas na cozinha, ou é tudo na penumbra, como nas outras cenas.

Agora vem a única coisa que me desagradou totalmente no filme: [SPOLER] em um determinado momento, Ann consegue pegar a arma e matar Peter, um dos malucos. Paul pega o controle da TV e volta a cena para o momento antes de ela atirar no amigo dele e a impede de fazer o que ela já tinha feito [SPOILER]. A partir desse momento, eu achei quase impossível levar o filme a sério, já que a onda de irrealidade foi tão assustadora que eu simplesmente tardei a acreditar que todo o processo de caracterização da perturbação dramática dos personagens tenha valido a pena. A partir desse momento, achei que ficou super sem graça. Quando o filme terminou, eu ainda o achava sem graça, mesmo com o final que vai contra as expectativas do espectador (que provavelmente já sumiram) e se revela bem interessante. SIM! É um final contraditório, porém óbvio; o que ele contradiz, na verdade, é a mania de Hollywood nos fazer acreditar que tudo possa terminar bem.

Não sei ao certo o que dizer. Não sei se o recomendo ou não. Leiam acima e concluam por si mesmos, levand em consideração o que eu disse: o filme tem atuações boas, uma bela direção, filmagem e fotografia bem elaboradas e e grande parte coerente; há também, no entanto, uma única cena que parece pôr tudo isso a perder.

Luís
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