9 de mai de 2010

Amor Sem Escalas

Up in the Air. EUA, 2010, 109 minutos. Comédia romântica.
Indicado a 6 categorias do Academy Awards.
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Obviamente só fui vê-lo no cinema por causa da febre da Oscar. Indicado a seis categorias, o filme é um dos casos incomuns da cerimônia mais importante do cinema: não é o drama típico que a Academia gostar de indicar ou mesmo premiar. No entanto, os velhinhos votantes se renderam ao charme do filme e indicaram-no em várias categorias - incluindo Melhor Filme. Honestamente, concordo plenamente com as indicações.

George Clooney combina perfeitamente com o seu personagem, Ryan Bingham. Até diria que não posso imaginar outro ator em seu lugar. O humor e o requinte do personagem exigiam o tom maduro e etéreo de Clooney, que está muito bem na obra, sempre se mostrando eficiente nas propostas do roteiro quanto ao seu personagem: primeiro, fanfarrão e desapegado, bastante esquivo de relacionamentos sociais (quaisquer que sejam); depois, bastante compreensivo e em busca de algo mais sério em sua vida. Tanto antes quanto depois, o ator concebe um atuação extremamente carismática e divertida. Talvez o que fortaleça a sua interpretação é o roteiro, bastante inteligente na construção da trama, que apresenta bem não somente situações, mas também os personagens. Ainda que seja uma comédia romântica e tenha os elementos típicos dela, Amor Sem Escalas não sofre do mal do clichê: as piadas são inteligentes, o envolvimento dos personagens não é pedante, o roteiro prima pela subjetividade, apontando transformações graduais, mostrando evolução linear e calma, de modo que o espectador acompanhe cada momento dos personagens. Simples e eficiente, o roteiro aproxima o espectador de todos os personagens - e honestamente acho que é isso o que faz com que sintamos que todos os atores estejam realmente muito bem em cena.

Como disse, todos parecem bem em cena. E acho mesmo que estejam. A Academia chegou ao ponto de indicar os três atores de destaque - Gegorge Clooney, Anna Kendrik e Vera Farmiga - nas duas categorias correspondentes da premiação: Melhor Ator e Melhor Atriz Coadjuvante. As duas completam a simpatia que o filme pede. Em bons momentos, tanto Kendrik como Farmiga mostram atuações sóbrias e bastante sinceras. Não me restam dúvidas de que o roteiro favorece bem mais Vera Farmiga, já que é a sua personagem traz mais surpresa e consegue atingir um patamar maior que o de sua parceira de elenco Kendrik, mesmo que essa apareça em cena muito mais tempo do que aquela. Kendrik compõe bem sua personagem, mas o roteiro é um pouquinho infeliz na construção desta, já que ela é um pouco estereotipada e, às vezes, contraditória. Por causa disso, Kendrik é obrigada a ter uma atuação mais "comum", mas em nenhum momento chega a ser comum mesmo, pois a atriz se mostra plenamente capaz. Logo, concordo com a Academia a respeito da indicação das duas atrizes, que decididamente parecem ter sido feitas para filmes desse gênero. A grande surpresa fica por conta de Kendrik, na minha opinião, afinal ela não tem muitos filmes no currículos e dentre os que já fez, estão as obras da saga Crepúsculo - Crepúsculo, Lua Nova e Eclipse. Difícil imaginar que alguém vindo desses filmes possa conceber uma atuação decente, né?

Roteiro e atuações não são o único ponto certo do filme. Há também a direção de Jason Reitman, que antes havia nos trazido Juno, outra comédia romântica. O melhor aspecto da direção dele é a pureza que traz ao seus personagens: eles parecem tão sinceros e honestos, que eu nem sequer os vi como "personagens". Sabendo conduzir os seus atores, Jason se arrisca a mostrar uma realidade pura, sem muitos enfeites - tanto coisas boas como ruins acontecem. A somar, há uma belíssima trilha sonora, que faz com o que o filme se amplie e além de ser interessante de se ver, é também interessante de se ouvir. Considerando os vários prós e os poucos contras, acredito que Amor Sem Escalas seja um filme totalmente recomendável, principalmente para curtir na companhia de alguém legal - e nem estou falando exclusivamente de uma companhia do sexo oposto. Se querem saber, acho que o grande problema de Amor Sem Escalas é o título: péssimo, como usualmente os "tradutores" conseguem criar. Mas o filme não tem nada a ver com o título que recebeu por aqui. Ignorem o nome da obra e curtam-na com prazer.

Luís
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1 opiniões:

Renan disse...

É um daqueles filmes leves mas que merecem muito ser visto.

Pessoalmente, achei a atuação da Anna Kendrik superior a da Vera Farmiga. Me surpreendeu muito.