19 de mai de 2010

Veronika Decide Morrer

Veronika Decide Morrer, 1998, 215 páginas. Drama.

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Esse é um momento daqueles em que nós somos obrigados a dar o braço a torcer. Com o lançamento do filme baseado nesse livro, estrelando Sarah Michelle Gellar (sim, o filme é internacional!), eu me senti obrigado a lê-lo antes a fim de, posteriormente, comparar as duas obras, a original e a adaptada. Eu nunca fui fã de Paulo Coelho, não acho que ele realmente mereça todo o crédito que dão a ele e acredito que, considerando todos os bons escritores da atualidade, chamá-lo de mago é uma blasfêmia. Nessa crítica, portanto, não esperem elogios ao autor.

O livro conta a história de Veronika, uma jovem eslovena, que não aceita a idéia de viver uma vida sem sentido, decidindo se matar com uma overdose de calmantes. O suicídio fracassa e Veronika é internada em um asilo para loucos. Atendida pelo médico, é informada que não terá mais que sete dias de vida, e provavelmente, morrerá internada. A partir de então, a jovem passa seus dias a esperar morte, mas como isso é demasiadamente doentio, ela busca conforto fazendo aquilo que ela sempre quis, mas nunca teve coragem de fazer; aos poucos, percebe que tem sentido vontade de viver.

Admito que gostei bastante do livro. A história é interessante proque é extremamente capaz de fazer o leitor entrar no mundo da personagem principal e conhecer com ela todos os medos e sensações que ela passa a experimentar enclausurada no hospício. A construção dos personagens também é muito boa, porque, ainda que sejamos apresentados à Veronika como personagem principal, a história de outros internos também é narrada, nos mostrando os problemas que eles tinham antes de chegar a Villete. O desenvolvimento da trama é necessária paralelamente à maneira como conhecemos os coadjuvantes porque ao longo do enredo nós entendemos o que leva cada pessoa a se influenciar pelo desejo repentino de viver que surgiu em Verônika; assim, tendo consciência do passado deles, o leitor acaba se entretendo bastante com os porquês de cada um. Também gostei da maneira como os “loucos” são tratados: alguns nem sequer são loucos, mas preferem chamar-se assim e ficar seguros no asilo a enfrentar o mundo devorador que existe lá fora e que não lhes é capaz de dar uma nova oportunidade. Logo, o que mais tem num asilo para loucos são pessoas racionais!

Existe uns momentos realmente maçantes no livro e que eu considerei completamente desnecessários, que são as descrições que Paulo Coelho faz sobre viagens espirituais. Não somente não mostram nada como ainda tiram a linha racional que o livro tem; por um instante, eu pensei em fechar o livro, imaginando que haveria mais de um capítulo contendo aquela lengalenga. Ainda bem que eu sou persistente. Constrastando a esse momento, há muitas mensagens durante todo o livro, que nos fazem pensar um pouco a respeito das nossas expectativas quanto à vida. São bastante eficientes e escolhidas com palavras bem cuidadas a fim de que o leitor veja a imensidão que significam no contexto do livro. Destaco dois momentos: aquele em que o Dr. Igor, médico que está elaborando uma tese sobre a Amargura, conta a fábula do reino em que todos ficaram loucos e uma das passagens finais, quando em poucas linhas, percebemos o quão preciosa a vida se tornou para alguém que vive sempre o último dia - como um milagre.

Ainda não tive oportunidade de ver o filme, no qual Sarah Michelle Gellar interpreta Veronika. Muitos falam bem, alguns não gostaram. A maioria achou satisfatório, mas, sem tê-lo visto, não posso dizer nada. Em breve vou conferir essa obra e, por conseguinte, ela será publicada aqui.

Voltando ao livro, eu recomendo que o leiam. Não que eu tenha virado fã do Paulo Coelho, mas descobri que o ler não é tão ruim quanto eu pensava, ainda que haja dois momentos patéticos no livro - um que eu já citei e outro no qual o autor relata pequenos trechos de sua vida chamando-se pela terceira pessoa, como se não fosse ele quem escrevesse o livro. De uma forma geral, é bastante válido e funciona se a intenção era nos fazer pensar. Não acho que seja um livro do qual o leitor se lembrará depois de um ano que o leu, mas ainda assim… pensemos no presente e vivamos como se fosse o último dia. É isso!

Luís

3 opiniões:

Matheus Pannebecker disse...

Não li o livro (detesto Paulo Coelho), mas achei o filme bem satisfatório!

Luiza disse...

Eu li!E adorei!E o livro que apesar de ser do Paulo Coelho,é muito bom!*-* Acho que vou relê-lo!
Ainda não assisti ao filme,mas fiquei bastante curiosa.

Aracy disse...

Olá,
sou graduada em Letras e pós graduada em Literatura pela Universidade Federal do Piauí.Foi com imenso prazer que achei esse blog e fiquei muito feliz.Amo literatura e pretendo sempre acessá-lo.Vocês estão de parabéns por tão arrojada iniciativa nos dias atuais.
Li apenas dois livros de Paulo Coelho e os acho uma bos... com perdão do termo.Acho q não vale a pena gastar minha retina,íris,cristalino,além do meu dinheiro,tempo, energia elétrica e etc com tamanha pasmaceira.Mas isto é somente a minha opinião.
abraços,
Aracy Castelo Branco Coelho.